Dou muitas vezes comigo mesma a pensar que sou uma rapariga afortunada. Ok,
ok, não estou na lista da Forbes (ainda), o meu cabelo ainda não se refez do
desaire de Janeiro (oh grow longer already!!!), e escandalosamente, apesar de
ter publicado uma wishlist para o meu aniversário, ninguém me deu o ouriço que
pedi. Mantenho a esperança para a tartaruga. Estou quase a celebrar um ano de
matrimónio, se alguém quiser pegar na dica...
Anyways, apesar destas pequenas contrariedades e vicissitudes, também sou
afortunada por ser confrontada com
situações em que posso mudar, para melhor, a vida da bicheza que se cruza no
meu caminho. Excepto melgas e aranhas. Ah, e carraças. Essas têm sempre uma
experiência mística antecipada, o que também é positivo para elas: vão para um
sítio melhor. O éter. Ou a lareira, se estiver acesa.
Ontem, quando arrumava o terraço após mais uma sessão de sementeira de
coisas que vão acabar por morrer à torreira do sol, vi uma teia de aranha. Já
de vassoura em punho, e esgar terrífico (morre, cabra, morre), vejo uma coisa a
mexer. Pensei que era um gafanhoto. Uma observação mais atenta mostrou-me que o
meu gafanhoto era na realidade uma pequena osga, presa pelo rabo. Quando digo
pequena, era mesmo pequena. Baby osga, não osga anã. Uma cria, portanto. Porque
sou generosa, quis partilhar a descoberta e o respectivo salvamento, que acabou
por envolver um duo de beneméritos equipados com luvas, um vaso de plástico e a
parte superior de uma cana de pesca. Don’t ask. Mas resultou. A osga foi salva
da teia mortal, cuidadosamente limpa de restos de seda com um providencial
pauzinho (um resto de coisa morta à torreira do sol), e colocada no canteiro,
para retemperar forças. Gira que era a bicha. Esteve ali um bocadito a
recompor-se ao sol. Depois, levantou a cabeça, olhou para mim e disse ‘obrigada
por me teres salvo’.
depois de ler este post, convido-a a passar amanhã pelo Rochedo para ler um post que agendei intitulado "Animal Farm".
ResponderEliminarFico com curiosidade de ler o seu comentário...
Coitadinha da aranha, com aquela trabalheira toda para sobreviver, toca de fazer a teia que te livrará de muitas melgas e mosquitos e lá vais tu, de vassoura em punho, dar-lhe cabo do sustento! E para quê? Para salvar uma osga nojenta?!? OMG, o que há de gente ingrata nesta terra... :)))
ResponderEliminarA Clarisse, o Asdrúbal e a Gabriela são mesmo os hóspedes imprescindíveis para evitar visitas indesejadas. Algumas das outras, também, porque ainda há muita gente esquisita... =))
Beijocas!