quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Happy New Year



Happy new year

Happy new year

May we all have a vision now and then

Of a world

where every neighbour is a friend

Happy new year

Happy new year

May we all have our hopes, our will to try

If we don't
we might as well lay down and die

You and I...
Não que eu espere que alguém veja isto a tempo, à hora indecente a que estou a postar os meus votos, mas pronto, a culpa foi dos saldos... e de ter andado à procura da estúpida roupinha interior azul. Espero que azul petróleo e preto também sirva, porque não havia mais nada! E não, não vou mostrar!
Anyways...
Deixemos os balanços, os kgs a mais e a lista de resoluções para outra altura, que é hora de alegria! Peguem nas passas e ergam a flute bem alto, e brindemos ao novo ano.
Um 2009 cheio de coisas boas é o que desejo a todos!
( a todos, vocês! As pessoas de quem não gosto assim muito, muito, ou as que são umas autênticas bestas, podem ter um ano miserável, que não fico especialmente chateada... não fica bem dizer? Temos pena! )

domingo, 28 de dezembro de 2008

Espírito de um Natal passado...

À semelhança do que aconteceu no ano passado, a Gata Verde teve uma ideia muito gira para um post e fez-me andar a remexer nos baús para achar uma foto de Natal da nossa infância. Já lha enviei, mas entretanto não resisto a colocá-la aqui também, como símbolo de Natais passados e muito diferentes.

Aqui estou eu no meu primeiro natal, com nove mesitos e já a querer armar-me em esperta e andar, enquanto o meu primo B., com oito meses, continua placidamente sentado. (O meu primo B. pertence ao lado louro e de olhos azuis da família, que como rapariga sortuda que sou, nao herdei, claro está. Eu sou do lado do cabelo preto e olhos castanhos, mesmo. Ca nervos!!!!)

A foto é na minha casa em Paris, naturalmente.

E é inevitável relembrar os meus natais brancos em França. Com um sorriso nostálgico penso na inocência com que preparava o café que ia deixar para o Pai Natal se aquecer. Tínhamos uma casa engraçada, em Paris, com uma escada em caracol que ligava a cozinha à sala, a chamada 'loge', onde eram tratados os assuntos do prédio com os moradores (os meus pais eram concièrge, e os nossos aposentos eram contíguos a uma 'recepção', digamos assim). De maneira que, passava o serão do dia 24 a subir a escada para ver se o café ainda lá estava, sinal de que o pai Natal teria ou não passado. Ia deitar-me nesta excitação, e acordava na manhã seguinte com uma excitação ainda maior. Subia a escada a correr, em pijama e descalça (vício que ainda hoje me acompanha) e abria a chaminé. E ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Uma chaminé cheia de presentes!!!! E lembro-me de estar sentada no chão, a olhar embevecida para os livros (o meu presente favorito), e a minha mãe a rir-se no cimo da escada, e a ralhar moderadamente por eu me ter escapulido da cama tão cedo e andar sem chinelos. A minha mãe ainda hoje me chateia a cabeça se me apanha descalça em casa. Aliás, só para não a ouvir, assim que a campainha toca, lá vou eu calçar-me à pressa. Estou aqui sentada no pc e, guess what? tenho os dedinhos ao leú. Estão gelados, mas estão livres!

E pronto, um ar dos nossos natais em França...agora que passou mais um por cá. Se um dia tiver filhos hei-de dar-lhes natais como os que eu tinha. E ai de quem me diga às crianças que o Pai Natal não existe!!!!

E hei-de ensinar-lhes esta canção, também!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

We wish you a Merry Christmas






Isto este ano está lindo, está!....









Esta fez greve!







Este só fala inglês...












Temos aqui um armado em vedeta...













E a outra que pensa que manda, a tal da Maria Safira, a das ideias tristes, diz que não consegue escrever porque tem os dedos estraçalhados depois da sessão fotográfica. Não sei porquê, só lhe dei uma patadinha ao de leve...


Por isso, sobro eu...prrrr....prrrr....prrrr....



Estou aqui cheia de espírito natalício, como se pode ver pela graça da minha pose, e não estou nada a fazer um frete monumental, é só impressão...

Hein? O quê? (a outra está ali a espernear qualquer coisa que eu tenho de dizer...) Ah, é p'ra desejar Boas Festas?

Deves pensar que não tenho mais que fazer...prrr prrr

Hein? Vais tosquiar-me com a tesoura de podar a roseira???Euhhhh...é um bom argumento! Ora vamos lá:


O Gatil da Safira deseja a todos os seus visitantes umas Festas Felizes!


...Bom Natal!...

...muitos presentinhos...

...paz e amor...

...azevias e filhós com moderação...

...mais o 'Música no Coração'...


(e, por favor, não vejam o Pirata das Caraíbas III, que aquilo pode causar danos cerebrais permanentes!!!)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Só para que conste...

Não morri!
Mas ando um bocado atarefada...mas ainda posto os meus votos este ano! Espero.
Era só isto, que o patrãozinho deve estar a voltar do almoço de 3 horas. Não que eu repare nestas coisas...

Olhem, aproveito e mudo a música!
Mas não há foto, que não tenho tempo...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Estou chocada!

Andava à procura do 'Please come home for Christmas' interpretado pelo pedaço de mau caminho Jon Bon Jovi e dou com isto

Ando eu a pedir o homem na chaminé e ele anda-me enrolado com a palerma da Cindy Crawford num vídeo para uma música de Natal? Não acho isto nada normal. Onde é que está o respeito? Hum??? Nos melos, ela com a barriga à mostra e mais não sei quê, e ele a oscular-lhe o queixinho e a cantar uma canção de Natal?
Não acho bem, pronto. Ainda para mais com aquela perua. Como se ela fosse mais gira do que eu, parva da mulher!
Raios partam os homens e as super modelos!
Bah!
Venha o blusão da Mango, Pai Natal! Obrigados.




domingo, 14 de dezembro de 2008

Quem não tem cão, caça com gato...literalmente!

Porque sou contra o conformismo, e porque não me apetece gastar dinheiro a comprar figurinhas, este ano é mesmo assim:


Grande plano (sem metade de 'José', que não coube)




'Maria' e 'José' usam manto drapeado do 'Gato Preto' e laços de sisal.

'Jesus' encontra-se dentro de cesto da roupa forrado com pano vindo de Moçambique (dá jeito ser amiga dos Comandantes), cujo padrão não se enquadra exactamente no espírito da coisa, mas que fica bem com a árvore de Natal. Repousa não sobre palhinhas, mas sobre ráfia reciclada da embalagem da última vez em que me ofereceram flores. Quase não se nota o bolor...
Chamo a atenção para a chegada antecipada de 'Gaspar', 'Baltazar' e 'Belchior'(sem uma orelha graças ao Boris), que estão já a adorar o 'menino' porque os gatos andam muito depressa. E não têm incenso, nem ouro, nem mirra, porque os trocaram por Sheba no caminho.
Pronto, já estou a ouvir as sirenes...vêm aí os senhores de bata branca...
See you!!!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Carta ao Pai Natal


Querido Pai Natal

Eu sei que no post anterior disse que não estava nada com espírito natalício, mas entretanto reconsiderei, e decidi comunicar-to directamente. Espero que saibas usar a internet, Pai Natal
Não te assustes, que escrevo estas singelas linhas sem espírito pedinchão, embora não cuspa na sopa se quiseres largar-me o Jon Bon Jovi chaminé abaixo. Nesse caso, peço-te que me avises, para eu colocar umas almofadas, porque odiaria que o homem me partisse o cóccix.

Espero que não andes muito estafado, Pai Natal. Sabes porquê? Porque queria pedir o teu conselho avisado para tentar decidir se gosto mais do blusão de cabedal castanho da Mango (tamanho M, que a ginástica alargou-me os ombros) ou se devia considerar deixar a ostentação de parte e investir na minha educação, o que conseguiria com a série de 4 DVDS sobre os Impérios de Napoleão, que vi ontem no Corte Inglês. Estava muito perto da zona das séries televisivas e confesso que também não dizia que não à terceira série do ‘Boston Legal’.
Ah, Pai Natal, deve ser uma altura má para ti, eu sei, e felizmente que tens os duendezinhos todos a ajudar, razão pela qual não me custa estar a massacrar-te com esta troca de opiniões inocente. Mas custa-me tanto passar pelo Cantinho do Pintor e ver aquelas maletas Van Gogh, recheadas de material (os óleos, Pai Natal, os óleos), ali abandonadas...ah, poderia fazer coisas tão bonitas se tivesse uma maleta dessas, Pai Natal. Já viste os sorrisos que poderia pintar nas telas e nas caras de quem as recebesse? Que bom é dar e receber, não é Pai Natal?
Sabes que faço um bolo de especiarias extremamente bom, Pai Natal? E que tenho um Cognac maravilhoso (cuja proveniência não posso aqui divulgar, e não insistam porque não posso dizer que foi o chefe que me deu)? Já viste Pai Natal, se por acaso passasses lá em casa com alguma destas sugestões, assim coisas que ninguém quisesse e a que não soubesses o que fazer, podias aligeirar o teu saco, descansar e retemperar forças antes de seguires a voar nos céus, no teu trenó não poluente. Eu também sou muito amiga do ambiente, Pai Natal, e este ano reciclei tudinho, como uma linda menina.

Pronto, como vês, escrevi desinteressadamente, só mesmo para dizer olá, e perguntar pelo Rodolfo. Espero que lhe tenha passado a alergia no nariz...

Grande beijo, Pai Natal
Safira

PS: Também não ficaria aborrecida se enviasses uma embalagem de Mucosolvan ao meu vizinho de baixo, que o pobre não consegue dormir com a tosse cavernosa. Eu sei disso, porque também não durmo, mas não estou nada chateada porque é uma época de alegria e temos de amar os nossos irmãos todos. Mesmo que eles cheirem a peixe e tabaco...
Há pessoas que não têm o hábito de usar perfume, não é? Oh, que coincidência! agora que falo nisso, gostei imenso do novo ‘Euphoria’ do Calvin Klein. Já cheiraste, Pai Natal?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

X-mas Spirit em baixa, mas a malta está a tentar

É provável que este ano não faça árvore de Natal.

Com o Boris na idade do armário,





passaria provavelmente metade da vida a apanhar bolas, grinaldas e quiçá a própria árvore do meio do chão e, convenhamos, tenho mais que fazer!

Também não vou por as velinhas de pai Natal, e o centro de pot pourri cheio de pinhas e pauzinhos de canela, mais ou menos pelas mesmas razões. Nem a meia na chaminé, mas porque não tenho onde a prender, a não ser que alguém me faça o obséquio de dizer como se espeta um pionese numa pedra de mármore (nota mental: antes de gastar dinheiro, ver se a porcaria que se comprou pode ser usada...).

Em suma, e a não ser que algo mude drasticamente (i.e, que o Boris deixe de saltar por todo o lado, ou que inventem arvóres e decoraçãos em cimento armado) Santa Claus vai ficar desapontado com a recepção que lhe vou fazer. Mas até temos pena. Temos pena porque até fomos boazinhas este ano, e o nosso sapatinho devia ficar cheio a abarrotar. Aliás, fomos tão boazinhas que estávamos a pensar por umas galochas em vez de um sapato.

Mas até mesmo as galochas seriam insuficientes para o meu primeiro presente de Natal, oferecido pela minha prima que veio de Paris passar estes dois últimos dias chuvosos comigo, e que personifica como um presente* deve ser. A saber:

- Ser oferecido com gosto, pressupondo que se perdeu tempo a pensar na pessoa

- Ser adequado: ter a ver com a pessoa, ou com o momento que a pessoa atravessa

(panos de cozinha, bibelots parvos, tolhas de banho e electrodomésticos de cozinha, não são um bom presente para mim. Por favor, abstenham-se! Mana, se leres isto, passa palavra, por favor)

O presente da Élia ( que me trouxe mais milhentas coisas, entre elas uns DVDS preciosos de comédia francesa), tem tudo isto. Já explico o que é. Deixem-me só dizer que cometi uma incorrecção ao dizer que foi o meu primeiro presente. Na verdade, foi o último. O que ela me deu no limite do acesso para a porta de embarque, já nas cenas habituais de despedida, para grande divertimento de outros passageiros que devem ter achado estranho duas mulheres já crescidas na choraminguice (sou muito má em despedidas, mas ainda me ri porque o jovem segurança lhe perguntou se estava tudo bem ao ver o seu ar desgraçado. Eu, como nao tinha bilhete, bem podia morrer ali que o tipo não se ralava nada). Com a recomendação de só o abrir em casa, meti-o na mala, para abrir mais tarde. E saiu-me isto:





E isto o que é? Pois que é uma caixinha de 'Daily's Fortune',. Assim tipo um bolinho da sorte chinês, mas sem o bolinho. E para que serve? Para enfoque. Para não se perder a perspectiva. Supostamente, terei de tirar todos os dias um envelopezinho, abri-lo e ler a minha frase de enfoque para o dia. Isto valerá o que vale, mas se formos a ver pela amostra, a coisa não é descabida de sentido. A minha frase de enfoque de hoje, já traduzida da língua de Astérix é a seguinte:


Seja fiel na amizade.


A vida passa, mas os melhores amigos permanecem para sempre.


É um facto. E, como com todos os factos, assimilamo-lo e guardamo-lo num recanto qualquer do cérebro, regra geral só voltando a pensar nele se confrontados. Isto será então um 'daily reminder' para ser positiva e ver a vida como um copo meio cheio e apreciá-la menos como um facto e mais como uma energia.

Assim sendo, Santa Claus, gosto muito de ti, mas acho que já não precisas preocupar-te muito com o meu sapatinho. Apesar de granducho, acaba por já ter pouco espaço para coisas que não tenha e de que precise muito muito muito para viver. As pessoas que me rodeiam encarregam-se de mo ir enchendo de coisas essenciais volta e meia, mesmo que eu nem sempre consiga ver isso da melhor forma e precise de abrir envelopinhos todos os dias para pensar nisso. Tenho 500 dias para encasquetar a filosofia, Estou confiante que deve chegar!

Mas, como não ranhosona, vou imbuir aqui o tasco de espírito natalício e escolher umas músicas de Natal até que a quadra passe. E se alguém quiser cantar Christmas Carrolls à minha porta, como fez o mocito do 'Love actually', na minha cena romântica de eleição, pois que estejam à vontadinha. Especialmente se tiverem a cara que ele tem! ;)

* o autor pressupõe a diferença intrínseca entre 'presente' e 'mimo'. Dar um presente é um acto íntimo. Um mimo é uma atenção, que requer um estudo menos elaborado, embora seja conveniente conhecer minimamente os gostos da pessoa que se quer presentear. Incluo nos mimos, os chocolates, os sabonetes, os gadjets, etc. São presentinhos só para dizer 'pensei em ti'. Um presente diz muito, muito mais. Mas gosto dos dois, sim? Estejam à vontade!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

E se ele estivesse barrado a ouro, também o deixavam ficar?

Passei esta manhã por um cãozinho morto em cima do passeio. Não na estrada, não na berma, mas em cima do passeio.
Carregada de sacos, e com Sasha pela trela, abeirei-me apenas para confirmar que nada podia ser feito pelo pobre animal e não tive outro remédio que não seguir em frente. Não conseguiria levantá-lo sozinha, não tinha nada onde o pudesse embrulhar, nem saberia onde po-lo. O contentor de lixo nunca me pareceu adequado. Só recorri a um, uma vez, porque não tinha como sepultar o gatinho que retirei ainda morno do meio da estrada onde o filho da puta que o matou o deixou a agonizar. Perdoem-me o vernáculo, mas estas coisas transtornam-me. Todos os animais que perdi foram sepultados o melhor possível, e o respeito que por eles tinha em vida nunca se alterou na morte. Antes pelo contrário.
Senti-me cobardemente grata por não poder ignorar mais os puxões da Sasha e deixei-me arrastar para a frente, mas a remoer. Não suporto ver animais mortos e não consigo ignorar o facto. Nos despojos da vida ceifada não eram visiveis quaisquer sinais de violência; não sei o que causou a morte ao pobre animal, não o conhecia das redondezas, mas a sua imagem acompanhou-me o dia todo. Sei que não merecia com certeza ficar no meio do passeio à chuva, como um objecto sinistro e inanimado. Sei que merecia ter um dono preocupado, que o mantivesse seguro. Sei que merecia que alguém quisesse saber da sua sorte. Mas resignei-me a admitir que naquele momento não podia fazer nada, e segui, confiante que o caso seria resolvido (sem no entanto querer perder muito tempo a pensar nos detalhes do sítio onde acabaria o cãozito, por calcular onde seria e achar a ideia insuportavelmente deprimente). É como se diz 'it's a dirty job but somebody's got to do it'. Só não queria ter de ser eu, confesso, porque vivo estas coisas com demasiada emoção. É assim, e quem achar que é estúpido pois que esteja à vontadinha. A mim pouco me importa.
À noite, quando voltei para casa, ou seja mais de doze horas depois, o animal continuava no mesmo sítio. Não queria acreditar! Em toda a populaça que aqui mora e por ali passa diariamente, não houve ninguém que tomasse a iniciativa de fazer coisa alguma. Está ali um cão morto. Ah, pois está... Basicamente isto. E o bicho não é pequeno, é um cão de meio porte e está ao lado da farmácia e em frente das floristas. Raios, está quase na passadeira e a ocupar um dos raros e cobiçados lugares de estacionamento. Não é que passe despercebido! Não acho normal não ter havido uma das almas que passa ali o dia inteiro que fosse capaz de pelo menos tapar o animal e fazer a porcaria de um telefonema para a Câmara Municipal para o irem buscar para incineração.

Pessoas destas, ineptas, sem qualquer tipo de lucidez pro activa, agoniam-me.

Pessoas destas, provavelmente passariam por uma pessoa morta na rua e seguiriam, fingindo não ter dado conta.
Porque não quero ser este género de pessoa, amanhã de manhã, se o animal ainda lá estiver, esta que vos escreve vai pegar no que encontrar aqui em casa e vai tentar amortalhar o pobre bicho para, pelo menos, lhe esconder o corpo dos olhares indiferentes desta gente horrorosa, que o esteve a ver morto no passeio todo o dia e achou banal.
E depois querem que uma pessoa ande bem disposta...e há condições, tendo de viver num mundo laxista como este se está a tornar??

O meu 'John Doe' canino era parecido com o desta foto, e assim lhe presto homenagem. À falta de mais alguém que se rale...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O que tu queres sei eu...

Dia de sol e frio cortante, daqueles como eu gosto.
Saio do Metro no Campo Grande. O Estádio do Grande ergue-se orgulhoso à minha frente. Sorrio, e vou contornando, chapinhando alegremente nas pequenas poças que reflectem as cores do arco íris. Ainda não são nove da manhã e eu não estou no escritório! Vou para a Medicina do Trabalho, e é com satisfação que antevejo as cerca de duas horas que vou passar em medições, pesagens, exames respiratórios e quejandos. Sempre são menos duas e uns pós que passo lá no sítio do demo.
Tenho o meu plano delineado: vou queixar-me muito ao sr. Doutor e fingir-me muito desgraçada, para ver se em vez do 'apto' me aparece um 'condicionado' na ficha, e se tenho de ser assim tipo, reformada mais cedo!
Corre tudo dentro do normal. A técnica de análises observa-me os braços e pergunta-me em qual prefiro. Digo' Tanto faz' (não fiques é três anos a apalpar-me as veias, que não suporto), e ela põe-me o garrote no direito. Inicio o meu ciclo de concentração, encosto-me e respiro fundo. A agulha aproxima-se e eu fecho os olhos. Mas não acontece nada. Abro um olho. A moça olha dubitativamente para o monstro inchado de azul e decide que não gosta daquela veia gigantesca. Muda de braço, e diz 'esta é melhor'. Eu olho, e não há veias à vista ali, mas ela deve saber o que faz. Digo um oração rápida, apelando aos santinhos do anti trombolho, para que o meu braço não se torne num. Resulta. Saio com os dois braços funcionais, rumo à espirografia.
A espirografia mede a nossa capacidade pulmonar. Fixe. Soprei três vezes e aquilo não passava do 'suave'. Tem de soprar com mais força, diz a mocinha. Eu soprei com força. Pois, mas tem de ser mais. Peço desculpa por não consiguir arfar como um cavalo, mas repito até estar no 'normal'. Saio dali cansadíssima, e ainda sem pequeno almoço. Questiono-me se é normal fazer um exame até que dê normal, mas como não sou médica, sigo para a consulta.
Desta vez não é a médica despachada que me diz olá e adeus num instante. Não, não, não. Hoje calha-me um mongo by the book, que me debita as perguntas todas que o seu monitorzinho lhe manda e não se ri das minhas piadas, que eu mando para o ar, na tentativa de o fazer entender que não tenho culpa se ele não conseguiu entrar para neurocirurgia, mas que tenho mais que fazer que estar a contar o meu historial clínico desde o fim dos anos setenta! Até porque já está na minha ficha. A conversa ganha interesse quando ele me pergunta se tenho queixas físicas decorrentes do meu trabalho. Recosto-me e pergunto-lhe quantas horas é que ele tem. O 'Trombas' não se ri. Suspiro, e debito-lhe laconicamente: stress, opressão, dores de cabeça, taquicardias, choro convulsivo on occasions e agora também estou pitosga. Pergunta-me: e o que pode fazer para alterar o estado das coisas? Olho para ele e digo: se calhar mudar de emprego, não? DAHHHHHH!! HELLO!!!!!
Confesso que o trombas me irritou deveras. Mandou-me também tomar fontes de um ácido qualquer, de nome irreproduzível, e quando eu lhe perguntei onde é que eu encontrava o estúpido ácido olhou para mim como se fosse de Marte e, como se eu tivesse dois anos, repetiu: então, onde é que encontra o ácido n sei das quantas? Ora eu, que gosto pouco que me façam de parva, voltei a dizer-lhe que não fazia ideia, e que se o ácido tivesse outro nome que eu pudesse reconhecer sem um compêndio de medicina talvez fosse mais fácil. Ignora-me e responde-me: nos citrinos, não é? Concluí que o tal ácido devia ser o cítrico na sua fórmula amaricada e desejei mentalmente que lhe caisse o candeeiro na cabeça.
Depois de sugerir veladamente que talvez não fosse pior ser seguida (por quem, não sei, mas palpita-me que devia estar a referir-se à minha saúde mental, o grande estupor) mandou-me para o exame de visão, no gabinete 15.
Passados 10 minutos ouço chamarem o meu nome no outro lado do corredor, muito muito longe do 15. Pego nas dez mil tralhas que carrego sempre comigo só Deus (e a minha mãe) sabem porquê, e apresso-me a percorrer o corredor, maldizendo o médico que nem um nº de gabinete sabe indicar em condições. Entro numa sala com biombos e aparece-me um homem de bigode e bata branca, que me diz:
- Bom dia! Ponha as suas coisas em cima dessa mesa e dispa-se da cintura para cima.
Excuse me????
Fico a olhar para ele...euh...tenho de me despir para um exame de visão?
E ele diz: não, vai fazer um electrocardiograma
E eu: quem, eu? Olhe que não.
E ele: sim, sim
E eu: Não, nao. não tenho isso na minha grelha, e saco do meu papel onde não estava nada que envolvesse tirar a roupa.
E ele: tem, tem. E saca da dele, onde dizia que sim.
Já eu me imaginava a ser barbaramente violada por trás do biombo, quando felizmente aparece uma enfermeira que constata que pos a cruz no sítio errado. Pego nas minhas coisas e fujo a sete pés do rebarbado. O que tu queres sei eu! Ainda se fosses giro...vai mas é pregar eléctrodos no barrigudo que está lá fora!
Haverá alguma coisa banal que não se transforme num acidente cósmico quando é comigo? Não sei, pergunto, assim desinteressadamente....

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A simbiose da miséria...

Unidos na desgraça europeia...
...mas nós estamos lá! (senão obviamente que não fazia este post!)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O regresso da contestatária

Emergindo lentamente do torpor do mundo da monguice, por onde andei perdida durante uns dias, renasci das cinzas em grande estilo no campo da parvoíce laboral.


É um facto que tinha prometido a mim mesma nunca mais falar aqui de trabalho, mas o reino da lalaland é demasiado fértil em situações bizarras para ser desperdiçado.


Resulta, pois, que hoje levei um sermão sobre a forma correcta de fazer um requerimento. Apesar de termos pago uma fortuna a um consultor para nos fazer o trabalho, parece que a coisa não ficou a contento. Vai daí, é a monga de serviço (aka, yours truly) que vai ter de alterar tudo. Pacífico, mesmo depois de uma ensaboadela moderada: e porque os requerimentos têm formas normalizadas, e porque até devia ser em papel azul de vinte e cinco linhas, e com três centímetros de margem de um lado e não sei quantos do outro and so on and so on. Aproveitei uma pausa para respirar do chefe, e como quem não quer a coisa, e muito a propósito, como de costume, mandei para o ar que achava que a empresa devia dar um presente de Natal a cada empregado. O que me parece justo e sempre alegra a malta. Ainda me lembro no primeiro ano, em recebi um estojo da Furla (ah, pois é, nos bons velhos tempos era assim). Já o último presente que recebi - não sei porque ideia peregrina, e já há 3 anos - foi um livro intitulado 'Sem Destino' que narra os martírios de um polaco num campo de concentração nazi e que - ninguém me convence do contrário - era uma fina ironia prenunciadora de um futuro próximo...
Mas dizia eu que, como quem não quer a coisa, e com olhinhos de carneiro mal morto ( e hoje até estava de mini vestido, embora compostinha com a bela meiinha opaca) pedinchei prendas de Natal. Note-se que não pedinchei só para mim, mas para os coleguinhas também. Vai daí, o chefe, com graça, responde-me 'ai acha? Olhe, sabe que mais? Faça um requerimento!'


Vai daí, eu, que sou bem mandada, fiz!


Fui ao armário do economato, saquei a bela da folha A4 turquesa choque (à falta de papel azul de vinte e cinco linhas verdadeiro.) e redigi o texto seguinte, que entreguei em mão ao destinatário, tendo fugido a sete pés logo de seguida, tendo contudo vislumbrado um olhar que defino como um misto entre 'esta mulher está definitivamente maluca' e 'aquele vestido fica-lhe tremendamente bem'.
Amanhã logo vos direi se ainda tenho emprego ou não.

domingo, 23 de novembro de 2008

Há dias em que não vale a pena sequer tentar...

Estou aqui há alguns minutos a tentar decidir o que escrever. E porque continuo em maré baixa, não me ocorrendo nada que se me afigure justificável, nem tendo nenhuma curta metragem para apresentar, remeto-me ao mutismo dos monos e vou ver se o sol me aclara as ideias.
Aproveitem e ouçam a música. Um dos grandes títulos de Brel, recriados por este jovem Thierry Amiel, injusto segundo classificado do programa francês 'à la recherche de la nouvelle star'. O vencedor, Jonathan Cegada, tinha defendido, entre outras menos ridículas, a canção 'Whenever, Wherever' de Shakira...Não, não estou a brincar. E é por isso que me irritam estes formatos em que é o público que escolhe. O público, em geral, não prima nem pelo gosto, nem pela inteligência. Pareço snob e arrogante? Estou-me nas tintas! É verdade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Alive and Kicking

Tenho andado a mil. Tanto assim é, que acho que plagiei o título de um post recente da Carracinha Linda. Forgive me, mas não me apetece pensar noutro agora...

Não é desculpa, mas justifica o facto de ter menos tempo para visitar os blogues amigos e responder aos comentários com atrasos indecentes. Entre horas de almoço que passam a correr, um reafirmar de princípios que faz com que não aceda aos blogues durante o expediente (Deus, que tortura!!!), sobra-me pouco tempo durante o dia. Depois são as aulas, ginástica, cineminhas...e chegar a casa tardíssimo, claro. E depois o quality time com a minha bicheza e uma síndrome estranha, cujo sintoma é não conseguir sair do sofá ;)


Isto tudo para dizer que ando a desleixar-me e já tenho tido reclamações de falta de seguimento de assuntos.


Há uns dias, um amigo perguntou-me 'então e novidades sobre o sucesso do curso das Belas Artes? Nunca mais disseste nada...'. Respondi-lhe, sem falsa modéstia, que se a palavra operativa da frase era mesmo 'sucesso' isso per se explicaria o meu silêncio...Por outras palavras, é um consolo saber que não dependo do desenho da figura humana para viver! Talvez não passasse fome, mas certamente teria de comer sardinha em vez de salmonetes. Claro que pessoas há, na turma, que poderiam comer ovas de esturjão todos os dias. Ora isto desencoraja-me! E o meu orgulho sofre. Sempre que o professor se aproxima, sustenho a respiração. Regra geral, ele também. Depois suspira. Depois diz qualquer engraçada do género ' O seu Deus da Guerra está um bocado bronzeado...' (meaning: Rapariga, o homem era Grego, não era da Somália! Controla lá as sombras...). Segue-se, geralmente, o som furioso da borracha no papel. A minha borracha. No meu papel. Várias vezes...
Em suma, não sou, de todo, Da Vinci.
A prova, para não dizerem que só mostro coisas quando estão muito jeitosas:


(fiz batota, o Deus da Guerra com excesso de solário está mesmo mau demais...não mostro! Este é outro rapaz qualquer, não me lembro do nome, mas era famoso, e também tem as sombras mal amanhadas, embora se perceba que não vem da Somália. Acho eu... )
Isto, são as más notícias...

Em contrapartida, ontem fui recebida em apoteose na minha aula de ginástica. É verdade! Por motivos de saúde, de excesso de trabalho, e de preguicite aguda, não pus lá o pezinho durante um mês. Decidi, ao ver o meu perfil arredondar-se que se calhar faria bem em regressar. Tenho para mim que os espelhos são uns antipáticos, digam o que disserem. Assim, ontem, entrei na sala e ia para me dirigir à monitora quando fui acolhida pela Monique (aka, Panzer Girl) com um grito (bom, foi mais uma exclamação muito entusiastica):
- Paula , Paula!(Paula é a monitora), Olha, já cá está a Amy!!!!

E a Paula: 'então Amy, já voltaste da tournée?'

Tcharam!!!!
Quando não os podes vencer...Entrei entusiasticamente no jogo e por muito pouco não dei autógrafos à massa humana em delírio (massa humana=umas dez miúdas). E fiquei a saber que não se nota nada que estive parada um mês, segundo a Paula. Acho que por ter conseguido fazer os exercícios todos sem partir osso nenhum. Claro que o facto de hoje ter andado o dia todo aos 'ais' e hirta, qual Robocop cheio de verdete, poderia fazê-la rever em baixa a sua opinião...
Mas enfim, em resumo, é a chamada lei da compensação: desenhos miseráveis, abdominais de aço!

Ando numa de ser positiva... MAS CUSTA COMO O RAIO!!!!

domingo, 16 de novembro de 2008

A minha vida dava um filme negro

Balanço da semana:
- Boris: infecção urinária
- Nádia: otite
- Sasha Margarida: mais três kgs (peso actual: 37,5 Kgs. Oh joy!)
(Gato Gil, amo-te de paixão meu bebé esbelto e saudável!!)
- E ainda: vacinas para as meninas, desparasitante para todos, líquido maricas para limpar os ouvidos da piolhosa da persa, e anti pulgas (para gatos que não saiem de casa, mas nem vou por aí...)
Resultados práticos da semana:
- Menos 190€ na carteira
- Mais um sermão da vet sobre a limpeza dos ouvidos da gata e obesidade da cadela ( como se eu tivesse culpa que ela roube comida do armário)
- Mais um sermão de mummy ' no que tu te metes, esses bichos vão levar-te à ruína, bla bla bla bla bla bla...andas a trabalhar para os bichos bla bla bla bla bla bla' (nota mental: da próxima vez, desconversar ou mesmo mentir à descarada quando me perguntar quanto custou)
- Menos um blusão de cabedal castanho que andava a namorar na Mango há três semanas e que vai com toda a certeza parar ao roupeiro de alguém que não vive com quatro sugadores de 'érios'...
- Menos três pontos no campeonato, que foi a cereja no bolo do dia de ontem...aaaahhh (suspiro de desalento) (não sou kamikaze, não, mas como já conheço alguns dos que me lêem, prefiro ser eu a capitular antes que me digam alguma coisa...em todo o caso: be gentle, por favor!)

Devia estar, por isso, mega deprimida, certo? Pois não estou. Tudo vale a pena, e pode ser que alguém (hello, mana e resto da malta?! ;)) se cotize para me oferecer o meu blusão matador. Sou como Job (só que muito mais gira): tenho montes de paciência e suporto montes de contrariedades, porque acredito que um dia, - de preferência enquanto eu ainda puder andar e souber o meu nome -, o meu pote de ouro no fim do arco íris se revelará.
Além disso, decidi ver as coisas pelo lado positivo: se não tivesse os meus bébés, não poderia descobrir a minha veia para a realização e vocês não veriam a pérola que se segue.
Notas:
Para ver o vídeo, 'pausem' por favor a música do blogue, porque não andei a matar a cabeça para colocar banda sonora na coisa para depois não ouvirem, certo?
E se alguém conhecer um bom carpinteiro, por favor preciso do número: é que a lasca a menos que se vê na porta da minha sala não é um efeito especial!

Leão de Veneza! Urso de Berlim! Me aguardem!...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Interlúdio musical

Sou viajante assídua do tubo eléctrico a que chamam Metro. Gosto da rapidez com que nos faz atravessar meia cidade. Gosto do facto de não poluir o ambiente. Gosto menos, é certo, dos apertões e ofensas olfactivas, e do aspecto pouco limpo das carruagens, mas são as inevitabilidades de um transporte colectivo, e nem vale a pena pensar muito nisso.

Por isso ontem fiquei genuinamente surpreendida com a iniciativa com que fui brindada na Estação Jardim Zoológico (para mim é Sete Rios, como sempre foi, que mania de inventarem). Com uma massa humana apressada a 'levar-me' na maré, foi a custo que consegui divergir para aquilo que de longe (vá lá que tinha os óculos) me tinha parecido uma clareira. Era, efectivamente. Alinhados em semi círculo na clareira, estavam cerca de 25 pessoas. Homens atrás. Mulheres à frente. Instalei-me ( que é como quem diz parei, no sítio que me pareceu o melhor para não levar com a horda de galifões que continuava a emergir do túnel) e por ali fiquei, a perder comboios sucessivos, enquanto ouvia o Grupo Coral do CCDTML(Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa) a oferecer a quem por ali passava uma simpática actuação, brindada com sorrisos de quando em quando.
Como toda a gente sabe, eu sou uma grande maricas, que chora por quase tudo, e ainda mais por quase nada, e a música a capella toca-me particularmente. Foi pois, a custo, que fui disfarçando uma ou outra lágrima furtiva num trinado mais conseguido, ou nas fabulosas harmonias que o Maestro arrancava daquelas almas. Cânticos populares e de Natal, um dos quais em francês, cativaram uma boa dezena de pessoas que, como eu, teriam ficado mais tempo a ouvi-los. Na verdade, quando o grupo parou de cantar e viu que ninguém arredava pé, quase disseram 'amigos, vão para casa, que nós também queremos ir embora, sim?'...

Assim fiz, mas contrariada. Soube-me o tempo que ali empreguei. Nunca perdi comboios com tanta satisfação. Fiquei a pensar nas pessoas que continuaram na maré, e seguiram em frente, sem aproveitar o inesperado momento. Lamento pelos que não tiveram tempo de ter tempo, e que talvez até tivessem gostado de ficar. Quanto aos outros, os que iam passando e gozando (sim, é verdade), os puramente estúpidos, que não conseguem distinguir arte nem que ela lhes esborrache violentamente a cabeça, desejo-lhes apenas muitos anos de huntz huntz e buraca sound system, que parece ser a única coisa que as suas fúteis cabecinhas conseguem assimilar. Com todo o respeito pelo trabalho dos agrupamentos que se dedicam ao género musical do 'abana a cabeça até uma vértebra de partir e te cortar a jugular', claro. Eu não gosto, mas não gozaria com a actuação se passasse por ela. Infelizmente, tenho de partilhar o ar que respiro com gente estúpida e mal educada que não apreciando, não tem a cortesia de não se manifestar. Ceús, a plebe anda a ficar cada vez pior, não é?

Para quem puder e quiser aproveitar, aqui fica o programa completo das actividades inseridas nas comemorações dos 60 anos do metro de Lisboa (fui pesquisar, como uma linda menina)

O que estão a ouvir faz parte da banda sonora do filme 'Les Choristes' que recomendo vivamente, e onde se destaca a voz (e rosto) angelical do 'piqueno' Jean Baptiste Maunier. Para quem quiser deleitar-se...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Verdes de inveja...

Uma amiga enviou-me, como saudação matutina e solidária, a seguinte fábula, para reflectirmos em conjunto:

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:

- Posso fazer três perguntas?

- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.

- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.

- Fiz-te alguma coisa?

- Não.

- Então porque é que me queres comer?

- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!


E é assim....Diariamente, tropeçamos em cobras!...e, não raras vezes, conseguem ser mais feias do que esta.

domingo, 9 de novembro de 2008

Desafio muito maravilhoso


Numa das minhas incursões pelos blogs habituais, deparei-me com um desafio engraçado. E porque a Maria mencionou qualquer coisa sobre bonecas e vudus para quem não pegasse na coisa, e porque Eu e Dor Aguda não somos muito chegados, cumpre-me fazer por preservar a minha integridade física.



As regras são simples:



- Colocar uma foto nossa




(estavam à espera de quê? Depois do queixume todo, estava bem de ver quem é que eu ia por aqui...embora tenha escolhido uma de quando ela era mais ou menos engraçada)


- Escolher uma banda.

Craro, né? ( Quer dizer, estive indecisa entre eles e os Beatles (calma...ok? Eu sei que não tem nada a ver. Sou eclética, e depois?), mas para certas perguntas dava-me mais jeito uma coisa mais mainstream. Puristas, perdoem-me)

- Responder às questões com títulos de canções da banda escolhida

Ora bem, aqui fica:



1. És homem ou mulher? Lay your hands on me (deve dar para perceber, espero eu)

2.Descreve-te. She’s a mistery

3. O que as pessoas acham de ti. Blaze of glory (perdoarão a imodéstia, mas o blogue é meu, mesmo...)

4. Como descreves o teu último relacionamento? Lie to me ( e o outro antes desse, e o antes desse e ainda outro antes desse. A raça é muito aldrabona...)

5. Descreve o estado actual da tua relação. Living on a prayer (aqui dava-me jeito ter escolhido os Queen que espetava aqui 'Invisible Man' que era uma beleza)

6. Onde gostarias de estar agora? Bed of roses

7. O que pensas a respeito do amor? Something to believe in

8. Como é a tua vida? It’s my life (e está tudo dito)

9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Diamond ring (com a crise é sempre bom ter um bem rapidamente convertível )

10. Escreve uma frase sábia. Keep the faith


E desafiar alguém a fazer isto com canções dos D'zert? Isso é que é que era giro. Mas não, não vou fazer essa maldade. Quem quiser levar o desafio, esteja à vontade. É giro e faz-se uma pequena introspecção a pensar nestas coisas aparentemente inocentes...Ah , pois é... Hum...na verdade, acho que me vou ali suicidar e já volto, sim?

Miracles Happen

Ontem aconteceu-me um.
GRANDE!!!
A instalação do MEO correu bem: a minha net já está ilimitada e supersónica. Já consigo abrir as páginas todas, comentar os blogues de toda a gente à primeira, ter 10 páginas abertas ao mesmo tempo, personalizar este espaço lúdico em poucos segundos, ler o expresso online e ver se arranjo outro emprego, e, last but not least, ter música no blog (o que poderá entreter quem estoicamente consegue ler os meus testamentais posts até ao fim).
Para festejar a efeméride, parece-me adequado este 'Hallelujah', não acham?
E, claro, tenho de fazer um agradecimento público à minha Kazinha, amorosa, que me atendeu as preces e me explicou como por a música. Obrigada, linda. Para seres perfeita só te falta mudar de clube!

Estou satisfeitíssima com a net, mas há um senão com a TV. Ou melhor: três 'senões'.

O primeiro é que não tenho M6 por defeito (Argh)

O segundo é que não tenho BBC Prime por defeito (Duplo Argh)

O terceiro - e absolutamente inacreditável - é que tenho o Canal Benfica por defeito.

Why, oh GOD, why, do you not like me????

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Dois em um...

Uma das tradições francesas que faço questão de não abandonar, ainda que esteja agora por terras lusas, é o de festejar o dia do Santo com o nosso nome de baptismo. Existem aliás calendários próprios para o efeito, com a indicação do nome festejado dia a dia.
Para além de uma saudação especial, geralmente um sonoro ‘Bonne Fête!’, não está excluída a oferta de uma lembrança, pormenor que sempre foi do meu agrado ;).

Por isso fui recebida esta manhã com uma linda rosa, dada pela minha linda mamã. Sim, hoje é o meu dia no calendário!

E neste mesmo dia, há trinta (glups) anos atrás, foi-me oferecida a melhor prenda de todas. Vinha ‘embrulhada’ num babygrow cor de rosa, de onde espreitava uma carinha vermelhusca e esfomeada, que anunciava a sua chegada ao mundo a plenos pulmões. A minha mana linda nasceu no meu dia. E esta, hein?

Para ti, M. com um grande beijo de parabéns!!!


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mitos desmistificados

Pois que saí do trabalho com a rara satisfação de ver um objectivo cumprido e decidi trocar a ginástica por um cinema. Como a minha amiga vai ao cinema duas e três vezes por semana, o cartaz de fimes por ver reduzia-se a cinco: um sobre uma corrida de carros aparentemente perigosa (está-se mesmo a ver que vou perder tempo com coisas parvas), outro sobre o Bush (está bem de ver que também não vou perder tempo com um filme redundante que só prova que um imbecil o é efectivamente. Consta até que Josh Brolin, que incarna o debilóide, se sentiu ofendido com a oferta do papel. Folgo em ver, contudo, que o all mighty dollar terá obstado à terrível ofensa!), outro com actores desconhecidos e enredo insípido, e um intrigante 'Em Bruges'. Este último chamou-me a atenção pela odiosa composição do cartaz, em primeiro lugar. Do mais feiinho que já vi, mesmo. Mas assim que vi o elenco, elegi-o. Nada mais que Colin Farrel, esse pedaço de mau caminho do urbano underground, e o meu incontornável e distintíssimo inglês Ralph Fiennes. E um filme britânico. Bom, muito bom.


Foi,pois, ligeira e alegre que me dirigi ao El Corte Inglês.
Assim que cheguei, dei de caras com o Nuno Rogeiro!! O HOMEM EM PESSOA. ALI À MINHA FRENTE!!! Ó extâse! Ó Luxúria! Ou não... Ou não... Depressa se desvaneceu o meu inflamado enlevo porque:

a) o tipo cruzou-se comigo assim tipo 'how can you not see me?' e não me ligou nenhuma, o que é imperdoável!

b) de perto, fui forçada a rever em baixa as minhas considerações sobre o seu grau de atractividade

Foi portanto meio desapontada com este anticlimax prenunciador, que entrei na sala.


A visão do Colin rejuvenesceu-me, os diálogos brilhantes (de tão absurdos) animaram-me bastante, e só faltava mesmo aparecer o Ralph para a coisa atingir o zénite. A meio do filme, o homem aparece. Mas do jeitoso só uma fugaz miragem de azul. Magro, acabado, outro que não ele. Ralph, homem de Deus, onde está o teu garboso porte de Conde Almazy?? O teu emblemático e metálico olhar de nazi semi demente? Ah, Fatalidade! Olhei para ti e já não senti borboletas fantasiosas a esvoaçarem-me na corrente sanguínea... Ó mundo cruel, que me levaste a ilusão da imortalidade da sua beleza masculina perfeita, quando o vi assim:



(Suspiro de profundo extâse)
(Mais suspiros de profundo extâse)
(Pausa para passar pano molhado na cara e pescoço)
Saí tristonha, apesar de ter gostado muito do filme e das suas subtis ironias. Recomendo vivamente a quem não se melindrar por ouvir 'the F word' a cada três palavras.

Como se não bastasse o meu desastre emocional no ECI, assim que chego a Sete Rios dou com um mar vermelho na plataforma do comboio. Largas dezenas de benfiquistas aguardavam o mesmo comboio, envergando camisolas e cachecóis. Quê?!!! vou ter de me sentar e com eles e arriscar levar com estes cachecois do demo em cima? Olhei em volta, tentada a mandar-me para a linha. Mas os semblantes carrancudos deixaram-me adivinhar uma predisposição para o suicídio maior do que a minha, e acabei por ter um pensamento de empatia e aceder a compartilhar o meu banco com um dos espécime mencionados. Ainda me ri à socapa, ocultada pela minha Sábado, que o rapaz tinha humor e animou a carruagem com as suas teorias de bom chefe de família benfiquista. Não gostaria era de ser mulher dele, que parece que lhe ia bater quando chegasse a casa, por causa do resultado nefasto.

Mas não ficou por aqui o meu penar, não senhora! Meia hora de benfiquistas no meu espaço de segurança (menos de 50 cm, já começo a ranger os dentes) é dose, mas pasme-se! Ainda tive de gramar com mais três criaturas dessas e respectivos adornos, plantadas em frente à porta do meu prédio e em animada discussão às onze e meia da noite. Meu Deus, que praga me lançaste hoje???

Demasiados choques, para uma noite só...

Vou ver se durmo e se sonho com o Ralph dos bons velhos tempos. Meu Deus, que desapontamento!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Quem quer ser o meu papá ou a minha mamã?

'Olá, meninos e meninas leitores deste espaço lúdico e um pouco insano!
Somos duas meninas e um menino muito lindos e bem comportados, saudáveis e brincalhões, e viemos aqui para uma operação de charme absoluto para ver se encontramos uma família nova, que nos mime muito.
A nossa 'mãe' actual chama-se Sandra e vai ficar com uma mana nossa (não pode ficar connosco porque também já tem outra gatinha), mas queria ter a certeza de que ficamos bem entregues e gostaria de ir tendo notícias de vez em quando.
Por isso, percam dois minutinhos a olhar para as nossas caras larocas e deixem-se tentar!'

Pronto, já falaram os bébés, agora falo eu!
A Sandra pediu-me ajuda para chegar a tantas pessoas quanto possível para encontrar um lar para estes bichinhos lindos. Como a blogosfera é um mundo, e cada blogger tem uma série de outros contactos pessoais, o que eu pedia a quem por aqui passar é que pegue na foto ou no link deste post e o faça circular por email, para um ou outro contacto que seja um animal lover e que possa passar a mensagem.
Para mais informações, passem no blogue da Sandra (http://ervascompanhia.blogspot.com/), que ela é que sabe tudo sobre os bébés e tem fotos deles desde bebézinhos. Uns fofos!
Vá lá, olhem para estas coisas lindas e façam já a vossa boa acção de Natal!!

domingo, 2 de novembro de 2008

Última hora?

Estava ontem placidamente a jantar quando a pivot da Sic anuncia uma notícia de última hora. 'Ok, mataram o Obama', pensei eu. Caiu um avião. Caiu uma ponte. Caiu o Governo...
Não. Não. A notícia de última hora, que me fez pousar os talheres em angustiada espera, foi mesmo a de que o Porto perdeu com a Naval! Certo...
Mais alguém acha que se está a cair no absurdo jornalístico?
Obviamente que fico contente (desculpem-me os amigos portistas) porque são menos três pontos de vantagem sobre o Sporting. A questão é: queremos mesmo um noticiário que dramatize e incendeie? Julgo que não.
O histerismo à volta do futebol irrita-me. E eu gosto imenso de futebol. Gosto, pronto. Do que não gosto é que exagerem. Não é uma noticia de última hora um clube perder e outro ganhar. Não é. Desculpem. Nem devia ser notícia de abertura uma mudança de clube de um treinador.
E muito menos deveria haver um gozo quase que palpável ao anunciar uma derrota do FCP. Não se faz. Muito menos num telejornal nacional. Eu não sou portista e fiquei irritada. Depois admiram-se das hostilidades entre Norte e Sul!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Salto Quântico

Quando era miúda adorava fazer composições. Nunca tive o dom da síntese - como por certo já terão percebido pela extensão absurda da maior parte dos meus textos (e, lamento, este não será excepção) - e escrevia autênticos testamentos que eram geralmente lidos no quadro, para divertimento de muitos coleguinhas, e invejice de outros pobres de espírito (Patrícia, continuas parva!) (e estás feia!) (toma!)

Os temas eram variados, mas havia sempre os incontornáveis ‘quando crescer quero ser...’ e ‘se pudesse viajar no tempo seria...’.

Sendo que, quanto ao crescer, a partir de agora só se for para os lados, detenho-me uns minutos sobre o ‘se eu pudesse viajar no tempo seria...’.

A parte absolutamente fútil da minha pessoa levar-me-ia a responder, de caras: dama de companhia na Corte de Luís XIV. Mas nobre, claro. Nada de aia vinda do poveco. Porque não a própria da Rainha, perguntarão vocês. Bem...primeiro porque a pobre Marie-Thérèse não brilhava pelo seu intelecto, e depois porque era chifruda. Não estou cá para aturar um homem que durma com outra(s), ainda que seja Rei de França. Era o que mais faltava!
E depois porque é muito mais giro ser coquette e espirituosa e ter os imbecis dos príncipes, duques, condes e viscondes todos a suspirar pela discreta e elegantérrima Duquesa (gosto mais do título de Condessa, mas os Duques são mais ricos), do que ser Rainha e só ter salamaleques interesseiros. O poder tende a atrair gente engraxadora e isso é uma coisa que eu não suporto, e a ter de incarnar a babaca da Marie Thérèse, que possuía a retórica de um rato do campo, não lhes poderia dar as tiradas sarcásticas que eles mereciam e, por conseguinte, ficaria frustradíssima. E para ficar frustradíssima, deixo-me estar no escritório e poupo a desagregação molecular de uma viagem ao passado!

Confesso que gostaria de ocupar grande parte do meu tempo em Versailles. Desfilar, de queixo elevado, nesta galeria, vestida de ríquissimos veludos brocados (admitamos que seria inverno, porque o veludo no Verão é capaz de ser muito quente), com os cabelos presos com travessas cheias de pedrarias, e joias maravilhosamente discretas, para não ofuscar a minha estonteante beleza natural.
Galerie des Glaces - Palais de Versailles
Ser passeada de barco no lago (obviamente não seria eu a remar que se me romperiam as finíssimas luvas )
Frequentar os bailes e deslizar graciosa pelos salões engalanados.
Bordar, pintar, ler os clássicos e dar passeios a cavalo pelos verdes bosques circundantes.
Em suma, experimentar o Absoluto ócio. Isso é que eu que gostava. Muito!
Futilidades à parte, sempre gostei do tempo dos Mosqueteiros. Havia Honra. Havia Glória. Havia Esforço. Havia Dedicação. Hum...isto soa-me familiar. Oh Céus, já se elevava o meu Sporting naquela altura!!!! Sempre achei que D’Artagnan, a gostar de futebol, seria Sportinguista. De verdade: o pobre homem também esperou a vida toda pelo seu título de Maréchal de France que, tragicamente, no fim do sexto volume de ‘Le vicomte de Bragelonne’, do meu bem amado Alexandre Dumas*, lhe foi entregue quando agonizava, trespassado pelo fogo da artilharia inimiga. Ou nem sei se não terá o estafeta chegado tarde demais, o que justificaria o profuso choro que me lembro ter pautado as últimas linhas que li.

Brincadeira (que surgia espontanea e inesperadamente) à parte, nesses tempos, os bons eram mesmo bons. Honrados, com princípios, corajosos e honestos. Podiam cheirar mal, mas eram ´comme il faut'. Hoje cheiram todos muito bem, mas na maior parte... são umas bestas.

* Não foi só o Tolkien que escreveu uma trilogia: A história de D’Artagnan começa efectivamente com ‘Les Trois Mousquetaires’, mas continua em ‘Vingt Ans après’ e termina com ‘Le vicomte de Bragelonne’. Se bem me lembro, já lá vão uns anos valentes, este Vicomte era o filho de Athos e Milady de Winter ( essa grande cabra!)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eu só queria beber o meu chocolate quente em paz...

No outro dia decidi convidar a minha mãe e a minha irmã para tomar um chocolate quente numa pastelaria ali perto de casa.

A dada altura, enquanto eu estava junto da caixa a pagar, ouço-as em dissimulada risota, o que, invariavelmente só pode significar uma de duas coisas: ou estão a gozar comigo, ou estão prestes a fazê-lo.
Com o mode em red alert, regresso a mesa e com seráfico sorriso, grunho:
O que é que foi? Vá!!
A Mana: nada, nada, estava a pensar numa coisa que me disseram...
E a minha mãe vá de olhar para o ar, e a minha irmã vá de se matar a rir. A coisa prometia...

Recostei-me calmamente, o sobrolho esquerdo franzido em not amused inquirição.

Por entrecortadas frases, pontuadas de gargalhadas e faltas de ar, consegui que o monstrinho me pusesse a par. E o que gostei da revelação!

Parece que o chefe dela – com quem, de todo, não privo, e a quem não creio ter alguma vez endereçado palavra– acha que eu seria ideal para um amigo dele que andará pelas ruas da amargura. Parece também que o rapazito amargurado, apesar de pouco atraente, é culto e muito atinado, mas que precisa de uma mulher mais velha (note-se a delicadeza do animal chefe!). E que tinham – a minha irmã e ele - de nos arranjar um encontro.
Toda a gente sabe que eu ABOMINO estas palhaçadas. Como tal, o meu grau de pré apoplexia foi em crescendo desde a frase 'o meu chefe tem um amigo...' até ela acabar a exposição da coisa. Limitei-me a olhá-la fixamente, em mode ‘não posso crer que me estás mesmo a contar isto’ e a tentar afastar da minha mente esta imagem:




...mas consegui controlar-me e quando reganhei consciência ainda a ouvia a falar:


Ela (a tentar redimir-se): eu sei que não queres...ha ahahahah
Eu: que perspicaz da tua parte!
Ela: mas foi tão engraçado...hahahahah...
Eu: é, estou aqui que não posso de tanto rir!
Ela:...a tua cara...hahahhahaahhaha


E vá de rirem as duas.

E é isto a minha vida...

Da Mana tratarei oportunamente (não há Acqua di Gio este ano, que é para aprenderes!). Agora só tenho de descobrir que carro é que conduz o chefe, e redecorá-lo com uns riscos a mão livre. Tenho uma chave de fendas muito jeitosa para o efeito. Depois pode pedir ao amigo amargurado que o ajude a polir!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Spleen

E porque tudo o que tem um início tem de ter um fim, este post completa um círculo.
No post passado anunciei subrepticiamente ao mundo mais uma da minhas neuras. No equilíbrio precário em que vivem as pessoas de humores voláteis, de que eu me autonomeei embaixadora, qualquer catalizador serve para mergulhar nas profundezas do spleen.
‘Spleen’ é uma palavra que vi pela primeira vez num belíssimo poema de Baudelaire. É usada, em francês, para definir um estado de melancolia, nostalgia, tristeza ou profundo tédio. E ainda para definir as saudades da terra natal.

Foi um profundo ataque de Spleen que me assolou quando fui ver o filme ‘Paris’. Recomendado por um amigo mais atento do que eu, que ainda por cima me enviou o Trailer, (obrigada N.), o que me deixou logo de coração palpitante e olhos marejados. Traduzi a sinopse ( a original) mais abaixo para quem quiser ir espreitar, e recomendo, claro, para quem gosta de cinema francês. Mas para o cinéfilo incauto será só mais um filme, com planos bonitos de Paris, um argumento interessante e uma surpreendente Juliette Binoche, de quem nunca gostei muito, e que, pasme-se!, me conquistou por completo. Ela, ou a sua desencantada personagem. Talvez seja mais honesta esta frase. É um filme repleto de dramas pessoais, muito ‘normal’para quem o vê só com olho clínico. Para quem, como eu, o absorve com os olhos da alma, a história já é outra. Embirro solenemente com as pessoas que dizem que só se percebe o que é ser mãe quando se é mãe, mas não posso deixar de fazer esse paralelismo com Paris. Só percebe o que é Paris quem lá viveu. Paris entranha-se e não nos abandona mais.
Por isso entrei na sala já de lenços de papel no bolso.
Por isso desatei a chorar assim que apareceu o primeiro edifício.
Por isso tive de abafar um soluço profundo ao ver o plano em que a neve cai sobre a cidade.
A minha cidade...

O filme foi o pretexto de que o meu spleen omnipresente precisava para se manifestar. Às vezes é preciso deixá-lo respirar um bocadinho e acalmar-se, antes de o voltar a empurrar para o seu lugar secreto. Agora já está quietinho... embora mais apertado, que o lugar secreto já tem dificuldade em contê-lo...
Ia mandar beijinhos franceses para todos, mas lembrei-me (a tempo!) de que french kissing indiscriminado soaria a badalhoquice!
Assim sendo, cordiais saudações! ;)

É a historia de um parisiense que está doente e que se interroga sobre se vai morrer. O seu estado dá-lhe um olhar novo e diferente sobre todas as pessoas que ele cruza. O facto de encarar a morte subitamente fá-lo valorizar mais a vida, a vida dos outros e a da cidade inteira.
Vendedores, a dona de uma padaria, uma assistente social, um dançarino, um arquitecto, um sem abrigo, um professor universitário, uma modelo, um camaronês clandestino...
Todas estas pessoas, opostos à partida, encontram-se reunidas nesta cidade e neste filme.
Podem pensar que eles não são excepcionais mas, para cada um deles, a sua vida é única. Podem pensar que os seus problemas são insignificantes, mas para eles, são os mais importantes do mundo.
Cédric Klapisch

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Palhaço

Não, não vou falar de ex namorados nem de chefes (ai , caroço, que não posso dizer isto aqui!!!! ;)))

Não sei porquê, hoje lembrei-me da minha tia Lurdes (que não era bem minha tia, mas é uma longa história) e de uma prenda nos longínquos anos 80. Em vez de um livro, desembrulhei (contrariada, claro) um disco infantil. Um 33 rotações. Desenganem-se os que pensam que se tratava dos Onda Choc ou Ministars ou do último êxito dessa grande referência musical da minha infância, a Suzy Paula. Não. Era um disco para o qual eu olhei com profundo desdém, e que atendia pelo nome de 'Operários do Natal'. Devem estar com a cara com que eu fiquei, especialmente porque até estávamos em pleno verão! Ainda assim, não desarmei, e com o sorriso branco-cru-a-atirar-para-o-amarelado, virei-o para ver os títulos e tentar perceber o que não tinha percebido pela capa, que carinhosamente reproduzo (afinal, parece que não fui eu a única a receber o disco, há por aí mais blogues com esta referência)
cheia de bonecos estranhos, que para mim não tinham qualquer relação aparente. Os títulos também eram sugestivos:

Os amigos

O lenhador

O carteiro


A costureira

O palhaço
Também me lembro da tia Lurdes me dizer para não mostrar muito aos meus amigos, porque os operários eram todos comunistas e podiam pensar que eu também era. Ora eu, com oito ou nove anos, ligava tanto a isso que tive de lhe perguntar o que a palavra queria dizer. A explicação foi tão boa, que ainda hoje não entendo muito bem o conceito, mas isso são outros quinhentos.
Comecei a tomar gosto pelas músicas, e depressa as sabia na ponta da língua. O 'Operários de Natal' tocava alternado com o 'Fungagá da Bicharada' numa cacofonia non stop, a que se juntaram mais tarde os Onda Choc (claro que ofereceram o disco à minha irmã, trauma que nunca superei) e os seus fabulosos covers dos hits internacionais do momento.
Anyways... retenho ainda hoje as letras de muitas das canções dos ditos operários. Letras simples, para crianças, mas com a participação do grande Ary dos Santos, Fernando Tordo, Carlos Mendes e Paulo de Carvalho, era de esperar que surgissem algumas pérolas.
Tenho-me lembrado muito desta:
'Quem se ri com os palhaços
desconhece que hora a hora
num palhaço que se ri
há sempre um homem que chora'
Nunca gostei de palhaços, no sentido de que nunca lhes achei muita graça. Berravam que era um disparate, assustavam-me com as buzinas estridentes a 'destempo' e os sapatões que esguichavam água, e sempre os achei muito pategos e pouco divertidos. Talvez por centrarem a graça na exploração do ridículo, que é uma coisa que não me excita por aí além. Sempre fui muito 'esquisitinha', assumo. Nunca gostei de palhaços, mas fui sempre sensível ao homem (ou mulher) por trás da boca de Joker e narigão vermelho, a desmaquilhar-se no seu camarim e a sair para o mundo real, onde a vida tem certamente menos graça e onde o público não é uma massa anónima que o aplaude mas um semelhante que o olha com indiferença, senão mesmo com desdém. Se formos ver, hoje em dia, o termo 'palhaço' tem mais de insultuoso que outra coisa. Que o digam os árbitros de futebol...
Não sei, no fundo sempre tive a ideia de que os palhaços são pessoas de carne e osso um pouco tristes. Por isso gosto daquela quadra dos operários. E, de vez em quando, lembro-me dela, quando nos dias de neura ainda consigo armar um sorriso, e dizer meia dúzia de piadas para alegrar alguém, ou apenas para me manter do 'lado de cá' da sanidade. Não gosto do palhaço, mas tenho muito respeito pelo homem que lhe vai dando vida. Lá diz o ditado: quem vê caras não vê corações, que é como quem diz, os palhaços também choram!
Chorar para dentro também é arte.
Este post foi claramente 'palhaçada' minha...mas já na fase ascendente pós-neura. Passou quase despercebida, certo?
My point exactly...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Até a Vénus de Milo perdeu a cabeça...



...com o sorteio da Taça! SCP-FCP??? Já???


Está uma pessoa placidamente a começar um post sobre as suas desventuras artísticas e estala a bomba! Mas que droga! Enquanto isso, outros há que jogam com Desportivos das Aves e afins...Tá mal!


Agora já fiquei irritada e já nem me apetece muito dissertar sobre o meu primeiro desenho. Mas como já inseri a foto mesmo...


Ora a minha primeira aula foi, por assim dizer, traumática. Senti-me muito burra. Não fosse eu uma pessoa habituada a sofrer e teria fugido a sete pés ao dar com todos os colegas de braço esticado e lápis em riste, a tirar medidas 'à pro'. Eu, como de pro não tenho nada, nem nunca tive aulas de desenho na vida, não me armei e continuei a tirar as medidas a olho. E a fazer as sombras com o dedo. O que, vim depois a descobrir, nunca se faz! Começou bem!


Mas nem tudo foi mau. A composição do desenho ( a Vénus ao centro sobre o pedestal com um pano não engomado, a sua sombra à esquerda, e a sombra de outra estátua à direita) parece ter agradado e não tive reparos às proporções (apesar de achar que não estão perfeitas ali para o ombro direito) ao passo que os coleguinhas do lápis em riste levaram o reparo do prof: 'reparei que toda a gente estava a tirar verticais e horizontais com o lápis. Pena foi que isso não se tivesse reflectido depois no papel' (eu sei que é feio, mas sabe tão bem: bem feito! Para não se estarem a armar!).


Recapitulando: Para além de ser a única que parece nunca ter tido aulas de desenho, não domino as técnicas do sombreado e levei na cabeça (embora delicadamente) por 'sujar' o trabalho ao botar o dedo para sombrear. Ainda assim, a directora disse que 'tá giro'. Giro não é sinónimo de bem feito, mas também não quer dizer 'é um vómito, vai para casa!'. Portanto, apesar de achar que a vida me vai correr mal hoje de novo, persisto. Hoje temos de desenhar uma estátua masculina com as 'suas vergonhas' ; temo o pior que na Antiguidade 'aquilo' não era muito grande e eu ao longe vejo mal!

Não vi todos os desenhos, mas vi uns mais feios que o meu, e outros muito, mas muito mais giros. O meu orgulho sofre horrores no meio daqueles inspirados todos... Raios!!! E há lá uma moça que desenha que é um sonho. É quase ofensivo o que a miuda desenha! É desesperante saber que nunca conseguirei desenhar assim. Mas que se lixe, só o gozo que me dá estar na FBAUL vale o desgosto de ser apenas mediana...Enfim, pode ser que melhore se trabalhar assim muito, muito,muito, muito, muito, muito, muito...e ainda mais um pouco depois disso!
Não faz mal, que o Van Gogh e os outros impressionistas também passaram horrores antes de serem reconhecidos! O que não nos quebra torna-nos mais fortes. Assim espero!
E viva o Sporting! (não sei, pareceu-me adequado)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Besta

Andei largos anos a pensar que o berbequim era o utensílio mais difícil de usar. Até ontem. Ontem, tive a noção real de que o Inferno existe também fora do escritório e que os pequenos servos de Satã se escondem sob as mais insuspeitas formas. Ontem, vislumbrei o desespero. Ontem, quis defenestrar-me (só não o fiz porque ainda não tinha lanchado e porque nutria a secreta esperança que o Penafiel ganhasse na Luz...).
E perguntam vocês: que raio andou ela a fazer?
Nada. Absolutamente nada. Essa é que é a grande ironia. Gostaria de ter feito, mas o Demo estava a gozar comigo. O Mafarrico tirou a tarde para me infernizar. O Chifrudo enviou o seu instrumento do Mal para me levar à loucura.

O Diabo - só pode ter sido ele a soprar-me esta ideia estúpida ao ouvido - fez-me comprar isto no Lidl ( mas a preço muito jeitoso, diga-se em abono da verdade):


E eu, que ando numa fase de querer saber fazer tudo (menos mecânica automóvel ou física quântica) e não percebo, a bem dizer, nada destes engenhos de fada do lar, achei que era boa ideia saber usar uma máquina de costura, e que isso faria crescer as minhas hipóteses de sucesso junto do sexo oposto:‘vê, querido, que bem sei casear em zigue zague’. O que, como toda a gente sabe, é uma coisa a que os gajos não resistem!

Passei horas infinitas a tentar vencer os caminhos de Satanás, mas não logrei domar a Besta. Não fiz nada deste engenho das Profundezas Sulfúreas. E Dante pode ir passear com o seu ‘livrinho’, porque o Inferno dele é um conto infantil comparado com a tortura infligida ao meu cerebelo ao tentar seguir o manual e compreender a terminologia das 37 infernais pecinhas referenciadas.

Capitulei e fui buscar reforços. Chegou a minha Mãe... e depois foi Inferno a dobrar. Eu queria seguir o manual e ela, exímia costureira, ia-me buzinando informação e mexendo em tudo, e fazia coisas enquanto eu estava a ler, e quando eu chegava à linha dois já ela tinha passado para a outra folha... Passo os detalhes sobre a discussão acesa e as ameaças de mummy, já farta de me ouvir reclamar, e que começaram do agastado ‘daqui a bocado fazes sozinha’ ao ‘daqui a nada levas um estalo’ (mana pode testemunhar, pois foi aí que ela deixou de gozar comigo e ficou de prevenção para o caso de haver cenas de pugilato infanticida).

Moral da história: a máquina voltou para dentro da caixa. Tento de novo quando tiver comprado o Xanax!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O galo deu-me uma folga

Subi a rua a olhar para o relógio. Ainda faltavam dez minutos. Sem espiga…
Nunca fiando no meu sentido de orientação, interrompi educadamente a conversa de duas senhoras para lhes perguntar onde ficava o edifício. ‘Ah, é já ali, de onde estão a sair aqueles jovens’. Avancei, pelo meio dos jovens, com um misto de orgulho e apreensão, invejando-os secretamente por fazerem parte real do mundo para lá da escadaria.

A sensação de subir as escadas da entrada da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa foi como levar um murro no estômago. Sem a parte da dor. Só do impacto. Violento.
Hoje realizei um sonho de que nem tinha consciência.

Perdura o sorriso parvo que se instalou no meu rosto ao ouvir a coordenadora do curso - e directora da Faculdade - dar as boas vindas e dizer às vinte alminhas sentadas na sala clara e atravancada de rabiscados estiradores: ‘vocês são alunos das Belas Artes’.
O 'vocês' inclui-me a mim. Eu também sou, pelo menos até ao fim do primeiro módulo do Curso Livre de Desenho da Figura Humana. Calhando, até ao fim do terceiro módulo, lá para Junho de 2009.

Can you believe it? Eu ainda estou em choque, confesso. Absolutamente aterrada, porque há dias em que desenho como um porco maneta, mas deslumbrada com a perspectiva de aprender com quem percebe mesmo muito do assunto. Calhando, saio de lá a desenhar como deve ser…ou pelo menos melhor do que o porco!


Segunda feira começa a sério…
Um cheirinho do primeiro desafio, a amiga Venus de Milo...

(...só que a nossa não tem cabeça nem pernas. Coitada...)

Hoje foi só apresentação e visita guiada das instalações.

A faculdade está instalada num antigo convento do século XIII, que resistiu ao terramoto de 1755. Seguimos o assistente Viriato pelos corredores povoados de esculturas e paineis esculpidos, e descemos até aos acervos (ou asservos? não sei bem, mas não me apetece ir procurar), onde está guardado o espólio de esculturas. Tivemos direito a visita guiada e a breve explicação técnica sobre o processo de moldagem do gesso. O Viriato, nosso assistente, tem um fraquinho pela escultura, e um grande amor pelos seus ‘bébés’, mas reconheci-lhe o desencanto de quem quer fazer mais e não pode, de quem perdeu a fé num sistema que permite que dezenas de gessos se acumulem numa catacumba húmida, sem qualquer serventia e sem qualquer respeito. Fiquei chocada. Tinha ideia de que o património era mais bem tratado, especialmente estando sob a tutela de quem o estuda, e de quem tinha por obrigação dar-lhe um tratamento mais condigno. Houve quem comentasse ' Portugal no seu melhor' e estou inclinada a concordar.

Depois, fomos em pequenos grupos de cinco, até uma aula a sério, já com um modelo vivo (e vestido de ar. E que bem vestido estava, raio do moço…) e ainda deu para espreitar a papelaria, onde milhares de tubos de óleos e acrílicos gritavam ‘Safira, leva-me para casa’. Palpita-me que lá vou gastar uns trocos. Palpita-me que vou ter de pedir aumento ao patrão. Palpita-me mais ainda que ele me mande pastar...o patronato anda forreta ultimamente. Damn it!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Já não se fazem mães como dantes...

Diálogo entre a minha excelente pessoa e a minha digníssima progenitora, no outro dia, enquanto víamos a roda da sorte:

Eu: epá, não arranjavam uma mulher mais feia para assistente?

Progenitora: mas quem?

Eu: Ó Mãe, aquela coisa que tá ali, horrorosinha e parva.

Progenitora: Mas o que tem a moça?

Eu: ai, sei lá, é tótózinha. E é aquele cabelo horroroso...

Progenitora: E já viste o teu?

Eu (depois do choque): E o que é que tem o meu cabelo???

Progenitora: Tá horroroso, parece que foi lambido por uma vaca!


Os astros que conspiram contra mim já conseguiram comprar a minha própria mãe. Ok...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Não há nada a fazer...

Ontem cheguei à gym atrasada.
Pego no step e coloco-o no chão sem ver o que estava a fazer, para tentar apanhar o ritmo.
Ouço a Paula (prof) dizer: 'Patrícia, tens o step muito alto', mas continuo na minha, principalmente porque não me chamo Patrícia. Só quando ouvi: 'epá, Amy, tu não és Patrícia?' é que percebi que era comigo...
Resultado, disse-lhe que mais valia chamar-me Amy, mesmo...que pelo menos sei que sou eu.
E ela ficou tão feliz que, no relaxamento, anunciou à turma 'agora vou por uma música de uma cantora muito parecida com uma aluna minha' e relaxámos ao som de 'Rehab', que é uma canção altamente inspiradora para mente e corpo são.
Não sendo assim tão parecida com a Amy, começo a achar estranha esta fixação. Das duas uma: ou a moça gosta mesmo da música da outra, ou acho que me devo começar a preocupar a sério com esta atenção toda.
Que seria bemvinda se fosse de um monitor gajo. Assim sendo, de facto, MEDO!!!!

Perfect day






Oh it's such a perfect day....




I'm glad I spent it with you...






Such a perfect day...



you just keep me hanging on...



Tenho a certeza de que o Lou Reed não dedicou esta canção a um labrador amarelo, mas eu cá gosto de ser diferente...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A lei da compensação

A minha prima enviou-me uma foto tirada este verão, na Lagoa de Albufeira. Nela pode ver-se aqui a vossa amiga, com os três miúdos dela: um gémeo de cada lado e o bebé ao colo. É uma foto feliz, que coloquei ao lado das outras fotos em que estou com os bébés da família ou dos amigos ao colo. Tenho dezenas de fotos com crianças...alheias. Estão todas giras, modéstia à parte, até fico mais risonha com os pequenos traquinas por perto, mas a verdade é que não pude evitar uma pontinha de tristeza por ver que acabo por pedir emprestadas as crianças dos outros para experimentar um pedacinho dessa coisa aparentemente banal a que chamam maternidade.

Por esses dias da foto, também raptei os gémeos da prima para um passeio cultural ao Farol do Cabo Espichel. Retenho da visita, mais do que a história do farol desde o início dos tempos (e que demorou quarenta e cinco minutos a ser debitada pelo simpático senhor) o sentimento inusitado de orgulho parvo por estar encarregue daqueles dois miudos de dez anos. Durante duas horas, fui eu quem lhes deu a mão, quem lhes respondeu às perguntas (especialmente o 'falta muito?' e o 'quando é que o senhor acaba?'), quem lhes repetiu dez mil vezes 'portem-se bem', quem fez de rei Salomão quando um tirou a máquina fotográfica do outro e desatou a fugir com o ultrajado a berrar atrás dele, quem os pôs a ambos de castigo por não terem parado senão à décima quarta advertência, e quem se certificou que os cintos estavam bem apertados antes de arrancar com o carro. Nunca faço isto, porque tenho poucas oportunidades para tal. Mas quando faço, modéstia à parte, faço bem. E por fazer bem, acho a vida um bocado injusta. Mas também já decidi não perder muito tempo com estas considerações absolutamente estéreis, e, depois do minuto e meio de blues, fui fazer outra coisa e esqueci o assunto.

Mas o Homem lá de Cima deve ter ficado a pensar nisso e deu-me um pequeno prémio de consolação. À tarde, levei o Boris ao vet para a vacina anual. A veterinária é louca pelo Boris, sempre foi, desde que ele era uma coisinha tinhosa que achei no meio da rua. E a verdade é que ela e a auxiliar agarraram-se ao gato como se ele fosse o Messias felino e elegeram-no o gato mais bonito do consultório. E depois da pica, que ele tolerou como um valente, sem fitas nem protestos, foi elevado a gato perfeito. E eu fiquei contente. E orgulhosa, pois então. Não tenho filhos, mas tenho o gato mais bonito aqui do sítio. Pronto.


E fiquei tão bem disposta que, mais tarde, na aula de ginástica, ri-me ao ouvir a prof. Paula a corrigir-me a postura com um sonoro 'Ó Amy, o pé é flectido, ok?'...
aahhh (suspiro conformado e, vá, ok, até acho piada ;))