Ainda aqui há dias comentava a estranheza que me faz nunca ter visto uma pessoa de etnia cigana a servir num restaurante, ou atrás de um balcão, ou que fosse num supermercado a fazer reposição, isto para só falar de profissões menos qualificadas, que não exijam mais do que algum bom senso e vontade de trabalhar. Estava obviamente com um ataque agudo de ingenuidade, mas deu-me para ali naquele dia.
Lembro-me de haver meninos ciganos na primária. Não sei o que foi feito deles depois da 4ª classe, por onde andaram ou o que fizeram, mas sei que estão hoje num bairro social, com casinhas branquinhas e jeitosinhas (um luxo comparado com os pardieiros onde viviam, mesmo à entrada da localidade, onde toda a gente evitava passar com medo de levar pedradas ou ser insultada) e que não pagaram um tostão por isso. Ora eu, que tenho um empréstimo para pagar até 2000 e não sei quantos, e por acaso até recebi ontem a contribuição autárquica para pagar (um escândalo, claro) fiquei a modos que irritada. Vai daí que me vieram as casinhas muito jeitosinhas do bairro social à memória.
Aproveitando a viagem a um passado distante, lembrei-me também dos kgs de fruta que a Ti Maria Cigana roubou da loja da minha mãe (descobríamos depois as cascas das tangerinas ou ameixas, ia variando o espólio conforme a estação, ali ao pé da porta, sinal do desplante e falta de cházinho daquela gente). E vai daí que o meu humor não melhorou.
Não me interpretem mal, sou muito a favor do live and let live, e não desejo mal a ninguém (a não ser a quatro ou cinco individuos que não me importava de ver debaixo de um cilindro compressor, mas, em minha defesa, nenhum deles é cigano. Embora um seja estrangeiro. ) mas confesso que nunca confiei neles. Nos ciganos. Aqueles com quem lidei de perto em particular, e creio que os outros todos em geral também. Não gosto de oportunismos. Não gosto das desculpas das minorias com estatuto especial. Não me venham dizer que é uma questão cultural, que me mando ao ar. Não me venham dizer que 'ah coitados que são marginalizados e mais não sei quê. E eu pergunto: e esforçam-se para mudar isso? Ou melhor, pergunto: e eles ralam-se por causa disso? Assim de repente, acho que não!
Pois que temos muita pena, mas não papamos esses grupos. Sou pior pessoa por isso? Ainda bem, que pelo menos é sinal de que não estou de palas nos olhos como as mulas do politicamente correcto. Só assim se compreende que, e não vamos mais longe, no Largo do Chiado persistem as ciganas das sete saias a roubar telemóveis nas esplanadas das mais conceituadas pastelarias, onde os empregados, benza-os Deus, se limitam a assistir e ainda dizem 'olha, mais um que já foi roubado, acontece muito' com o encolher de ombros habitual que traduz o imobilismo deste país de brandos costumes. Só assim se compreende que andem ciganas com bébezinhos nos braços a pedir para se lhes comprar leite em pó para a criança, que depois usam para cortar as doses de heroína que os distintos esposos andam a traficar. E estou à vontadinha para falar, que ouvi estas coisas por quem já sofreu um assalto na pele, e por quem viu muito entra e sai nos bairros sociais que proliferam paredes meias com zonas novas, e supostamente nobres, de Lisboa.
Era bom que monsieur Sócrates, por quem tenho muito respeito e a quem admiro a coragem de tentar governar esta nulidade de país (amigos, não é só o clima e a comida, vá lá, isto é mauzinho nas questões fundamentais) abrisse também os olhos e não ligasse aos histéricoszinhos intelectualóides que haviam logo de se mandar ao ar se alguém fizesse mal aos tadinhos dos ciganinhos, e fizesse como o amigo Sarkozy anda a fazer em França: hoje foram dois aviõeszinhos recambiados para a Roménia. Acho que amanhã vai outro e quem se tiver atrasado ainda pode ir dia 26!
Mai nada! Quem não contribui, não tem nada que estar cá a viver à conta de quem levou com aumento do IRS. Raio que os parta!
E quem me vier dizer 'Ah, e tal, mas nasceram cá, agora mandá-los embora...'. Então não são nómadas? Não é uma coisa cultural? Iam ver as vistas para outro sítio. Tanto lugar bonito por aí, sítios amplos, como o deserto do Gobi...