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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Absurdo

É o que me ocorre dizer quando olho para a pilha de livros que tenho para ler. Esta é só uma amostra, a pilha do 'à partida xaropada', tirando uns dois ou três que deviam estar noutra pilha e que vieram parar a esta por acidente.


É por isso minha firme convicção que a idade mínima de reforma devia passar dos 65 para os 40, porque assim estaria muito mais perto de não me descabelar à espera de ter tempo para ler isto tudo! Para não falar do facto de o envelhecimento dos neurónios obrigar a ler três vezes a mesma linha antes de perceber alguma coisa! E a memória??? Hum? Não quero ler um livro duas vezes porque me esqueci que já o li na semana anterior, caramba!


E agradecia às superfícies livreiras desta cidade de Lisboa o especial favor de não me fazerem mais promoções 'na compra de um, oferta de outro' ou '3 por 10€', porque a malta não é de ferro, é mesmo muito fraca, e já tem sarna que chegue para se coçar. E ao Metro de Lisboa, já paravam com a barraquinha dos livros a 1,5€ em Sete Rios. É verdade que não são grande coisa, mas ainda assim, parem de me tentar, obreiros de Satã!


PS: hum...mas pronto, se alguém me quiser oferecer livros, sintam-se completamente à vontade, claro :)
PPS: depois de escrever este post, que mantive em rascunho durante alguns dias, já comprei mais dois livros. Não há uma associação tipo AA para casos de bookulismo? Não confundir com bucolismo, que para esse sei que não tenho salvação possível...

domingo, 5 de julho de 2009

O grande vazio...

Nota prévia:
Quem gostou do livro ' O CODEX 632', por favor não leia o post, sou tudo menos boazinha.
Quem não leu o livro, por favor tome em consideração que revelo partes da trama.
Posto isto, bombs away!


Tenho lido, com crescente irritação (e franca embirração a partir de certa altura) aquele que me foi 'vendido' como um incontornável da nova literatura portuguesa. Acabei hoje, louvado seja o Altíssimo. Depois disto, qualquer assinatura do diário de Maria é bem-vinda. PUAHHHHHHHHHHHH!!! é o meu comentário final.


Não me queria alongar muito mas, mesmo pondo aqui só os pontos fundamentais, receio que vá resultar num grande ensaio... Cá vai:

1) A linguagem 'popularucha'.
Expressões como ''avançar com os carcanhóis' ou 'deu com as trombas na América', podem fazer sorrir muitas pessoas, mas a mim irritam-me, especialmente se tivermos em conta que são proferidas por um professor de faculdade, e escritas por um jornalista, igualmente professor, que tinha obrigação de elevar um pouco mais a língua de Camões. Penso eu de que...
Mas tenho de tirar o chapéu porque o palavrão, sendo feio, vende, e o autor soube ir rebuscar um americano com origens brasileiras para nos poder, justificadamente, brindar com os providenciais 'motherfucker' e 'fucking isto' 'fucking aquilo' que, como todos sabemos, acrescentam imenso interesse à narrativa.


2) O 'encher chouriços'
Não se aguenta o adjectivar excessivo e a excessiva descrição de cada cena, o debitar de informação a propósito de tudo e coisa alguma, desde a trissomia 21 à linguagem das flores, das diversas variedades de chá verde à mitologia grega, o Tomás(AKA JRS) é o maior, o Tomás sabe de tudo. Eça, só houve um, meu caro senhor, e mesmo esse chegava a ser chato com o seu Ramalhete visto a microscópio digital.


3) A imprecisão científica
Não serei especialista, mas achei estranho que, numa passagem na quinta da Regaleira (Sintra), o nosso herói conseguisse, AO MESMO TEMPO, descortinar 'os pintassilgos que trilavam com exultação, envolvidos num intenso duelo de resposta ao arrulhar baixo dos beija-flores e ao gorjear melodioso dos rouxinóis'. Um rapaz de sorte, este Tomás... conseguiu a meio da tarde ouvir um rouxinol (que só canta ao anoitecer) e um beija-flor, que, tanto quanto eu saiba, nem sequer existe em Portugal.


4) o fazer do leitor estúpido
Foi o que mais me irritou. Mesmo. Não sou criptanalista, como o amigo Tomás, mas não precisei de mais de cinco segundos para chegar à conclusão que 'MOLOC' seria 'COLOM'. Ele precisou da página 80 à página 112...mas façamos justiça ao homem, ele assume que é bronco: 'andei eu para aqui a matar a cabeça como um tolinho quando, afinal, na primeira linha bastava ler tudo da direita para a esquerda'. pois... DUHHHHHHHHH, Tomás!!!!


5) o fazer do leitor mais estúpido ainda
Na pág. 233 surge mais uma charada complicadíssima: 'Qual o eco de foucault pendente a 545?'. Ora admito que nem toda a gente conhece o Umberto Eco, mas há pessoas que por acaso até sabem que ele escreveu 'O pêndulo de Foucault' e, logo, se sentem INSULTADAS quando um pretenso professor universitário, historiador e criptanalista, leva quase 100 páginas a ler livros de um outro Foulcault que nada tem a ver com o caso, para, OH CÉUS!!, ter uma inspiração súbita e ir, por fim, ao livro certo consultar a pág. 545. Que é inconclusiva (e no caso do meu livro, até inexistente, mas vou admitir que a cópia do Tomás tenha sido escrita a caracteres maiores e tenha de facto pág. 545...) e que mergulha o herói numa dolorosa inquietude até ter mais um rasgo de génio e chegar finalmente à conclusão que o estúpido livro está dividido em capítulos, e depois em subcapítulos. Hello??? 545= cap. 5, subcapitulo 45. Não leu a bíblia, o menino Tomás??? Tipo Livro de Job 3:27? Por amor de Deus!!!

E, para que não estejam a pensar que me estou a armar 'ah obrigadinha, já conheces o livro' pois que não. Foi a primeira vez que o abri. Nem conhecia a estrutura, tão pouco. Mas cheguei lá. Deve ser porque não sou historiadora nem criptanalista...
Mas convenhamos que é chato o leitor estar a fazer compasso de espera até que o autor se decida avançar porque já toda a gente sabia que o Colombo era um judeu português antes de o Tomás sequer saber em que livro é que isso está escrito. Apre, Zé, não se aguenta!

E muitas mais cousas me irritaram, desde a historieta familiar de suporte à trama, com a trissomia da miúda, que depois ainda morre no fim, a puxar ao sentimento, os dilemas morais de trair a mulher (uma página de dilema, apenas, curiosamente...) com a sueca pulposa, providencialmente caída na sala de aulas dele (euh... hello,amigo Tomás, a tua estupidez é natural ou foi uma arte que aperfeiçoaste? Pois não era de ver que a loura bombástica tinha algo a ver com os americanos, homem de Deus?? Achas que há suecas ninfomaníacas com peito 44 a querer estudar escrita suméria em Lisboa? )


Salvam-se deste desastre os factos históricos (curioso como a linguagem é muito mais técnica e formal, apesar de ser sempre o Tomás, o bronco, a relatar...hum...bizarra a incongruência, não?).
É um facto que recordei factos e aprendi uns novos (presumindo que são verdadeiros, mas quem é que me prova isso?) mas, a verdade é que ficamos todos mais ou menos na mesma. É um facto que Colombo é um mistério, mas não era preciso D. José Rodrigues dos Santos, o Salvador, andar com tanto floreado para vir repor a 'verdade' dos factos e deixar no ar que o homem era alentejano. Já outros antes dele o fizeram. Temos é de dar-lhe o mérito de ter acrescentado que há uma conspiração de americanos com ascendência genovesa para encobrir tudo.
Claro que sim!



Banda Sonora: America - Simon & Garfunkel

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sol e livros

O sol convidava e por isso aproveitei a hora de almoço para dar um pulo à Feira do Livro. Que bem soube passear entre os stands, folhear livros, tomar nota de uma ou outra editora para visita mais cuidada (=com mais tempo para remexer no caixote das promoções).

Ia com algum receio de não conseguir resistir ao chamamento daquele disparate todo de livros à disposição. Mas foi mais fácil do que eu pensava. Até fui ajudada pelos próprios vendedores a não comprar. Isto porque tenho mau feitio, claro. Porque se não tivesse mau feitio talvez achasse normal estarem a comer dentro do stand. Se não tivesse mau feitio, talvez achasse piada (bom, até achei, na verdade) ao esgar de terror de uma moça que viu a sua tenda invadida por uma dessas criaturas do demo chamada lagartixa e quase teve uma síncope cardíaca em frente a nós, os chatos dos clientes que estávamos a ver a banca. Pena tive eu foi de não conseguir ver a bicha, embora me tenha debruçado bastante...


Se eu não tivesse mau feitio também teria ficado mais cinco minutos a somar aos outros tantos que estive com uma biografia da Madame de Pompadour à espera que o moço, sentado, acabasse de explicar ao telefone o quão aplicado era e que a 'Paula', seja lá quem for a senhora, tinha feito queixa dele porque era uma má pessoa, e que lhe tinha 'saltado a tampa' porque 'prontos, uma pessoa às vezes enerva-se'. Estou contigo, amigo, mas agora vais ter de explicar à Paula porque é que não vendeste o livro...


Se eu não tivesse mau feitio, até teria achado piada a ter de interromper a conversa de dois simpáticos vendedores, absorvidos na má língua e muito espantados por a não sei quantos ter tido não sei que atitude. O meu coração está solidário, mas o que eu queria mesmo era que me dissessem se o livro 'museo del louvre' estava disponível em alguma outra língua decente que não o castelhano, que, e aqui sim, apenas por mau feitio, tenho por princípio não ler. Princípio estúpido, que me impediu portanto de trazer o maldito livro já que, quando finalmente consegui a atenção deles, depois de abanar freneticamente o objecto da minha cobiça em frente ao nariz do moço que estava mais à mão, e deste ter feito o extraordinário sacrifício de olhar para mim, fiquei a saber que não, que só mesmo em espanhol.


Valeu-me o pavilhão do bookcrossing, que foi a única forma de eu sair da Feira com um livro. E 'dado', ainda por cima. Um livro chamado 'The Memory Keeper's Daughter' que me chega de uma mocita de Kirkintilloch, Escócia. Fala de um terrível segredo que um médico escondeu da mulher quando a ajudou a dar à luz os gémeos (um rapaz e uma rapariga) que esperavam e constatou que a menina tinha síndroma de Dawn. Pois que optou por dizer à pobre senhora que a criança tinha morrido e nas 408 páginas há-de encontrar uma forma de sair desta embrulhada. Ou não. Eu depois conto.
O bookcrossing, para quem não saiba ( eu também só percebi bem hoje), é uma corrente de livros. Não é necessário levar nenhum para trazer um, é absolutamente gratuito, podemos entrar e escolher aquele que quisermos, mas temos de o fazer circular quando acabamos a leitura. Ou entregando-o numa entidade filiada no projecto, ou passando a um amigo, ou deixando num banco de jardim para quem apanhar. A ideia é partilhá-lo mesmo.E no site podemos saber sempre o percurso, as impressões das pessoas. Podemos procurar livros disponíveis em vários países também. Se isto não é uma coisa giríssima, não sei o que será!


Mas, mesmo com o meu bestseller americano, frustrada ainda assim por não ter comprado nada na Feira, fui à FNAC e comprei três livros da Nora Roberts por 10€. Pronto!

Banda sonora: The 59th Street Bridge Song - Simon & Garfunkel