Por uma questão de logística pessoal ando a chegar ao trabalho muito mais cedo. Quase uma hora mais cedo. Saio à mesma hora, e não, não me pagam mais por isso, mas também não faz mal porque estar aqui mais cedo não significa obrigatoriamente começar a trabalhar mais cedo. Era bom (para o patronato), mas não é isso que acontece. Mas a culpa não é só minha. Há várias coisas que me impedem de começar a trabalhar logo que aqui chego. Começa logo por ser a minha fraca força de vontade. Olho para a agenda e...não me apetece. Pronto. E depois, convenhamos que é difícil uma pessoa concentrar-se no trabalho com a senhora da limpeza a borboletar com o seu pano do pó e a borrifar-nos a sala com sabe Deus o quê. By the way, senhora da limpeza, não gosto do novo ambientador: cheira a (mau) perfume avulso e faz-me lembrar as tias entradotas e cheias de pó de arroz que se apanham no metro e que nos fazem rezar por uma máscara anti-gás por mais inestética e fashion que a coisa seja.
Mas o problema mais grave do chegar mais cedo é que toda a gente que vai chegando acha que queremos companhiá. Não queremos. Não queremos conversa, especialmente às segundas feiras. E se dizemos 'bom dia' e voltamos a mergulhar no que estamos a fazer, e não perguntamos nada, é porque se calhar, mas assim só mesmo se calhar, não nos apetece conversar. E se, enquanto nos contam os problemas com os filhos, os periquitos e as idiossincrasias de outros colegas, nós respondemos por monossílabos, e não adiantamos mais conversa,
se calhar é porque não estamos mesmo nada interessados. Há alguma dificuldade das pessoas entenderem que alguns de nós não precisam socializar 24h por dia e partilhar os problemas existencias antes das nove da manhã. E que a nossa empatia acaba onde começa o profundo tédio. Ora eu dou-me muito mal com o tédio, e dispensava perder tempo a ser cortês e educada e a fazer acenos de cabeça e hum hums como se quisesse saber. Não quero. Sou antipática? Temos pena!
se calhar é porque não estamos mesmo nada interessados. Há alguma dificuldade das pessoas entenderem que alguns de nós não precisam socializar 24h por dia e partilhar os problemas existencias antes das nove da manhã. E que a nossa empatia acaba onde começa o profundo tédio. Ora eu dou-me muito mal com o tédio, e dispensava perder tempo a ser cortês e educada e a fazer acenos de cabeça e hum hums como se quisesse saber. Não quero. Sou antipática? Temos pena!

