Ando há uns tempos a reflectir sobre este espaço lúdico. Não muito, é certo, como se pode deduzir pelo tempo miserável que lhe tenho consagrado ultimamente, mas só esse facto per se é prova evidente de que algo está mal no reino da postagem.
Que os facebooks e twitters e afins têm andado a matar a blogosfera não é novidade para ninguém. Não serei com certeza original nesta minha consideração. Compreende-se que as pessoas tenham menos tempo para dedicar à escrita se estão ocupadas a brincar aos latifundiários e têm horas marcadas para apanhar as couves e os ovinhos (sim, estou directa e inequivocamente a atacar o Farmville. So shoot me!). Não que seja o meu caso, obviamente, que tenho plantas e animais a sério e esses precisam mesmo de comer, mas é um facto que a blogocoisa tem andado mais abandonada e menos interactiva ultimamente.
Que tenho tido alterações significativas na minha vida que também me têm substituído a atracção pelo teclado por outro tipo de descobertas e pequenos prazeres há muito esquecidos, como o simples acto de passear ou andar de bicicleta, também não é menos verdade. Tenho tido menos tempo livre. Ou melhor, o tempo livre que tenho tem sido empregue de outra forma, e não sobra quase nada.
E depois temos também o facto da auto-censura, que acaba inevitavelmente por colocar-se ao fim de uns tempos de escrita e interacção com quem nos lê. Se contar pequenos episódios caricatos do dia a dia não tem mal nenhum, e só compromete, quando muito, a minha dignidade pessoal, já tecer considerações sobre a imbecilidade do patronato, coisa recorrente nos meus dias úteis, pode complicar-me a vida. Tenho andado anestesiada pela picada do bicho do 'politicamente correcto', e modero muito o que escrevo (ou não escrevo de todo) sobre muita coisa porque sei que pessoas que eventualmente me lerão poderão ficar, digamos, melindradas. Por acaso sou de opinião que é saudável a argumentação de pontos de vista diferentes, mas também já me tenho chateado à conta de amuos e nem sempre tenho pachorra para isso. Por isso, tenho evitado temas sensíveis. Tem sobrado os gatinhos, o Sporting e pouco mais, e, pese embora tenha forte apreço por ambos os temas, parece-me que se calhar já chega. E, porque já recebi queixas formais (olá Luís! ;)), se calhar deixava-me de mariquices e salamaleques, e voltava a ser corrosiva quando me apetece.
E é nesse princípio que declaro reactivado a full time o tasco.
E começo já por dar Graças por finalmente se ter lançado a suspeita da mácula sobre a pretensa Santidade do ex Cardeal Ratzinger. Tenho para mim que aquela alma é o anticristo, e ninguém me convence do contrário. Há anos que faço o sinal da cruz de cada vez que a criatura aparece na TV, não por devoção, mas por medo. Medo que aqueles olhos de fuinha apanhem boleia das hertzianas e se me cravem na alma para minha danação eterna. Medo. Aquele homem mete MEDO! Era um feeling... Agora o Mundo começa a abrir a pestana. Não sei factualmente se a criatura é culpada de conivência com pedofilia ou não. Imagino que sim. Sei que não gosto do homem e que isso não me surpreenderia. Sei que a Fé Cristã e a Igreja que a processa merecia mais digno representante, isso garantidamente. Ou, vistas as coisas por outro prisma, se calhar a Igreja tem em Ratzinger e afins, aquilo que merece. Seja como for, a verdade é que os fieis merecem, seguramente, uma Igreja Católica Apostólica Romana mais limpa e mais virada para os seus rebanhos do que para o seu próprio umbigo. Digo eu...