Faz-me alguma confusão o suicídio. Não vou aqui debater se é cobardia ou
não, porque acredito que cada um sabe de si. Penso que acaba por ser, na maior
parte dos casos, um caso de profundo egoísmo. E porque estou a pensar nestas
coisas nesta bela tarde de outono? Bem, porque acabo de ler que a enfermeira
que se deixou enganar pelos dois tontinhos - que, espero, tenham já às costas o
merecido processo disciplinar/criminal e aprendam a lição– deixou carta de suicídio à família. Portanto,
diz que a senhora suicidou-se mesmo. Lá se vai, portanto, a teoria do MI5 a castigar a terrível delatora. Enforcou-se , ao que consta. Dúvida número
um: expliquem-me, por favor, como é que
uma enfermeira, com acesso a seringas, morfina e afins, prefere agonizar
durante os onze segundos que, diz quem sabe, demora a morte por enforcamento. Dúvida
número dois: o motivo. Diz-se que terá ficado envergonhada por se ter deixado
enganar. Bem, é certo que a senhora não devia ser muito esperta para achar que
a Rainha de Inglaterra ia pegar no telefone e ligar directamente para um
hospital para saber novidades da sereníssima enjoada, atingida por essa doença raríssima
chamada gravidez. Volto à minha questão: a humilhação é razão suficiente para
se deixar dois filhos e um marido, demais família e amigos, destroçados? Estou em crer que não. Então o
que mais? Falta profissional? Não me parece ter existido. Ao que parece esta
enfermeira só terá passado a chamada para o serviço onde a enjoadinha mor gasta
o dinheiro do erário inglês. Talvez para lixar a vida aos dois animadores? Tsk tsk, era um processo e ainda ganhava dinheiro com a história...Portanto, continuo sem perceber a lógica do
raciocínio da senhora. Fraqueza de cabeça parece-me o diagnóstico mais acertado. Que uma pessoa se mate por não ter dinheiro para viver,
por não ter razão para viver ou porque está doente e quer abreviar o sofrimento,
ou porque deu uma de Bruce Willis e quer salvar o mundo do Armagedão, ainda
percebo. Agora por causa da Kate Middleton, já acho um bocadinho de mais. Desculpem lá, mas se calhar reconsideravam-se algumas prioridades aqui...