sexta-feira, 30 de abril de 2010

De como um post sobre um bicho de conta deriva para uma manifestação antipatronato

Adoro a primavera. Cliché dos clichés, mas a primavera ilumina-me a alma. Há mais horas de sol, as flores começam a colorir os campos, as andorinhas começam a aparecer com os seus voos rasantes e agradável chilreio. A natureza desperta do coma invernal, retemperada e cheia de força, e o nosso ânimo também agradece a pensar já nas blusas de alças e vestidos sem costas à espera no armário.

Mas também gosto da primavera porque ela traz também uma simpática criaturinha de Deus, que dá pelo nome absolutamente foleiro de ‘bicho de conta’. Em inglês é muito mais giro: pill bug ou roly-poly. Quem inventou o nome em português tinha pouca imaginação. Já no Brasil parece haver imaginação a mais, pois os bichinhos são conhecidos por tatuzinhos de jardim. Ok... estamos todos de acordo: há uma clara falta de respeito logo na nomenclatura.

E acho mal. Acho mal porque este é um bichinho incompreendido e ignorado por muitos. Não é, como muita gente poderia pensar, um insecto. Ah pois não. É um artrópode. Mais, segundo a wikipédia, é mesmo um crustáceo. Portanto, um parente da lagosta. Ao preço a que esta costuma estar, acho que já há aqui uma clara discriminação na deferência para com o bicho de conta. Mas adiante.

Diz a wikipédia que este simpático bichinho vive em ambientes húmidos, debaixo de pedras ou dos detritos vegetais de que se alimenta. A wikipédia devia sair mais de casa, na minha opinião. Ora, alguém me explique então o que fazem dezenas de bichos de conta nas escadas da estação de comboio, ou na escada da urbanização onde tenho a minha fabulosa penthouse (é um 3º andar com varanda a ceú aberto, e então? É uma penthouse ou não? Ah bom!)?? Isto é uma problema: há muitos bichinhos de conta claramente desnorteados e a passear por onde não devem. A outra parte do problema tem a ver com o seu curioso método de defesa: o enroscanço sobre si mesmo. Ora é giro, sim senhor, parecem umas bolinhas, que fofos!, mas depois não se conseguem voltar a por de patas no chão e ali ficam a espanejar de barriga para o ar. E a malta vê isto e o que é que faz? Passa dez minutos por dia a virar bichos de conta escada acima, escada abaixo. Não têm conta os comboios que perco entre Março e Julho, à conta dos bichos de conta. E, quando estou de calças ainda é como o outro, agora com saia já é mais chato ficar ali de rabo alçado à espera que o bicho desenrole e se deixe salvar. Costumo usar o método do disfarçar a fingir que estou a limpar o sapato, porque acho que os outros passageiros não estão preparados para esta dedicação aos crustáceos terrestres. Reparem que me estou nas tintas para o que pensam de mim, mas não os quero perto dos meus bichinhos de conta com as suas patorras imensas. Donde o low profile dado à coisa.

Encaro isto como uma das minhas missões na vida: salvadora de bichos de conta. Não se riam: esta história do Karma é tramada. Tento ser boazinha para todas as criaturas de Deus(euh...menos baratas e aranhas e accionistas imbecis e, claro o anormal do 2º esq.) porque nunca sabemos se voltamos e como.

E é pena. É pena porque se eu soubesse como voltariam certas pessoas, engraxava o Big Boss do Universo para voltar directamente acima na cadeia alimentar deles. E nhac! Primeiro um bracinho, depois uma perninha, e ficava a vê-los arrastar-se em agonia até ficarem exangues e mortiços. E depois deitava-os fora, que eu sou de boa boca, mas a ruindade da presa ainda me ficava a trabalhar no estômago...

Hum...Em calhando calava-me, que já me estou a entusiasmar e ainda me esqueço que não estou ainda reincarnada em super predadora do universo e não posso começar a trincar pessoas por aqui...

Bom, voltando à biologia, se gostaram deste artigo sobre o bicho de conta terei todo o gosto em dissertar proximamente sobre a lagarta da couve.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Isso é?



Sabemos que algo se passa com a nossa realização profissional quando o ponto alto de um dia de trabalho é chegar a casa e passar a ferro. Antes de jantar. Numa segunda feira. E com um sorriso...

Ora, isso é...

...o alcool?
...uma chamada divina para uma nova vocação?...
ou...
...um sinal claro que já mudávamos de emprego ???

Alguém sabe o que é preciso fazer para abrir um '5 a sec'? Obrigadinhos!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fraude descarada

Nota editorial: Não, não vou falar do Face Oculta, nem da Inês de Medeiros, nem do salário do Mexia, nem nada dessas coisas que até têm algum relevo e podem de facto chocar alguém mais crente no Pai Natal e na justiça e nos princípios éticos e morais and so on and so forth. Este é um post sobre fraude, mas é declaradamente fútil.

Andava cheia de curiosidade para ver a adaptação cinematográfica do livro 'My sister's keeper', brilhantemente traduzido (como sempre) para 'Para a minha irmã', de Jodi Picoult. Gostei imenso do livro, mesmo que seja uma coisa assim para o meio 'lamechas e coitadinho', mas está bem escrito e a história tem uma fina ironia de permeio, que culmina no final. Passei no blóguio da Parisiense, e vi que ela tinha visto o filme. Como sou copiona, decidi alugar no MEO. Pois que estava tudo a correr mais ou menos, porque eu já ia com a expectativa baixinha com o elenco:Cameron Diaz como mãe não me convenceu, apesar de chorar benzito. O actor que faz de pai é um tótó, nem sei o nome dele e nem me vou dar ao trabalho de googlar. Alec Baldwin como o advogado matador...enfim...As a única que se aproveitam são as duas miúdas. Ponto. Ah, e o cão, que também esteve bem.

Portanto, estava eu com as minhas Lays Vinagreta (Sorry, J, não sobrou nada para ti), a ver as partes do livro serem debitadas à velocidade da luz, em takes desgarrados e sem alma, com um vago sentimento de 'mais valia ter alugado a 'Abelha Maia vai às compras'', quando chega a altura do final em que supostamente, e a seguir o livro, a malta chora copiosamente. Eu comecei a chorar devagarinho, em anticipação, à espera da brutalidade do final, à espera de não poder aguentar a emoção. Uma lagrimita, duas...então?...mas não tou a perceber... mas não é agora que....e depois ela...e é...por um...e vem o pai e... depois... hospital a correr...morre... Pois aparentementem NÃO!!! Só vejo o argumento todo a descambar para um sítio muito, muito escuro... Ainda gritei 'K. não sigas a luz, para o outro lado, é suposto ires para o outro lado', mas qual quê, a rapariga era doente terminal e surda, com certeza!


Imaginem que estão a ver a adaptação da Bela Adormecida e que o príncipe, quase quase a beijar a linda Aurora para a despertar do sono eterno, vê ao longe o porta-estandartes do Reino e descobre que é gay. Larga Aurora a roncar e vai enrolar-se no feno com o moço, e depois vão ambos montados num cavalo branco e desaparecem ao por do sol.


Pois tirando os enrolanços no feno, e a parada gay, foi mais ou menos isto que aconteceu. O final não é o mesmo! E não é o mesmo assim por 367 km!!! O FINAL É MESMO COMPLETAMENTE DIFERENTE E PROFUNDAMENTE MISERÁVEL.
É que não tem nada a ver.
É que quero mesmo o meu dinheiro de volta, e um processo ao realizador por arruinar o meu serão de profunda choraminguice.
Estúpido!


2000 calorias de batatas fritas para nada! Mais valia ter passado a ferro. DAMN!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Parábola do guarda sol pródigo

Naqueles tempos ia Safira com a tralha toda às costas depois de um belíssimo fim de semana em Manteigas.


Ao chegar a casa, para além de dar logo de caras com o anormal do segundo esquerdo e a sua prole barulhenta e intelectualmente desafiada, Safira vê um objecto familiar encostado à porta do prédio. Era o seu velho guarda-sol desaparecido há dois posts, providencialmente regressado do passeio...


Ora eu até sou uma gaja porreira, mas não papo grupos. O guarda sol voou dali para fora em consciência. Andou a divertir-se o quanto quis, largou as hortênsias à mercê dos ultravioletas e o jasmim à mercê do vento, arriscou-se a partir alguma coisa que eu ainda tivesse de pagar e TEM A DESCOMUNAL LATA DE APARECER À PORTA DE NOVO????


I don't think so...


E, apesar de não ter um guarda-sol mais novo para se rebelar contra o regresso do irmão mais velho, e estar à vontadinha para o acolher de braços abertos, sem birras nem azias do outro, decidi que isto não é a Santa Casa e mandei-o para o lixo.


Moralidade: não se metam comigo depois de um fim de semana grande!

sábado, 17 de abril de 2010

Birthday Girl

QUEM É QUE FAZ ANOS HOJE, QUEM É?


SASHA MARGARETH!!!
Têm sido 8 anos...interessantes :)
Lóv iu, Sasha Margareth!!!
Mesmo que peses 38 Kgs!
Mesmo que roubes a comida dos gatos, e a minha, sempre que podes.
Mesmo quando te levamos à praia e vomitas tudo num raio de 300 metros.
Mesmo quando decides que queres ir para o sofá e nos esmagas sem vergonha.
Mesmo que as tuas despesas médicas dessem para uma semana de férias em Cuba...
Lóv iu, prontos...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

DESAPARECEU...

...de sua casa durante a madrugada de quarta feira sem deixar rasto. Idoso, vestia padrão florido meio desbotado e não usava calças. Foi visto pela última vez na varanda, perto da hortênsia, ao fim da tarde.

A família contristada agradece a quem puder dar informações sobre o seu paradeiro, a não ser que o desaparecido tenha causado algum acidente e a sua recuperação implique algum tipo de responsabilidade civil.
A última foto disponível do desaparecido:
(literalmente...)
(que espécie de imbecil deixa um guarda sol aberto numa noite de tempestade?!!!)
(a pergunta é retórica, deixem lá...)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Acho mal...

...o MEO morrer quando está a começar a Anatomia de Grey.

God hates me!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Quando me dizem...


...que esta senhora está na lista das cem pessoas mais influentes do mundo eu sinto genuína pena por este mundo em que vivemos. E por mim, por arrasto, dado que não faço parte de nenhuma missão espacial que me ponha a viver noutro sítio enquanto esta songa monga não se cala de uma vez por todas.

É certo que o CR9 também consta da lista, mas - e ainda que faça melhor figura quando está calado-, pelo menos joga bem à bola e tem abdominais tablete muito agradáveis à vista.

Esta criatura é simplesmente intragável. E vá que pus uma foto aceitável da mulher, que isto (ainda) é um blog decente. Há pior, há muito pior, que a mulher é pavorosa em todas as frentes. Não sabe cantar, dança como um tronco, tem umas letras que dizem menos que nada, isto quando se consegue perceber o que ela está para ali a debitar e uns vídeos que são um pesadelo de nonsense do princípio ao fim. A única coisa boa que tem é o nome, que de facto nos diz logo o que esperar dali.


Volta JLO, mais o teu pandeiro gigante, que estás perdoada.

Para quem gostaria de ver Lady Gaga a ser ridicularizada por um grande actor, deixo-vos com Mr. Christopher Walken a declamar 'Poker face' (esse primor da poesia que devemos à mastronça platinada)


segunda-feira, 12 de abril de 2010

A minha mãe não existe.

17h50.
O telefone toca. O meu número de casa aparece no visor do telefone do escritório. Estranho... Em casa só estão os gatos, em teoria. Atendo a medo, em anticipação do miado estridente do outro lado 'ouve lá, grande cabra, pela 15ª vez: come tu a ração do Continente!'
Mas não. Era a minha mãe. Não é bom sinal quando a nossa mãe nos liga da nossa casa. Imaginei o pior cenário: inundação, incêndio causado pelo choco assado do anormal do 2º esq., um dos gatinhos doente. Mas não. Nada disso. A minha mãe simplesmente trancou-se na sala e não consegue sair de lá. Neste momento deve estar placidamente sentada no sofá, com a caixa de mon chéri -cujo esconderijo lhe revelei perante o seu ar tão desolado-, à espera que a senhora da limpeza vá buscar a filha à escola e passe por lá para a libertar da sua prisão auto imposta.
A minha mãe não existe. E já estão a ver de onde vem o grande galo universal.
Adorava ser mais gráfica, mas tenho de me ir embora depressa para ver se a outra não se esquece de ir salvar mummy antes que me tenha uma apoplexia...
Ó valha-me Deus!

Feeling... bitchy!

Por uma questão de logística pessoal ando a chegar ao trabalho muito mais cedo. Quase uma hora mais cedo. Saio à mesma hora, e não, não me pagam mais por isso, mas também não faz mal porque estar aqui mais cedo não significa obrigatoriamente começar a trabalhar mais cedo. Era bom (para o patronato), mas não é isso que acontece. Mas a culpa não é só minha. Há várias coisas que me impedem de começar a trabalhar logo que aqui chego. Começa logo por ser a minha fraca força de vontade. Olho para a agenda e...não me apetece. Pronto. E depois, convenhamos que é difícil uma pessoa concentrar-se no trabalho com a senhora da limpeza a borboletar com o seu pano do pó e a borrifar-nos a sala com sabe Deus o quê. By the way, senhora da limpeza, não gosto do novo ambientador: cheira a (mau) perfume avulso e faz-me lembrar as tias entradotas e cheias de pó de arroz que se apanham no metro e que nos fazem rezar por uma máscara anti-gás por mais inestética e fashion que a coisa seja.

Mas o problema mais grave do chegar mais cedo é que toda a gente que vai chegando acha que queremos companhiá. Não queremos. Não queremos conversa, especialmente às segundas feiras. E se dizemos 'bom dia' e voltamos a mergulhar no que estamos a fazer, e não perguntamos nada, é porque se calhar, mas assim só mesmo se calhar, não nos apetece conversar. E se, enquanto nos contam os problemas com os filhos, os periquitos e as idiossincrasias de outros colegas, nós respondemos por monossílabos, e não adiantamos mais conversa, se calhar é porque não estamos mesmo nada interessados. Há alguma dificuldade das pessoas entenderem que alguns de nós não precisam socializar 24h por dia e partilhar os problemas existencias antes das nove da manhã. E que a nossa empatia acaba onde começa o profundo tédio. Ora eu dou-me muito mal com o tédio, e dispensava perder tempo a ser cortês e educada e a fazer acenos de cabeça e hum hums como se quisesse saber. Não quero. Sou antipática? Temos pena!