quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

O mais recente inquilino


Eis Napoleone, em toda a sua magnificência.


Ou pelo menos na magnificência possível com a qualidade duvidosa da camera do meu estúpido telemóvel.
Napoleone é um betta splendens, também chamado de Combatente devido à sua agressividade para com outros peixinhos da mesma raça. Ouço dizer que podem conviver com peixes mais dóceis, mas acho que não vou arriscar elevar mais a taxa de mortalidade que por aqui impera neste campo.
Têm a particularidade de poder absorver oxigénio do ar atmosférico graças a órgãos chamados labirintos, que permitem a não sei bem quê, não sei bem como, que esta parte já não retive da explicação do mestre piscícola. Têm um ciclo reprodutivo engraçado, pois procriam em ninhos de bolhas de ar e é o macho que toma conta da prole. Claro que também costuma comer a prole, pelo que é conveniente ficar de olho. Donde se conclui que no reino animal, como em todo o lado, não se pode confiar nos gajos!


Espero que tenha mais longevidade do que Sansão, Dalila, Ken (don't ask) e what's his name (que, doente que vinha, só durou um dia e levou Ken com ele para o paraíso dos peixinhos vermelhos. Estúpido what's his name!).

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

She had a farm in Africa...

Eu não tenho, mas hei-de ter.

Hoje é só para ouvir. (Provavelmente) a mais bela Banda Sonora de sempre...

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Experiência contra anónimos

Ando um bocado farta de ficar com os olhinhos em bico por causa dos anónimos orientais, pelo que, embora lamentando profundamente o trabalho adicional que vou impor a quem ainda me vem visitando, e isto apesar do marasmo em que anda a cair este espaço lúdico, não tenho outra alternativa senão instituir a verificação de palavras, a ver se os atrasados mentais me desamparam a loja.

E como sou boazinha, até lhes digo 'temos pena' de forma a que percebam.





E uma musiquinha irritante para acompanhar. Estou mesmo generosa para os chinesinhos hoje...



Banda sonora: Conan, o rapaz do futuro
(não sei quem canta e estou-me francamente nas tintas)

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Uma noite no museu




"Assim fomos abrindo aqueles mares,
Que geração alguma não abriu,
As novas ilhas vendo e os novos ares,
Que o generoso Henrique descobriu;
De Mauritânia os montes e lugares,
Terra que Anteu num tempo possuiu,
Deixando à mão esquerda; que à direita
Não há certeza doutra, mas suspeita.''


Os Lusíadas, Canto V



Fui ontem jantar ao Museu Nacional de Arte Antiga para retemperar forças antes da visita guiada à exposição 'Encompassing the Globe. Portugal e o Mundo nos séculos XVI e XVII'.
Aproveitando a trégua que S. Pedro nos deu, a minha excelente comitiva e eu instalámo-nos no jardim com os nossos tabuleiros fornecidos de polvo à lagareiro ou costeletas de borrego. Em ambiente intimista (muito por culpa da deficiente iluminação), degustámos os nossos manjares que incluiram ainda, para os mais afortunados, uma tarte de maçã ou um bolo de chocolate. Para outros, a quem a balança dita prudência e a roupa já grita misericórdia, apenas um café.

Às 21:30 já o átrio se encontrava cheio de ávidos curiosos, ansiando, tal como nós, pela subida ao primeiro piso e entrada na máquina do tempo que nos levaria em rotação à volta do globo em 180 minutos, seguindo os passos dos antepassados descobridores e admirando os vestígios da sua passagem pelo mundo através dos artefactos ali reunidos.


Conduzida por um carismático investigador do museu, cheio de humor e profundo conhecedor da matéria, a visita foi tudo o que imaginei e mais ainda. Aprendi imensas coisas, nomeadamente o que eram as calhandreiras*. Uma coisa é certa, nunca mais me ouvirão dizer que estou na calhandrice!


Vale muito a pena visitar, as peças são fabulosas. Eu adorei o saleiro-pimenteiro da foto (que não é minha, mas que tive a sorte de encontrar aqui)



*mulheres cuja missão era despejar os baldes de dejectos das casas mais abastadas. Teorizavam depois, umas com as outras, sobre os ocasionais desarranjos intestinais e demais maleitas inferíveis da observação do conteúdo dos seus baldes. Chiça!!!

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Fartinha, fartinha que estou de gente anormal


Sexta feira.
Consigo entrar no metro apinhado, mas não graças à velha coruja que me crava os cotovelos nas costelas para me passar à frente. A mula posta-se de imediato no recanto da porta, obrigando-me a um exercício brutal de contorção para me conseguir encaixar - a mim, à mala (ou carteira, para quem preferir), ao saco de viagem e ao saquinho da merenda – entre ela e um outro senhor. A custo, consigo extrair do saco o meu livro, e seguro-o com a mão livre que me resta, tentando (debalde) concentrar-me no pungente drama da pequena Anna, geneticamente concebida como armazém de recauchutagem para a irmã mais velha, que padece de leucemia aguda. (O livro - ‘Para a minha irmã’- merece um post exclusivo, pelo que não me alongarei sobre ele agora.).

Estou placidamente a aguardar a paragem seguinte para virar a página quando uma mão sapuda começa a gesticular perto do meu nariz. Leiga que sou na linguagem gestual, especialmente quando gesticulada em hindu, limito-me a percorrer com o olhar o braço que ostenta aquela mão, para tentar perceber se o senhor está a ter algum tipo de ataque epiléptico ou mesmo só a chamar a minha atenção de forma extremamente parva. A carruagem pára. O gesticular intensifica-se e finalmente encontro o olhar do seu dono. Era o senhor que me viu encaixar a minha pessoa, e os sacos todos, mesmo ao seu lado. Na circunstância, até tinha o pézinho encostado ao meu saco de viagem. Rosnou-me um ‘com licença’ pretendendo que eu, já espalmada contra o banco, voltasse a pegar na tralha toda para lhe criar uma passagem pela minha frente. Assim mais ou menos como se a criatura fosse Moisés, e o resto dos passageiros amebas no Mar Vermelho...

E eu até sou uma moça pacífica, mas não me lixem!

Primeiros: abanar os dedinhos a dois cm do meu nariz como se estivesse a afastar moscas não me faz ficar num mood Madre Teresa.

Segundos: Somos bonzinhos, mas não somos capachos: havia muito por onde passar, se o senhor fizesse o imenso sacrifício de dar dois passos para a esquerda e passar por trás de mim, como aliás manda a boa educação.

Terceiros: sem mais argumentos, estou muito farta de gente parva!

Assim, olhei para ele e disse-lhe: 'como vê, tenho aqui um saco e não pode passar. É melhor passar por trás'. E não arredei pé, que era o que mais me faltava.

E ele rosnou, mas amochou. Pelos vistos conseguiu sair e foi à vida dele, o estupor.

E é isto que eu tenho de aturar. Para quando a minha beatificação???

Bloggers contra a pobreza


Manifestamos que:

1. A pobreza e a exclusão social não são uma fatalidade, mas antes o resultado de um mundo injusto e desigual e não se resolvem apenas com sobras ou gestos de generosidade esporádica. As causas da pobreza e da exclusão social só podem ser eliminadas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram e perpetuam as condições favoráveis a elas. A pobreza é um atentado aos Direitos Humanos, que deve ser erradicada em todos os países;

2. A campanha Pobreza Zero luta contra as causas estruturais determinantes da pobreza e da exclusão social, e desafia as instituições e os processos que perpetuam a pobreza e a desigualdade no mundo. Trabalhamos pela defesa dos direitos humanos, pela equidade de género e pela justiça social;

3. O mundo em que vivemos é um mundo de abundância e nunca como hoje foi tão possível erradicar a pobreza – nunca houve tantos recursos financeiros e tecnológicos disponíveis que permitam erradicar para sempre a pobreza extrema do nosso planeta. Deve também reconhecer-se que a pobreza em Portugal, tal como a nível mundial, não é devida à falta de recursos. O problema reside no facto de a pobreza continuar a ser vista como uma questão periférica, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais;

4. Na nossa acção queremos pressionar os governos para que erradiquem a pobreza, diminuam drasticamente as desigualdades e alcancem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Pedimos:

* Prestação pública de contas, governação justa e o respeito pelos direitos humanos;* Justiça no comércio global;

* Aumento substancial na quantidade e na qualidade de ajuda (0,7% do RNB até 2015) e no financiamento para o desenvolvimento;* O cancelamento de dívidas dos países mais pobres e de rendimento médio;

* A tomada de medidas politicas que visem a mitigação das alterações climáticas, de forma a que os países poluidores paguem os danos causados no meio ambiente;

* O apoio internacional à concretização de medidas de adaptação às alterações climáticas, nos países e comunidades mais vulneráveis, com recursos adicionais aos da ajuda pública ao desenvolvimento;

* O fim dos bloqueios culturais e comportamentais que a pobreza persistente gera nos pobres, comprometendo a sua capacidade de vencer a situação e de utilizar os meios postos ao seu dispor;

* Integrar, nas diferentes políticas públicas, objectivos, estratégias e instrumentos que visem a remoção das causas estruturais da pobreza e da exclusão;* Promover a mudança de mentalidade dos não-pobres, superando preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulando comportamentos mais solidários;

* Que a equidade de género seja reconhecida como elemento central na erradicação da pobreza.

Por isso agimos, mobilizando a sociedade civil, para que, unida nesta luta, pressione o governo português e as instituições poderosas para que:

» Incluam nas suas agendas o objectivo da erradicação da pobreza no mais curto período de tempo;

» Adoptem níveis salariais, pensões e prestações sociais mínimas que não fiquem aquém do limiar da pobreza e aumentem a eficácia e eficiência das transferências sociais e demais políticas sociais;

» Reduzam drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa e proporcionem recursos adicionais (para além dos 0,7% do RNB) para o apoio a países em desenvolvimento;

» Acabem com os conflitos armados, ocupações, guerras e as violações sistemáticas dos direitos humanos que as acompanham, e trabalhem com vista à desmilitarização de modo a assegurar a paz e a segurança humana;

» Todos os governos prestem contas aos seus povos e tenham transparência no uso dos recursos públicos, desenvolvam estratégias anti-corrupção pró-activas e consistentes com as convenções internacionais;

» Protejam jurídica, física, social e economicamente os direitos das crianças, incluindo as crianças afectadas por conflitos e/ou catástrofes e carentes de acesso a serviços públicos de qualidade;

» Garantam o direito à informação e à liberdade de expressão, incluindo a liberdade de imprensa e de livre associação;

» Assegurem a participação da sociedade civil nos processos de orçamentação;

» Assegurem serviços públicos universais e de qualidade para todos (saúde, educação – incluindo a alfabetização de adultos – água e outros);

» Promovam regras de comércio internacional e políticas nacionais de comércio que assegurem modos de vida sustentáveis, os direitos das mulheres, crianças e povos indígenas, conduzindo à erradicação da pobreza;

» Garantam um aumento substancial na qualidade e na quantidade de recursos necessários para a erradicação da pobreza, a promoção da justiça social, a realização dos ODM, a equidade de género e a garantia dos direitos das crianças e dos jovens;

» Revertam a fuga de capitais dos países pobres para os países ricos, identifiquem e repatriem os activos roubados, por meio de acções contra paraísos fiscais, instituições financeiras, multinacionais e outros actores que facilitem esse processo.Pretendemos mobilizar o máximo de pessoas possível, de modo a mostrar o poder da sociedade civil unida na luta por uma causa global e solidária.

É preciso pôr um fim à pobreza.
Juntos somos capazes de acabar com a pobreza!
Junta-te a nós!

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Absurdo

É o que me ocorre dizer quando olho para a pilha de livros que tenho para ler. Esta é só uma amostra, a pilha do 'à partida xaropada', tirando uns dois ou três que deviam estar noutra pilha e que vieram parar a esta por acidente.


É por isso minha firme convicção que a idade mínima de reforma devia passar dos 65 para os 40, porque assim estaria muito mais perto de não me descabelar à espera de ter tempo para ler isto tudo! Para não falar do facto de o envelhecimento dos neurónios obrigar a ler três vezes a mesma linha antes de perceber alguma coisa! E a memória??? Hum? Não quero ler um livro duas vezes porque me esqueci que já o li na semana anterior, caramba!


E agradecia às superfícies livreiras desta cidade de Lisboa o especial favor de não me fazerem mais promoções 'na compra de um, oferta de outro' ou '3 por 10€', porque a malta não é de ferro, é mesmo muito fraca, e já tem sarna que chegue para se coçar. E ao Metro de Lisboa, já paravam com a barraquinha dos livros a 1,5€ em Sete Rios. É verdade que não são grande coisa, mas ainda assim, parem de me tentar, obreiros de Satã!


PS: hum...mas pronto, se alguém me quiser oferecer livros, sintam-se completamente à vontade, claro :)
PPS: depois de escrever este post, que mantive em rascunho durante alguns dias, já comprei mais dois livros. Não há uma associação tipo AA para casos de bookulismo? Não confundir com bucolismo, que para esse sei que não tenho salvação possível...

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Sinto-me algo insultada quando leio (Sábado, de ontem) que Júlia Pinheiro ganha 25.000€ por mês e Luciana Abreu, esse ícone absoluto do talento e da fina inteligência, também leva para casa 12.500€. Ora, embora tenha imenso respeito pela capacidade de projecção vocal da primeira e esteja bastante impressionada com o sangue azul da outra (percebe-se agora porque é que a Monarquia acabou), é com algum pesar que vejo que neste país se continua a premiar (estupidamente) quem mais consegue manter a boçalidade do povo.

É o que temos...

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Decidi combater a crise...


...passando a ser produtora independente.


Resta-me apenas contornar algumas questões relativamente às minhas produções e aos seus resultados, a saber:



  1. Cumpri miseravelmente a minha quota de produção de tomate. Só me saiu isto de uma dezena de pés que plantei e cuidei com amor e carinho, com as varas e os fiozinhos e o tra la la todo. Tanto trabalho para quase ter de ir buscar uma lupa para os ver. Tudo bem... pronto, são mirradinhos mas são de graça!(a foto tem o zoom no máximo...)


  2. A nespereira não dá sinais de querer dar fruto. Bem sei que não estamos na época, mas tenho esta coisa há uns três anos, e só me dá folhas... Estou em crer que me está a escapar alguma coisa.


  3. O limoeiro, essa besta que se vê no fundo da foto acima, teve flor duas vezes, e por duas vezes vieram os pássaros e comeram-nas. Digo eu que foram pássaros. Detestaria imaginar que existem insectos suficientemente grandes para me levar as flores do limoeiro na minha varanda. O senhor que mo vendeu disse que ele tinha de ficar exposto ao luar. Mas não me disse de que galáxia, porque o da nossa não me parece estar a fazer muito por ele. Again, só folhas, e muito mal organizadas, aquilo cresce sem rei nem roque. Se eu soubesse podar era capaz de ajudar, penso eu. Lamentavelmente, não sei!
  4. O morangueiro dá morangos o ano todo. E quase do tamanho dos tomates lá de cima. Mas só tenho dois pés, o que me dá uma média de cinco ou seis morangos de dois em dois meses... e, pronto, não são muitos doces. Mas são bonitos. Não se pode ter tudo...


  5. My pride and joy, o mangericão. Este já é de segunda geração, sementinhas recolhidas das flores da sementeira anterior. Aconselho vivamente todas as pessoas frustradas porque matam plantas a semear mangericão num vaso. Isto cresce como se não houvesse amanhã e dá-se em todo o lado. E podem esquecer-se de regar durante dias, até ficar a folha murcha, um bom banho e a coisa revive. Adoro o mangericão! E cheira que é um mimo, também. E sabe ainda melhor com a bela massinha ou na salada de tomate. Eu não coloquei nos tomates lá de cima: achei que se iam sentir mal por serem mais pequenos que uma folha de mangericão. Sou uma agricultora preocupada com os sentimentos das leguminosas. Embora tecnicamente o tomate seja um fruto, claro.


  6. E por fim, a minha mais recente aquisição: a alface. O meu grande investimento do mês: cinquenta cêntimos em pézinhos de alface. Deu para seis!!Fingers crossed, irão vingar. Ok, ok, vão ser ser alfaces minorcas, mas pronto, eu só tenho vasos, não sou latifundiária! Em contrapartida preocupo-me com o bem estar das minhas sementeiras: quantos pés de alface se podem gabar de estar semeados com vista para o Atlântico?(foi só mesmo para meter nojo com a vista...)

E pronto, assim se encerra o devaneio sobre a minha hortinha suspensa ao pé do mar. Um dia hei-de ter uma a sério, com tudo bem aradinho, árvores de fruto e um espantalho. Quem sabe, até posso levar alguém do escritório...

Batem leve, levemente

Cheguei a casa ontem (por acaso foi hoje, mas vou postar isto mais tarde) e encontrei este espécime pespegado na porta do prédio.
Devido a uma distracção cósmica do Grande Galo Universal (certamente ocupado a infernizar outra alma que não a minha) por sorte tinha a máquina fotográfica comigo. Não que me adiante de muito: a minha máquina pré jurássica não está equipada com o zoom adequado para fotografar esta fauna. Ainda assim registei o raro momento. Não me lembro de alguma vez ter tido um encontro tão imediato com uma bicheza destas e fiquei, como fico sempre, fascinada, mesmo se a criatura é intrínsecamente feiota...



É claro que os louva a deus mais giros são verdinhos mas, tendo em conta a presente época do Sporting, acredito que esta criatura perdeu a cor. Já viste, Paulinho?! Até os artrópodes andam low profile... Tu faz alguma coisa, homem!!