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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dia D-5

Faltam só cinco dias para acabar o mês de Janeiro. Conto-os com avidez. Janeiro é o meu mês horribilis anual. Se eu pudesse, erradicava-o do calendário. Parece que só recomeço a viver em pleno quando o primeiro dia de fevereiro me vem acordar os sentidos e me leva o torpor da alma. É irracional, não tem fundamento científico, mas é assim. Odeio Janeiro. Cada vez mais.
O meu ódio pelo mês de Janeiro começou em 1982, com a morte do meu pai. Ficou marcado o dia 7, como o fim de uma era feliz para mim e para a minha família. Vinte anos depois, no dia 16, perdi a minha melhor amiga. Por afinidade, em 2009, o dia 4 marca a partida da sogra que não cheguei a conhecer. Este ano, no dia 18, foi o filho desejado e gerado com sacrifícios vários, que perdemos às oito semanas. Não me quero alongar muito. Pensar nisso, tentar encontrar uma razão só me faz mal porque na realidade não há explicação. Acontece. As simple as that. Não é por sermos mais ou menos bonzinhos, mais ou menos correctos na nossa forma de viver, que somos mais ou menos poupados ao sofrimento. Faz parte da vida as coisas não correrem bem. A natureza sabe melhor, bla bla bla, melhor mais cedo do que mais tarde, bla bla bla... verdades lapalissianas, muito acertadas, é certo, mas que nem por isso trazem conforto. Não deixa de ser uma grande merda, seja por que prisma se olhar. Mas aconteceu, não há nada a fazer. Não seria menos doloroso se tivesse acontecido em maio, ou em outubro ou noutro mês qualquer. Nenhuma destas perdas seria menos dolorosa se ocorresse noutro mês qualquer. Obviamente que não. Mas o que deveria ser um mês de recomeços, de renovar de entusiasmo pelo novo ano que se inicia é, ano após ano, um mês de compasso de espera, enquanto não passam os dias em que inevitavelmente nos sentimos tristes. Não se trata de celebrar a morte em vez de celebrar a vida; as memórias dos nossos mortos carregamo-las connosco todos os dias de todos os meses. A diferença está no facto destes dias de janeiro serem o marco a partir do qual deixaram de ser possíveis novas memórias. E isso, para mim, é  - será sempre - incomensuravelmente triste. 
Este foi um post que pretendia catártico. Há que enfrentar os nossos medos e receios, as nossas dores e revoltas. Falar deles, reconhecer a sua existência como parte integrante da nossa passagem na terra, permite-nos avançar. Mesmo que não compreendamos a cem por cento, mesmo que nos sintamos injustiçados. Shit happens. a verdade é mesmo essa. Cabe-nos arregaçar as mangas e seguir em frente. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Serendipity




Sempre gostei desta palavra.


Gosto do som (faz-me pensar em serenidade) e gosto do significado. Gosto de saber que há uma palavra gira que consegue descrever uma feliz coincidência. Gosto de saber que existe uma palavra gira e mais curta para 'Anti-Grande-Galo-Universal'.



Assim como Cristóvão Colombo, que procurava a a Índia e virou para o lado errado, acabando por descobrir a América, também eu, volta e meia, encontro coisas boas sem as procurar, ou procurando outras. Como no mês passado, em que encontrei 25€ num bolso do saco de ginástica quando procurava umas meias!


Este não é com certeza o mais glamoroso nem o mais significativo episódio 'serendipético' que conto no meu currículo, mas apeteceu-me prestar aqui homenagem às grandes conquistas inesperadas e aos fortuitos acasos que nos fazem felizes e nos dão também a coragem necessária para nos mexermos pelo que queremos.

Enquanto o Sporting não ganha e tal...a malta tem de ir escrevendo sobre outras coisas.


Banda sonora
: At my most beautiful - R.E.M

domingo, 29 de novembro de 2009

Galo, I love you!



Entrei aqui para debitar sobre o Grande Galo Universal, desta vez traduzido no facto de Nádia Sophia estar de novo com uma otite e ter ácaros no ouvido interno. A minha gata tem ácaros nos ouvidos...Ca nojo! Nada que uma aplicação de Advocate de 15 em 15 dias não trate, mas dispensavamos a ideia de saber que há bichinhos nojentos a boiar na cera auricular de um animal que passa a vida ao meu colo.



E entretanto parei.

E comecei a pensar em todos os 'galos' que assinalei ao longo deste tempo e todos os 'não galos' ou coisas muito boas que me aconteceram e que guardei só para mim. Seguramente um galo anunciado torna-se mais forte do que um 'não galo' silenciado. É muito mais fácil lembrarmo-nos do stress que passamos quando o radiador do nosso carro morreu ao regressar de um casamento e ficamos parados a 20kms de casa, noite escura, na mais completa solidão. Se calhar lembramo--nos menos da sorte em ter alguém que se levante da cama para nos ir buscar, e que volte no dia seguinte connosco e com um mecânico para ressuscitar a alma.

E se calhar fazemos mal. Fazemos mesmo muito mal.


Se calhar, daqui a uns tempos não me vou lembrar que a Isabel me enviou um sms que dizia apenas 'SIC Radical'. E que quando ligo para a Sic Radical está o Jon Bon Jovi no Tonight Show do Conan O'Brien. Um sms simples, com um nome de uma estação, que não diz nada e que diz tudo. Como é que se mede a intensidade do bom que é saber que alguém nos conhece tão bem e se lembra de nós ao 'zappar' pela TV? E nos arranca um sorriso inesperado num dia que se calhar não nos correu de feição? Ah pois é...



E este é apenas um dos exemplos de coisas muito boas que me acontecem diariamente e que eu não enfatizo como deveria. Acontecem-me merdices inacreditáveis, sim, coisas que não lembram a ninguém, pequenos aborrecimentos ou espectaculares ironias do destino, mas a verdade é que faz parte. 'Shit happens', pronto. Não porque Deus me odeie, como eu também gosto de dizer umas 25 vezes por dia - quase sempre a brincar, porque, no fundo, mesmo na miséria depressiva continuo palhacinha porque é essa a minha essência -, mas porque as pequenas contrariedades também são um tempero da vida. Daquele que se polvilha em pequenas quantidades, só para fazer sobressair o tempero base.

Se eu podia viver sem o meu Galo Universal? Podia. Mas não era a mesma coisa! :)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desabafo

Acabei de almoçar no terraço do escritório. Foi um almoço triste. Primeiro, porque que não tinha ketchup para por na minha massa (e eu odeio massa sem nada, ficam a saber. Arroz branco, também só se houver molho. Senão, ketchup para cima. E não pode ser um qualquer, tem de ser Heinz). Foi triste para mim, mas pelos vistos foi ainda mais triste para a minha colega, coitada, que bem tentou puxar conversa, mas em vão. Esqueçam! Há dias em que não me apetece falar, é mesmo assim, não sei porquê e se não tenho justificação para mim, muito menos tenho de a fornecer aos outros. É deixarem-me estar, sossegada; eu agradeço.

Nunca percebi porque é que há pessoas a quem faz impressão estarem caladas um dia inteiro, ou que têm medo de estar sozinhas. Não entendo, mas respeito.
Querem papaguear o dia inteiro? Por quem sois!?... Falem para aí até se vos finar a laringe (só não o façam comigo, por favor).

Não conseguem encontrar conforto interior numa casa sem vivalma? Tenho pena. Mas tenho mesmo, só não é problema meu.

Não conseguem entreter a mente quando não têm ninguém por perto? Tenho ainda mais pena. Eu cá consigo. E (ó Drama! ó Horror!) aprecio esses pequenos momentos de retiro interior. Muito.


Só que agora todos os dias no escritório é isto:
- Ó Barbie*, mas está tudo bem?
- está.
- É alguma coisa do trabalho?
- não, não mais do que o costume...
- Mas é pessoal ? Tá tudo bem? Podemos fazer alguma coisa?
- ....nope.

Hello????

Qual a parte do primeiro 'está tudo bem?, está!!!.' sobre a qual era preciso elaborar?
Irra!


* eu não pedi nada, mas parece que esta alcunha pegou...n percebo porquê, que não sou loura (e muito menos anorética), mas sempre é melhor do que 'A Esfinge', que era um petit nom dos tempos de PGA, onde eu também nunca primei pela simpatia instantânea nem pelas amizades imediatas. Temos pena.


Banda Sonora: Let it rain - Amanda Marshall

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dia da Verdade

Ainda há uns dias comentei num post da Teté que não costumo ligar nenhuma aos 'dias de'. Foi por isso que esta manhã fui surpreendida pelo Pedro Ribeiro (não em pessoa, infelizmente) a anunciar na Comercial que se celebra hoje o 'Dia da Verdade'. Não fazia a mais pálida ideia. Mas acho bem. Acho bem porque a Verdade anda muito mal tratada por estes dias.

Primeiro achei estranho ser celebrada depois do dia das mentiras, como se tivesse menos importância. Mas agora que penso nisso, faz todo o sentido. Imaginem o que seria a vida da Mentira se depois não houvesse uma Verdade a cilindrá-la? Bom, quem não gosta da palavra Mentira, tem sempre em alternativa a expressão mais inócua 'distorção da verdade'. Não raras vezes deparamos com universos paralelos, alimentado pelo seu criador com tudo o que ele imagina, e em que acaba por acreditar piamente, talvez por ser assim mais fácil lidar com as suas próprias insuficiências.

Seja como for, a Verdade vem sempre ao de cima. Bom, se calhar nunca saberemos o que aconteceu à Maddie, ou se o 'engenheiro' aceitou as luvas ou não. Mas, desde que saibamos que nos mantemos no nosso trilho, e sejamos, essencialmente, honestos, connosco e com os outros, há-de correr tudo bem.

Deixo-vos com um lírio branco, flor que muito aprecio, e cuja 'significância' que se lhe atribui, a pureza, tem tudo a ver com o dia que se celebra .





Banda sonora: Honesty - Billy Joel


(que também tem tudo a ver. Isto hoje correu-me bem com os apêndices :))
(até arranjei um video que passa a letra, para que possamos reflectir)




sexta-feira, 13 de março de 2009

Enquanto é tempo


Soube ontem da trágica morte do meu antigo professor de viola, colhido por um carro quando passeava de bicicleta. Chocam-me sempre estas mortes imbecis. Fiquei perturbada. Apesar de não guardar dele uma opinião muito favorável, nestas coisas prevalecem os sentimentos cristãos e a indulgência para os pecados em vida dessa vida que cessou. Penso na família que deixa, aperta-se-me o coração. Subitamente, quero agarrar com muita força todos os que me são queridos para nunca os deixar partir.

A impossibilidade do meu abraço durar para sempre doí-me.


Mas não queria que este post fosse negativo. Derivei, por momentos. Coisas tenebrosas que penso, mas que guardo só para mim, como se o verbalizar dos medos nos tornasse presa mais apetecível para a Grande Ceifadora.


Não estou deprimida. Estou atenta. Atenta ao sentimento de urgência. Atenta ao tic tac do relógio, à contagem decrescente da força do meu abraço.


Esta tarde entrei numa agência de viagens e pedi umas brochuras. É urgente abraçar a vida, partilhar com os que amamos. Ver, sentir, disfrutar. Viver para hoje, como se não houvesse amanhã.


Repito, não é um post deprimido. É um post determinado. Welcome to my new world.



terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O hábito não faz (sempre) o monge

Vinha cheia de força para uma reflexão profunda, mas acho que só vou escrever o post para ter desculpa para por esta música do Caetano. Ando com ela na cabeça há uns dias, quase tantos quantos os que sinto a insidiosa -e sobejamente conhecida-mudança de humor (AKA valente neura) a colar-se-me à pele. Já não a via há uns tempos, e não tinha saudades nenhumas.


Mas aproveito que aqui estou ( e já que não estou a cumprir o plano de estudo do livro de História da Arte e suas 800 páginas, que ofereci a mim mesma pelo Natal) para tecer algumas considerações metafísicas. Curioso como por vezes basta uma pequena conversa inocente para nos por a questionar tanta coisa. Quem somos, afinal? Ou melhor, quem parecemos ser? Que imagem de nós damos ao mundo, para o mundo se permitir tirar esta ou aquela conclusão e nos rotular a seu belo prazer? E que estúpida faculdade tem o mundo de concluir coisas parvas e ainda assim nos afectar? Irrita-me que se assumam coisas só porque se pensa vê-las. Irrita-me que uma diferença de opiniões embata no muro da teimosia e que o que é válido para A tenha de ser igualmente válido para B. Irrita-me que me ponham a pensar nestas coisas quando tenho tanto mais que fazer. Irrita-me, especialmente, a mim que sempre odiei matemática pela sua falta de nuances e consequente profunda e aberrante falta de interesse, que me reduzam a um mínimo denominador comum, só porque a maior parte do Universo se rege por ele. Epá, pronto, irrita-me! O perigo de alguém nos conhecer bem?... é saber onde está a brecha da irritação na armadura. E espetar a farpa mesmo aí. Vou ali num instante colar uma fissurita e volto quando estiver estanque, que a minha vida não é andar a chatear-me com dores alheias disfarçadas de doutrina insofismável. Santa paciência!

BEWARE GENERALIZADORES!!!!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Verdes de inveja...

Uma amiga enviou-me, como saudação matutina e solidária, a seguinte fábula, para reflectirmos em conjunto:

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:

- Posso fazer três perguntas?

- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.

- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.

- Fiz-te alguma coisa?

- Não.

- Então porque é que me queres comer?

- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!


E é assim....Diariamente, tropeçamos em cobras!...e, não raras vezes, conseguem ser mais feias do que esta.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Palhaço

Não, não vou falar de ex namorados nem de chefes (ai , caroço, que não posso dizer isto aqui!!!! ;)))

Não sei porquê, hoje lembrei-me da minha tia Lurdes (que não era bem minha tia, mas é uma longa história) e de uma prenda nos longínquos anos 80. Em vez de um livro, desembrulhei (contrariada, claro) um disco infantil. Um 33 rotações. Desenganem-se os que pensam que se tratava dos Onda Choc ou Ministars ou do último êxito dessa grande referência musical da minha infância, a Suzy Paula. Não. Era um disco para o qual eu olhei com profundo desdém, e que atendia pelo nome de 'Operários do Natal'. Devem estar com a cara com que eu fiquei, especialmente porque até estávamos em pleno verão! Ainda assim, não desarmei, e com o sorriso branco-cru-a-atirar-para-o-amarelado, virei-o para ver os títulos e tentar perceber o que não tinha percebido pela capa, que carinhosamente reproduzo (afinal, parece que não fui eu a única a receber o disco, há por aí mais blogues com esta referência)
cheia de bonecos estranhos, que para mim não tinham qualquer relação aparente. Os títulos também eram sugestivos:

Os amigos

O lenhador

O carteiro


A costureira

O palhaço
Também me lembro da tia Lurdes me dizer para não mostrar muito aos meus amigos, porque os operários eram todos comunistas e podiam pensar que eu também era. Ora eu, com oito ou nove anos, ligava tanto a isso que tive de lhe perguntar o que a palavra queria dizer. A explicação foi tão boa, que ainda hoje não entendo muito bem o conceito, mas isso são outros quinhentos.
Comecei a tomar gosto pelas músicas, e depressa as sabia na ponta da língua. O 'Operários de Natal' tocava alternado com o 'Fungagá da Bicharada' numa cacofonia non stop, a que se juntaram mais tarde os Onda Choc (claro que ofereceram o disco à minha irmã, trauma que nunca superei) e os seus fabulosos covers dos hits internacionais do momento.
Anyways... retenho ainda hoje as letras de muitas das canções dos ditos operários. Letras simples, para crianças, mas com a participação do grande Ary dos Santos, Fernando Tordo, Carlos Mendes e Paulo de Carvalho, era de esperar que surgissem algumas pérolas.
Tenho-me lembrado muito desta:
'Quem se ri com os palhaços
desconhece que hora a hora
num palhaço que se ri
há sempre um homem que chora'
Nunca gostei de palhaços, no sentido de que nunca lhes achei muita graça. Berravam que era um disparate, assustavam-me com as buzinas estridentes a 'destempo' e os sapatões que esguichavam água, e sempre os achei muito pategos e pouco divertidos. Talvez por centrarem a graça na exploração do ridículo, que é uma coisa que não me excita por aí além. Sempre fui muito 'esquisitinha', assumo. Nunca gostei de palhaços, mas fui sempre sensível ao homem (ou mulher) por trás da boca de Joker e narigão vermelho, a desmaquilhar-se no seu camarim e a sair para o mundo real, onde a vida tem certamente menos graça e onde o público não é uma massa anónima que o aplaude mas um semelhante que o olha com indiferença, senão mesmo com desdém. Se formos ver, hoje em dia, o termo 'palhaço' tem mais de insultuoso que outra coisa. Que o digam os árbitros de futebol...
Não sei, no fundo sempre tive a ideia de que os palhaços são pessoas de carne e osso um pouco tristes. Por isso gosto daquela quadra dos operários. E, de vez em quando, lembro-me dela, quando nos dias de neura ainda consigo armar um sorriso, e dizer meia dúzia de piadas para alegrar alguém, ou apenas para me manter do 'lado de cá' da sanidade. Não gosto do palhaço, mas tenho muito respeito pelo homem que lhe vai dando vida. Lá diz o ditado: quem vê caras não vê corações, que é como quem diz, os palhaços também choram!
Chorar para dentro também é arte.
Este post foi claramente 'palhaçada' minha...mas já na fase ascendente pós-neura. Passou quase despercebida, certo?
My point exactly...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A lei da compensação

A minha prima enviou-me uma foto tirada este verão, na Lagoa de Albufeira. Nela pode ver-se aqui a vossa amiga, com os três miúdos dela: um gémeo de cada lado e o bebé ao colo. É uma foto feliz, que coloquei ao lado das outras fotos em que estou com os bébés da família ou dos amigos ao colo. Tenho dezenas de fotos com crianças...alheias. Estão todas giras, modéstia à parte, até fico mais risonha com os pequenos traquinas por perto, mas a verdade é que não pude evitar uma pontinha de tristeza por ver que acabo por pedir emprestadas as crianças dos outros para experimentar um pedacinho dessa coisa aparentemente banal a que chamam maternidade.

Por esses dias da foto, também raptei os gémeos da prima para um passeio cultural ao Farol do Cabo Espichel. Retenho da visita, mais do que a história do farol desde o início dos tempos (e que demorou quarenta e cinco minutos a ser debitada pelo simpático senhor) o sentimento inusitado de orgulho parvo por estar encarregue daqueles dois miudos de dez anos. Durante duas horas, fui eu quem lhes deu a mão, quem lhes respondeu às perguntas (especialmente o 'falta muito?' e o 'quando é que o senhor acaba?'), quem lhes repetiu dez mil vezes 'portem-se bem', quem fez de rei Salomão quando um tirou a máquina fotográfica do outro e desatou a fugir com o ultrajado a berrar atrás dele, quem os pôs a ambos de castigo por não terem parado senão à décima quarta advertência, e quem se certificou que os cintos estavam bem apertados antes de arrancar com o carro. Nunca faço isto, porque tenho poucas oportunidades para tal. Mas quando faço, modéstia à parte, faço bem. E por fazer bem, acho a vida um bocado injusta. Mas também já decidi não perder muito tempo com estas considerações absolutamente estéreis, e, depois do minuto e meio de blues, fui fazer outra coisa e esqueci o assunto.

Mas o Homem lá de Cima deve ter ficado a pensar nisso e deu-me um pequeno prémio de consolação. À tarde, levei o Boris ao vet para a vacina anual. A veterinária é louca pelo Boris, sempre foi, desde que ele era uma coisinha tinhosa que achei no meio da rua. E a verdade é que ela e a auxiliar agarraram-se ao gato como se ele fosse o Messias felino e elegeram-no o gato mais bonito do consultório. E depois da pica, que ele tolerou como um valente, sem fitas nem protestos, foi elevado a gato perfeito. E eu fiquei contente. E orgulhosa, pois então. Não tenho filhos, mas tenho o gato mais bonito aqui do sítio. Pronto.


E fiquei tão bem disposta que, mais tarde, na aula de ginástica, ri-me ao ouvir a prof. Paula a corrigir-me a postura com um sonoro 'Ó Amy, o pé é flectido, ok?'...
aahhh (suspiro conformado e, vá, ok, até acho piada ;))

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O luar na moleirinha nunca deu grande resultado...


Fiquei a pensar numa conversa que tive hoje, e num post que li. Os dois juntos tiveram o pernicioso efeito de me por a pensar nas coisas do coração. Dá sempre mau resultado, e o facto de ter trazido o PC para a varanda, e estar a escrever enquanto a lua banha o mar de prata, e uma suave brisa me refresca, não vai ajudar...


Já aqui falei algumas vezes da paixão como elemento vital ao funcionamento em pleno do ser humano. Uma criatura que viva sem paixão é, manifestamente, uma pessoa menos feliz do que poderia ser. Parece-me lógico e indiscutível. Na altura não falava apenas da paixão amorosa, lasciva, insidiosa, que nos absorve todos os sentidos e nos leva a um estado próximo do Nirvana (dizem, não sei nada dessas coisas ;)), em que o mundo à volta não interessa nada, e probleminhas do quotidiano, que habitualmente nos levariam aos arames e nos fariam arrancar os cabelos em furiosos puxões, nos parecem coisas de somenos importância. (Por isso, amigo R, para responder à tua pergunta retórica: sim, deixar bater o coração ajuda ( e muito ) a tornar mais fáceis as coisas do dia a dia. Inspira-nos, ficamos mais criativos, mais cheios de 'ganas de viver'. Por isso, se o sentes bater, homem, deixa-o ir. É o meu conselho avisado). Nessa altura falava de outras paixões mais terrenas como o trabalho (quando se tem a sorte de fazer o que verdadeiramente se ama), um hobby, uma causa...porque são paixões mais fáceis de descrever, mais fáceis de assumir e muito mais fáceis de encontrar. A sua reciprocidade é dispensável, porquanto não lhes exigimos demonstrações. Geralmente não mudam com o vento, sem dizer água vai, e tendem a acompanhar-nos para a vida. São paixões mais práticas porque nos alimentamos delas sozinhos. Os alvos da nossa paixão não têm forçosamente de corresponder. Basta existirem para nos dar prazer. Os animais, os livros, a música, os selos, whatever!... Mas hoje, é mesmo da outra Paixão de que me apetece falar. Da que envolve reciprocidade. Ou do Amor, termo que prefiro, por ser menos louco e mais sereno e de alguma forma mais imutável e autêntico. E muito pouca gente fala disso, talvez por ter medo de tocar na 'grande ferida'. Eu, que sou emocionalmente masoquista, não tenho. Estou-me nas tintas para a ferida. Hoje, estou-me nas tintas. As feridas não desaparecem por não se tocar nelas, certo? Até podem fazer menos comichão, mas é só passar de raspão e sem querer tocar na crosta, que logo uma pontinha de sangue reaparece. Certo? Certo. Pelo menos comigo. Assumo, com naturalidade. Mas tenho vários amores. Um deles está ao meu colo, os outros deitados a meus pés, as tintas e os pinceis no estúdio, os livros na estante, a natureza à minha volta, a música está na cabeça, que a esta hora já não dá para ouvir...and so on and so on. Tudo isto me ajuda a viver o dia a dia - e bem, pois estou alegre e feliz a maior parte do tempo - enquanto espero por algo verdadeiramente extraordinário. Extraordinário à minha escala, entenda-se. Nada de fantasiosos príncipes a cavalo num puro sangue árabe, nem de Brad Pitts, lindos de morrer. Não cuspiria na sopa, entenda-se! mas o verdadeiramente extraordinário é, apenas e só, o extraordinariamente simples. A básica, descomplicada, não interrogativa e extremamente sincera simplicidade. Alcançar isso, e não termos de questionar motivações, ou se somos suficientemente giras, ou suficientemente espertas ou suficientemente whatever it takes e se quem está do outro lado é suficientemente honesto ou não. Isso seria o verdadeiramente extraordinário. Mas, e isto é para ti, A., se não existir o verdadeiramente extraordinário também está tudo bem. Se nunca vier... epá, temos pena, pois temos ( e muita) mas estamos cá a sorrir na mesma. Por mais injusto que achemos o facto da nossa relva não ser tão verde quanto poderia ou deveria ser, não vale a pena deixarmo-nos secar por dentro. Porque, afinal, nós também somos extraordinários. Mesmo a solo. Ok? Para provar isso mesmo, quando acabar de escrever estas coisitas, vou recostar-me na cadeira e gozar o momento. Porque é para isso que cá estamos. Independentemente de quem nos possa acompanhar num banho de estrelas, ou que deite duas ou três lágrimazitas connosco a ver um filme lamechento. Carpe Diem, moça. Que o dia é nosso, em primeiro lugar!

Beijos para todos quantos esperam algo de extraordinário. E, para quem já o alcançou, beijos a dobrar, por nos inspirarem para continuar a sorrir enquanto esperamos por dias melhores.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Catarse

Estava eu placidamente a ler o lentinho e pouco entusiasmante 'Orgulho e Preconceito', de Jane Austen, que tem alguns apontamentos brilhantes de ironia, mas não me está, de todo, a fascinar (ainda bem que é considerado o melhor livro dela, assim já não me dou ao trabalho de ler mais nenhum), quando a jovem caramela que viajava a meu lado sai e no seu lugar se senta outro jovem. Até aqui tudo bem...(não, não, o jovem não me tocou nas pernas nem nada disso, hoje é mesmo um post sério). Engraçado foi quando o jovem saca de um livro também e se põe a ler. Suponho. Digo suponho, porque parecia precisar de ajuda do indicador direito para ir seguindo as letras. Percebi porquê quando olhei com mais atenção: o jovem estava a ler uma coisa absolutamente árabe. Não me atrevo a dizer que fosse o Corão, porque não domino a língua árabe, mas fiquei suficientemente surpresa para abandonar o fastidioso enredo dos galanteios do Sr. Darcy à impertinente Elizabeth e analisar, com mais preceito, o semblante de quem tão estranha obra desfolhava.

Pois que o jovem não era árabe, tinha uma tez branquela de quem passa muito tempo fechado em casa a mofar, e pareceu-me claramente ocidental. Tinha uma barba enorme, que não via pente há três quinze dias e era francamente, como direi..euh...disgusting, mas não tinha um aspecto muito alucinado. A roupagem era normal, e para quem gosta do estilo grunge, não estava mal. Também parecia limpinho, portanto, à primeira vista, era um cidadão como outro qualquer.
Isto tudo para dizer o quê? Para fazer um mea culpa, para já, porque não posso dizer que não me senti desconfortável quando vi os caracteres arábicos e tive a tentação imediata de olhar para o tipo, em busca de um volume suspeito à cintura, ou de um sinal que me indicasse que nos próximos segundos ele iria gritar 'Alá' e fazer explodir o comboio. Não que me adiantasse alguma coisa ter essa percepção antes da deflagração, mas pronto, pelo menos tinha tempo de pensar nos meus entes queridos e até, quiçá, uma vez que o tipo estava mesmo a meu lado, de lhe pregar uma valente chapada e dizer-lhe 'és muito estúpido! Acreditas mesmo que alguma virgem vai olhar para ti com essa barba nojenta?', antes de me esfumar no éter. Mas não, o pobre rapaz continuou placidamente a mexer no seu livrinho, e eu voltei à minha monótona leitura ocidental (mas atenta às movimentações do lado) , e ainda aqui estou para contar a história. Mas são estranhos os pensamentos que nos assolam ao ver algo estranho à rotina, e as conotações (negativas, admito) automáticas que nos vêm ao espírito nos tempos que correm.
Não estou propriamente orgulhosa destes meus pensamentos, mas não os podendo negar, exorcizo-os deste modo. Há um medo latente, e uma intolerância feroz a rondar-nos. Sinais dos tempos...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

MANIFESTO CONTRA A ‘NORMA’

Mais de 30 anos, solteira, ou sem relação estabelecida, e sem filhos. Para a maior parte da nossa (in)civilizada sociedade, esta conjugação ‘dantesca’ de factores é uma cruz que as ‘coitadas’ das moças têm de carregar, na ‘vergonha’ da sua existência. Aliás, para as mentes iluminadas que resistem da Era da Trevas, existir, plácida e transparentemente, é a única coisa que parece estar reservada às ‘tristes’ que não conheceram (ainda) o estado de graça social que o casamento traz, e o enobrecimento que a maternidade confere. A ‘Norma’ ainda é casar e ter filhos, sendo a alternativa considerada como não ter vida.

Esclareço: não tenho absolutamente nada contra o casamento ou a maternidade. Até são coisas às quais, obviamente, almejo, mas que, não acontecendo, não se me afiguram como o drama absoluto. Convém esclarecer que o meu estado de zenitude em relação ao tema é fruto de muitos anos de tortura e aceitação da ‘Norma’ como condição única para a felicidade. O caminho da luz foi longo e tortuoso, e ainda tenho actualmente alguns momentos que, vá, sejamos honestos, me magoam profundamente e me deixam jururu durante uns dias ( felizmente, cada vez menos), mas globalmente, vivo muito bem com o meu celibato. Que remédio tenho eu, dirão, porque a verdade é que o meu celibato não decorre de uma escolha pessoal, antes de circunstâncias diversas, às quais não serão contudo alheias o estado lastimoso do mercado masculino, e também, no meu caso pessoal, o aumento exponencial do meu grau de exigência a cada tropeço que vou dando.)
Convivo bem com o meu celibato desde que, claro está, não me venham espicaçar com bocas parvas ou atitudes imbecis.
A infeliz saída do meu Chefe, mencionada no meu post anterior, foi porventura a gota de água que fez transbordar o meu - já perigosamente cheio – copo.
Estou positivamente farta de situações como as abaixo:
a) As perguntas parvas: ‘então, tá tudo bem? E como vais de amores?’ (Não é ‘como vais de saúde’, não que isso não interessa nada, até podemos ter acabado de sair de uma pneumonia viral, que o importante é saber se andamos a ter ‘actividade’
Também há a variante mais brejeira: ‘então, tá tudo bem? E gajos??’
b) As perguntas parvas nos casamentos: ‘então e tu, quando é que casas?’, que demonstram grande sensibilidade, especialmente quando as pessoas estão cansadas de saber que, por acaso, nesse momento, até não estamos envolvidos com ninguém.
c) As perguntas francamente imbecis: ‘mas tu não gostas de gajos, ou quê?. Ou seja, se uma pessoa não tem um namorado é automaticamente lésbica.
d) As presunções idiotas:
1) Uma pessoa solteira é burra. Não tem capacidade para apreender a complicada teia conjugal, e é absolutamente incapaz de participar numa discussão sobre a matéria. Está por isso, automaticamente, condenada à eterna condescendência: ‘ah, pois, mas claro que tu não sabes o que é viver o dia a dia, bla bla bla, isso não é bem assim, depois me dirás, quando passares pelo mesmo’.
2) Uma pessoa sem filhos também é burra. É incapaz de apreender a teoria de que a cabeça de um bébé deve ser amparada quando se pega nele. A pessoa sem filhos estará eternamente condenada ao ‘cuidado, olha a cabecinha do menino, não o deixes cair’. DUHHHH!!! HELLO!!!!! Há uma coisa gira, chamada senso comum, que as pessoas sem filhos também têm. Fascinante, não?
3) Uma pessoa solteira tem menos desculpas para se atrasar do que uma pessoa casada. Exemplo prático: um dia combinei uma tarde de compras em família. À hora marcada estava toda a gente, menos a minha irmã (já casada). Quando eu abri a boca para resmungar, com razão, que a minha irmã está sempre atrasada, e que não se pode combinar nada com ela, ouvi isto, da minha tia: ‘então, mas tens de ver que ela agora é casada, tem uma vida’. SIC. Tradução: tu só estás aqui a horas porque és solteira e não tens vida. (em defesa da minha tia: obviamente que ela não disse isto por mal, mas chateou-me)
4)As pessoas solteiras gostam de ser consoladas com condescendência apologética: ‘deixa lá, que isto do casamento não é isso tudo que dizem. Tu é que estás bem’. Não suporto pessoas que tentam minorar o sofrimento que pensam que os outros sentem com paternalismos aberrantes e hipócritas. Obviamente que se fosse uma coisa tão horrível, ninguém se casava! Ou divorciavam-se de seguida!
5) As pessoas solteiras são uns monstros invejosos, incapazes de lidar com a felicidade alheia. Exemplo prático: uma amiga levou dois meses para me contar que estava grávida, e com enormes rodeios, de tal forma que tive de ser eu a perguntar-lhe, porque, cito, ‘não queria magoar-me’. HELLO??!!!!!!!
6) As pessoas solteiras não têm direito a partilhar bons momentos sem levar com a tentativa de culpabilização: quando estamos inocentemente a contar umas férias maravilhosas que passamos com amigos e nos dizem: ‘pois, só fazes essa vida porque não tens filhos. Se tivesses uma família não fazias essas coisas. I’m sorry? Então, mas ficam contentes por eu me ter divertido ou não?
7) As pessoas solteiras gostam de ouvir futurologia conjugal: ‘ah, não te aborreças, isso quando menos se espera, acontece’. Mas qual é o problema de lidar com uma pessoa solteira como seu igual, e sem presumir que ela é absolutamente miserável porque vive sozinha??? Não estamos ‘à espera’ de uma relação para sermos indivíduos, pois não?
8) As pessoas sem filhos gostam de futurologia pré-natal: ‘ah, quando tiveres os teus...’. Amigos, e se não tiver?? E se não puder ter???? E se não quiser ter? Porque é que se parte sempre do princípio de que uma mulher tem de ter filhos?
9) As pessoas solteiras podem ser julgadas por psicologos de trazer por casa: ‘Ah, tem os gatos e o cão. É a companhia dela, coitada, para não se sentir sozinha’ (ouvido após passar com Sasha Margarida em frente às cuscas da ‘aldeia’ onde moro). Desculpem lá, por acaso tenho gatos e um cão porque gosto deles e os quero ter. São os meus meninos, pois são, mas não são placebos!

E podia continuar com n coisas parvas que se dizem sobre as mulheres com mais de 30, solteiras e sem filhos. Já para não falar na eterna discriminação de géneros: um homem com mais de 30 anos, solteiro e sem filhos, é um bon vivant, ele é que a sabe toda, . Uma mulher, nas mesmas condições, é uma triste, ninguém lhe pega, deve ser uma desgraçada ou ter problemas graves. E não me venham dizer que não. Isto é mesmo assim!

Mas hoje acordei com mau feitio e insurjo-me violentamente contra a ‘NORMA’ instituída. Sou solteira, mais de 30, e não tenho filhos, e os que têm um problema com isso, bom, que se lixem! O que eu quero é o mesmo que a Aretha: R-E-S-P-E-C-T!!!!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Sunday morning...

Esta é uma daquelas manhãs de domingo como eu gosto, solarengas e calmas. Já despachei tudo o que tinha de despachar, e tenho agora duas horas para fazer o que me apetecer.

Estava à espera que o pc não arrancasse, porque ontem o Gato Gil, em voo picado sobre a mesa, mandou-o ao chão. Pasmo que a coisa ainda funcione, mas parece que ainda não é desta que estrafego o malvado do gato!

Enquanto estou a escrever estas singelas palavras, vou degustando o meu chá de jasmim, ao som de 'Romanza' do extraordinário Andrea Bocceli, e deitando um olhinho pela janela para o mar lá ao fundo...Parece que me está a chamar... Apetecia-me pegar na Sasha e ir dar uma corrida na praia do Meco. Só nós duas, as gaivotas, o sol e o mar. E o vento, claro.
É uma sensação tão libertadora correr na praia...junto ao mar, não penso nas pessoas sem escrúpulos para quem trabalho, nem no desperdício completo das horas de inspiração que podia aplicar construtivamente. Junto ao mar, não penso na solidão que me assola por vezes. Junto ao mar não penso no amanhã. Nem no ontem. No que fiz, não fiz, farei ou não. Não penso no que não tenho. Junto ao mar, só o momento interessa. Cada pormenor exige a minha atenção completa. Cada onda que rebenta, cada concha que rebola empurrada pela força da água, cada nuance de cor proporciona-me um momento em suspenso e transporta-me para um semi limbo em que estou ali no meu casulo, só a gozar o momento. Passava horas a olhar para o mar...

Gosto de um mar revolto, mais que de um mar sereno, apesar de ter um medo profundo da sua força, e de imaginar mil cenários de desgraças quando estou num barco, ou mesmo à beira mar. Para mim o movimento é tudo. Gosto de contar as vagas, e dar-lhes personalidades. 'Aqui vem uma onda tímida', 'esta agora vai partir tudo'. Preciso, de tempos a tempos, de ir passear junto às ondas que rebentam com tanta força que não se ouve mais nada. Vou, muitas vezes, passear na praia quando está para chover. Gosto de ver as nuvens cerradas, o mar cinzento esverdeado, e a quietude implícita, como se estivesse tudo em suspenso, à espera da chuva libertadora...

Estou um bocadinho melodramática hoje... mas é verdade, acho que às vezes precisamos de uma purga. A minha é esta. Ir ver o mar...

Bom fim de semana