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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O que eu gostava de ter uma sopeira


A sério. Adorava. 
Se eu tivesse uma sopeira, tinha-a mandado a ela ir buscar os meus padrinhos ao expresso ontem. Tinha ela carregado com trinta kgs de marmelos, alheiras e figos, mais um saquito de castanhas, e vá, roupa para três dias, divididos entre seis ou sete malas e maletas. No comboio da Fertagus. Em hora de ponta.
Também teria sido ela a passar meia hora de rabo para o ar a apanhar os sacos de plástico que os gatinhos decidiram sacar do sítio e espalhar pela cozinha, ao chegar a casa às dez da noite. Mas só teria feito isso depois de apanhar os cacos do meu rico copo Coca Cola, ganho com o a absorção de calorias extra numa promoção MacDonald’s, que os gatinhos, num acesso de furiosa loucura, também acharam por bem mandar para o chão. Seguramente para os sacos de plástico não se sentirem sozinhos. E, claro, teria sido a sopeira a apanhar uma crise de nervos a correr atrás do cão, mato adentro, com o belo sapatinho de salto alto, porque o quadrúpede resolveu aproveitar o passeio e,  qual Indiana Jones em busca de algo perdido na noite, sumir-se no capim. Teria sido ela a fazer figura de tresloucada  a berrar ordens vãs a um cão que, descubro-o agora, só pode ser surdo.

E é isto a minha vida.