A sério. Adorava.
Se eu tivesse uma sopeira, tinha-a mandado a ela ir
buscar os meus padrinhos ao expresso ontem. Tinha ela carregado com trinta kgs
de marmelos, alheiras e figos, mais um saquito de castanhas, e vá, roupa para
três dias, divididos entre seis ou sete malas e maletas. No comboio da Fertagus.
Em hora de ponta.
Também teria sido ela a passar meia hora de rabo para o ar a apanhar os sacos
de plástico que os gatinhos decidiram sacar do sítio e espalhar pela cozinha,
ao chegar a casa às dez da noite. Mas só teria feito isso depois de apanhar os
cacos do meu rico copo Coca Cola,
ganho com o a absorção de calorias extra numa promoção MacDonald’s, que os
gatinhos, num acesso de furiosa loucura, também acharam por bem mandar para o
chão. Seguramente para os sacos de plástico não se sentirem sozinhos. E, claro,
teria sido a sopeira a apanhar uma crise de nervos a correr atrás do cão, mato
adentro, com o belo sapatinho de salto alto, porque o quadrúpede resolveu aproveitar
o passeio e, qual Indiana Jones em busca
de algo perdido na noite, sumir-se no capim. Teria sido ela a fazer figura de tresloucada
a berrar ordens vãs a um cão que, descubro-o
agora, só pode ser surdo.
E é isto a minha vida.