quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desabafo

Acabei de almoçar no terraço do escritório. Foi um almoço triste. Primeiro, porque que não tinha ketchup para por na minha massa (e eu odeio massa sem nada, ficam a saber. Arroz branco, também só se houver molho. Senão, ketchup para cima. E não pode ser um qualquer, tem de ser Heinz). Foi triste para mim, mas pelos vistos foi ainda mais triste para a minha colega, coitada, que bem tentou puxar conversa, mas em vão. Esqueçam! Há dias em que não me apetece falar, é mesmo assim, não sei porquê e se não tenho justificação para mim, muito menos tenho de a fornecer aos outros. É deixarem-me estar, sossegada; eu agradeço.

Nunca percebi porque é que há pessoas a quem faz impressão estarem caladas um dia inteiro, ou que têm medo de estar sozinhas. Não entendo, mas respeito.
Querem papaguear o dia inteiro? Por quem sois!?... Falem para aí até se vos finar a laringe (só não o façam comigo, por favor).

Não conseguem encontrar conforto interior numa casa sem vivalma? Tenho pena. Mas tenho mesmo, só não é problema meu.

Não conseguem entreter a mente quando não têm ninguém por perto? Tenho ainda mais pena. Eu cá consigo. E (ó Drama! ó Horror!) aprecio esses pequenos momentos de retiro interior. Muito.


Só que agora todos os dias no escritório é isto:
- Ó Barbie*, mas está tudo bem?
- está.
- É alguma coisa do trabalho?
- não, não mais do que o costume...
- Mas é pessoal ? Tá tudo bem? Podemos fazer alguma coisa?
- ....nope.

Hello????

Qual a parte do primeiro 'está tudo bem?, está!!!.' sobre a qual era preciso elaborar?
Irra!


* eu não pedi nada, mas parece que esta alcunha pegou...n percebo porquê, que não sou loura (e muito menos anorética), mas sempre é melhor do que 'A Esfinge', que era um petit nom dos tempos de PGA, onde eu também nunca primei pela simpatia instantânea nem pelas amizades imediatas. Temos pena.


Banda Sonora: Let it rain - Amanda Marshall

terça-feira, 21 de julho de 2009

Todos temos um Vício na nossa vida

Vício (do latim "vitium", que significa "falha ou defeito") é uma tendência habitual para certo mal, sendo oposto à virtude.

As virtudes são sempre menos espectaculares do que os vícios, ou pelo menos fazem menos história do que estes. Por exemplo, se eu disser que sou uma virtuosa do ponto cruz, o interesse da coisa anda na vizinhança do zero. Já se eu disser que amiúde dou por mim a visualizar o Jon Bon Jovi -ou o Viggo Mortensen, que não sou esquisita-, a sair do meu chuveiro, a coisa torna-se mais gira.
Ambos (o 'acorda-mulher-és-tão-atrasada-mental' e o ponto cruz) são vícios, embora não sejam omnipresentes. E como eu tinha de arranjar o vício dos vícios e não me consegui decidir entre os gatinhos e os livros, tenho de declarar um empate técnico entre os dois, que resultou na bela composição abaixo.


É que não há mesmo nada que combine melhor do que um bom livro e um gato a ronronar no nosso colo (exceptuando talvez aquela história do Bon Jovi e eu no chuveiro, mas adiante, adiante, que isto é um blog sério... cof cof)

E com mais mais este pensamento pro fundo encerro a crónica de hoje, que como os mais atentos terão percebido pelo canto inferior da foto que tive de tirar a mim mesma só com uma mão e com grande espírito de missão, tem mais um Vício a sorrir para a objectiva. Parece que esse moço faz anos hoje (ah pois é!) e esta conversa toda era mesmo só para lhe desejar um dia muito feliz e dar a dica à malta de um Vício que é inócuo e à borla!

PARABÉNS VÍCIO!!!!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Momentos Bee (petit nom só nosso, não é Beethoven?...)

O meu distinto hóspede já regressou a casa dos pais. E eu fiquei cheia de saudades deste gatinho tão especial. Não sei se dá para notar...

Sim, sou giro, e então?...


I'm the king of the world, mesmo em contraluz...



A evidenciar um extremo bom gosto musical... (tenho, tenho um poster dos Bon Jovi num roupeiro. E depois? há azar? ah bom!...)



E a minha favorita... com o meu querido Gato Gil ( e a minha xanatinha nova ainda no saco da Seaside...)


Na hipótese remota de alguém ter dado pela minha ausência durante a passada semana, agora já sabem o que andei a fazer. Todos os dias de máquina em punho, a correr atrás do gatinho, qual paparazzi enfurecido à procura de um exclusivo. A dar-lhe mimos. A fazer-lhe festinhas para adormecer. A salvá-lo das investidas dos monstros e das lambidelas da Sasha. A contemplá-lo, apenas.

Bébé lindo, gatinho especial, muito especial, a 'tia' tem-te num lugar muito restrito do seu coração.

Ai tou tão maricas, credo. Deve ser do xarope...

Banda Sonora: Thank you for loving me - Bon Jovi

(é favor desconsiderar a palhaçada de tradução patente no video, mas era o que tinha o som melhor...aliás, esqueçam o video de todo. É uma coisa medonha.)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Viver na ignorância às vezes é tão bom...Porque me dais o conhecimento Senhor? Dai-me ignorância, Dai-me...

Andava com vontade de comprar um desfibrilador há uns tempos, que com a carrada de nervos que apanho diariamente é mais que certo que qualquer dia caio apoplética, qual maçã bichosa (ó JRS, vê lá se fazes metáforas destas, pá! pffff, fraquinho...). Como os gatos não sabem RCP (é o CPR dos americanos, já se vê (Mjf, tu corrige-me se estiver a calinar)) e a Sasha baba-se que é um disparate - e eu não quero morrer apoplética e afogada em saliva (o que ainda assim seria preferível a ser reanimada pelo meu vizinho de baixo, notem bem) - , achei que devia ter umas pázinhas eléctricas à mão, só à cautela. Mas disseram-me: 'epá, n te metas nisso, isso é caro, e a voltagem e tal, e depois como é que afastas as pás e mai não sei quê, bebe antes uns Jameson e a coisa acalma' . E eu: 'pronto, ok 'tá bem, e tal, vou antes comprar mais um Pleasures que o meu está a acabar.

Depois um amigo enviou-me este vídeo...








...e deu-me a desculpa de que eu precisava. Alguém sabe onde é que eu posso comprar um desfibrilador para entrega urgente? Agradecida.


Já agora, parece haver falta de consenso entre o Priberam e a Porto Editora. Alguém me confirma a ortografia de desfibrilador, por obséquio? Sem 'h', certo? Mas diz-se fibrilhação, certo? Donde...Bom, não sei como se escreve esta %#&#&#(&#(

Chiu...não me acordem o bébé...


Não é absolutamente delicioso este Bosque da Noruega de cinco meses?
E é meu, todo meu,até domingo que vem. Depois tenho de o devolver aos 'pais' mas não sei se não fujo para parte incerta com esta coisa tão fofa.


Mais detalhes amanhã, que estou a morrer de tosse e com febre. Cá para mim, já fui...com os porcos! (
Eu ria-me, mas não posso que me dói o costado)!



Não, claro que os meus não estão contentes. Pois que temos pena, amuem para aí, quero lá saber! Antipáticos!




Banda Sonora: Nocturno 9 Op. 2 - Chopin

domingo, 5 de julho de 2009

O grande vazio...

Nota prévia:
Quem gostou do livro ' O CODEX 632', por favor não leia o post, sou tudo menos boazinha.
Quem não leu o livro, por favor tome em consideração que revelo partes da trama.
Posto isto, bombs away!


Tenho lido, com crescente irritação (e franca embirração a partir de certa altura) aquele que me foi 'vendido' como um incontornável da nova literatura portuguesa. Acabei hoje, louvado seja o Altíssimo. Depois disto, qualquer assinatura do diário de Maria é bem-vinda. PUAHHHHHHHHHHHH!!! é o meu comentário final.


Não me queria alongar muito mas, mesmo pondo aqui só os pontos fundamentais, receio que vá resultar num grande ensaio... Cá vai:

1) A linguagem 'popularucha'.
Expressões como ''avançar com os carcanhóis' ou 'deu com as trombas na América', podem fazer sorrir muitas pessoas, mas a mim irritam-me, especialmente se tivermos em conta que são proferidas por um professor de faculdade, e escritas por um jornalista, igualmente professor, que tinha obrigação de elevar um pouco mais a língua de Camões. Penso eu de que...
Mas tenho de tirar o chapéu porque o palavrão, sendo feio, vende, e o autor soube ir rebuscar um americano com origens brasileiras para nos poder, justificadamente, brindar com os providenciais 'motherfucker' e 'fucking isto' 'fucking aquilo' que, como todos sabemos, acrescentam imenso interesse à narrativa.


2) O 'encher chouriços'
Não se aguenta o adjectivar excessivo e a excessiva descrição de cada cena, o debitar de informação a propósito de tudo e coisa alguma, desde a trissomia 21 à linguagem das flores, das diversas variedades de chá verde à mitologia grega, o Tomás(AKA JRS) é o maior, o Tomás sabe de tudo. Eça, só houve um, meu caro senhor, e mesmo esse chegava a ser chato com o seu Ramalhete visto a microscópio digital.


3) A imprecisão científica
Não serei especialista, mas achei estranho que, numa passagem na quinta da Regaleira (Sintra), o nosso herói conseguisse, AO MESMO TEMPO, descortinar 'os pintassilgos que trilavam com exultação, envolvidos num intenso duelo de resposta ao arrulhar baixo dos beija-flores e ao gorjear melodioso dos rouxinóis'. Um rapaz de sorte, este Tomás... conseguiu a meio da tarde ouvir um rouxinol (que só canta ao anoitecer) e um beija-flor, que, tanto quanto eu saiba, nem sequer existe em Portugal.


4) o fazer do leitor estúpido
Foi o que mais me irritou. Mesmo. Não sou criptanalista, como o amigo Tomás, mas não precisei de mais de cinco segundos para chegar à conclusão que 'MOLOC' seria 'COLOM'. Ele precisou da página 80 à página 112...mas façamos justiça ao homem, ele assume que é bronco: 'andei eu para aqui a matar a cabeça como um tolinho quando, afinal, na primeira linha bastava ler tudo da direita para a esquerda'. pois... DUHHHHHHHHH, Tomás!!!!


5) o fazer do leitor mais estúpido ainda
Na pág. 233 surge mais uma charada complicadíssima: 'Qual o eco de foucault pendente a 545?'. Ora admito que nem toda a gente conhece o Umberto Eco, mas há pessoas que por acaso até sabem que ele escreveu 'O pêndulo de Foucault' e, logo, se sentem INSULTADAS quando um pretenso professor universitário, historiador e criptanalista, leva quase 100 páginas a ler livros de um outro Foulcault que nada tem a ver com o caso, para, OH CÉUS!!, ter uma inspiração súbita e ir, por fim, ao livro certo consultar a pág. 545. Que é inconclusiva (e no caso do meu livro, até inexistente, mas vou admitir que a cópia do Tomás tenha sido escrita a caracteres maiores e tenha de facto pág. 545...) e que mergulha o herói numa dolorosa inquietude até ter mais um rasgo de génio e chegar finalmente à conclusão que o estúpido livro está dividido em capítulos, e depois em subcapítulos. Hello??? 545= cap. 5, subcapitulo 45. Não leu a bíblia, o menino Tomás??? Tipo Livro de Job 3:27? Por amor de Deus!!!

E, para que não estejam a pensar que me estou a armar 'ah obrigadinha, já conheces o livro' pois que não. Foi a primeira vez que o abri. Nem conhecia a estrutura, tão pouco. Mas cheguei lá. Deve ser porque não sou historiadora nem criptanalista...
Mas convenhamos que é chato o leitor estar a fazer compasso de espera até que o autor se decida avançar porque já toda a gente sabia que o Colombo era um judeu português antes de o Tomás sequer saber em que livro é que isso está escrito. Apre, Zé, não se aguenta!

E muitas mais cousas me irritaram, desde a historieta familiar de suporte à trama, com a trissomia da miúda, que depois ainda morre no fim, a puxar ao sentimento, os dilemas morais de trair a mulher (uma página de dilema, apenas, curiosamente...) com a sueca pulposa, providencialmente caída na sala de aulas dele (euh... hello,amigo Tomás, a tua estupidez é natural ou foi uma arte que aperfeiçoaste? Pois não era de ver que a loura bombástica tinha algo a ver com os americanos, homem de Deus?? Achas que há suecas ninfomaníacas com peito 44 a querer estudar escrita suméria em Lisboa? )


Salvam-se deste desastre os factos históricos (curioso como a linguagem é muito mais técnica e formal, apesar de ser sempre o Tomás, o bronco, a relatar...hum...bizarra a incongruência, não?).
É um facto que recordei factos e aprendi uns novos (presumindo que são verdadeiros, mas quem é que me prova isso?) mas, a verdade é que ficamos todos mais ou menos na mesma. É um facto que Colombo é um mistério, mas não era preciso D. José Rodrigues dos Santos, o Salvador, andar com tanto floreado para vir repor a 'verdade' dos factos e deixar no ar que o homem era alentejano. Já outros antes dele o fizeram. Temos é de dar-lhe o mérito de ter acrescentado que há uma conspiração de americanos com ascendência genovesa para encobrir tudo.
Claro que sim!



Banda Sonora: America - Simon & Garfunkel

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ironias vespertinas

Vi este lindo anúncio preso no parabrisas da minha viatura quando me sentei ao volante para voltar para casa.
Não sei se este senhor me viu ontem a andar de autocarro no meio do povo, ou esta manhã a tentar reanimar a coisa defunta durante 17 minutos -o que consegui a duras penas-, o certo é houve aqui fina ironia do destino, pois desde ontem que ando a rogar pragas ao bólide caprichoso que me calhou em sorte. Não consegui, por isso, evitar um sorriso, e até dei desconto ao depreciativo 'até com mais de 10 anos'. Depreciativo porque o meu bólide infernal tem 11. E meio... pronto, ok, é velho!
Acontece que a minha viatura, para além de jurássica, também é fina: não trabalha com nevoeiro. Vendo pelo lado positivo, seria pior se eu morasse em Londres. Mas convenhamos que é moderadamente chato entrar no carro para ir trabalhar, dar à chave e rrrrrr....rrrrrr...tttttttt---pffffff....ttttt...pfffffff....pffff. E depois silêncio. Ocasionalmente quebrado por algum vizinho solícito: 'então, não pega?' (Não amigo, sou só eu que gosto dar à chave em vão para ver se consigo queimar a cabeça do motor). 'Isso é a bateria!' (não, sua mula, é mesmo o sistema eléctrico que é alérgico à humidade).

Após cinco anos destas fitas já lido bem com esta intolerância ao nevoeiro, isto é, já não dou pontapés nos pneus nem digo palavrões, e também já sei os horários dos autocarros e até acho piada quando chego atrasada e digo apenas: 'tá nevoeiro...' e toda a gente já sabe que não é suposto falar mais do assunto (o que não os impede de rir à socapa). Mas, epá, num habia nexexidade... é muito pouco fashion ter um carro que nos expõe ao rídiculo e nos deixa penduradas ao ritmo das indisposições de S. Pedro. Já para não falar do cabelo que frisa todo até à paragem do autocarro. Além de apeada, ainda fico a parecer um cogumelo mal parido.
Por isso, Mégane do Demo, ou te pões fino, ou vais para a prensa!
Imagino que terei saudades tuas quando estiver num carro novo (com sorte alguém me oferece o Mazda), que trabalhe nas quatro estações do ano, cujo ar condicionado funcione quando carrego no botão - e não quando o rei faz anos-, e cujo pisca da direita não tenha vida própria. Acho que vou ter imensas saudades tuas, Méganezinho... sim, sim!
Banda Sonora: When I'm sixty four - The Beatles
(espero trocar de carro antes...)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

The king is dead, long live the king

Estou chocada. Estou chocada e estou triste, essencialmente. Grande parte das minhas memórias de adolescente estão ligadas à música de Michael Jackson. Não seria uma fã furiosa, mas passei muitas horas a cantar e a dançar os temas incontornáveis, que ainda hoje me fazem parar na estação de rádio que os estiver a passar. E, pese embora a fase mais obscura e excentricidades do homem, nunca deixei de o ver como um menino frágil e infeliz.
Também estou triste, mas não chocada, porque se confirmou o final doloroso de Farrah Fawcett, a loura bombástica que enchia o ecra nos 'Anjos de Charlie'. Nos tempos idos da minha infância, juntamente com as minhas primas, brincávamos aos 'Anjos de Charlie' e, apesar de eu sempre ter preferido a 'Sabrina', a mais discreta, achava a 'Jill' muito mais gira, e nutria secreta e irracional irritação pela prima a quem cabia o disfarce.
Acordei hoje com as duas notícias, e agora o mundo está diferente de novo. Reminiscências do meu baú das memórias desfilam inconscientemente na minha cabeça. Tendemos a acreditar que tudo é para sempre, embora saibamos que não. Tendemos a tornar os famosos e mediáticos em pequenos Deuses imortais na nossa cabeça, E volta e meia somos dolorosamente trazidos de volta ao mundo real. Sermos assim relembrados da sua mortalidade (e da nossa) é, no mínimo, perturbador.
Banda sonora: I just can't stop loving you, uma das minhas favoritas de Michael Jackson

terça-feira, 23 de junho de 2009

Nearly death experiences...

Três em três dias:


Hoje (agorinha mesmo): a maratona de visitas que tinha em atraso.
Estou que não posso, são duas da manhã e ando nisto há mais de três horas e começo a pensar que esta coisa da blogosfera é um full time job, se for para ser feito em condições. Além disso, tenho o olho direito prestes a explodir (deve ter algo a ver com os óculos, mas se o médico diz que as lentes estão bem prescritas, quem sou eu... e o facto de ter um derrame recorrente tb deve ser só mariquice minha, com certeza)
Hoje (ontem, mas como ainda n me deitei ainda é hoje): chegar 15m atrasada ao escritório depois de não ter metro em sete rios e ter de dar a volta a meia cidade para apanhar a estúpida linha amarela para mudar no marquês, e, já de humor cão e pouca vontade de ali estar, entrar no gabinete e dar com Dalila a boiar no aquário. Não quero falar sobre isso, na verdade. Há melhores formas de começar o dia do que a pescar um peixinho morto, especialmente quando é o nosso fiel companheiro anti stress há mais de um ano. Apetece-me praguejar violentamente, contudo, a bem de preservação do (pouco) nível intelectual deste espaço, não o farei.
Ontem (ou seja, anteontem): Subir a escada e dar com o meu vizinho a descê-la, em chinela e calção. Nada mais. Nem tshirt, nem blusa de cavas, nem uma malha de rede que fosse. Nada. Nada que me poupasse à visão dantesca do seu grotesco bandulho a bambolear, ora para a esquerda, ora para a direita, ao compasso de cada pé a apoiar-se nos degraus. E se fosse só isso, a malta ainda fechava os olhos e respirava fundo, imaginando.se numa praia em Aruba, rodeada de sósias do Jon Bon Jovi, para excomungar o monstro abominável que insidioso invadia o nosso campo de visão. Tentei, mas tive de desistir da parte do respirar fundo: o cheiro a cigarro está já tão entranhado naquela pele tisnada e coberta de velo, que à primeira inspiração, em vez de Aruba, veio-me logo ao espírito o parque industrial do Barreiro. Claro que ficou-me logo lixada a imagem dos sósias do Jon e já só me lembrava do 'Bob', o tipo que aparecia à Laura Palmer e a nós, desgraçados espectadores do 'Twin Peaks' e que ainda hoje me faz um medo do caraças, de feio e sinistro que era. Ainda assim não trocava pelo vizinho, o que vos deve dar uma pequena amostra da peça.
E é isto que eu tenho de aturar. Não basta estar refém dos estúpidos grelhados fedorentos dessa besta, ainda tenho de vê-lo a passear-se semi-nu pelo espaço comum, como se o mundo ansiasse pela sua forma esférica e fedogosa em display. Não sei se o mundo estará a ansiar por isso; eu claramente não estou, e qualquer dia salta-me a tampa e vai grelhador, bandulho proeminente e tudo para o maneta. E isto porque sou uma senhora, senão era outro o sítio onde eu lhe proporia que passasse muito tempo. De preferência, na companhia de um Ganense chamado Jaimão.
Posto isto, deixo o 'perfect day' apenas como fina ironia...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Foi bom, mas acabou-se!

Ah e que perfeitos têm sido estes dias de sossego, com tanta preguiça neste corpinho. Adoro o ócio e não fazer nenhum. Pronto, já disse, so shoot me!

Gostei tanto de estar sossegadita a recuperar das férias que temo o pior quando regressar ao escritório amanhã. Na melhor das hipóteses tenho um ataque de choro; na pior corto os pulsos com o saca agrafos (não sei onde meti a tesoura). Seja como for, não prevejo nada de bom.

Mas isso será só amanhã. Hoje o que quero partilhar é muito mais interessante. Não, não, ainda não é o resumo da minha epopeia Bávara, Austríaca e Checa, que ainda não consegui escolher as fotos mais ilustrativas de entre as 800 que tirei.

O que quero partilhar é mesmo o grande amor que os meus gatos nutrem por mim. Fizeram-me uma recepção digna de uma rainha (que toda a gente sabe que eu devia ser, em vez de estar por aqui a apodrecer com a plebe nos transportes comuns) e prepararam-me uma surpresa logo na primeira noite. São uns queridos: fizeram questão de que eu não me apercebesse de nada até às cinco da manhã, altura em que uns barulhos mais furiosos me despertaram. Mandei-os calar, estremunhada, mas os monstros não paravam quietos. Acendi a luz. Vi o Gil enrolado no tapete, com o Boris a olhar para ele (a Nádia não se mistura com os arruaceiros, claro está). Enxotei os dois, estiquei o tapete e dei com esta coisa:
O que vale é eu estava estremunhada e achei que não estava a ver bem, e por isso não mandei um sonoro berro. Depois percebi que já estava morta, e já não gritei, mesmo. Peguei em dois lápis de contorno dos olhos e transportei o cadáver à Mikado até ao lavatório, para observação, fotografia e posterior remoção asséptica, que é como quem diz, mandar a coisa cano abaixo.

Tenho duas teorias:

a) ou era uma minhoca gigante (ando furiosamente a repetir 'era uma minhoca gigante' cem vezes por dia)

b) ou era uma cobra bébé

Qualquer das duas é assaz repulsiva, sendo que o meu problema principal, a ser a teoria b), é saber onde raio anda a mãe e se estará chateada!

Ando há quatro dias a espreitar por baixo da cama, a sacudir chinelos e a olhar para a sanita antes de me sentar. Não sei, parece-me estranho estas coisas subirem a um terceiro andar. Se fosse uma osguinha, tranquilo, agora bicheza rastejante desconhecida já não acho tão bem. Onde raio é que os gatos me vão desencatar estas coisas, alguém me faz a fineza de dizer?

Já me largaram um pardal morto debaixo da cama, agora esta coisa nojenta no tapete. E o que se segue? Um boi almiscarado na banheira, não?

Só comigo...