segunda-feira, 8 de março de 2010

Nunca entendi muito bem esta coisa de comemorar os ‘dias de...'. O Dia da Mulher então passa-me completamente ao lado. Tão ao lado que já por duas vezes hoje respondi aos ‘parabéns!’ de colegas com um inocente ‘Obrigada, mas não é hoje, é só amanhã’, pensando que teriam feito confusão com a data do meu aniversário (sem no entanto compreender muito bem como, dado que apregoei a coisa com uma semana de antecedência, e com várias insistências diárias).

O facto de eu também passar a vida a andar de metro mas nunca estar à hora certa ou na estação certa onde estão a dar uma flor às mulheres que vão passando também não ajuda a que eu não me lembre que há um dia da Mulher, e que por acaso é hoje. Na verdade, varreu-se-me de todo. Pronto.

Não tenho nada contra o dia em si, ou as Mulheres e as suas conquistas em geral, mas irrita-me que toda e qualquer mulher seja celebrada. Há grandes cabras por aí. Eu gosto de cabras, mas só das que fazem bééée-béeee enquanto saltitam no pasto. E, não sei... eu cá quando homenageio alguém, gosto de saber que essa pessoa fez alguma coisa de valor. Ter mamocas não constitui um grande feito para mim e, portanto, sou muito pouco permeável a essa mariquice do dia da Mulher. Se fosse feriado ainda via alguma vantagem na celebração. Agora receber um ‘parabéns pelo dia da Mulher’ do senhor que vem entregar as compras do Jumbo online ao escritório não contribui lá muito para a minha felicidade. Mas posso ser eu que sou esquisita...

Eu gostava mesmo era que houvesse um dia Nacional do Atrasado Mental. Isso sim, seria celebrar uma excepção (embora a excepção seja cada vez mais a regra neste país) e um esforço reconhecido. Não é qualquer pessoa que pode ser um Atrasado Mental. São necessárias extraordinárias valias para conseguir reduzir uma massa encefálica à partida normal ao tamanho de uma avelã seca, e conjugar uma inteligência equiparável à de uma ameba num dia mau com os modos sociais de um javali do monte. É preciso ser-se muito bom para perder toda e qualquer noção de civismo, cortesia e interacção social. É dura a vida do Atrasado Mental.
Portanto, eu acho que nesse dia, sim! Devíamos todos dar azo à nossa vontade de recompensar o esforço do Atrasado Mental e torná-lo inesquecível para todo o feliz homenageado que se nos atravessasse no caminho. Se nesse dia o uso da força excessiva para infligir ofensa corporal grave e intencional não fosse penalizada, garantidamente eu seria a primeira de marreta na mão, à coca de um Atrasado Mental que ainda estivesse de pé. Ou que, já deitado, ainda mexesse, que bater em mortos não tem graça nenhuma porque a circulação sanguínea pára, o sangue já não jorra e a vítima já não estrebucha sequer. Um desperdício de energia, portanto.

Esse seria um dia interessante de celebrar, e que traria diversão às massas. A mim, especialmente, que convivo com vários diariamente e encontro novos todos os dias. Agora o dia da Mulher...pfffffff, big deal!

Apesar de tudo, a todas as Mulheres que (ainda) passam por aqui (e que assim se destacam pelo seu apurado bom gosto) desejo um dia em grande!
Banda Sonora: You make me feel like a Natural Woman - Aretha Franklin

segunda-feira, 1 de março de 2010

1...2...3...




...foi a conta que o Leão fez!


Eu sei que não se faz... mas não resisto...
E como o blogue até é meu...
Jesualdo, vai buscar!!!!


Banda Sonora: Time to say goodbye
(se não podes vencer, leva um dos inimigos ao buraco contigo...)

(ironia? não, não, não há nenhuma :))

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Modernices



Ainda me lembro da cara de espanto de uma prima minha que mora em Paris ao ver-me pagar a electricidade e o telefone confortavelmente sentada em frente ao PC. Não sei como é agora, mas até há uns anos atrás o conceito de homebanking era uma coisa que não lembrava aos nossos amigos gauleses. Parece-me que nisto somos pioneiros. Se não somos pioneiros somos pelo menos muito bons, e não há cá mais conversa.


Eu não conseguia viver sem homebanking. Quer dizer, conseguia, mas era chato. Eu cá gosto de não ter de ver a cara de tótó do meu gestor de conta no balcão da agência. Ainda se o tipo fosse giro...mas não é. Temos mais que fazer.




E, lá está, estou tão habituada a ver tudo na net e a arquivar (sem ler, confesso) a papelada que banco me manda que me presto a fazer figuras parvas como a que passo a descrever a seguir.

Diálogo entre Safira Maria e o simpático operador do Help Desk online de uma entidade bancária nacional (não queremos cá estrangeiros a guardar o nosso tostão!)

Simpático Operador: Boa tarde, o meu nome é ... em que posso ajudar?
(vou saltar a parte do bla bla em que perguntam quem fala e se estamos bem de saúde e bem dispostos com a vida)
Safira Maria: Boa tarde, sabe o que é, é que eu gostaria muito de começar a reunir a minha papelada para o IRS e ainda não recebi as declarações fiscais de 2009. Pode verificar se há algum problema, por favor?
Simpático Operador: ah, pois não há problema nenhum.
Safira Maria (já a preparar-se para mandar vir): não? Mas eu não tenho as declarações...
Simpático Operador: Tem sim. Estão online. Já não recebe em papel.
Safira Maria (já a bufar): QUÊ???Não recebo em papel? Estão online? Mas eu não sabia de nada, como é que estão online e eu não sei?
Simpático Operador: Mas foi informada no dia tal, também na sua área de informação online. (embrulha!) A sua conta está parametrizada para receber o extracto e as declarações digitais online, e não em papel (ouve-se em fundo a comunidade arborícola a bater palmas de contente)
Safira Maria (à beira da apoplexia): Curioso, eu não pedi para ter extracto digital (eu cá gosto de papel a atafulhar-me dossiers) (ouve-se o resfolegar furioso da comunidade arborícola) (Opá, eu planto coisas e nunca apanho flores na natureza, não me chateiem, sim?!), como é que me parametrizam isso sem eu pedir?
Simpático Operador: Pois não pediu, mas recebeu uma carta no dia Y (vai buscar!), com o seu extracto (o tal que eu arquivo sem ler) dizendo que a partir de 2010 ia ser assim e que todos os clientes com acesso online deixariam de receber correspondência, a não ser que expressassem o contrário por escrito. Como a Senhora não disse nada... (embrulha e vai buscar de novo!)
Safira Maria: (sentindo-se brutalmente imbecil..) Ah!...(silêncio em que o sorriso cínico do simpático operador é quase palpável)...certo...(Bom, you win!...) e então pode ajudar-me a encontrar no site as declarações para eu imprimir?
Simpático Operador (em mode magnânimo): Com certeza. Estão aqui bla bla bla, opção n sei quê, tra la la. Mais alguma coisa?
Safira Maria (bem, era um carro novo, mas pronto): Não, não, muito obrigada pela sua ajuda.

Moralidade: eu fui um nadica totó, mas o que importa é que o meu banco é um espectáculo! Tenho as declarações com um click.
O meu banco, tecnologicamente falando, é um espectáculo!


Este país, tecnologicamente falando, é um espectáculo!
Está pejado de imbecis, mas os não-imbecis tecnicamente bons, são mesmo muito bons!

VIVA O HOMEBANKING!!

Posto isto, deixo aqui uma palavra solidária à malta que não tem homebanking e leva 37 facturas para pagar no multibanco, geralmente quando eu preciso mesmo mesmo de levantar dinheiro: ARDAM NO INFERNO!!!!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Vão buscar!


Coisa mai linda que é a FÉ!!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

É hoje que os comemos!!!


Os bifes que tomaram de assalto o Rossio, mais as suas grades de cerveja e estes cachecolitos dependurados dos seus rosadinhos pescoços de porquinhos anglo-saxónicos, podem ir a rastejar para casa.
Digo eu, cheia de fé.
Se a coisa correr mal, amanhã volto para dizer mal do árbitro!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Serendipity




Sempre gostei desta palavra.


Gosto do som (faz-me pensar em serenidade) e gosto do significado. Gosto de saber que há uma palavra gira que consegue descrever uma feliz coincidência. Gosto de saber que existe uma palavra gira e mais curta para 'Anti-Grande-Galo-Universal'.



Assim como Cristóvão Colombo, que procurava a a Índia e virou para o lado errado, acabando por descobrir a América, também eu, volta e meia, encontro coisas boas sem as procurar, ou procurando outras. Como no mês passado, em que encontrei 25€ num bolso do saco de ginástica quando procurava umas meias!


Este não é com certeza o mais glamoroso nem o mais significativo episódio 'serendipético' que conto no meu currículo, mas apeteceu-me prestar aqui homenagem às grandes conquistas inesperadas e aos fortuitos acasos que nos fazem felizes e nos dão também a coragem necessária para nos mexermos pelo que queremos.

Enquanto o Sporting não ganha e tal...a malta tem de ir escrevendo sobre outras coisas.


Banda sonora
: At my most beautiful - R.E.M

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ó júbilo, ó incomensurável alegria! Aí está o Carnaval de novo...

Chego ao ginásio envolta num casaco comprido. Só eu e poucas testemunhas ( entre as quais três gatos assustados e um labrador circunspecto) sabemos o que ele esconde.


Entro no balneário. Fátima, o palhaço, e Cristina, a menina da escola, com o seu bibe verde, já estão na finalização das pinturas. Olham para mim com ar reprovador até verem os traços brancos que tenho na cara. Nasce-lhes um sorriso de esperança.


Desaperto o casaco. A tensão sente-se no ar. Parece um filme do Brian de Palma. O palhaço e a menina da escola não tiram os olhos mim à medida que vou revelando o feltro cor de rosa que me envolve desde meio da coxa até ao pescoço, salpicado por uma mancha branca na zona da barriga. Não sabem bem o que pensar até verem o pompom branco que trago acoplado ao rabo. A colocação das orelhas já só é mera confirmação.

Se eu podia ter-me inscrito num ginásio que não nos obriga a ir mascaradas (de coelho obeso) para a aula? Podia...mas não era a mesma coisa.




Não era bem isto, mas em termos de ridiculo andou lá muito perto...


E fazer os abdominais com o pompom no rabo? Do melhor!!! Lá fiz o frete, mas raspei-me assim que pude, mesmo a tempo de evitar a triste demonstração do meu miserável sambar, e consequente - e inevitável - comparação com um saco de batatas com uma crise de epilepsia.


Banda Sonora: Não deixe o samba morrer - Maria Rita

(opá...por mim podem sambar até cair para o lado. Desde que eu possa estar a fazer outra coisa qualquer)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Interrompemos esta emissão para dar conta de uma notícia especial


SOU OFICIALMENTE DO SPORTING DE BRAGA!


Banda Sonora: The Unforgiven - Metallica
(carinhosamente dedicado ao palhaço do João Pereira, que ainda por cima me custou um jantar para sete!) (João Pereira, se me lês, por favor não me processes por difamação. Chamo-te palhaço com o mesmo carinho com que te chamaria atrasado mental, a ti e a mais meia dúzia dos teus colegas!)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Feeling...Narcisa



Digam lá que não gostavam?... Ah pois é!

Tenho para mim que é uma tentativa da linda calcadinha portuguesa se redimir pelos saltos todos que já me estragou, a grande cabra! A lambe botice desceu à rua, é o que é.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Há 28 anos...


...Que não te vejo.

...Que não ouço a tua voz.

...Que não ouço o teu giradiscos a tocar os albums do Joe Dassin.

...Que não fico sentada em respeitoso silêncio a ver-te manusear os catálogos e os selos.

...Que não me ralhas quando desenho desalmadamente arabescos num papel, porque estou a gastar tinta da esferográfica para nada.

... que demasiadas coisas estão mais pobres sem ti e que odeio profundamente o mês de Janeiro.


Há 28 anos recebemos o telegrama do hospital. E eu, do alto dos meus 10 anitos, a armar-me em forte, fui buscar um vestido preto e vermelho, porque era o que de mais escuro tinha. Ninguém reparou que eu tinha mudado de roupa. Não era sequer importante, mas foi o que me ocorreu na altura. Tinha de mostrar que compreendia o que se passava, embora me quisesse dissociar porque doia demais e era uma mudança demasiado brutal.

Nunca falei da tua partida. As pessoas vinham ter com a mãe e eu via-a a chorar, mas eu nunca me fui abaixo em frente a ninguém. Quando me falavam de ti, desconversava. Para não dar parte de fraca, acho eu. Abafei a dor, e só a deixei sair muitos anos depois. Revoltei-me, culpei-te por nos teres deixado, culpei-te por uma série de coisas que não aconteceriam se cá estivesses. Fi-lo porque era mais fácil culpar-te a ti do que crescer um bocadinho e assumir as minhas próprias escolhas sem culpar o mundo e arredores.

Entretanto cresci. Hoje sou mais forte. Também graças a ti, e aos ensinamentos que retenho do pouco tempo que tivemos juntos. Afinal, foste tu que me ensinaste a andar de bicicleta e me ajudaste a acreditar que não ia cair. Foste tu que me disseste 'levanta-te e monta de novo' quando o cavalo me atirou ao chão. E eu chorei, porque tinha medo, porque me doia, mas levantei-me e voltei a montar o cavalo. Mais por orgulho que por vontade. Ainda hoje sou assim. E é este orgulho teimoso de que me lembro amíude e que me mantém de pé quando a vida não me corre bem. Tenho domado alguns cavalos. Tenho caido de muitos outroas ao longo da vida, como sabes. E lembro-me sempre daquele paddock poeirento e de comer areia, e das lágrimas a picarem-me nos olhos. Mas também me lembro do meu primeiro galope, do orgulho que senti por saber que estavas a ver e a sorrir de orgulho também. E essa vontade de te fazer orgulhoso acompanha-me sempre, embora nem sempre a entenda completamente.

Há 28 anos que tenho saudades. E que me pergunto como seria se ainda estivesses por cá. E resolvi dizer-to hoje. Levei 28 anos a chegar aqui, mas cheguei.

Beijinho, Pai.

Banda Sonora: Hurt - Christina Aguilera