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segunda-feira, 12 de abril de 2010

A minha mãe não existe.

17h50.
O telefone toca. O meu número de casa aparece no visor do telefone do escritório. Estranho... Em casa só estão os gatos, em teoria. Atendo a medo, em anticipação do miado estridente do outro lado 'ouve lá, grande cabra, pela 15ª vez: come tu a ração do Continente!'
Mas não. Era a minha mãe. Não é bom sinal quando a nossa mãe nos liga da nossa casa. Imaginei o pior cenário: inundação, incêndio causado pelo choco assado do anormal do 2º esq., um dos gatinhos doente. Mas não. Nada disso. A minha mãe simplesmente trancou-se na sala e não consegue sair de lá. Neste momento deve estar placidamente sentada no sofá, com a caixa de mon chéri -cujo esconderijo lhe revelei perante o seu ar tão desolado-, à espera que a senhora da limpeza vá buscar a filha à escola e passe por lá para a libertar da sua prisão auto imposta.
A minha mãe não existe. E já estão a ver de onde vem o grande galo universal.
Adorava ser mais gráfica, mas tenho de me ir embora depressa para ver se a outra não se esquece de ir salvar mummy antes que me tenha uma apoplexia...
Ó valha-me Deus!