quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Crónicas de uma alma boicotista, mas que ainda assim quer transmitir votos de boas festas

Interrompemos a hibernação deste espaço lúdico para assegurar os estimados leitores de que continuamos vivos, felizmente de boa saúde e, tendo em conta o estado do país e do grande número de imbecis que o povoam, razoavelmente bem dispostos. Só estamos a passar por uma série de perturbações na rotina pessoal e laboral que têm consumido a quase totalidade dos recursos energéticos de que dispomos. Nada de grave, asseguro-vos, não vos apoquenteis. Mas de maneiras que andamos com pouco tempo, pouca paciência e, lamentavelmente, sem grande criatividade. Para verem o bom que isto tem andado: este ano não fiz árvore de Natal. Não tive paciência para desarrumar a trapalhada toda para ter o arraial montado durante três semanas e depois voltar a arrumar tudo outra vez. Este ano fiz greve ao Natal. Não me apeteceu, pronto. E não tem nada a ver com o facto de ainda continuar à espera do meu IPAD... 

De maneiras que foi um Natal diferente. E já passou., graças ao Altíssimo!; já vou poder fazer compras sem ter resmas de imbecis à estalada por causa de meio kg de camarão ou a fazer voos picados para pegar na última couve portuguesa como se de uma mala Gucci se tratasse. Enfim...

Anyways... isto tudo para dizer que como boicotei o Natal também não me vou esforçar muito para forjar uma lista de resoluções de ano novo, embora tenha cá alguns planos para 2014. Festejar a vitória do Sporting no campeonato. Conseguir que Nero Augusto perceba a finalidade do quadrado de gravilha no fundo do quintal. Por o estúpido limoeira dar limões. Ganhar mais do que 18€ a dividir por 12 pessoas no euromilhões. Coisas possiveis, portanto, embora pouco prováveis. De certo -que o futuro a Deus pertence-, apenas a firme intenção de não me chatear muito, relaxar e viver um dia de cada vez com o meu novo mantra:
God, grant me the serenity to accept the things I cannot change,
The courage to change the things I can,
And wisdom to know the difference.

(também não digo que não a uma G3 ou a uma granada de fragmentação. Só num caso de aflição, não vá a serenidade faltar...)

Se já não 'falarmos', desejo a todos votos de um excelente 2014. Be happy!!!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Gérard de Villiers

Teria talvez uns 13 ou 14 anos quando comecei a dedicar-me às prateleiras de livros ditos ‘de adulto’ deixados pelo meu pai. Lidas as colecções d’Os Cinco, d’ Os Sete, das Gémeas no Colégio de Santa Clara, mais uns quantos romances de algibeira com nomes bonitos (Aubépine, La Roche au cerfs, que li não sei quantas vezes), a Enciclopédia Médica do Reader’s Digest (sim, eu lia enciclopédias, e depois?),  A Vida na Terra do Attenborough, e mesmo a Bíblia ilustrada, fiquei, pasme-se, sem nada para ler. No desespero, fui à estante dos livros-que-aparentemente-são-uma-seca-descomunal-sem-qualquer-interesse-para-o-comum-mortal ( por terem capas com um 'certo' aspecto)
e peguei num, mais ou menos ao calhas. Já não posso jurar qual dos títulos me tornou numa Villiers junkie, mas sei que papei todos os que tinha.  E eram muitos, pelo menos todos os publicados até 1980, altura em que regressamos a Portugal e o meu pai deixou de acompanhar a saga do Prince Malko, agente secreto da CIA, de olhos dourados, choruda conta bancária e talentos de sedução que fariam James Bond corar de vergonha. O que tinham de extraordinário os livros de Gérard de Villiers? Para já, histórias de espionagem internacional muito bem urdidas, com aturada pesquisa, contextualização para totós (como eu era na altura, antes de me tornar no ser superior que sou hoje, claro). Depois, factor que desde logo me cativou, o requinte de malvadez com que eram pintadas aqui e ali cenas de assassínio, torturas, etc. Umas das que me marcou foi a candura com que o traficante panamiano convidou a sua vítima o seu compincha dealer para um mergulho numa piscina límpida e cristalina. Impagável o  detalhe com que Villiers nos explica o horror incrédulo do pobre homem quando mergulha e sente os primeiros pedaços de pele e carne a cair... Atão e perquêi??? Perque a piscina límpida e maravilhosa era uma piscina de ácido! Quem é que se lembraria de ter um chefe mafioso com uma piscina de ácido no quintal, senão Gérard de Villiers?
Por tétrico que possa parecer, também havia lugar ao sentimento. Pois que o Princípe Malko Linge também era um homem dado à sensibilidade, pois que também sofria quando, não raras vezes, a mocita com quem mantinha tórridas ligações carnais sucumbia aos ferimentos de uma bala perdida ou era entregue a outro destino igualmente fatídico (fosse ele qual fosse, porque o Príncipe tinha uma namorada fixa, pontas soltas e mocitas assolapadas globo fora é que não, que a bela (sim, para Gérard de Villiers só os maus é que são feios) Alexandra não ia gostar...

Tenho para mim que o Príncipe Malko era um pouco o alterego do seu criador que  ontem nos deixou, aos 83 anos. Li a notícia com a tristeza que marca sempre o desaparecimento de alguém, mas sobretudo com nostalgia. Há anos que não pensava nestes livros que há muito encaixotei na garagem. E não sei se exagero ou não, mas, se na altura me tivessem posto o Harry  Potter à frente, não teria trocado.  Não mesmo...

A lata das pessoas é uma coisa que não tem explicação

Oito e picos da manhã. Perdido o comboio por escassos 35 segundos, e com dez minutos de espera pelo próximo, dirijo-me ao café da estação para aumentar o meu perímetro abdominal com calorias absolutamente escusadas. Noto que se assoma ao meu lado, ao balcão, uma senhora muito agitada, mas não lhe ligo mais do que o necessário, esperando placidamente a minha vez. Que chega, finalmente. Eis que peço ao rapazinho o meu bolinho para levar. Mas antes de conseguir acabar a minha frase, a hiperactiva ao meu lado começa a bater com uma moeda em cima do balcão e vá de dizer (ao empregado, preciso) 'Olhe desculpe, posso só pedir duas bolinhas que senão perco o comboio e só tenho de hora a hora?'.
E que acham que aconteceu? Pois que o empregado vá de largar tudo e ir atender a senhora. Virei-me para lançar o meu olhar de profundo desdém à criatura, assim como quem diz 'és pouco malcriadinha, ó cabra' porque Deus me livre de sequer perder latim com gente deste calibre. Ainda me pediu 'imensa desculpa', o que me fez tanto efeito como um pente a um careca, porque o meu problema já não era com ela, mas sim com o anormal do empregado que, corrijam-me se estiver errada, até podia atender a monga primeiro, mas NUNCA sem pedir-me licença primeiro. Seria pedir muito? Suponho que sim, porque um simples 'obrigada por ter cedido a vez' também foi coisa que não ouvi nem de um nem de outro. Posto isto, estou a fazer uma sondagem: o que deveria ter feito esta vossa dilecta amiga?
a) ter descomposto a apressada hiperactiva e não lhe ter cedido a vez
b) ter descomposto o empregado e ter-lhe dito que não é ele que decide se pode ceder a vez do cliente
c) ter desejado um óptimo dia aos dois e ter ido comprar bolinhos a outro lado.

Era a c), não era? Também acho, mas o raio do bolo estava com tão bom aspecto que calei e amoxei, comprei o estúpido bolo e agora odeio-me profundamente. Para a próxima, bato primeiro e pergunto depois. Just in case. Para não ficar a pensar nisso.  
Mas em calhando ainda vou fazer reclamação no livro, quando for para casa logo à noite. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais valia continuares de baixa de parto e caladita

Passou-se de todo!

Amiga Assunção, 
Eu não lhe digo a si quantos filhos deve ter à custa dos meus impostos, pois não? Então caladinha, que em casa de cada um manda cada qual. Se estiverem bem tratados e se não incomodarem os vizinhos, qual é o problema? Era o que mais me faltava. Esta gente é parva. E fazem o quê aos animais 'em excesso'? Vão para o canil, para a injecção? Ide todos mas é... olhem, é para aí mesmo!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Estou a ficar velha

Tempos houve em que ficaria absolutamente ursa por ver o meu Sporting perder no Dragon por três batatinhas e em que voariam objectos pela sala e os gatos também, se não me fugissem da frente a tempo. E mesmo Sasha Margarida só se safava graças à silhueta anafada, que a raiva dá força, mas não tanta que chegue para 40 kgs de cão. Eram tempos em que as emoções eram vividas em pleno, tempos de que por vezes tenho saudades embora em nada dignificassem o meu porte de senhora. Nunca esquecerei a noite em que Miguel Garcia nos colocou na Final da Taça Uefa, nem o choro compulsivo, partilhado com a minha mana em casa da senhora nossa mãe que nesse dia teve a certeza que nem uma nem outra jogavam com o baralho todo. Coisa mai linda, duas mulheres com idade para ter juizo, de joelhos no chão, agarradas uma à outra a chorar baba e ranho. Cenas tristes, pois com certeza, mas há lá coisa igual à partilha de uma alegria comum?!

Belos tempos esses, em que eu ainda vibrava com a bola. Percebi ontem, com alguma tristeza, que a minha chama sportinguista, outrora comparável a uma chama olímpica, anda agora na vizinhança da chama piloto de esquentador inteligente. Não se apaga, está sempre ali, mas assim a modos que também não se dá quase por ela. Percebi isso ontem enquanto ouvia o relato no telemóvel. O jogo já tinha começado, e já perdíamos por 1-0 e eu estava a tentar ouvir o Professor Martelo ao mesmo tempo e distraí-me por momentos. Voltei a prestar atenção quando ouvi o locutor anunciar  'Golo.........William Carvalho... É Golo...Goolooooooooooooooooo... E fiquei à espera, para ver de quem era. Fazia lá eu ideia de quem era o William Carvalho, valha-me Deus! Ora já isto não pode ser bom. Quando uma pessoa não conhece os seus próprios jogadores, a coisa está muito mal... mas quando por acaso o golo é nosso e a nossa reacção é levantar o braço, dizer 'Golo!' no mesmo tom de voz com que se pede ao marido que passe o jarro da água e continuar a ouvir o Professor como se nada fosse, a coisa morreu mesmo. Nem um salto, nem um festejo, nem um 'Toma lá Helton, vai buscar! embrulha, ó urso' e outros mimos não reprodutíveis aqui. Nada. (Dir-me-ão, também não valia a pena que três minutos depois foi o Patrício que lá foi buscar, mas pronto, for the sake of argument).

Maneiras que estou um bocado triste comigo mesma. Estou a perder qualidades. No sentido de que o meu SCP já não está no meu top ten de prioridades. Assim de repente consigo pensar em duas dúzias de coisas que me importam mais do que a classificação no campeonato. Ah...o inexorável caminhar do tempo. 


Estou ficar velha. À cautela já comprei um sérum...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Das maldades boas que se fazem a mães octogenárias

Atraí a vítima com a promessa de um cházinho tranquilo em minha casa. Coisa corriqueira e que acontece amíude, já que a senhora minha mãe nunca diz que não a uma chávena de Earl Grey. Fui buscá-la de carro, como faria em qualquer outra ocasião. Se D. Micas fosse uma pessoa mais observadora talvez tivesse reparado no nervoso miudinho com que a apressei a entrar no carro, no facto bizarro de estar com o telemóvel ao colo, logo eu que NUNCA atendo chamadas ao volante, ou ainda na minha exasperação quando, já em domínio safiresco, em vez de se dirigir à porta para entrar me ficou pelo caminho a admirar a pseudohorta do quintal, com as couves espigadas e o limoeiro que nunca deu limões, e ainda voltou atrás para se já dava para apanhar alguma clementina. Completamente alheia ao facto de que lá dentro, escondidas na sala, 25 pessoas aguardavam a sua entrada para romperem em apoteótica celebração.

Entrámos. Do fundo da sala, do equipamento de Karaoke especialmente trazido para a ocasião, soltam-se as primeiras notas do Parabéns a Você. D. Micas olha em volta, sem querer acreditar. Batem-se palmas, grita-se SURPRESA!!!!!. Uma mole humana empurra-se para abraçar a aniversariante: sobrinhos que vieram de Trás os Montes, outros de Mindelo, família local e amigos. Há muitos sorrisos, mas também vejo olhinhos marejados de lágrimas, por entre as minhas próprias lágrimas. Mas são lágrimas boas. A alegria no rosto da minha mãe é uma coisa que não vou esquecer tão cedo. Nem as suas palavras comovidas quando a multidão em delírio exigiu um discurso. A modéstia impede-me de me alongar, mas as palavras 'filhas maravilhosas' foram mencionadas. E se há pessoa que mereça uma homenagem especial, essa pessoa é mesmo a minha mãe, a quem devo tudo quanto tenho*, e tudo quanto sou. E a quem tenho de agradecer por tudo quanto não sou, ou tento ferozmente não ser, tendo sempre o seu exemplo de rectidão e fortes princípios por baliza. 

Espero que conte muitos mais anos connosco para poder ainda retribuir-lhe muito do muito que nos deu e nos dá, todos os dias. A minha Micas é a MÁIOR!!!!!


*É certo que D. Micas também é responsável por coisas que não tenho, como o piano que lhe quiseram dar quando voltou de Paris e que declinou a pretexto da falta de espaço. Falta de espaço, D. Micas? Who cares! Era um piano!!!! e era DADO!!!! ARGHHHHHHHHH!!! sim, é um trauma de infância que ainda não superei totalmente). E também não vou falar do Castelo (la Gazaille) onde D. Micas não quis aceitar um emprego de governanta, negando-me o meu direito natural a crescer num palácio nobre. Nem vou comentar. Trinta e cinco anos depois ainda me dói fundo, na ialma... um castelo. Eu podia ter crescido num castelo. Ó infortúnio cruel, ó profunda ironia...Logo eu, que ainda acalento esperança de encontrar vestígios de sangue napoleónico algures nos meus tetravós paternos, tão perto estive da Glória Suprema...True Story.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Dia Mundial do Animal



Podia dedicar este post aos meus dois cães, dois gatos, duas tartarugas e nove bengalins do japão, mais às osgas e às lesmas que também aparecem lá por casa. Podia agradecer-lhes (e agradeço, mas não é só hoje, lá está!) o brilho extra que dão à minha vida, mesmo que dêem um trabalho monumental e despesa considerável. Era tão mais fácil botar aqui fotos fofinhas, dos meus, ou de outros quaisquer, que pululam a net, bonitinhos e bem tratados. Podia, mas não ponho. Não ponho porque não há nada de fofinho na vida de milhares de animais por esse mundo fora, e hoje a vida não se lhes vai transformar só porque alguém determinou que é dia do animal. Por isso, só para contrariar os optimistas que criam dias para tudo e mais um par de botas, este post vai para destinatários especiais:
Para todos os animais que não têm uma casa e que passarão mais uma noite, igual a todas as outras noites, ao relento, com frio e com fome; 
Para aqueles que aguardam por uma casa, enclausurados em jaulas superlotadas;
Para aqueles que tendo uma casa passam a vida acorrentados, e levam pontapés quando só querem uma festa, comem quando calha e não têm cuidados médicos;
Para os que são largados nas bermas das estradas;
Para os que são atropelados, sejam cães, gatos, raposas, mochos, falcões porque dá muito trabalho ir devagar em zonas de floresta;
Para os que nunca vêem a luz do dia, presos em gaiolas de laboratório;
Para os que são caçados ou atormentados por desporto;
Para os que vêem o seu habitat natural reduzido de dia para dia pela acção do homem;
Enfim, para todos os que hoje não vão ter mimos especiais porque, afinal, este é só mais um estúpido dia na sua vida miserável.

Tenho mau feitio? Pois tenho. Detesto hipocrisias. Tenham lá paciência. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

'Tá explicada a descida da fertilidade do mundo ocidental


E foi este senhor que descobriu a pólvora. Este ser humano, abnegado e iluminado, vem hoje a público ajudar-nos a aumentar os nossos índices de natalidade. Vede aqui.

Meninas! Afastai-vos desse demo que é o automóvel, esse alterador de ovários que vos eleva as ancas e vos empurra a 'pélve' para cima, impedindo-vos subrepticiamente e pela calada de terdes dúzias de meninos. Voltemos todas a andar a pé. Ou de burro. Quiçá às cavalitas deste Sheik, por que não?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quem vê caras não vê corações - ou outro provérbio aplicável a um imóvel lavadinho por fora e uma porcalhota por dentro

Anda aí na berra o novo centro comercial (ha ha ha) de Lisboa, apelidado de Embaixada, que veio ocupar o Palacete Ribeiro da Cunha, ali ao Príncipe Real. Como vizinhos, tivemos direito aqui no office a convite para a inauguração que, consta, foi muito animada com muito pindérico pendurado nas varandas a comer e beber à borla.  Eu não fui, obviamente, que tenho mais o que fazer e não aprecio as aglomerações de tios da linha mortos de fome (ah, não vos disse, pois, as lojinhas são todas muito tias, muito tias, que caturreira.).

Já mentalizada para a potencial pinderiquice, ainda assim não quis deixar de ir ver in loco porque o palacete é lindíssimo e mortinha estava eu por poder entrar lá dentro. Pois que entrei, extasiada, pronta para uma viagem ao passado, mesmo que com um twist de modernidade. Quanto ao passado não fui defraudada. Na verdade, o cotão do século XIX ainda lá está, a fazer companhia à alcatifa puída e remendada. E ao espelho da escadaria da entrada, manchado e partido. E já nem falo dos tectos com a tinta a pelar, ou dos murais em clara necessidade de restauro. Quanto ao twist de modernidade foi mesmo só o cheiro a assados, vindo do café restaurante que uma alma iluminada decidiu colocar no mini claustro interior. Um must. 
Certinho certinho é que até me tirarem os escaparates de mantas do nepal, xanatinhas e malas de lona que custam 148€, ou até restaurarem o palacete por dentro como deve ser, não volto a por lá os pés.


Muito boa ideia, sim senhora. Aprecio bastante a nobreza falida que não tem dinheiro para restaurar o património que herda e o vende ao desbarato a "imobiliárias" que depois andam aí a fazer “bonitos” destes, disfarçados de requalificações. Respeito pelo edifício e ambiente do bairro  my ass! Tende vergonha, mas é. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

o filho pródigo que escusa de voltar

Leio aqui que o jovem Bruma terá dito, referindo-se ao meu Sporting: “Vou ter muitas saudades, pois sempre foi esta a minha casa. O que tenho a dizer aos adeptos e sócios é que isto é apenas uma passagem para mim. Voltarei ».

Caro Bruma, como  adepta  - não sócia (deus ma livre, tanto livro que eu compro com o dinheiro das quotas) - se te tivesse ouvido tinha-te dito o seguinte: “epá, ó Bruma, deixa lá ‘tar isso, sim?  Por mim podes ficar nos turcos para toda a vida e mais um dia. Até podes ir depois para o SLB ou para o FCP que é para o lado que eu durmo melhor. Já agora se o fizeres, faz no prazo de cinco anos que é para o Sporting encaixar mais 30 milhões, que até nos dava jeito. Agora voltar para o Sporting? Mas nem que a vaca tussisse lingotes de ouro tu lá voltavas a por os pés se fosse eu a mandar. Nem que isso fizesse o Sporting campeão durante dez anos eu te lá queria. Há valores mais altos, meu caro amigo. Um dia vais perceber...”
Era isto que eu lhe dizia. Mas isto sou eu que sou má. Se eu não fosse má, fazia como no    benfas, que admite que um gajo falte ao respeito ao treinador e o mantém a jogar. Se fosse comigo, bom ou não, o Cardozo também já estava na rua. Sou má, lá está. É uma falha de caracter grave que me impede logo à partida de ser dirigente seja do que for. É que também tenho esta dificuldade em baixar as calcinhas e dobrar-me pela cintura e deixar que...enfim. Tenho a coluna pouco flexível. Também pode ser da espondilose, que isto dos 40 é uma coisa terrível. Mas sempre direitinha. Não há agachamentos comigo. Lamentamos profunda e sentidamente.

Posto isto, Bruma, tem uma boa vida, sim? Longe.
Agradecida.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Os cromos que faltavam


Preciosa
Falópio
E aqui estão eles, os mais recentes habitantes do zoo da Safira. Preciosa - que espero seja uma fêmea, embora não possa jurar - viveu no escritório até ao passado mês de Agosto. Comprei-a no regresso de um teste de História da Arte Portuguesa que não me tinha corrido grande coisa. Como aqui na zona as boutiques que existem ou são de griffe ou só têm coisas pindéricas (vai dar quase ao mesmo, mas não digam a ninguém que eu ousei criticar os estilistas nacionais) entrei na primeira porta onde percebi que podia gastar dinheiro (que é como quem diz afogar as mágoas. Há quem vá para as drogas ou o álcool, eu é mais bichos, pronto). E assim trouxe a Preciosa, mais a sua ilha com  palmeira, a quem botei orgulhosamente em cima da minha secretária aqui no escritório. Se dúvidas restavam quanto à minha (in)sanidade mental depressa se dissiparam quando um dos administradores (felizmente nenhum dos meus) me encontrou a caminho da casa de banho, para tratar da higiene pessoal de Preciosa. "ah, leva aí um peixinho!!" (é isso, é uma espécie nova, muito rara, tem 4 patas e estica o pescoço...DAHHHH!!! mas pronto, temos de ser delicados, afinal os estúpidos são pessoas como as outras; embora tenham deficit de inteligência também têm sentimentos e temos de ser cristãos) "não, não, é uma tartaruga". " "Ahhh, que giro.  E tem nome?" "Tem tem, é a Preciosa!". A cara do homem foi impagável. Eu sei que a minha credibilidade acabou nesse momento. E eu raladinha com isso.

Preciosa (que come como uma bestinha) foi crescendo, crescendo, até que me começou a ficar entalada entre a palmeira e a parede do aquário. Percebi que tinha de comprar uma casa maior, o que resultou na aquisição por arrasto do pequeno Falópio. Estava em promoção: Compre a tartarugueira e leve a tartaruga. E como resistir a uma coisinha tão fofa? E pronto. Lá andam os dois alegremente na casinha nova, ela cinco vezes maior do que ele (também não sei se é macho, note-se), e ele aproveitando-se desse facto para lhe subir para a carapaça e cravar umas boleias. É mesmo giro, o pequenito Falópio. E porquê Falópio? Porque teve de ser, prometi que deixava escolher o nome, para mal dos meus pecados. Também eu interroguei delicadamente o padrinho quando me deu conta da sua escolha: "Falópio????? what the hell?!!". Obtive isto como resposta: "assim podes sempre dizer "ó Falópio, o que te aconteceu? Estás cá com umas trombas!"

E é isto a minha vida...

PS: o padrinho também sabe que são trompas e não trombas, mas diz que é for the sake of argument. tá bem, pronto...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O ciclo da vida

Há dias relatei a minha satisfação por ter tentado salvar uma osguita estropiada. O verbo é bem empregue. Tentei, mas não logrei alcançar o objectivo e, é pois, com pesar que informo que encontrei há pouco os seus restos mortais, ali perto do canteiro onde a depositei na esperança que o sossego a deixasse recuperar. Não sei isto é um presságio de desgraça aqui no escritório, é verdade que duas garantias bancárias bateram na trave e que anda tudo um bocado mal disposto, mas creio que devo contrariar o mau karma com uma história de sucesso.

Há uns tempos postei aqui que os meus mandarins tinham dado cabo das crias todas. Fiquei bastante chocada na altura, por isso, quando os bengalins do japão começaram nova postura nem quis saber. Deixei-os estar, na esperança de que aquilo não desse em nada. Só para me contrariar, no dia em que fui de férias, espreitei o ninho e lá estava uma bolita com pernas a mexer no meio das cascas. Certa de que o bicharoco ia acabar como os outros, nem me entusiasmei. Deixei tudo entregue à minha irmã e fui-me embora. Os relatos diários iam dando conta dos progressos da criatura e dos dois irmãos nascidos entretanto. Quando voltei já tinham penas e poucos dias depois já olhavam com dois olhões muito desproporcionados (são feios que se fartam os pássaros recém nascidos). Comecei a gostar dos bichos e a passar mais tempo do que devia em contemplação da rotina familiar. Os bengalins do japão, contrariamente aos dois mandarins idiotas que lá tenho, são pais extremosos e cientes das rotinas. Um alimenta, o outro ingere os excrementos para manter o ninho sempre limpo. Sim, é nojento, mas é assim, que vi eu com estes dois olhinhos.
E aqui fica o resultado desta empreitada numa foto de família tirada às sete da manhã quando ainda estão todos ensardinhados no ninho. 
Os bébés, já quase autónomos agora, são os dois completamente brancos, que penso serem albinos e talvez ainda possam render umas coroas porque não vejo com frequência nesta raça, e o mais pequenito( em baixo à direita) malhado.
Como não podia deixar de ser, esta malta tem  (quase) toda nome: o pai Anis, único macho (de peito branco); Canela (uma das mães possíveis, a mais escura à esquerda); Cacau (a outra mãe possível, escura em baixo); Mel, a tia solteirona e chata, armada em vamp na foto, ao centro. Os pequenitos: Jorge Jesus (um dos albinos, assim baptizado por causa da farta cabeleira branca na altura); Afonso Henriques, o outro albino, porque o apanhei a bicar a mãe, ingrata criatura; e, por fim, o sem nome, malhadinho porque ainda não se destacou. 

Amanhã mostro as minhas tartarugas. E logo a seguir, a Arca que vou ter de construir... 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Pecadilhos ocasionais




Receita para destressar quando o dia está mesmo a correr muito mal:

 - engolir a marmita o mais rápido possível para fugir ao turno das pavoas da copa
 - ir num pulinho até à Rua Nova da Piedade, nº 68
 - pedir um copo médio com sabores de pistáchio, avelã e oreo
 - sentar num banquinho no jardim da Assembleia da República e lambuzar os beiços enquanto se corta na casaca das pavoas com as nossas colegas cool.
 - a opção lambuzar os beiços no banco de jardim enquanto se lê o último do Zafón é outra opção interessante, mas precisava de mais mãos...

Mighty fine, é o que vos digo! Experimentem, são mesmo bons!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Este blogue ainda mexe qualquer coisinha

...pelo menos mais do que a pobre osga que acabei de transportar na pá do lixo da dona Alice, e que deixei no canteiro das hortensias na esperança que recupere do encontro imediato que deve ter tido com um cilindro compressor, a avaliar pela extensão das lesões. Vive, mas não está em grande forma. Espero que se safe.

E pronto, este foi o ponto alto do meu dia aqui no escritório. Continua tudo na mesma, portanto...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

E depois sou eu que tenho mau feitio...

Sou frequentemente acusada de ser uma pessoa um nadica embirrante e com algum mau feitio. É uma crítica que aceito com alguma facilidade; se a minha própria mãe o diz é porque deve ser verdade. Nada como uma pessoa insuspeita para nos dar um banho de humildade de vez em quando e D. Micas é mestre no cházinho quando é preciso. Em minha defesa, porém, considero que há uma linha muito fina entre o embirrar  e o ser minimamente exigente. Às vezes embirro, é verdade, e embirro só porque sim, porque sou humana e imperfeita. So shoot me. Outras vezes, como esta manhã, não há tanto uma embirração como uma incredulidade completa perante a  incompetência das novas gerações e a fraca qualidade do serviço que as lojas oferecem agora.

Entrei numa perfumaria à procura de uma fragrância para o senhor meu sogro, que celebra três quartos de século amanhã. Embora tenha as minhas preferências pessoais em termos de perfumes masculinos, confesso-me mais parcial a aromas menos clássicos, mais frescos, e que, creio, não se adequariam. Expressei estas dificuldades à simpática moça (assim que ela largou o livro que estava a ler quando entrei, o que, não sendo profissional, não é tão mau quanto estar a ler a Caras ou a Hola. Embora eu até goste da Hola, que as pindéricas espanholas conseguem ter muito mais classe do que as nossas, e até se vêem uns vestidos que não lembram os cortinados da avó mal engomados de que as tias de Cascais tanto gostam), na esperança (estúpida, claro) de que ela poderia ser de alguma utilidade. Perante o ar completamente perdido da funcionária, avancei o clássico Farenheit na esperança de conseguir sair da loja antes da hora de almoço. Apologeticamente, diz-me: “é que eu sinceramente perfumes de homem não percebo muito”. Calha sempre bem, numa perfumaria... mas pronto, achei divertida a sinceridade e pensei cá para comigo, coitada da moça, há coisas piores, afinal temos um primeiro ministro que também não percebe grande coisa do métier e o “chefe” dele também não se rala nada com isso. Pelo menos a moça foi sincera. E como disse, muito simpática. Por isso lhe desculpei ainda a manifesta falta de jeito que a levou a dizer-me que não tinha um spray para cabelo que eu tinha acabado de ver na montra. E quando lhe disse “mas olhe que está na montra” ainda teimou: “tem a certeza????”, “tenho sim senhora. O rótulo está em inglês, tá a ver, mas diz aqui “hair spray”... “ah...tem razão!”. E acrescenta, pesarosa, “sabe, é que estou aqui há muito pouco tempo...”.  Pois, a malta percebeu. Mas é sexta feira, estou a uma semana das férias, a perfumaria não é minha e a vida é globalmente bela. Saí com os meus produtos e com um sorriso no rosto. Acho que D. Micas ficaria orgulhosa da sua filhota mal humorada.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Como disse?

A música da cena em que o "Psyco" Anthony Perkins esfaqueia a pobre moça no duche ecoa subitamente no open space. Ah! uma chamada de trabalho. Atraverso lentamente os escassos metros que separam a máquina do café da minha secretária, onde o meu telemóvel se agita impaciente. 253 qualquer coisa. Um número que não reconheço, lá das bandas de Guimarães ou coisa que o valha. Deve ser outro engenheiro com um problema existencial com que me chagar os miolos. 
Atendo, com um simpático (e obviamente fingido) tom de solicitude profissional:
Eu: Estou, sim?...
Alguém: Bom dia!
Eu: Bom dia...
Alguém: Estou a falar com o Bruno? 

...claro que sim, se o Bruno for castrati ou viciado em hélio... 

Ainda assim, abafo o sarcasmo e respondo:...bem, não, não está a falar com o Bruno...
Alguém: Ah, deve ser engano (deve ser??? Hello!!! Ainda está indeciso?). Desculpe. Bom dia.

Ao simpático senhor que acha que eu sou um homem deixo um artefacto extraordinário que decerto o ajudará até que se encontre uma cura para a estupidez.

Cotonete: à venda num supermercado perto de si.

domingo, 21 de julho de 2013

Impeachment já!

Devia haver uma lei que impedisse amebas gágás de ditar os destinos de um país. Quando uma criatura que destruiu o sector agrário e a indústria pesqueira deste país, que se encanta com sorrisos de vacas, que se queixa da sua parca reforma, que mal lhe dá para os gastos, coitado do homem, mas que gasta 160 mil euros numa viagem a um ilhéu a que nunca ligou pevide antes enquanto o circo está a pegar fogo em Portugal, perdão, no continente (mimo a gaffe, já agora, que tão bonita foi) me tem a distinta lata de dizer que manter em funções os imbecis presunçosos que estão a dar cabo do pouco que ainda temos é a melhor solução que ele consegue encontrar, então das duas uma: ou a arterosclerose atacou em força, ou a criatura é manifestamente incompetente. Quiçá ambas. Devia por isso fazer a única coisa que me parece lógica: ir para casa coser meias e brincar às casinhas com a Maria em vez de com os portugueses. Ela tem obrigação de dar o rabinho quando ele quiser. Nós não.

 É isto que me ocorre quando penso na ameba e nos seus acólitos. 

 Cry - Godley and Creme

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O que eu gostava de ser uma pessoa moderna e adepta das tecnologias

Poderia assim aproveitar as 550 mil funcionalidades do super telemóvel xpto que herdei recentemente e que me tem enchido os dias de um saudável nervoso miudinho e crescente alergia. Não vou nomear a marca porque a samsung  empresa sul coreana que fabrica o galaxy mini modelo que tem nome de cena do espaço não me paga para fazer publicidade, especialmente da negativa. Também é verdade que o defeito pode ser meu mas acredito mais que o gingarelho tem vida própria e entra em modo "vou-te lixar a vida" porque planeia secretamente apossar-se da minha personalidade para comandar o mundo. É a minha convicção e não abdico dela, tal como não abdico da convicção de que sou descendente de Napoleão. Mas isso é outra história de que me lembrei porque li há pouco que o bébé da anoréticazinha Middleton será primo em 23º grau da filha da Beyoncé (isto se nascer ainda neste século, que a coisa parece que está para durar) que é uma notícia que nos enche de incomensurável alegria, claro, porque estamos todos muito preocupados com isso. Pois eu preocupo-me mais com o facto de ter um telefone que se desliga sozinho ou que decide que não lhe apetece receber chamadas assim de repente, ai que chatice! agora ter de tocar quando pode estar sossegado na sua bolsa a coçar a micose.  Pois é isso que o gingarelho do demo faz: greve indescriminada. Herdei o telefone do Carvalho da Silva e ninguém me disse. Acho mal. Tenho muitas saudades do meu velho Nokia que mesmo após oito anos de fiel serviço, noite e dia ligado, continua com a bateria de origem que ainda aguenta uma semana inteira. É certo que não posso tirar fotos, nem enviar emails, nem fazer aquelas coisas que a malta da tecnologia faz, o postar no instagram e no feicibu (tanto para dizer sobre a minha falta de paciência para o feicibu e tão pouco tempo...), nem ver o tempo, nem saber as farmácias de serviço, nem os restaurantes da área, nem tem GPS, nem mede a velocidade a que vai o carro ou o comboio. É de facto muito limitado quando comparado com o tal da samsung empresa sul coreana. Porém...Faz chamadas. Recebe chamadas. Consigo acertar nas teclas à primeira, mesmo com unhas grandes. Não se desliga só porque sim. Não hiberna. Não bloqueia. Não tem uma autonomia de merda. Funciona, portanto. Não sei, se calhar sou eu que estou a ficar velha do restelo...mas antes isto que anjinho, como este gato.
               (psst, gatinho...não é que não te liguem: é que tens um samsung e ele finge que está vivo, mas está mais morto que um coelho esfolado há três meses. Faz assim: Liga o modo de voo. Desliga o modo de voo.  Conta até dez. MAGIA!!!! Olha pra ele a receber as notificações das 300 chamadas que nunca tocaram! AWESOME!!!!! )

(já sei que alguém vai ler este post e chamar-me cabra ingrata só para não me dar razão... )

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Olá cá estou eu! (é o que se arranja de título, que ainda estamos a meio vapor e não temos imaginação para melhor agora de momento)

Cesso hoje o meu jejum de crónicas semiocas e intelectualmente questionáveis. Hooray. Hooray. Fugi dos meus algozes.Hooray. hooray. Já sou dona do meu tempo de novo. Hooray. Hooray. Ora isto não é garantia de que escreva mais assiduamente porque toda a gente sabe que sou uma real preguiçosa, mas pelo menos já não há factores externos a condicionar-me.
A título de justificação para tão longa ausência aqui ficam as linhas mestras dos meus últimos 40 e picos dias:
a) Exames de  meados de junho até meados da semana passada. Correram bem, obrigadinha, menos “Salvaguarda do Património construído em Portugal” que provavelmente terei de repetir, mas é assim, as disciplinas com pouco que ler não se afiguram desafio suficiente para este portentoso intelecto...
b)  Pontaria do cacete! Os exames coincidiram com uma mini cirurgia ao antebraço que me livrou de um histiocitoma, que era uma borbulhita chata, e me deixou uma cicatriz de 3,5 cm que toda a gente diz que está muito bonita e a sarar bem (expliquem-me o ponto de pús que apareceu hoje, por favor...) mas que eu pessoalmente acho feia nas horas e me dá o ar de uma debilóide que tentou abrir o pulso com uma faca romba. Do lado errado do braço. Um mimo. Portanto, o meu conselho para todos vós, que consideram livrar-se de uma borbulha chata (que comicha e infecta de vez em quando mas que fora isso não vos apoquenta muito): deixai-a estar! Cinco pontos no braço durante três semanas e poderem ser confundidos com uma versão abortada do Frankenstein não tem grande piada! Trust me.
   c) Tive passarinhos. Quer dizer, os meus mandarins (de que ainda não falei porque ainda não calhou) tiveram uma ninhada. Mataram dois. Rejeitaram o terceiro. Apanhei-o do chão da gaiola e consegui mantê-lo vivo debaixo de uma lâmpada, a alimentá-lo de duas em duas horas com uma palhinha. Morreu-me nas mãos, doze horas depois. Escusado será dizer que dispensava a experiência.
    d) E depois há o governo... tem sido de facto difícil resistir ao impulso de abrir os pulsos. Não o faço porque, como disse, já tenho uma cicatriz e dispenso outra. Mesmo que do lado certo.  
E pronto, é isto. Agora que estou mais recuperada destes desgastes todos vou tentar reanimar o tasco e ver se tanto tempo de privação de oxigénio não acarretará danos permanentes e irreversíveis.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Não me demito. Não abandono o meu País" diz PPC

É pena. Digo eu.

Muito haveria para dizer, mas não tenho tempo agora. Mais uma semana e volto ao mundo das pessoas que têm hobbies (e vida!) para além do trabalho e do estudo. Pode ser que este já tenha ido com os porcos e que leve os amigos todos. E o outro que não é palhaço.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Spleen

Não sei se o meu sistema imunitário se cansou de lutar contra o vírus do pessimismo e desânimo que assola o país, ou se é a obtusidade com que me debato no dia a dia profissional que se me anda a colar à pele. Ou se sofro mais do que penso com os desgostos que o meu Sporting persiste em infligir-me. Ou se me enervo demasiado com o rol de trabalhos que tenho de fazer para as últimas cinco cadeiras do curso. Ou se será só  irritação pelo facto do ranhoso do Gaspar não me devolver o que me foi cobrando indevidamente ao longo do ano passado. Ou se ando agastada com a palhaçada que PPC e PP andam a fazer, cada um para seu lado, mas emparelhados na trambiquice. Não sei o que é, ao certo, mas tenho andado a modos que off.  Um bocado farta de tudo. Especialmente dos dias perdidos em frente a um computador e da morte cerebral que cada repetitivo bit representa, que cada hora sem sentido profundo agrava. Ando com vontade de me dedicar à agricultura ou à pastorícia, de forma a conviver o menos possível com o bicho homem (e a bicha mulher) laboral. É que já não tenho paciência nem para estupidez nem para filha de putice. Se olhar agora para o lado vejo um colega, excelente funcionário, prestável, inteligente. Ao seu lado outro: matreiro, cínico, incompetente nas horas, mas imbatível na arte do sorriso fácil e da graxa proficiente. O primeiro foi mandado embora. O segundo vai continuar. É mais caro, tem mais regalias (carrinho e gasoil, pois com certeza) e produz menos. E pior. Faz sentido, não faz? Pois, também me parece que sim. A malta aguenta trabalhar num sítio destes? Como diria o Ulrich 'ai aguenta, aguenta'. Que remédio! A alternativa traria paz de espírito, mas não comidinha para a mesa. É isto que me chateia, ter de pactuar por<<

O meu reino por um Euromilhões (ou o aparecimento súbito de um tio milionário desconhecido, sem herdeiros e tragicamente doente). 


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Não devia ter deixado as drogas...


Sabemos que estamos com um pé na porta do asilo quando começamos a sonhar com colegas, de quem não gostamos particularmente, por sinal, e que nos dizem “vou almoçar” e vá de aparecer um senhor de boina (que calhava  ser o Ângelo Correia), com dois cavalos e vá de montar os bichos e de sair porta fora. Quando passa por nós vemos que, abaixo do joelho, as pernas da dita colega estão cheias de pelos ( mas não eram alguns pelos, eram muitos, muitos pelos, eram pernas à Hobbit!!) e pensamos, ainda em choque,  "valha-me Deus, tanta mania e tem-me as pernas naquele estado. Ca noijo!". E vá de alguém dizer ‘ai, que ainda cai’. Nem a propósito... ouviu-se um grito. Fomos ver. Um dos cavalos já ia mais leve...

O Freud ia adorar analisar-me.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Da gastura


No meu curso de escrita criativa, feito há uns anos atrás na “Companhia do Eu”, um projecto giríssimo da responsabilidade de Pedro Sena Lino, um dos primeiros exercícios que nos foi proposto foi escrever uma história a partir de um ponto de vista improvável. Lembro-me que tínhamos de fingir ser uma aspirina (efervescente, presumi) prestes a ser ‘afogada’ num copo de água. Sairam dali umas linhas bem engraçadas que, para além de nos valerem algumas gargalhadas, serviram o propósito de deslocar o nosso ‘eu’ e as nossas experiências do centro gravitacional a que estamos habituados e dar largas à criativadade, por mais absurda que fosse a rota seguida. Pois que me lembrei disso agora porque recordo que me senti feliz na pele de uma aspirina efervescente, com os ácidos acetilsalicílicos aos saltos, mesmo que prestes a falecer. Na história, a minha missão era nobre. Havia, portanto, um propósito para a coisa. Hoje, depois de uma manhã inteira a inventar que fazer porque alguém não quis pagar as licenças do software e o fornecedor as suspendeu, dei por mim a pensar que realmente uma aspirina deve ter uma realização profissional muito superior à minha.  


Um dia, quando pouco mais tiver a perder, explico. Por hoje é só um desabafo de alguém muito farta de colossais erros de gestão e grosseiro desrespeito pelos colaboradores. Eu ainda sou do tempo em que as empresas não eram um depósito geriátrico de amigalhaços, ou de políticos wannabe, em que o parque automóvel não era mais importante do que o capital humano, e em que o fim último de um dia de trabalho não era a chegada da hora de saída.  E, lá está, se eu fosse uma aspirina efervescente, não ficava a pensar nestas coisas.  

sexta-feira, 5 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Das excentricidades caninas

Nero Augusto adora-me. E hoje, vá-se lá saber porquê, achou que devia demonstrar-me essa devoção com uma prova mais material. Vai daí, durante o passeio matinal, foi-me esgravatar nas ervas e trouxe-me de lá... um coelho morto. Que depois deixou cair aos meus pés. E isto, claro, é amor. Não sei  mesmo se não terá suplantado o pardalito (também defunto) que Gato Gil me deixou debaixo da cama há uns anos atrás e que eu descobri ao seguir, qual Gretel dos tempos modernos, não migalhas, mas penas espalhadas desde o hall de entrada até ao quarto...
Tem sido isto a paga que tenho por acolher animais desprotegidos: ofertas macabras e cuecas roídas. Estou convencida que devo ter sido uma grande cabra na encarnação anterior. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Que espécie de imbecil inicia uma dieta na semana da Páscoa?


Eu digo-vos: esta espécie de imbecil, esta mesma que vos escreve. Se não podia ter esperado mais uma semana para me meter nas dietas da moda dos 31 dias a passar fominha e a contar as colheres de arroz e massa que posso voltar a comer daqui a duas semanas? Podia. E, provavelmente, até era a mesma coisa. Mas nestas coisas há valores muito altos que se levantam. Em rigor, há valores que deviam andar mais levantados e não andam. (O astral, meninos, o ASTRAL. Que pecaminosas mentes tendes!) 
Pois que é verdade, ando a modos que aborrecida com o espelho, embora tenha a certeza que o defeito é da convexidade e não meu. Já desculpa para o súbito encolhimento do bikini que comprei no ano passado, assim de repente não consigo encontrar...Deve ter tido algum problema lá no armário da tralha de verão, alguma corrente de ar, ou assim, e agora já não cabo lá dentro com a mesma graça. Que aquilo servir, ainda serve. E até nem é preto e branco, que eu cá tenho visão e achei logo que a coisa podia não correr bem, e não ia por-me a jeito de ouvir alguém a gritar-me ‘Free Willy’ num qualquer areal. Mas ando desgostosa, pronto. 

Portanto, não há hidratos. Não há açúcar (nem frutose, portanto nada de fruta). Ando a proteínas e vegetais. Infelicíssima e cheia de fome. Mas raios ma partam se gasto mais dinheiro em fatos de banho este ano! 

era um destes agora...
Mas não. Tenho ali um iogurte natural. Magro. E sem açucar. Mal posso esperar. Aquilo é tão bom...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Road Trip

Como o movimento 'Que se lixe' anda muito em voga, eu também iniciei um. Aliás, dois:   o 'Que Se Lixe a Roupa' e o 'Que Se Lixe o Estudo'. 

São Pedro bem tentou estragar-nos os planos, mas nada se interpõe no caminho de dois amantes de natureza e fotografia determinados a passar um domingo diferente. Munidos de impermeáveis, máquinas fotográficas e binóculos, aí fomos estrada fora, à descoberta do Estuário do Sado. Esta zona é muito espectacular para observação de aves, actividade que tem sido a minha fascinação mais recente.  


Em Alcácer do Sal, fomos saudados por dezenas de cegonhas, umas em plácida contemplação, outras em frenética busca de gravetos para compor o ninho e outras ainda nos campos em busca de paparoca.



Um pouco mais à frente, quase a chegar à Comporta, paragem in extremis para tentar  fotografar (sem sucesso, claro, que é sempre mais fácil tirar fotografias quando a máquina não está dentro do estojo e no banco de trás), um belo peneireiro cinzento.

Já na Carrasqueira, enquanto alguns de nós vibravam com a paisagem humana e o porto palafítico e tiravam fotos destas (e atenção que esta é mesmo nossa. aliás, dele!...mas eu também tirei e também ficaram giras, mas não tive foi tempo de sacar da máquina, que o 'Que Se Lixe' é bonito, mas quando se chega a casa há que fazer o jantar e essas coisas todas), outros de nós desesperavam atrás de três irritantes íbis pretas, um sem número de garças brancas pequenas e dois  pernilongos . Tudo documentado, mas indisponível de momento  e com uma qualidade que não rivaliza com a das fotos que deixo aqui a ilustrar os bicharocos, pelo que decidi ir sacar da net, agradecendo desde já aos respectivos autores a gentil (embora não autorizada) cedência.


Cereja em cima do bolo, já no regresso (e avistada de fugida a correr no meio de um bosquete):


Escusado será dizer que a gritaria dentro do carro atingiu decibeis proibitivos, que não é todos os dias que se vê uma raposinha viva. E o que eu gosto de raposinhas! Infelizmente ainda vimos outra nesse mesmo dia, esmagada no meio da estrada no alto da Serra da Arrábida. Fico doida com isto. É certo que os animais são imprevisíveis e podem surgir disparados; nem sempre se consegue evitar o embate, mas ao menos paravam e tiravam o pobre animal do meio da estrada. Mas não, credo! isso dá muito trabalho. É muito mais giro deixar para toda a gente continuar a passar por cima até que já não haver por onde pegar no cadáver. É esta a civilidade que temos por cá.

E pronto, aqui fica este singelo relato para perpetuar a memória de um dia bem passado. Há mais provas, mas já estão na máquina de lavar há muito tempo. Gosto muito de choco frito, mas dispenso levá-lo colado à roupa. Se alguém for para os lados da Carrasqueira e tiver ideia de ir ao choco frito, lembrem-se de levar um escafandro e vistam-no antes de entrar! (À gerência do restaurante 'O Rola' aconselho um pequeno investimento num sistema de exaustão eficaz)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Da ganância


Toda a gente sabe que a minha realização profissional oscila entre o 0 e o -39, dependendo do dia e da hora. A coisa corre francamente mal nas primeiras horas das manhãs de segunda feira,  altura em que veementemente questiono o universo sobre o porquê de não ter ido para a costura ou nunca ter aprendido a soldar panelas para poder vir ser a Joana Vasconcellos da margem sul, spé fino que seria expor coisas em Versailles em vez de no Espaço Jovem da Quinta do Conde, mas Deus tem caminhos misteriosos e já não questiono o meu fado, antes me limito a rejubilar com o ter salário ao fim do mês e ainda manter alguma actividade cerebral, coisa difícil com a exposição a que sou diariamente sujeita. É esta atitude positiva que me leva a encarar com alegria o facto de o ponto alto do meu dia de ontem ter sido a activação de um identificador de via verde para um administrador. Até porque, no processo, passei por uma farmácia onde estavam a fazer diagnósticos de pele gratuitos e promoções de 10% da marca de cuidados do corpo e rosto que eu estou a usar. Pelo menos enquanto o Gaspar deixar. Ainda com tempo da hora de almoço, decidi entrar.

A senhora que me atendeu, muito simpática, ficou muito contente por eu usar a marca. Mas, ai de mim!, o meu creminho é bom, mas não é fantástico!!! Até porque a minha pele precisava de algo mais forte. Não é que esteja mal, não de todo, que não parece nada ter a idade que tem, mas sabe, o colagénio é mesmo assim, as coisas não esticam como dantes e está um pouco desidratada, ai, sim, sim, pois, estes olhos... precisa MESMO de um contorno dos olhos, que a pele do contorno dos olhos é muito frágil e de um sérum, ai o sérum é maravilhoso, já não se passa sem ele, quer ver na sua mão, veja lá a diferença de uma para a outra, mas o que lhe fazia mesmo falta era um creme de noite, porque esse que tem, lá está, é bonzinho é o que se vende mais, mas já devia apostar num produto mais forte. Venha cá, que eu faço-lhe o kit.

Saimos do gabinete, o meu mini facial publicitado mas esquecido ante a perspectiva de vender os produtos milagrosos e fazer uma bela comissão. Deixei-a pousar. Com um sorriso. Vejo o balcão encher-se com um contorno de olhos, um sérum e um creme de noite, tudo Premium, como convém. As etiquetas, como convém também, estrategicamente colocadas fora da vista.

Aqui a vossa amiga, que já foi parva e papou grupos  mas entretanto apurou-se e gosta pouco que a façam de estúpida, vira os frasquinhos do lado das etiquetas e começa a somar. Ora, um contorno a 50€, mais um sérum maravilha a €113 e mais um creme de noite (que até diz “jour et nuit”, mas deve ter sido erro de impressão do rótulo, com certeza) a €123, se não estou em erro, que por esta altura já me estava a rir às gargalhadas interiormente. Ah, mas faziam uma atenção de 10%, olha que simpáticos e generosos, e era só um bocadinho que me diziam já quanto é que ficava quase 300€ com 10% de desconto, que é uma conta difícil de se fazer. Por esta altura, achei que estava na hora de nos deixarmos de merdices, deixar a senhora ir almoçar e eu ir à minha vida também. Por isso disse-lhe, muito directamente, que não era esse tipo de investimento que eu procurava, que se não se importasse muito me desse um contorno de olhos da marca mais em conta, mesmo que não me tire os papos (que nem sequer tenho, note-se) e esquecesse lá os sérums e os cremes premium que também não estamos mumificados e ainda aguentamos mais uns meses até acabar o que temos em casa, e que, ficamos a saber, é da marca, mas afinal não presta. Vai que ela não gostou. E eu raladinha. A contragosto lá me deu um contorno de olhos a 19€ que mandou para cima do balcão com um simpático ‘mas depois não se queixe!’ o que cai sempre bem no cliente e também prestigia muito a marca. Só para a obrigar a baixar de novo, ainda pedi um body lotion. Da última prateleira. Tive os meus 10% na mesma. Já a tua comissão, amiguinha, foi ao ar. Temos uma peninha do cacete. Ainda te digo mais: até te comprava um creme de noite da gama mais baixa se mo tivesses proposto. Foste garganeira? Paciência. Vou comprá-lo a outro sítio. Ah, só mais uma coisinha. Sabes que se tirasses a base toda que tinhas na cara não havia sérum premium que te valesse, não sabes? Pronto, só para devolver a simpatia.
Kiss it, sister!

terça-feira, 12 de março de 2013

E mais um que já cá canta...

Lembro-me de ser miúda e adorar o dia do meu aniversário. A antecipação começava um mês antes. No dia 9 de fevereiro lá começava eu a matraquear:  'sabes uma coisa? daqui a um mês é o meu aniversário. Já tens prenda para mim?'. A resposta, invariavelmente negativa, não me desmotivava minimamente. Continuava alegremente a massacrar tudo e todos à minha volta. Ainda o faço, mas já só pelo prazer de chagar a cabeça à humanidade. Os resultados são nulos, visto que continuo a aguardar o meu ipad, mas isso agora não interessa nada.

Passei um aniversário feliz (mesmo sem Ipad...), junto dos meus, mas sem grandes euforias. Começa a preocupar-me o tic tac inexorável do relógio e os malditos cientistas sem descobrirem o antioxidante que nos garanta a imortalidade de que preciso para ler os meus livros todos. Acho mal. E como acho mal, não vejo grandes razões para celebrar. De birra, não fiz nem comprei bolo. Cheguei ao escritório na segunda feira e tentei passar entre os pingos da chuva.  Debalde (adoro esta expressão). À hora de almoço, comecei a estranhar o sururu à volta do frigorífico e o vai vem de pessoas que já tinham almoçado e que estavam a voltar. Desconfiei que havia marosca mas só no último minuto. E, de repente, surge-me este bolo (com as respectivas velas, que obviamente omiti da foto já que ninguém tem nada de saber que fiz quarenta há um ano atrás!), carinhosamente feito pela MJ, e transportado a duras penas num autocarro da Carris apinhado,  num dia de chuva. 


Há coisas que nos emocionam. Este bolo emocionou-me. Ter os colegas todos a complotar nas minhas costas para me surpreenderem e me cantarem os parabéns, emocionou-me. Não chorei, que isso não é nada fashion, mas tocou-me bastante. São estas coisas que nos fazem sentir especiais. Alguma coisa de bom devo ter feito para ter amigos que me mimam assim. E isso é mesmo muito bom.

Ah, o bolo...uma maravilha! Querem uma fatiazinha? Ainda há, mas não por muito tempo...



sexta-feira, 1 de março de 2013

Da aplicação de novos conhecimentos


Tenho aprendido muito com o Cesar Millan* e não só para tentar ensinar algumas maneiras aos dois monstros patudos que lá tenho em casa. Acabei de descobrir que o truque para sobreviver a telefonemas de telemarketing é imaginar que somos o César Millan e que do outro lado está um ser hiperactivo que temos de dominar com a calm, assertive energy. Ora vejam:
(Telelé:Trim trim)
Eu: estou sim, faxavor?
Jovem simpática e entusiasta: olá!! Boa tarde!!! O meu nome é não sei quantas e estou a ligar da La Redoute. Estou a falar com ...?
Eu: Ah. (mode César on). Sim. Diga, faxavor.
LaRedoutiana : estou a ligar para confirmar se recebeu o nosso catálogo de 52 páginas.
Eu: não recebi (nem podia, não têm a minha morada actual. Claro que isso eles não sabem)
LaRedoutiana: ah, não recebeu...hum, e pode confirmar-me a sua morada, por favor?
Eu: não.
LaRedoutiana: não????
Eu: não. Mas confirmo-lhe que se estiver interessada em comprar alguma coisa vossa vou ao site. Obrigada e boa tarde.
LaRedoutiana: ah.. sim... claro, obrigada pelo tempo dispensado.
Trinta segundos. Calm, assertive energy. Não falha.

(*sim, sim, eu sei que há celeuma quanto aos métodos que ele usa. Mas ainda não formei uma opinião definitiva sobre isso. Desconfio sempre de pessoas com dentes tão perfeitos, mas até prova em contrário gosto do tipo.)

Pequeno esclarecimento

Sim, que isto não é uma pessoa desaparecer e nem dizer água vai. Tive exames. Correram-me todos mal,  graças a Deus, mas isso agora não interessa nada. Eu, e os meus colegas, é que somos burros! Devíamos obviamente ter estudado Shakespeare, que mereceu ao autor do manual uma obscura referência algures no capítulo 16, e não Voltaire,  cujo Cândido era a obra de estudo obrigatório - e custou-me oito euros a porra do Cândido,  e que coisa mai linda de se ler! Gostei tanto!!!. Pois no exame, o que sai? Voltaire? Claro que não! Shakespeare, e um acto do Macbeth para comentar e a valer metade da cotação total. Faz sentido. Com também faz sentido saber o nome, o local e o ano de edição do artigo, atentem bem, da porra das revistas onde pela primeira vez foi mencionada (em Portugal) a notícia da invenção da fotografia. Não interessa nada saber da obra de Joshua Benoliel, Carlos Relvas ou dos modernistas. Não. Temos é de decorar (para 1/3 da cotação) os nomes das revistinhas da tanga, porque isso é que é importante numa cadeira de fotografia em Portugal. Deus nos valha não saber que foi no Panorama, em Lisboa, na Revista literária, no Porto e n' O Recreio, no Rio de Janeiro, que se falou pela primeira vez de Talbot e Daguèrre e de fotografia. WHO THE HELL CARES!!!! Saber o ano já foi uma sorte, agora, meus amigos, a publicação onde apareceu o estúpido artigo a falar do que se fazia em França e mais não sei onde??? Prestei lá eu atenção! A cadeira não era de jornalismo.
Mais sorte tive em Artes Decorativas, mas não muita, creio. Decerto ficarão todos os meus poucos leitores extasiados com o meu espantoso conhecimento sobre entalhadores do séc. XVIII, e de quem lhes encomendava móveis. Ah pois é!  Já falar sobre a azulejaria em Portugal, de longe a coisa mais interessante  e pertinente da cadeira, ninguém pediu. Seria demasiado fácil deixar os alunos dissertar sobre alguma coisa palpável em vez de escrever sobre os móveis que a duquesa de Palmela encomendou ou deixou de encomendar. E nem vamos falar de História da Arte...à conta dos nervos que apanhei, enfiei-me numa loja de animais e comprei uma tartaruga. Long story.

Esta e muitas outras idiossincrasias dos docentes (que decerto estão apostados em reter toda a gente mais um semestre porque as propinas vão dando jeito para garantir os seus salários) levaram-me a um estado de stress e catatonia do qual só agora começo a emergir. Qual Fénix, renasço das cinzas. Olha que bom para vocês! 


É ciência

Hipótese: Os homens não ouvem as mulheres.

Demontração: pesei-me esta manhã. Perante a crueza dos números, saio determinada e anuncio ao meu marido: 'informo que a partir de hoje, dia 1 de Março, estou de dieta'. Uma hora depois, na estação, o mesmo marido oferece-me um pretzel de chocolate e amêndoas...(que comi, mas com grande sacrifício pessoal,  claro. cof cof)

Conclusão: os homens não só não nos ouvem, como corrompem as nossas melhores intenções. Começo a dieta amanhã. Mesmo, mesmo!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

De volta à civilização - o anticlímax

Devia estar bastante feliz com o regresso a Lisboa, mas isso era se as coisas tivessem corrido bem. Não correram, e há várias coisas com as quais não estou satisfeita, a saber:

a) o calor humano. Somos oito, num open space com 40 m2. Os meus cães têm mais permilagem do que eu, razão que me faz invejar-lhes grandemente a sorte neste momento. 
b) o calor tecnológico. No nosso open space, para além dos referidos oito macacos (onde me incluo, obviamente, pois só um símio amestrado tem este nível de exiguidade de espaço), temos dois aparelhos de ar condicionado, um dos quais a 20 cm das minhas costas (o que decerto me vai valer uma valente pneumonia, o que é bom, porque assim amortizo os meus créditos na Seg.  Social), uma plotter de desenho industrial que faz scritchhhhch scritchhhh scritchchhhhh e ainda uma impressora de rede (que ainda não sei se funciona, mas a minha preocupação com o facto é de somenos porque eu tenho uma só para mim)
c) a insonorização. Ora muitos dos meus dilectos leitores já terão testemunhado na TV o troar de uma debandada de búfalos ou gnus, na savana africana. Pois eu tenho esse espectáculo sonoro a toda a hora no andar de cima. É que cada passo que se dá no primeiro andar (que não é, é o rés do chão porque isto, já disse 36 vezes, é uma cave) reverbera ampliado à milésima até nós, os pequenos saguis engaiolados. 
d) a inexistência de condições para almoçar condignamente. Não sei, serei eu que sou esquisita, mas faz-me alguma confusão um micro-ondas entalado entre uma copiadora e um fax (que não funciona, de qq forma). 
e) não contente com  tudo isto, ainda me perderam a minha cadeira de pele... tenho o meu real posterior sentado numa cadeira de sala de espera de consultório de terceira categoria, o que acho deveras desprestigiante e desconfortável.

Começo a pensar que o poder ir almoçar ao buffet japonês aqui perto é capaz de ser a única coisa positiva desta mudança, e ao fim de uns quantos almoços é capaz de ser um bocado curto para compensar. 
Mas não me queixo (muito). Estou convencida que no verão será bastante pior. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Curto e grosso


E qual a ocasião? Mais outra greve do metro. E o que é que acontece quando há greve do metro? Encontro o Relvas. Percebem, agora?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Bye Bye Vimeca. E já vou tarde!

Tenho uma dor de alma que nem vos conto. E tenho andado à espera até poder desabafar com a certeza de que a informação que nos deram era verdadeira. Constava, já há uns tempos, que o patronato tinha revisto em baixa a ideia peregrina que teve há dois anos e meio, quando nos recambiou do centro de Lisboa para esta bela localidade de Carnaxide, onde nem o Malato deve ter sido feliz que isto é uma pasmaceira que não se pode. Escusando-me a especular sobre a razão para mais uma mudança de instalações - ( já são oito - sim, oito, but who's counting! Eu digo-vos quem é que está a contar, sou eu, a mula que anda há 10 anos nisto, de A para B, de B para B+ , daí para C, de C para D e depois para E e logo a seguir para D de novo, mas pronto, do 2º para o 6º, e depois para F para voltarmos para C outra vez, mas do 2º para a cave (cave, não, perdão, piso 0 (não pode ser apelidado de "cave", que o patrão não gosta, apesar de ser inequivocamente uma cave, o que deduzi pelo facto de ter de descer a escada quando entro no edifício, mas devo ser eu que sou brega e não percebo nada disto)- limito-me a informar o mundo e arredores que a partir da próxima semana (não sei bem quando, claro, isso seria informação pertinente a mais para nós, principais interessados) vou regressar à civilização.  Esta é a boa notícia. A má notícia é que vou deixar de perder meia hora da minha vida num autocarro da Vimeca, A5 acima, A5 abaixo. Estou devastada com isso, claro. É que 'tou aqui que nem sei com o desgosto que tenho de deixar de gastar trinta euros em passe e nunca mais ter de passar 35 minutos à espera do autocarro seguinte quando algum colega ranhoso ( e com viatura de função, claro) me pede alguma coisa inopinada dez minutos antes da hora de saída, o que aprecio bastante, especialmente em dias de chuva quando ficamos todos (os desgraçados utentes) encafiados numa paragem sem protecção. Não deixa de ter a sua beleza a subúrbia toda numa comunhão de tiritação solidária. E é ver-nos a dar pulos de contentes quando o 7 aparece. Pulos pequeninos, claro, que no inverno pára-nos a circulação depois de meia hora ao frio, mesmo uns em cima dos outros. Gostei muito, palavra que sim. Mas vai acabar. OHHHHHHHHHHHHHHHHHH! E é toda esta incomensurável perda do contacto humano na paragem do sete que me tem pesado na alma. Mas não podia contar antes de ter a certeza. Agora que já passamos a manhã toda a desviarmo-nos de senhores  com armários e mesas às costas, creio que a decisão é definitiva. Mas é um supor, que isto aqui é como o PPC, de manhã é branco e à tarde já é tinto.

Só tenho mesmo pena de deixar a árvore que tenho ao lado da janela  e onde, de quando em vez, me aparecia um destes


 (toutinegra de barrete preto, se alguém quiser saber. 
Somos pela informação, contrariamente a certos e determinados ministros da pandilha laranja). 

Agora,  se quiser ver pássaros na hora de almoço,  vou ter de andar um pouco até aqui



ou aqui, se estiver com menos tempo e quiser só subir a rua num instantinho


E também posso ir aqui ( já tenho de pagar qualquer coisinha para entrar mas vá, um dia não são dias)


E PRONTO. ERA ISTO QUE EU QUERIA DIZER: ESTOU EXTREMAMENTE CHATEADA POR  TER DE VOLTAR PARA LISBOA! :) :) :)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Deus odeia-me. É um facto.

Quero agradecer novamente aos sindicatos do Metro o organizarem greves à socapa que me obrigam a andar meia hora a pé por essa cidade fora. Estou hoje particularmente grata, dado que, para além de ter queimado algumas calorias, ainda tive o prazer de encontrar (novamente) o nosso ministro Relvas no seu jogging matinal. Já é a segunda vez, olha que sorte que eu tenho. Vá lá que hoje não me vinha de calções (graças a Deus ) nem esboçou o sorriso pepsodent com que me brindou no ano passado, quando ainda não era o ministro mais desacreditado de todos os tempos, e se achava a última coca cola do deserto. Hoje o olhar subreptício e apressado que me deitou deixava a interrogação no ar: "será que ela tem uma arma no bolso?". Pois, lamentavelmente, não. Não sabia que ia ter oportunidade para a usar. Foi pena.

E pronto, é isto a minha vida. Agora digam-me: eu mereço levar com o Relvas às oito da manhã? 
Tal como disse, Deus odeia-me! 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

As coisas que eu andei a perder esta semana

Uma pessoa está uma semana reclusa por causa da introdução do renascimento na escultura portuguesa, que é uma coisa estupidamente fascinante, diga-se de passagem, e quando recomeça a ver notícias fica pasma. 

Ora pois, apelo à caridade dos meus fieís leitores: alguém me explica que escândalo é este à volta da tal de Pépa não sei das quantas que parece estar a ser massacrada por querer uma mala Chanel? Então mas uma pessoa já não pode ser uma consumista fútil, agora? É lá com ela, deixai lá a rapariga. O meu desejo para 2013 também é muito egoista, e então? Isto não é um concurso para as misses, pois não? Não temos de ser todos politicamente correctos e fingir que só queremos a paz no mundo, pois não? Na realidade até me parece uma lufada de ar fresco no meio de tanta hipocrisia. E, embora ache a mala um terror (eu e a Chanel não somos muito próximas, que tenho pouco tempo (€) para socializar com ela), se a rapariga quer gastar 2000 ou 3000 euros numa coisa pavorosa que faz o mesmo efeito que uma qualquer não Chanel com fecho em condições, é lá com ela. Se não estiver a receber rendimento de inserção, abono de família, ou outra coisa qualquer que sejam os meus impostos a pagar, é para o lado que durmo melhor. E agora a pergunta para um milhão de dólares: e isto foi notícia porque...?



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Jeff Buckley - Hallelujah



E isto é o que eu vou cantar quando o Godinho Lopes e o Jesualdo forem com os porcos!

É que se estava mesmo a ver

Já disse aqui várias vezes (bom, pelo menos uma) que o Godinho Lopes está para o Sporting como o Passos Coelho para Portugal. A minha teoria é justíssima: num e noutro caso estamos clara e irremediavelmente a caminhar para o abismo. Eu acho que ambos os personagens deviam ser homenzinhos e tomar a iniciativa de se chegarem ali ao Cabo da Roca e exemplificar in loco como é que isso se faz.

Vem isto a propósito de quê? Pois que da minha firme convicção que o Godinho Lopes é o anti cristo enviado pelo Pinto da Costa, com que intuito não sei, mas há-de haver um plano maquiavélico em marcha que não é normal, por Deus!, não é normal que um gajo que se diz Sportinguista celebre contratos e protocolos com a concorrência e se agache a receber jogadores de quem nunca ninguém ouviu falar em troca de um touro como o Izmailov (que só joga, quando quer, é verdade,e que já devia ter sido corrido há muito tempo, mas que é o nosso touro. Nosso e de mais ninguém em Portugal). Não é normal que um gajo que se diz do Sporting coloque o Sporting quase como clube satélite das Antas. Acho mal, com todo o respeito que tenho pelos portistas, epá, mas há coisas que não mixam. Eu sou como o Salazar, orgulhosamente sós etc e tal, e prestar vassalagem ao Pinto da Costa, deixem lá estar, obrigadinha. Epá, desculpem lá,  não sou adepta do "a qualquer preço" e se o Sr. Godinho Lopes não sabe, não há almoços de graça, muito menos com o Pinto da Costa. És estúpido ou só muito, muito débil mental? É assim uma dúvida que eu tenho...
E, POR DEUS!, QUE RAIO FOI ISTO COM OS MANAGER TREINADORES???? É NORMAL QUE SE ESTEJA  SEIS SEMANAS A ESCOLHER UM TREINADOR, SE VÁ BUSCAR UM FLAMENGO DE TRÁS DO SOL POSTO E MENOS DE TRES MESES DEPOIS SE MANDE O HOMEM EMBORA???? NÃO. E PARA LÁ PÔR QUEM???? O INFILTRAS JESUALDO! SEREI EU QUE SOU ESTÚPIDA OU MAIS ALGUÉM ACHA QUE UM GAJO QUE É DO BENFAS E QUE FOI CAMPEÃO PELO FÊQUÊPÊ NÃO É GAJO  PARA ESTAR NO SPORTING??????? MAIS ALGUÉM ACHA ISTO TUDO UMA MONUMENTAL PALHAÇADA?




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Se ouvirem falar de um homicídio em massa numa repartição de Finanças à beira mar

Não procureis mais longe. Fui eu. Quereis saber porquê? Prometo que é good stuff!


Terminei o meu ano de 2012 com o envio de uma carta para as Finanças, a reclamar da avaliação do meu apartamento. Depois do choque inicial, fui analisar os dados que constavam da comunicação. Por algum motivo obscuro, o avaliador decidiu aumentar-me a permilagem de 20 para 24, grosso modo o que corresponde a mais uma divisão. Era bom, mas não. Fiz também mais umas investigações adicionais: a vizinha do 1ºESQ, que tem uma area igual (mais um metro menos dois metros) à minha, e uma permilagem de 20, teve uma avaliação de menos 20 mil euros do que eu. Não 200 euros, não 2000 euros. 20 000 euros. Já o meu vizinho do lado direito, que tem mais uma assoalhada e uma permilagem de 24 (começam a ver o Willy, certo?) teve uma avaliação igual à minha. Qual a conclusão que uma pessoa moderadamente inteligente, nada de física quântica, uma quarta classe basta, tira assim de repente? Há um erro de avaliação. O técnico enganou-se. Ou “enganou-se”. Um dos dois. Seja como for, tenho mais 20 mil euros de património que não correspondem à realidade. Facto que reportei, muito solicitamente, ao sr. Chefe do Serviço de Finanças, apontando os erros de facto (permilagem errada) e os factos acessórios (avaliações de outras duas frações do mesmo imóvel). Qual a conclusão que uma funcionária das finanças tirou, e partilhou comigo por telefone no primeiro dia (útil) do ano? Não tenho razão nenhuma e ainda tenho um problema de atitude! 
Deixo-vos uma súmula do diálogo:

Srª das Finanças: Não estou a perceber a sua reclamação. (mau sinal...)
Eu: hum...Qual das partes em que eu digo que há um engano?
Srª das Finanças: A parte em que reclama. Porque não estou a perceber o que está a reclamar. Porque a permilagem não influencia em nada a avaliação (ai não? Bom saber que os dados que as Finanças colocam na demonstração de cálculo não servem para nada). O que influencia é a área e a idade do prédio.
Eu: Certo. Mas se a permilagem está errada, as áreas estão erradas. (digo eu, assim de repente...)
Srª das Finanças: Mas a senhora não reclama das áreas... (ARGGHHHHHH)
Eu: reclamo do que posso factualmente comprovar, donde os anexos que enviei. O que eu não posso comprovar é porque é que o vosso técnico decidiu colocar as áreas que colocou, por isso se calhar era interessante o técnico rever os dados em que se baseou para fazer a avaliação. Porque quando ele olhar bem, vai perceber que se enganou e avaliou outra fracção qualquer.
Srª da Finanças: Mas nós não temos aqui os dados do seu imóvel (OH MEU DEUS!!!!!!)
Eu (confesso que já a perder a paciencia): Como não tem dados???? Então fizeram a avaliação com base em quê? 
Srª das Finanças: com base nas plantas que a Camara nos enviou.
Eu: Então tem dados!!!!! É isso que estou a contestar, usaram dados errados!
Srª das Finanças: Não estou a perceber a sua atitude. Eu não tenho essa atitude. Eu não pretendo entrar em conflito, estou só a tentar ajudar. (é, o Fisco é conhecido pela sua bondade e altruismo...)
Eu: E eu agradeço. A sério que sim, mas eu tenho a atitude de alguém que está a ser vítima de um engano de mais de 20 mil euros e que reclama com toda a legitimidade e que apresenta provas e que ainda assim está a ser colocada em causa. A avaliação está errada. Ponto. Eu não tenho como calcular áreas brutas dependentes porque não sei como foram calculadas, e não posso contestar uma coisa que não sei de onde apareceu. Por isso não reclamei das áreas. Está implícito. O que eu pretendo  é que o técnico reveja os dados, porque não foi buscá-los ao sítio certo. É isso a minha reclamação: há um engano na fracção avaliada. Não é a minha. A minha é igual à da vizinha do 1esq. que tem um valor patrimonial de menos 20 mil euros. É isto que tem de perceber. Quero uma avaliação semelhante à da minha vizinha, que tem um andar IGUAL ao meu, só que dois pisos abaixo!!!! É por isso que mostro a Sisa, onde consta o valor patrimonial inicial, que, por acaso já foi ajustado umas 3 vezes, vá-se-lá saber porquê, porque vocês fazem o que vos apetece e nao comunicam nada a ninguém, a permilagem, as cadernetas prediais, (que, incidentemente, alguém alterou sem o meu conhecimento!e já agora colocavam-me o Bloco correcto, porque isso de certeza que também induziu em erro. Se pedem plantas de blocos errados, a coisa não pode correr bem, não é???????? É só isto, não é atitude nenhuma, quero é que revejam a avaliação porque ELA ESTÁ ERRADA E O PREJUIZO É MEU!
 Srª das Finanças: Continuo a não perceber essa sua atitude (ó filha, o Dr. Phil é nos States, não tenho tempo para gerir estados de alma, resolve-me, mas é o problema e cala-te, ok?). Vamos fazer assim: esqueça que eu fiz o telefonema. Porque eu só queria ajudar o contribuinte e já vi que não vale a pena (WHAT THE FUCK????????? PEÇO IMENSA DESCULPA DE A INCOMODAR AO ATENDER A SUA CHAMADA. E ONDE ESTAVA EU COM A CABEÇA AO RECLAMAR UMA AVALIAÇÂO MAL FEITA. MIL PERDÕES!). Vou dar seguimento ao assunto e depois informamos. 
Click.
Eu: ... (epá, whatever!)

E é isto o país que temos. É este o típico funcionário by the book que não só não sabe ler e ainda assim se acha o 'super sumo' pedagogo, instruído para se focar nas absurdidades mais básicas para não colocar a santa entidade patronal em questão e continuar a lixar a vida a quem, só por acaso, até lhes paga parte do ordenado.  Mas eu sou forte. E resiliente. Já tenho em marcha a obtenção de plantas e ando à procura de um tutorial para aprender a calcular áreas brutas e áreas dependentes para pegar em mim e ir explicar em pessoa que eles não fazem ponta de corno de ideia o que andam a fazer ali, mas que escolheram mal a gaja a quem chatear no primeiro dia do ano.

Tal como disse, se ouvirem falar de um homicídio em massa numa repartição de Finanças à beira mar...