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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sol e livros

O sol convidava e por isso aproveitei a hora de almoço para dar um pulo à Feira do Livro. Que bem soube passear entre os stands, folhear livros, tomar nota de uma ou outra editora para visita mais cuidada (=com mais tempo para remexer no caixote das promoções).

Ia com algum receio de não conseguir resistir ao chamamento daquele disparate todo de livros à disposição. Mas foi mais fácil do que eu pensava. Até fui ajudada pelos próprios vendedores a não comprar. Isto porque tenho mau feitio, claro. Porque se não tivesse mau feitio talvez achasse normal estarem a comer dentro do stand. Se não tivesse mau feitio, talvez achasse piada (bom, até achei, na verdade) ao esgar de terror de uma moça que viu a sua tenda invadida por uma dessas criaturas do demo chamada lagartixa e quase teve uma síncope cardíaca em frente a nós, os chatos dos clientes que estávamos a ver a banca. Pena tive eu foi de não conseguir ver a bicha, embora me tenha debruçado bastante...


Se eu não tivesse mau feitio também teria ficado mais cinco minutos a somar aos outros tantos que estive com uma biografia da Madame de Pompadour à espera que o moço, sentado, acabasse de explicar ao telefone o quão aplicado era e que a 'Paula', seja lá quem for a senhora, tinha feito queixa dele porque era uma má pessoa, e que lhe tinha 'saltado a tampa' porque 'prontos, uma pessoa às vezes enerva-se'. Estou contigo, amigo, mas agora vais ter de explicar à Paula porque é que não vendeste o livro...


Se eu não tivesse mau feitio, até teria achado piada a ter de interromper a conversa de dois simpáticos vendedores, absorvidos na má língua e muito espantados por a não sei quantos ter tido não sei que atitude. O meu coração está solidário, mas o que eu queria mesmo era que me dissessem se o livro 'museo del louvre' estava disponível em alguma outra língua decente que não o castelhano, que, e aqui sim, apenas por mau feitio, tenho por princípio não ler. Princípio estúpido, que me impediu portanto de trazer o maldito livro já que, quando finalmente consegui a atenção deles, depois de abanar freneticamente o objecto da minha cobiça em frente ao nariz do moço que estava mais à mão, e deste ter feito o extraordinário sacrifício de olhar para mim, fiquei a saber que não, que só mesmo em espanhol.


Valeu-me o pavilhão do bookcrossing, que foi a única forma de eu sair da Feira com um livro. E 'dado', ainda por cima. Um livro chamado 'The Memory Keeper's Daughter' que me chega de uma mocita de Kirkintilloch, Escócia. Fala de um terrível segredo que um médico escondeu da mulher quando a ajudou a dar à luz os gémeos (um rapaz e uma rapariga) que esperavam e constatou que a menina tinha síndroma de Dawn. Pois que optou por dizer à pobre senhora que a criança tinha morrido e nas 408 páginas há-de encontrar uma forma de sair desta embrulhada. Ou não. Eu depois conto.
O bookcrossing, para quem não saiba ( eu também só percebi bem hoje), é uma corrente de livros. Não é necessário levar nenhum para trazer um, é absolutamente gratuito, podemos entrar e escolher aquele que quisermos, mas temos de o fazer circular quando acabamos a leitura. Ou entregando-o numa entidade filiada no projecto, ou passando a um amigo, ou deixando num banco de jardim para quem apanhar. A ideia é partilhá-lo mesmo.E no site podemos saber sempre o percurso, as impressões das pessoas. Podemos procurar livros disponíveis em vários países também. Se isto não é uma coisa giríssima, não sei o que será!


Mas, mesmo com o meu bestseller americano, frustrada ainda assim por não ter comprado nada na Feira, fui à FNAC e comprei três livros da Nora Roberts por 10€. Pronto!

Banda sonora: The 59th Street Bridge Song - Simon & Garfunkel