quinta-feira, 24 de junho de 2010

PQP

A minha mãezinha está sempre a dizer-me ‘filha, o teu problema é seres pouco esperta’. Estou tentada a dar-lhe razão: sou efectivamente pouco esperta. Demasiado reactiva e demasiado transparente. Not good. Eu sei disso, mas temos pena. O cinismo complica-me com os nervos. Nunca fui de apanhar moscas com mel. Nem vinagre desperdiço; as moscas esmagam-se, não me lixem! Portanto, não me venham cá pedir que faça cara alegre quando no trabalho me lixam à grande na minha vida privada e me forçam a ter de gastar mais uma hora por dia para ir trabalhar porque dá jeito a alguém ficar com o cuzinho no escritório pipi de Lisboa e vai daí a malta vai toda para outro concelho, que assim é que é bonito. Não me venham com sorrisos parvos mostrar as plantas, que eu não quero saber se vejo árvores da janela, e nem me venham pedir conselhos sobre a mesa que vamos ter na cozinha. Não me venham dizer ‘deixa lá, pelo menos vamos ter uma cozinha maior’. QUERO LÁ SABER DA &%#$%” DA COZINHA!!!! Aqui não há ‘pelo menos’nenhum. Há só mesmo é falta de respeito. E há mais uma hora de deslocação por dia, que é só isso que me preocupa. E os custos inerentes, tangíveis e intangíveis. A mesa da cozinha...pois não me parece que me compense. Nem que viesse equipada com porcelana de Limoges e guardanapos de linho. Por isso, desculpem lá se eu preferia almoçar com o meu tupperware em cima de uma secretária, se isso me evitasse perder mais cinco horas por semana num estúpido autocarro. Desculpem lá se pareço mal disposta e se não digo piadinhas para alegrar os patéticos dia de submissão ao sistema. Desculpem lá se, enquanto andam a ver as plantas e quem fica sentado onde e a escolher móveis, eu estou a magicar o que vou fazer à minha vida. Sou pouco esperta porque não faço panelinha optimista e atraio atenção negativa? Pois sou. Mas, caso alguém ainda não tenha percebido, eu estou entre a espada e a parede. Posso ficar só um bocadinho chateada por ser uma lose-lose situation para mim? Posso? Muito grata.

Ó meu Senhor, dai-me paciência. Dai-me paciência, ou dai-me cinco números e mais dois isolados. Dai-mos já esta semana, e eu até lhes equipo a merda da cozinha toda com azulejos da Fátima Lopes! (a designer, não a padroeira dos coitadinhos)

domingo, 20 de junho de 2010

Desta água não beberei jamais...hum, à partida não... bom, quem sabe um dia!



Sempre odiei motas. Sempre odiei o barulho, a velocidade, as tangentes que me faziam na estrada e a deferência tácita de ter de me mandar para a berma para as deixar passar.
Isto não é antipatia gratuita. Não. Tenho para mim que o facto de ter sido atropelada por candidatos a motard acéfalos por duas vezes terá alguma coisa a ver com isso. O meu santinho devia estar muito atento nesses dias e deve ter pensado 'Oh meu Deus, um candidato a motard acéfalo a cruzar o mapa astral da Safira Maria. This is a job for Super Saint!' E graças a Ele, seguramente, safei-me das experiências só com algumas escoriações e queimaduras de contacto. Ah, e orgulho ferido, que não é nada fashion levar com um velocípede motorizado em cima e cair enrolada com um motard acéfalo.
Por isso, sempre odiei motas. E consequentemente, o meu respeito por motards também nunca foi lá essas coisas. Suportava-os, mas, secretamente, sempre os achei uns tontinhos. Nunca entendi a paixão por estas coisas do demo, nem nunca quis saber de conversa sobre motas. Tinha medo. A verdade é essa.
Tinha - e tenho, oh cacete! se tenho -, mas o medo, como tudo na vida, doma-se. E começa por domar-se enfrentando a besta. E aqui estou eu, muito orgulhosa, a fazer pose com a bicharoca. E não, o capacete não foi só para a foto, ando mesmo em cima deste gingarelho do demo, ocasionalmente. À pendura, claro. Sou maluca, mas não tanto; e aquilo sempre pesa 200kgs...
Ainda tenho medo (ainda bem, diz-me o condutor, parece que é o medo que nos mantém vivos) mas gosto de passear devagarinho. Ainda não sinto a paixão, mas já vou admirando alguma coisita.
Moralidade: nunca cuspir para o ar...acabamos por levar com qualquer coisa em cima, mais cedo ou mais tarde.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hallellujah...

...o blogger tem templates novos!
Sei que a minha produção desde as 16h foi quase nula. Estou basicamente a ser gira, sentadinha no meu posto de trabalho. Sei que o patrão me pode despedir por isso, mas assim de repente era um tiro no pé. Digo eu, modestamente. A questão é que...bom, o blogger tem templates novos!!!!! O blogger não tinha nada novo há mais de dois anos. Não se pode deixar passar em branco. E, por falar em ausência de cor, não resisto a por este espaço lúdico com cores de verão. Vamos lá ver se S. Pedro se toca também.


Nota mental: preparar uma sessão fotográfica da animalária para não me virem com reividicações de que não figuram em destaque como o Gato Boris...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quem me manda a mim...

...ser pindérica?

Ando há mais de um mês para receber uma puta de encomenda da La Redoute. Já esteve no Príncipe Real, porque lhes apeteceu, sei lá, então é mais que evidente que, porque se levantou há três anos uma porcaria naquele ponto, aquele é o nosso ponto. Desgraçadamente estava de férias, senão ia lá ao estúpido ponto do Princípe Real mesmo sem ter pedido nada. Mas de férias estava foríssima de questão vir de propósito a Lisboa por causa de um erro daqueles imbecis e, por isso, pedi que fosse transferida para Sesimbra. Fui três vezes ao ponto em Sesimbra, para grande desespero do senhor, que a partir da segunda vez já se encolhia quando me via aparecer. Liguei três vezes para a linha cliente, de cada vez com uma resposta semelhante 'ah, sim, sim, está a caminho, é dos feriados, mas já foi pedido. O cacete é que foi, grandes cabras. Hoje liguei de novo: 'amigos, vamos lá ver se nos entendemos, onde é que tá o meu calçanito branco e a minha saia caqui, mais o presente deslumbrante a que tenho direito por encomendar algo de menos mal das vossas 550 páginas repletas de atrocidades'? A queriduxa de hoje diz-me que afinal foi devolvida mas que vai ser reenviada por correio. Oh joy! Reparem que foi o que eu pedi in the first place. Levaram um mês e quatro dias a decifrar o significado da cruz marcada no quadrado que dizia CTT. E 'devo estar', reparem bem na convicção com que me é dada a informação, 'devo estar' a receber o postal (o segundo) para ir levantar aos CTT. Hum.. Não me disseram em que estação...mas com a minha sorte, é quase certo que aquela porcaria me vai parar a Kuala Lumpur!
Uma pessoa assim deprime-se, Senhores! Uma pessoa assim é obrigada a ir para a Mango para preencher o vazio emocional que a La Redoute lhe causou. Shame on you, La Redoute! Estão tramados comigo, que assim que tiver o calçanito e a saia na mão, logo vêem como elas mordem. Antes não, que já paguei aquela porcaria...Damn!

domingo, 13 de junho de 2010

Da imbecilidade. A minha, claramente!

Aqui há tempos, após uma crise de nervos motivada pela constatação de que a minha vida se consumia durante a semana com as deslocações de e para o trabalho e no fim de semana com a lida da casa e as compras, decidi sacrificar uns trocos ( uns trocos é como quem diz, que o trabalho doméstico anda bem cotado ultimamente) e contratar uma mulher a dias. Mariquice, dirão uns. Pedantismo, dirão outros. Pois talvez. Eu digo, paz de espírito e TEMPO para mim. E a conversa fica por aqui, que eu sempre achei mais piada a ter uma aula de pintura do que a limpar o pó, e sacrifiquei muito em prol da pose de fada do lar durante muito tempo.

Tive duas pessoas muito boas que infelizmente não puderam continuar porque encontraram trabalho a tempo inteiro que as minhas três horinhas por semana acabavam por perturbar. Fico feliz por elas, que estão melhor do que estavam, mas fiquei uns meses com o ónus da limpeza. Desisti da pintura, entretanto, e dei por mim a não fazer muito mais do que trabalhar e limpar a casa. No way, Jose!

Em Janeiro, contratei aquela a que nos referimos com irónico carinho como D. Coisinha. D. Coisinha é um personagem. Para já, traz a neta com ela. Por mim estaria tudo bem, se a neta viesse para trabalhar. Mas com dois aninhos, não me parece. Depois, ´termina cada frase com 'tá bem, tá bem' (duas vezes, não é só um 'tá bem' são dois 'tá bem' sucessivos), coisa que não percebo muito bem e que à terceira começa a tornar-se vagamente irritante. Mas enfim, tudo isto estaria muito bem, cada um é como cada qual, e a senhora é um doce, mas a questão é que D. Coisinha ainda é menos fada do lar do que eu. A não ser que limpar à volta das coisas seja o novo modus operandis estabelecido e que eu, pobre pretendente a fada do lar, desconheça. E claro, quem é que inclui limpar um frigorífico, por fora, na limpeza da cozinha?! Os preciosistas, certamente. E para quê limpar os vidros, se tem chovido tanto? Ou levantar as almofadas do sofá e aspirar por dentro? Pffff, qual quê, isso dá muito trabalho! É muito mais giro encharcar a mobília de cerejeira de óleo de cedro, para ficar tudo brilhante. Não importa se depois eu tenho de passar o pano para remover o excesso, então qual é o meu problema, certo? Bom, o meu problema é que, hey, newsflash, o óleo de cedro é pegajoso e nojento???? Há Pronto no armário, for God's sake!


Por isso, enchi! Tenho para mim que as pessoas que se fazem pagar por um trabalho sabem como o trabalho se faz. Se não sabem, deviam saber, que eu não sou a Madre Teresa e não ando aqui para perder tempo a ensinar a missa ao prior. É como tudo na vida: se não fazem melhor do que tu, tira-os do caminho e faz tu. Como tal, não tarda nada, está D. Coisinha com muito mais tempo livre nas mãos. E eu com um lencinho na cabeça, a dar ordens a Sasha Margareth para dar ao espanador que lhe vou atar à cauda. Aposto que fazemos melhor serviço.

E agora vou ali mendigar dois euros que me faltam para pagar o mês de Maio, que também se acabou o 'arredondar' para cima. Grrrrrr!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Conclusão inequívoca

Estive duas semanas de férias, a andar de um lado para o outro, campo e praia, serra e mar, bicicleta, muito passeio a pé. Não parei senão para as necessidades vitais como comer, beber, dormir e outras que vos possam ocorrer. Duas semanas, com energia para dar e vender.
Dois dias de escritório depois, já voltei ao meu estado de semi-coma...Tenho sono, estou com a rabuja e vejo a vida a acontecer lá fora. Coisas que são construídas e nas quais não participo porque estou agarrada a um estúpido terminal com o único propósito de encher os bolsos a pessoas que nem sequer respeito.
Tinha na ideia fazer um post engraçadote, e terminar com a conclusão de que trabalhar faz mal à saúde. Mas na realidade não acho que seja isso. Trabalhar é bom. É muito bom. Mas é quando faz algum sentido. Quando não, é apenas um mal necessário, que tem de ser compensado por fora. E, se não o fizermos, se não alimentarmos o espírito de outras formas, a tentação de nos mandarmos da ponte cresce exponencialmente. A minha nova conclusão é que deve ter sido a contar com isso que a Fertagus desenhou os comboios com bloqueio de janelas.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nunca é demais (re)lembrar

Os dias mais quentes anunciam a chegada de mais um verão. À confusão de carros e autocaravanas a circular nas estradas vão juntar-se igualmente dezenas de animais a calcorrear sem destino, em busca dos donos que os abandonaram. Os que tiverem a sorte de não serem atropelados irão provavelmente parar a um canil ou gatil. Os que tiverem muita sorte conseguirão encontrar uma nova família, enquanto outros ficarão para trás, à espera de um dia melhor.
A Flopsy está à espera há já algum tempo na União Zoófila. É a minha nova afilhada até Setembro. É uma gatinha muito tímida, que foi abandonada à sua sorte com mais meia dúzia de gatinhos. Pode mesmo ter vindo da mesma casa do Girassol, possibilidade de que só soube à posteriori, e que a ser verdade é daquelas coincidências que parecem destino.
Seja como for, é uma menina muito linda!
E é a Flopsy que vai ficar a guardar aqui o gatil até ao meu regresso, que eu cá vou de férias.
Desta vez vou para fora cá dentro, que tá crise e não me quiseram processar o subsídio de férias mais cedo, para não ser só eu a não pagar já a taxa suplementar de imposto. Acho mal, mas também sou pelo esforço pela Pátria. E enquanto espero que o Mourinho e demais overpaid imbecils da bola sejam taxados a 75% durante 20 anos, pois que também quero contribuir para ver se este país se endireita. Seria aborrecido ter de emigrar, que o clima ainda assim é bom!
Como nota final, e até ver, o governo ainda não suprimiu os donativos como elemento dedutível. Como tal, um apadrinhamento na UZ (ou outra associação) não só ajuda um animal, como lixa a Administração Fiscal. Estou em crer que um destes dois argumentos há-de convencer alguém...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ego Booster

Fui à farmácia comprar protector solar (a primeira ave de mau agoiro que me disser que recomeça a chover para a semana vai levar com um piano em cima) e, dada a ausência de outras aves madrugadoras para atender, acabei por ficar na conversa com o senhor farmaceutico. Coisa rara, que toda a gente sabe que sou bicho do mato e não me pelo por jogar conversa fora. Mas o senhor foi extremamente prestável, e bom, na verdade, também não me apetecia muito vir para o escritório de qualquer forma. Assim, depois de ficar a saber tudo sobre o Uriage versus Piz Buin (o eleito em virtude da fragrância e do preço!!!), pedi-lhe conselho sobre os drenantes e queimadores de calorias que andam por aí, porque uma pessoa nunca sabe o que é ou não seguro, e o que pode ou não interagir com algumas fragilidades de sistema. Sou muito pouco de tomar coisas sem saber de que são feitas e como vão agir. Chamem-me chata, mas só tenho um corpo e cuido dele o melhor que posso.


Enquanto perguntei só pelos drenantes, o senhor foi respondendo. Mas quando passei para os redutores de peso, ele fez uma pausa, olhou para mim, e disse:

...

...


(as reticências são para o suspense e para imprimir uma carga dramática suplementar na narrativa)


...


'Minha menina, isso não é para si, que com essa figura não precisa nada dessas coisas'



I AM QUEEN OF THE WORLD


É tudo o que tenho a dizer...Afinal não é todos os dias que o nosso rabo imenso sofre um downsizing verbal por uma pessoa insuspeita e sem qualquer pretensão a obter o nosso favor sexual.

Assim sendo, se calhar compro um bikini novo :)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tudo por um sonho

Alguns poderão reconhecer o título de um filme feito de esperança e sonho, de perseverança e luta.

Este é um filme que muito me diz, e não só porque o Kurt Russell é sempre uma agradável visão, mesmo já entradote, e não só porque Dakota Fanning é simplesmente deliciosa com a sua cara de anjo e imenso talento, e não só porque adoro cavalos. Este filme diz-me imenso porque fala de luta, esforço, amor e triunfo.


Mas não é deste filme que eu quero falar hoje. Aliás, não é de filme nenhum, é mesmo de uma aventura bem real que está em curso aqui bem pertinho na blogosfera. E a protagonista é uma jovem corajosa, que não conheço pessoalmente, mas cujo percurso tenho acompanhado desde que por aqui ando. E que admiro, pela rectidão de caracter, pela força, e por tudo o que conseguiu, por si só, e sempre em luta com os seus fantasmas. Todos nós temos fantasmas, mas há uns que custam mais do que outros (Maria, imagino que saibas ao que me refiro, que há apoios que são basilares, e que doí muito quando nos faltam)


Esta jovem também tem um sonho. Tem um sonho e tem muita coragem, porque vai vender tudo o que possui para ir atrás dele. 'Bora lá' ajudar a Maria a conseguir a verba para ir ter com o seu sonho a Bruges.
Para isso, convido todos a passarem pelo blogue do sonho da Maria, onde está tudo explicadinho e onde poderão adquirir livros, cds, e outras das coisas que fizeram parte da sua vida e que agora precisam ser sacrificadas em prol de um bem maior e entregues a quem as cuide bem.


Boa sorte, Maria! :)