Passei pelo sítio do PsychoMind e voltei de lá a sorrir com
este post sobre advertências estúpidas escritas em diversos produtos. Retive esta, por razões que em breve vos serão reveladas:
Na embalagem da tábua de passar a ferro da Rowenta:"Não engomar a roupa sobre o corpo"
Sobre esta frase ocorrem-me dois pensamentos:
a) Há aí uma liberdade de utilização que é completamente castrada, porque sendo o acto de passar a ferro resultante da vontade do dono da tábua, do ferro, da roupa e do próprio corpinho, porque diabo é que há-de vir um tipo qualquer dizer como é que havemos de passar a ferro?
b) a minha tábua de engomar claramente não é da Rowenta, porque se fosse, e eu tivesse lido a advertência, talvez tivesse pensado melhor e não tinha ficado assim, marcada a ferro e fogo, qual vitelinho da 'Ponderosa':

Antes que me considerem mais débil mental do que já me dou a parecer, deixem-me dizer três coisas:
a) Eu não passo a roupa no corpo habitualmente. Mas tinha um vinco no punho do camiseiro, que me tinha escapado aquando da passadela inicial, que ocorreu, como é suposto, em cima da tábua, e estava cheia de pressa.
b) quero enfaticamente chamar a atenção para o formato da queimadura, que lembra um peixe. Estou muito orgulhosa pelo facto de conseguir queimar-me artisticamente!
c) deste episódio, que não resultou de estupidez nem ingenuidade , mas tão somente de um risco calculado que calculei um bocado ao lado (eu sei que não é suposto engomarmo-nos com a roupa vestida, mas estava com pressa. E tentei ter cuidado. Obviamente, sem sucesso!), estabeleci um paralelo com outras experiências passadas: quantas vezes não sabemos do perigo ou riscos envolvidos em determinada acção na nossa vida e não nos atiramos de cabeça na mesma? É tudo uma questão de estar preparado para o resultado final e aceitar as consequências com a graciosidade possível. Se eu não sabia que me podia queimar? Claro que sabia. Mas também sabia que podia não me ter queimado, e despachava-me mais depressa. Correu mal... paciência. Vou deixar de engomar um punho de camiseiro em cima do punho? Durante uns tempos, provavelmente. Mas será que nunca mais vou engomar um punho de camiseiro em cima do punho? Dificilmente! Terei mais cuidado se o voltar a fazer? Com toda a certeza! Erra e aprende, para poderes errar melhor no futuro. (Claro que sim. Para a próxima, pelo menos ponho o ferro no mínimo!)
Mas agora a sério: fazemos isto todos os dias. Talvez não o engomar a roupa no corpinho, felizmente, mas todos os dias somos confrontados com os resultados das nossas escolhas. Importante é que as façamos, as escolhas. E que calculemos o risco. E que estejamos preparados para aceitar qualquer desfecho. Com mais ou menos cicatrizes. Cada uma conta-nos uma história; cada uma é um pontinho no nosso mapa. As mais fundas dizem-nos para não voltar a passar por ali. Outras, para passarmos com mais cuidado. E outras, por fim, aquelas que já quase não se notam, servem para nos fazer recordar e sorrir, seguindo em frente. Essas são as melhores. Que nunca ninguém menospreze o valor de uma cicatriz! (especialmente se ela tiver a forma de uma dourada anoréctica)
Portanto, e no limite, ainda bem que me queimei, pois tive a oportunidade de produzir estas extraordinárias cogitações...Além disso, deu azo a imensas demonstrações de simpatia no trabalho e no círculo amigável. Pelo menos até eu explicar o porquê do 'burn-aid'... ;)
E estou ainda particularmente orgulhosa da forma positiva como estou a encarar isto porque esta bodega doeu-me como o caraças!