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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pontos de vista

Notícia do DN esta manhã:
"IVA sobre electricidade e gás sobe já este ano": "É antecipado para o último trimestre deste ano o aumento da taxa do IVA sobre electricidade e gás natural", afirmou o governante. (o governante é o Ministro das Finanças)

Notícia traduzida do Le Figaro, esta manhã: "François Baroin (Ministro da Economia) exclui uma subida do IVA: “aumentar os impostos e as taxas seria uma “solução de facilidade”". Aconselho vivamente a leitura do desenvolvimento da notícia original aqui.


Não sei… se calhar há uma razão para sermos os débeis mentais da Europa que ganham menos e pagam tudo mais caro que os congéneres europeus. Continuamos a ser os “desenrasca agora, e depois logo se vê”. É, e desde há muito tempo, uma questão de exemplo que (não) vem de cima. Mais grave agora, quando se quer mostrar trabalho depressa; e olha que bem que calha ficar com os louros com os sacrifícios dos que menos podem.
Oxalá me engane, que era muito bom sinal, mas palpita-me que ainda hei-de ouvir muita gente dizer “Sócrates volta, que estás perdoado”.


Até lá, uns conselhos de redução de custos energéticos muito básicos, e que eu também vou adoptar lá em casa:
1) Um tacho = 4 ou 5 refeições.
2) Acabam-se os acompanhamentos cozinhados. Não há a costeleta com arrozinho, nem o peixinho de fricassé com puré. Comida de rancho: Massa com chouriço, arroz de bacalhau, caldeirada, jardineira...tudo o que se conseguir fazer usando apenas um bico do fogão!
3) Acompanha-se com saladas cruas (que também ajudamos os agricultores, já que somos nós que temos de tomar conta disso, também...By the way, onde andas agora, ó Paulinho quero-sande- de-córato-e-justiça-para-os-velhinhos?)

4) Adormecer no sofá com a televisão a trabalhar para o boneco até às tantas? Não pode. Temos sono? Caminha!
5) Sala multimédia com tudo aceso? Não pode! Apenas um electrodoméstico de entretenimento ligado de cada vez. Ou o PC ou a televisão!
6) Música? Pode, mas só ao fim de semana, e não mais do que hora e meia.
7) E banho? Banho, pode. Mas dia sim, dia não, e de água fria no verão.
8) Passar a ferro? Pode. Mas só a roupa que for para sair à rua. Lençóis, toalhas, panos da louça, os boxers, as cuequinhas e demais mariquices? É dobrar muito bem e alisar como se puder.

9) Aspirar? Pode. Mas só uma vez por semana. É usar a swiffer, mas reaproveitando os paninhos.
10) Aquecimento central no inverno? I don’t think so. ‘Tá frio? Temos pena! Mantinhas, que são muito boas. Ou dormir com os cães em cima.

11) Se não resultar: Fazer como fazem as minorias desprotegidas e fazer uma puxada ilegal do poste transformador mais próximo.


Estou mais ou menos na palhaçada, mas preocupa-me deveras a cavalada desenfreada destes senhores a quererem mostrar mais trabalho do que o senhor anterior, custe o que custar, porque obviamente não lhes custa a eles. Amigos, olhai à vossa volta e parai com as fantasias. Sois tão ou mais incapazes do que o Senhor Engenheiro no ir ao cerne da questão. Como diz o ditado, só mudaram as moscas...só que estas, para além do resto, têm um claro problema de definição de personalidade e andam armadas em vespas africanas. Ou deveria dizer angolanas? Se calhar, não, que me corre mal a vida...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Do bonito que é ser bonzinho para os mais carenciados com o dinheiro dos outros

Estava ontem a ouvir o nosso novo Ministro das Finanças e a pensar que pelo menos o Kevin Kostner, quando fez de Robin Hood, sempre tinha o factor palminho de cara a seu favor. Tinha uma fatiota um bocado ridícula, ali entre um duende e a fada Sininho, mas era giro e lutava contra o mau da fita. Ora, ao nosso Ministro reconheço-lhe uma voz interessante, e uma cara simpática, mas o meu entusiasmo acaba por aí. Não gosto por aí além de ser etiquetada como um xerife de Nottingham, a quem tem de se esmifrar o mais que se puder, só porque ganho mais do que o vizinho do lado. Não tenho culpa disso. Se lamento as situações dramáticas que se vêem por aí? Com certeza que sim. Mas gosto pouco que escolham as minhas causa de solidariedade por mim. E gosto pouco de ser subcontratada à força para fazer o trabalho de casa de um governo que quer mostrar trabalho depressa antes que acordem todos do estado de hipnose, quando já tenho o meu que me dá trabalho e que me faz suar sangue e lágrimas por cada euro a mais que ganho acima do salário mínimo. Por isso, desculpem lá se protesto contra a fórmula do estúpido imposto. Dizem-me, quase agressivamente, (pessoas que ganham menos do que eu, evidentemente) que está muito bem e que é igual para todos. Não é igual. Num subsidio de natal de 500€, os 50% incidem sobre 15€. Num subsídio de Natal de 1000€, os 50% incidem sobre 515€. É fazer as contas. É igual pagar 7,5€ de imposto extra e pagar 257,5€? Não me parece que seja... Ah, mas é proporcional e tal...a quê? Onde está a proporcionalidade entre uma taxa efectiva de 1,5% do rendimento e uma de 25,8%? Ah, mas podes melhor tu do que eu, que ganhas mais. É a assunção automática. (Abstenho-me de comentar sobre a razão de uns trabalhos serem qualificados e outros não, e sobre noções bizarras como investimento universitário e níveis de responsabilidade e outras minudências dessas). Também o Belmiro Azevedo ganha mais do que eu. E depois? Só porque é rico tem de facilitar-me a vida a mim? Claro que não. Se é a doer, é para doer a todos igual. Não é fixarem uma percentagem de 50% para todos sobre uma base progressiva. Mas pensam que somos todos débeis mentais? Não admira que as provas de matemática sejam a miséria que são, se toda a gente aceita candidamente que o imposto é igual para todos. Existe na sua base a presunção de que quem tem mais tem de pagar mais, o que à partida já é uma negação de igualdade considerável.


E a seguir? Um imposto para constituir um fundo especial para habitação gratuita para as minorias carenciadas? Tenho de levar os cidadãos da etnia com estatuto especial e dia nacional para casa e dar-lhes comida também?

Não é falta de solidariedade, é mesmo falta de paciência para as soluções fáceis de quem não tem agora, - e de quem não teve no passado - coragem de ir à fonte do problema.


Posto isto, vou voltar para a floresta de Sherwood e esconder-me atrás de uma moita, antes que me venham exigir imposto extraordinário para combater a obesidade em Portugal só porque sou (relativamente) magra!