quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mais de 18 anos, mais de 30kgs e a respirar sem ventilador

Este é o critério que a maioria da corja predadora masculina (leitores masculinos, não se ofendam. Já...) interpreta como carta branca para o assédio a incautas transeuntes. Este é um assunto que já me aborrece há uns tempos e chegou a hora de denunciar ao mundo a minha absoluta insatisfação. Hoje, ao regressar de almoço, e ao passar por um grupo de bravos rapazes da construção civil, lá fui brincada com mais um piropo, de gosto duvidoso. Pois que não liguei, porque se fosse a partir a cara a cada rapaz da construção civil que me assobia ou tece comentários quando eu passo, não havia prédios novos na zona do Rato nos tempos mais próximos. Por isso, passei, altaneira, com o meu olhar de desdém profundo (que eles por acaso não viram porque eu estava com os meus óculos escuros). Mais à frente, passo por um tipo perfeitamente normal, basicamente insuspeito. Mas, qual não é o meu espanto ao ouvir da boca do sujeito, ao passar por mim, ‘ai Jesus!’. Ai Jesus??? Ai Jesus, digo eu, que estou farta de ter de levar com estes anormais que acham, por alguma razão misteriosa que ainda não consegui descortinar, que têm o direito, digo bem, o direito, de invadir o meu espaço visual e auditivo com expressões imbecis e rudes, só pelo facto de terem as hormonas aos saltos. Ou é isso, ou são absolutamente estúpidos (inclino-me mais para esta).
O pior é que este comportamento não é apanágio das classes menos instruídas (vulgos rapazes da construção civil e afins) (sou, sou snob, e depois?). Não. Cada vez mais vejo homens aparentemente mais selectos, bem vestidos e com ar mais ou menos distinto, deitar olhares libidinosos e descarados aos decotes das mocitas, no metro, e mesmo mandar a ocasional ‘boquinha parva’. Uma vez, na avenida da Liberdade, estava eu a entrar para o edifício do escritório, e vejo, pelo vidro da porta, três quadros médios/superiores, daqueles yuppies da gravatinha amarela (nada contra, é só uma constatação), placidamente postados atrás de mim, a olhar-me descaradamente para o rabo. Pararam no meio da rua, reparem bem. Para ver um par de pernas. Que mais básico há que isto???? Estúpidos, ainda por cima, porque vi-os perfeitamente pelo reflexo do vidro, o que me permitiu virar-me e perguntar calmamente se havia algum problema que gostassem de ver esclarecido. Deram à sola de imediato, como putos, e fiquei eu, a olhar para os rabitos deles (nada de jeito, by the way), que os pobres tinham enfiado entre as pernas. É que o homem que manda boquinhas parvas é, por norma, muito cobardolas. O que só me irrita ainda mais. Porque é tão fácil, não é, mandar a boca e fugir?... Porque é que não diz, olho no olho ‘és toda grossa, fazia-te isto e aquilo?’. Porque se calhar levava uma resposta do tipo ‘ e homem para isso’, ou a minha preferida ‘nem um homem, quanto mais tu’? Ou o estalo, directo? Claro que sim. O ‘homem bocas’ é um cobarde do catano. Dá-me um gozo brutal, quando posso, mas confesso que é raro, porque tenho medo de me descontrolar e partir para a violência, confrontar o ‘homem bocas’. Uma vez, andava eu a passear o meu Yurie Manuel (outro canito que está em casa da minha mãe), tive o infortúnio de cruzar um bando de bravos rapazes da construção civil.
Preparada para o embate, passei por eles, na minha. Sossegadita. Mas não estava preparada para o que me disse um deles, quando passei por ele. A minha religião impede-me de reproduzir as palavras exactas, mas envolvia lambisquice de uma parte da minha anatomia. Desculpem lá! Há limites. Há uma diferença entre o piropo parvo ‘o cãozinho tem número de telefone' e a ordinarice. E eu, com ordinarice, não pactuo. Puxo o Yurie atrás (como é um minorca, veio mais ou menos a voar), vou ter com o gajo e digo-lhe muito alto ‘ó palhaço, não tens mais nada para fazer, não?!!' Ok... confesso que poderia ter sido mais imaginativa, mas era um gajo das obras!!E um gajo das obras não vale o esforço literário. Surtiu efeito, porque o gajo percebeu a parte do 'palhaço' e levou um gozo dos amiguinhos, e o certo é que nunca mais se meteram comigo. Da segunda vez que passei, no regresso do passeio, já o olhei a direito, à Dirty Harry ‘ Come on, make my day’, como que a pedir uma desculpa para lhe ir à tromba, o que ele claramente percebeu, e já não abriu a boca!

Tudo isto para dizer que estou farta dos ‘homens bocas’. Não se aguenta, pá!!! Olhem, babem para dentro, sonhem comigo, se quiserem, mas não abram a boca quando eu passo. A gerência agradece!

(e não pensem os leitores masculinos que eu tenho 1,80, pernas como a Giselle Bunchen, ou copa 44F. Não. Só tenho mesmo mais de 18 anos, mais de 30Kgs e respiro sem ajuda. Pasmem perante a originalidade!)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Cat Love



video



Antes que comece toda a gente a pensar que isto é uma produção hardcore para a playboy canina, deixem-me esclarecer. O Gato Gil, actor principal deste vídeo, foi adoptado pela Sasha Margarida -que poderão reconhecer como sendo o monte de pelo caramelo que ressona ao sol de verão) - com a tenra idade de mais ou menos um mês, que foi quando o apanhei da rua. E, como ele não tinha mummy, e como a Nádia sempre foi uma antipática de primeira, e não o deixava aproximar-se sequer, o pequeno Gato Gil foi-se afeiçoando à labrador monstruosa, mas simpática, que o lambia e o deixava dormir entre as patorras imensas, com mil cuidados para não o magoar.



As mentes mais perversas decerto não deixarão de mandar bocas foleiras, mas a verdade é que a Sasha empenhou-se no seu papel de mãe de tal modo que chegou a ter leite, para gaúdio do Gato Gil, que passou muito tempo a mamar na cadela. Por muito mal que isto possa soar, era uma ternura vê-lo, muito pequenino, na barriga da Sasha, agarrado a uma maminha e com as patinhas a fazer pressão, e a Sasha, muito quietinha, para não o perturbar. Tenho fotos que comprovam isto, e não raras vezes acordei de noite com o barulho característico da sucção. Só visto...



E, acreditem ou não, há ali um laço para sempre. O Gato Gil adora a Sasha Margarida, e a Sasha Margarida adora o Gato Gil. E é uma coisa só deles, mesmo, porque a Sasha, apesar de não ser agressiva com os outros dois, também não lhes liga nenhuma. Mas é só abrirmos a porta e entrarmos em casa que ela vai logo apanhar o Gato Gil pelo pescoço e dar-lhes beijinhos caninos. O que equivale a um banho de baba todos os dias. Maluca da cadela, que quase me afoga o gato!!!!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Muita tranquilidade... SCP 2 - FCP 0

Eu sabia que a minha conversa de pé de orelha com o Paulinho dava resultado! Nem parece segunda feira!! I'm so happy!!!
Todo o estádio a cantar, todo o estádio a cantar...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Mais um cantinho na blogosfera

Malta,
Tenho uma revelação brutal a fazer: a pedidos de várias famílias (pelos menos dois bloggers) acabo de inaugurar aqui um novo espaço de divulgação artística. Espero que guardem este endereço cuidadosamente e até, que façam cópias dos post. Nunca se sabe se, qual Van Gogh, não valerei milhares de 'érios' um dias destes. Prometo, no entanto, não cortar nenhuma orelha, porque acho muito pouco fashion andar só com um brinco!
Vou actualizando o bicho, e, se não me esquecer, aviso quando houver novidades!

Sunday morning...

Esta é uma daquelas manhãs de domingo como eu gosto, solarengas e calmas. Já despachei tudo o que tinha de despachar, e tenho agora duas horas para fazer o que me apetecer.

Estava à espera que o pc não arrancasse, porque ontem o Gato Gil, em voo picado sobre a mesa, mandou-o ao chão. Pasmo que a coisa ainda funcione, mas parece que ainda não é desta que estrafego o malvado do gato!

Enquanto estou a escrever estas singelas palavras, vou degustando o meu chá de jasmim, ao som de 'Romanza' do extraordinário Andrea Bocceli, e deitando um olhinho pela janela para o mar lá ao fundo...Parece que me está a chamar... Apetecia-me pegar na Sasha e ir dar uma corrida na praia do Meco. Só nós duas, as gaivotas, o sol e o mar. E o vento, claro.
É uma sensação tão libertadora correr na praia...junto ao mar, não penso nas pessoas sem escrúpulos para quem trabalho, nem no desperdício completo das horas de inspiração que podia aplicar construtivamente. Junto ao mar, não penso na solidão que me assola por vezes. Junto ao mar não penso no amanhã. Nem no ontem. No que fiz, não fiz, farei ou não. Não penso no que não tenho. Junto ao mar, só o momento interessa. Cada pormenor exige a minha atenção completa. Cada onda que rebenta, cada concha que rebola empurrada pela força da água, cada nuance de cor proporciona-me um momento em suspenso e transporta-me para um semi limbo em que estou ali no meu casulo, só a gozar o momento. Passava horas a olhar para o mar...

Gosto de um mar revolto, mais que de um mar sereno, apesar de ter um medo profundo da sua força, e de imaginar mil cenários de desgraças quando estou num barco, ou mesmo à beira mar. Para mim o movimento é tudo. Gosto de contar as vagas, e dar-lhes personalidades. 'Aqui vem uma onda tímida', 'esta agora vai partir tudo'. Preciso, de tempos a tempos, de ir passear junto às ondas que rebentam com tanta força que não se ouve mais nada. Vou, muitas vezes, passear na praia quando está para chover. Gosto de ver as nuvens cerradas, o mar cinzento esverdeado, e a quietude implícita, como se estivesse tudo em suspenso, à espera da chuva libertadora...

Estou um bocadinho melodramática hoje... mas é verdade, acho que às vezes precisamos de uma purga. A minha é esta. Ir ver o mar...

Bom fim de semana

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ultimato!!!
Ontem cheguei a casa, depois do massacre da ginástica, e encontrei os meus 'piquenos' reunidos em concílio.
'Ah e tal, tens muita piada, tens!' diz-me o Boris
'Então, o que é que se passa?', pergunto eu, alarmada com a pose provocadora/dominadora da bicharada revoltada.
'Epá, Safira, passa-se que estamos fartos! dizes que é o blogue dos gatinhos e mai não sei quê, e os meus gatos é que são o máximo e tal, e quando vamos a ver, pões vídeos de leões e ursos! Portantos, estamos oficialmente de trombas! E por isso, ou falas de nós no teu estúpido blogue, ou vais fazer festas ao cabide!'
E com estas majestosas palavras, o Gato Gil soprou e virou costas, com o Boris a saltitar atrás e a Nádia, pachá dissimulada, solidária com eles, mas só para que não a chateiem.
Ó meus queridos gatinhos, alegria da minha vida, desgraça dos meus sofás e da minha conta bancária, mas que ciumeira parva é esta?? Mas há dúvidas de que este blogue também é vosso? meninos maus, que não vêem que o ursinho estava sozinho e triste e precisava de muitas festinhas virtuais. Mas pronto, se é só por causa disso que me estão a fazer esta cena, pronto, rejubilem, que segue já um vídeo das vossas manifestações de carinho e da tranquilidade com que às vezes me brindam depois de um dia de trabalho.

video

Satisfeitos, gatinhos? Já se sentem de novo o Centro do Universo? Ainda bem. Acharam piadinha a mostrar o vosso poder, foi? Pois é... olhem, queridinhos, sabem a latinha de Sheeva que eu dou ao fds? Pois podem esquecê-la durante uns tempos! Para aprenderem a ser humildes e a não hostilizar os outros bichinhos indefesos que eu puser no MEU blogue!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Obrigada Fausto!!!



Desde já te aposto um selo virtual (acabado de inventar e feito à pressão no paint, que como toda a gente sabe é um NOJO!!!)


este blogue

(e pasmem que consegui finalmente colocar uma hiperligação. Sozinha!!! Muito à frente!!! As pessoas que já fazem isto há que séculos podem abster-se de gozar com a minha ignorância e limitarem-se a ficarem felizes por ter visto a luz!!! A luz da ciência, não a luz da segunda circular. Cruz credo que cada vez que lá passo até desvio o olhar e faço figas!)


Muito orgulhosa do meu primeiro vídeo no blog. Não é uma fofura este ursinho polar???


(pronto, ok, foi o primeiro vídeo que me apareceu... mas o ursinho é giro!!!)









Grande galo...

Enviaram-me este link do You Tube. Para quem quiser assistir a uma cena raramente filmada, aqui ficam oito minutos de lição de vida animal. Como o vídeo é extenso, faço uma breve descrição: trata-se de uma cena filmada por um turista algures no Kruger Park em que o sortudo conseguiu apanhar um ataque de leões a um búfalo bébé que seguia com os pais (presumo...não dizem, obviamente). Bom, a pobre criatura é apanhada e fica na boca de várias leoas, até que aparece um crocodilo a reclamar um pedaço também (sim, ainda eu digo que tenho azar na vida! Leões e um crocodilo a puxar pelo pobre bicho). Os leões ganham ao crocodilo, que sai de cena a chorar (trocadilho parvo, mas pronto), e levam o búfalo bébé de volta para terra. Só que, e aqui é reside a beleza da coisa, os pais búfalo voltam... Com mais 50 amigos. E dão uma grande coça nos leões (leoas, pronto...). E o búfalozito no meio disto?... pois que se levanta e é de imediato rodeado pelos búfalos todos. Sobreviveu ao ataque!!! :) Não sei se se terá safado pois não deve ter ficado em muito bom estado.
Tudo isto para dizer que até os animais selvagens têm princípios de lealdade e não abandonam os seus. Muita gente poderia aprender com o exemplo. Não sei, digo eu...

http://br.youtube.com/watch?v=LU8DDYz68kM

PS: se alguém me explicar como é que eu coloco um video no blog, para a próxima em vez de link fica logo o dito vídeo . Muito obrigadinha! :)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Nem tudo o que parece é...


Queria partilhar convosco a foto dos pasteis de nata que fiz ontem, numa fúria inspiradora de pasteleirice. Fi-la com o telemóvel da empresa (sim que o meu é daqueles rascas que servem para telefonar e não para comandar uma missão espacial da NASA a partir do sofá de casa). Infelizmente, uma vez que o meu disco duro (do PC do trabalho) morreu recentemente, com ele partiu para o Céu da Informática o programa da Sony, para descarregar as estúpidas fotos do estúpido telemóvel. E, como nesta empresa é tudo inteligente, o nosso informático trancou-me o PC e mudou a password de Administrador, pelo que, apesar da minha extraordinária competência não posso voltar a instalar o estúpido programa até voltar o nosso 'mago' informático. Assim, é com enorme pesar que tenho de espetar aqui a primeira foto de pastéis de nata que encontrei na net, e que nada têm que ver com os meus!!! É que os meus também não tinham nada a ver com um pastel de nata, e a piada toda do post era mesmo essa!!! Os meus pasteis estavam do mais feio que possam imaginar: mirradinhos e engelhados (hum... é melhor ter cuidado com a linguagem, que isto pode descambar.. :)), corados é certo, mas não com aquele ar saudável de pastel de nata bem tostadinho, com aquela deliciosa capinha preta. Não, os meus estavam uma verdadeira lástima. Nem o icing sugar, cuidadosamente colocado para disfarçar as áreas mais massacradas de cada aspirante a pastel de nata lograram conseguir melhoras. Eles estavam mesmo, mas mesmo, muito feiosos!
Contudo, e digo bem, contudo, estavam muito bons!!!! A travessa foi-se toda num instantinho, tendo a malta tecido rasgados elogios à aspirante a pasteleira. Houve mesmo quem achasse que eu devia dedicar-me ao fabrico dos ditos para venda na praia. (Mas era um benfiquista, donde o meu encolher de ombros assim a modos que 'coitadito, vá lá tira lá outro e não digas disparates')!
Assim, o meu pensamento do dia para hoje é o seguinte:

'Não é porque o pastel é feioso que não se lambiscam os beiços'

E após a profundidade deste post, remeto-me à minha insignificância de pessoa stressada por causa do fecho das contas e evaporo-me para ir 'cozinhar' resultados fiscalmente favoráveis em 2007!
PS: hoje começo o meu curso de escrita criativa. Yuppiiiiiiiiiii. Depois conto.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tenho andado tão ocupada que nem consigo debitar as minhas parvoices no dia em que elas acontecem ou se me assomam ao espírito. Mas esta não posso deixar de partilhar.
Picture this: Estrada Nacional 378, por volta das oito e meia da noite, há dois dias. Um Mégane solitário, conduzido por uma gaja muita gira (a história é minha e eu escrevo o que quero), arrasta-se no asfalto. Cansado, sem alegria… Sem dúvida por solidariedade para com a condutora, também ela amorfa e cabisbaixa, imersa nos seus pensamentos negros: ’tenho de mudar de emprego antes que dê em doida’, ‘tenho de falar com o Paulo Bento, que já não se aguenta aquela miséria’, ‘já não tenho whisky em casa. Que merda!!!’. De súbito, a gaja gira decide fazer um zapping porque já não se aguenta a Shakira e a Beyoncé, um raio que as parta às duas, e já agora que ricochete na Jennifer Lopez, essa porca suja.. mas não há uma música de jeito hoje, por mil demónios! e ninguém quer saber da entrevista da Susana Félix, que vá flutuar para longe, que miséria de rádio há neste país, afinal??? A gaja continua a zappar furiosamente… O Mégane começa a sentir o nervoso miudinho da gaja, começa a ganhar força, mas logo à frente, a seguir a uma curva, apanha um camião que se arrasta a trinta a hora. O Mégane tosse e abranda, a gaja gira espuma de raiva, e continua a zappar furiosamente… não, também não queremos saber do trânsito em Lisboa, já não estamos em Lisboa, pois não, então o que é que isso me interessa? e não me venham dizer que vai chover amanhã que ando há semanas de botas e gabardina e nunca chove nada de jeito! Música, quero Música!!!!!!!

Até que…
oh ceús!!! Poderá ser???

Conheço este sintetizador a fazer de trompete que entra de mansinho…

‘ta - tara-rará
Tara ratatá tara rará

E agora…a bateria, certo?

Ta (Tum tum tum tum)
Tara ratatá (tum tum tum)
ta - tara-rará
Tara ratatá tara rará

Entra a voz!!!!!!

‘ouh ouh ouh ouh ouh ouh ouh’

Não pode ser!!! NO WAY!!!! Mas sim!!!! É ele!!! É o Joey Tempest!!!

Wouh Wouh!!!!
A gaja anima-se, o Mégane ronca…
No habitáculo é a loucura…

We’re leaving togheter
But still it’s farewell
And maybe we’ll come back
To Earth who can tell
I guess there was no one to blame
We’re leaving ground
Will things ever be the same again?

It’s the FINAL COUNTDOWN
Tara ra ra tara rarata ta
The FINAL COUNTDOWN

O Mégane roda agora a 120km, em zigzags incoerentes pois a gaja gira, para além de cantar a plenos pulmóes também abana furiosamente a cabeça, cheia de saudades do seu longo cabelo (mas porque diabo o foi cortar na semana passada???!!!), e vai esmurrando o volante marcando a batida. No seu êxtase reminiscente, tenta recriar todos os instrumentos, e fala sozinha: olha agora, é o solo da guitarra. tiririririririrr tirririi tinniiimmmmmmmmm. A gaja está louca, já passou o camião e nem deu conta, foi durante o solo de guitarra, de certeza, deve ter fechado os olhos momentaneamente, toda a gente sabe que os virtuosos tocam de olhos fechados. Agora é o baixo, que difícil é, mas Deus! A gaja insiste badom badadabam badom baddada dom Não há nota que a esmoreça, não há esganiçar que a detenha, a gaja sente-se livre e viva. A gaja está misteriosa e inexplicavelmente feliz…


Hélas...na rotunda, já perto de casa, outro condutor olha para o Mégane e para o espectáculo bizarro que se desenrola no interior. Abana a cabeça com ar de profunda piedade…é um puto novo (não percebe nada dos anos oitenta, já se vê)... A gaja devolve a piedade com um olhar de profundo desprezo ‘ ó estúpido, não vês que são os Europe do Joey Tempest, catano?!!!. Deves ser é parvo! Palhaço, sai-me mas é da frente, ó atrasado mental! 'Tou-te a fazer sinais de luzes, 'tou, ó urso, é para que andes, estúpido do caraças, tens prioridade, ó anormal!'

A música acabou. O encanto foi-se. A gaja voltou a ser apenas uma gaja a conduzir um Mégane com 115 mil km (e a insultar outros automobilistas), de regresso a casa depois de mais um dia. Mas os quatro minutos e picos de delírio, amigos, esses ninguém lhos tira!!


Gaja sofre...

Escrevo-vos do aconchego dos meus lençóis polares, azul cueca com grandes flores azuis não cueca( assim a modos que azul mais escuro que azul cueca ) e verde lima e uma barra cor de laranja aos quadrados azuis que não lembra ao careca. Não sei quem desenhou isto, mas teve ter tido decerto uma coisinha má. Perdoa-se a estética duvidosa pelo calorzinho imediato que se sente ao deitar. Hum… que bom é deitar, apagar a luz, e enroscar-se no ninho para descansar o nosso corpo cansado das agruras diárias.

O meu está mais cansado do que é costume (raia já o esfalfamento completo) porque hoje foi dia de santo suplício (vulgo ‘dia de malhação’). Penei muito até chegar ao ninho. Tive de passar por todos os rituais diários aconselháveis (e, a partir dos 30, absolutamente imprescindíveis) para a manutenção do corpinho que nos calhou em sorte e que, bem ou mal temos de esforçar-nos por manter. Assim, depois de 50 minutos de estiramentos, agachamentos, abdominais, e das coreografias parvas que a Leonor nos obriga a fazer (decerto para nunca esquecermos que o ridículo humano não tem limites), e depois de ir cravar uma sopinha e uma salada a casa da minha mãe, vim para casa para dar início ao ritual da noite:
- saudar efusivamente e equitativamente os três estarolas (os meus gatinhos lindos)
- dar indicações precisas à Sasha Margarida que não deve ir chafurdar no lixo nem pegar o gato Gil pelo cachaço e arrastá-lo pela casa fora, e se possível, fazer com que se vá deitar para minimizar as probabilidades de estragos graves ou roubo de comida.
- tomar o belo do duche, com esfrega vigorosa e litros de gel de banho energizante (dizem eles; eu cá não noto grande coisa…)
- secar meticulosamente o corpinho
- aplicar a loção corporal ( tenho uma nova do boticário, de cacau e frutos silvestres)
- aplicar a espuma para caracóis no cabelinho (curiosamente, no meu cabelo tem um efeito alisante, portanto ainda bem que eu gastei 14€ para nada; bom, o meu cabelo tem personalidade própria, deve ser por isso)
- secar o cabelinho e, se houver pachorra, com ligeiro brushing para tentar domar a 'besta' (não houve pachorra; a besta domina-me por completo)
- limpar a da pele do rosto
- aplicar o tónico
- aplicar o anti-rugas hidratante
- lavar os dentinhos
- aplicar o creme hidratante para pés ( o das mãos é quando acabar de mexer no teclado)

Ou seja, ando nisto há mais de meia hora. Estou cansada!!! Mas cheiro bem, valha-nos isso…

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os meus dias deviam ter 48 horas. De ócio, entenda-se. Puro e old fashioned ócio, daquele ócio que nos dá a possibilidade de fazer mil e uma coisas ou coisa nenhuma. À escolha. Mas sem stress. Saber que se tem tempo. Não andar a cronometrar: 'agora só tenho dez minutos para fazer um esboço', 'daqui a cinco minutos tenho de desligar o pc' E o que tenho, ao invés? Sim, após três horas em transportes, oito horas de tortura quotidiana a trabalhar para gente maluca, meia hora para um jantar em família (humana ou felina), o que sobra? no máximo, duas horas de tempo de neurónios activos. Euh... uma hora... bom, ok, vinte minutos.
Ora isto é manifestamente insuficiente para fazer tudo o que tenho para fazer, melhor, tudo o que quero fazer. Resultado: uma grande neura e acabar por não fazer coisa nenhuma.
O meu único consolo é ter um sofá confortável. Mas não me lembro de alguém ter ficado conhecido na História pela graça com que vegetava no sofá!...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Tea Break...

A pausa da guerreira, com uma bela chávena de chá fumegante. Por cinco minutos, espaço para o absoluto deleite que é tomar chá. Adoro chá...Chá preto, chá verde, chá de menta, chá de limão, chá de jasmim, chá de tudo e mais alguma coisa. Menos chá de camomila, que não sabe lá a grande coisa.
No outro dia fui ao Pavilhão Chinês ao final da tarde, para um 'tea and friend' com o meu amigo Zé, recém chegado das suas desventuras por terras do rei hassan (ou lá como é que se chama o rei de Marrocos, sei lá eu!)... Provei uma das especialidades, um Earl Grey com jasmim e bergamota. Uma delícia. Tudo. O chá, o cenário kitch, a companhia... Tudo a fazer lembrar que certos rituais, especialmente se inesperados, e por muito simples, são sempre uma lufada de ar fresco na lufa lufa diária.
E agora que já gastei a minha pausa, e já acabei o meu rico cházinho, vou voltar para as minhas contas imbecis... ODEIO ODEIO ODEIO o fecho do ano!!!!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008



Concerto em 'Rom' menor

Esta manhã fui presenteada com uma grandiosa actuação do meu tenor Boris, muy bem acompanhado pela mezza soprano Nádia . Mais atrás, Gato Gil, fazia da cauda batuta, acompanhando o ritmo da serenata felina dos outros dois amigos.

É costume o Boris acordar-me e reclamar festinhas com sonoros ronroms, mas que a Nádia se tenha juntado a ele ( e em cânone), lado a lado, em cima da minha barriga, é uma coisa inédita. E tão tranquilo e inspirador foi, que me levou a escrever sobre isso.

E, by the way, não está lindo o meu bébé?

Saudações babadas

(Um post curto!!! ora aí está outra coisa inédita!)

domingo, 6 de janeiro de 2008

Mataram o Destino Cósmico!!!


Sempre achei a lamechice uma coisa parva, quando em demasia. Não sou adepta dos constantes ‘adoro-te tanto, paixão da minha vida’, nem do beijocar permanente (muito menos quando são outras pessoas que estão nos ‘melos’, e especialmente quando isto acontece no comboio, logo às oito da manhã. Por Zeus! Alguém explique aos imberbes adolescentes que água e sabão é mais eficaz para a limpeza cutânea do que lamber sonoramente a cara toda do outro. O ‘schlep schlep’ em transportes públicos é do pior gosto! Caramba, ao menos não façam barulho!), mas sempre me considerei uma pessoa romântica (mas não na forma do romantismo lamechas. Não tenho paciência!). Gosto do amor em si, gosto dos gestos ternos, gosto das surpresas por vezes imbecis aos olhos do mundo, gosto da ideia de estar apaixonada e gosto de acreditar –embora seja cada vez mais difícil – que há mesmo um Destino que nos coloca na rota cósmica de uma pessoa e só dessa pessoa. Deve ser verdade, mas ainda estou à espera de confirmação empírica.

Por isso, fiquei sinceramente desgostosa com o livro que ando a ler


(vou inserir foto quando estiver no escritório porque a merda da connect box da Vodafone não me faz o upload das fotos em casa. Com o meu galo, é muito normal, asseguro-vos!…). (Não, afinal, se eu tirar fotos só de 1Mb, a coisa resulta)-




Este simpático senhor, conta-nos a forma ‘mágica’ como conheceu a namorada. Num avião. Viajavam ao lado um do outro. E como a reencontrou. Noutro avião. E no lugar ao lado. (pessoalmente acho um bocado forçado, mas o homem tinha de escrever o livro…). Tece rasgados elogios à magia da coisa, e depois destrói toda a ideia de destino nesta página :

em que pura e simplesmente descreve, com fórmulas e tudo, a probabilidade de este encontro se poder dar, casuisticamente, e não por obra e graça de um Poder Supremo de Atracção do Universo. Não tenho nada contra a ciência das probabilidades (só as detesto profundamente), mas parece-me de muito mau gosto reduzir encontros sentimentais a fórmulas matemáticas e acabar com a mística do amor romântico nas páginas a seguir. Especialmente porque, e dado que levei três anos a fazer a merda da cadeira de estatística, isso não deixa antever nada de bom para o meu futuro. A prova: já me fartei de andar de avião e eis o que já me calhou na rifa, sentado a meu lado:


a) uma velha doida que me deixou cair a bagagem na cabeça!


b) um gajo lindo de morrer… com o filho, e a mulher no outro banco ao lado (ainda por cima, estava a empatar porque tive a ousadia de reservar o meu lugar mais cedo. E não, não me ofereci para trocar, porque eu estava na janela e não gosto de levar com a malta toda que se levanta de cinco em cinco minutos para ir à casa de banho!)


c) um velho babão que meteu conversa comigo num voo nocturno para Milão, (quando eu ainda trabalhava numa empresa de jeito e tinha funções que me permitiam viajar e desenvolver o intelecto). Perguntou-me se eu estava a viajar sozinha (não, estou só sentada ao teu lado sem mais ninguém porque gosto de sofrer!) e onde é que eu ia ficar, e se viajava muitas vezes… Fui salva pelo colega assistente de bordo que, vendo o meu ar profundamente enojado, me foi chamar, dizendo que o comandante estava a chamar-me, e levou-me para a classe executiva. Ricardo, grande abraço! Tás cá dentro!!!!


d) Um miudinho a viajar sozinho, que chorou o caminho todo e que só falava francês, quando a assistente de bordo só falava português e inglês, logicamente. Feita estúpida, ofereci-me para traduzir e acabei a ouvir o miudo contar-me a vida toda, e dizer-me todas as prendas que recebeu nesse Natal. Para além de ter de chamar a assistente de cada vez que ele queria coca cola!

Portanto, se o Deus das Probabilidades me estiver a ouvir, aqui fica um pedido singelo: já que não colaboras para que viaje a meu lado um gajo com 1,85, tez bronzeada e olhos verdes (de preferência), bem constituido, solteiro e não gay, sem profundos distúrbios emocionais ou crises frequentes de atrasadice mental, e que não seja um filho da puta mentiroso e egoista, já que não colaboras, Deus das Probabilidades, ao menos, deixa-me viajar sem um anormal ao lado!!!!

Ah, e se me devolvessem o dinheiro do livro também não era pior!!!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008


Tenho tentado, em vão, combater a extrema preguiça que me assola quando chego a casa. A minha parca energia não tem dado para muito mais do que mandar-me para cima do sofá e, com extremo esforço, pegar no comando e ir enchendo os entorpecidos neurónios de séries do AXN e da FOX, até adormecer (o que demora uns vinte minutos, no máximo. Por isso, se alguém sabe quem era o assassino do CSI da passada 3ª feira, e porque é que matou as pobres moças, a gerência agradece! )
Nem tive tempo ainda de me dedicar como deve ser ao meu balanço de 2007 e às resoluções para 2008. Mas, entretanto, já estão duas a andar: inscrevi-me num curso de escrita criativa e vou à neve!! Yuppi!!!!
Tenho de voltar com mais tempo para falar de uma série de coisas que me têm marcado nestes últimos dias, nomeadamente o amor profundo que desenvolvi pelo meu velhinho Mégane, que me deixou apeada no dia 30/12/2007, porque o alternador (seja lá o que isso for) deu o berro! E as saudades que eu tive do bicho??? É mesmo verdade que não sabemos o quanto gostamos de algo até o perdermos (ainda que só por três dias). Foi especial o momento em que dei à chave e ele pegou à primeira! Pior foi o momento em que liguei o rádio e me aparecem umas letras a catrapiscar 'Insert Code'. Porreiro, pá! Eu até sei o código, não sei é como inseri-lo! Passei uma meia hora a tentar carregar em todos os botões, especialmente no que dizia 'Code', depois mais uma outra meia hora a tentar achar o manual que, afinal estava em casa da minha mãe, e fui deitar-me furiosa perante a perspectiva (para mim intolerável) de ir para o trabalho, no dia seguinte, feita monga, sem música no carro. Mas só no outro dia de manhã é que consegui ler o manual à pressão, e claro, não identifiquei metade nos comandos no meu painel, até porque saltei a parte em que estava escrito que não era no painel, era mesmo no comando do volante, DAHHH) e lá fui, irritadíssima, por não conseguir pôr o estúpido rádio a funcionar à primeira. Não aguentei a monguice!!! Decidi parar 500 metros à frente (estou sempre atrasada mesmo, por isso mais minuto menos minuto...) e só saí dali quando finalmente percebi o que era a porcaria da 'molette' que era preciso apertar e consegui retirar daquele rectângulo mágico os maviosos sons dos Depêche Mode (que era o que estava a passar no momento na RFM).
Ahhhh, o êxtase de poder encarar os meus 20kms até ao comboio como um treino para a próxima sessão de Karaoke. Devo fazer uma figura lindíssima, mas estou-me bem nas tintas para isso. Um dia sem música é a tristeza personalizada. Quando eu não canto é que algo está seriamente errado. Mas tenho cantado, felizmente.
Isto vinha a propósito de quê, mesmo? who cares, pelo menos escrevi alguma coisa!