
Ora há muita gente de quem não gosto, embora só consiga lembrar-me de um cro-magnon que não tem acesso à internet, o que à partida garante a minha integridade física durante mais uns tempos. Muitos de vós já terão percebido; falo evidentemente no pai de todas as bestas, o meu vizinho do 2º esq.
Não pensem que este meu ódio de estimação se deve apenas ao bandulho proeminente que insiste em exibir em nu integral na escada, indiferente à minha sensibilidade e coração fraco, ou aos decibéis proibitivos que usa para guturralmente comunicar com a prole (pequeno parênteses: como é que não é proibida por lei a procriação em criaturas destas?) ou ao facto de assar choco na varanda directamente por baixo do meu quarto, ou ainda – e esta adorei!- pelo facto de me ter partido os vidros todos quando decidiu fechar a sua estúpida marquise. Não, meus senhores, este ódio tem 25 anos...odeio esta criatura desde o tempo de escola. Andei à porrada com ele, for God sake! E a alma vem morar para o meu prédio! E depois dizem que eu exagero com o Galo Universal.
Sim, ele bateu-me quando eu era chipiti. Aliás, encheu o pé e deu-me uma pézada (tema sesimbrense muito comum e encantador) nos rins. Mas eu não me fico facilmente. Gajo que me bate, ou bate com muita força para me deixar knock out ou leva logo a seguir. E, assim que recuperei o uso das pernas, fui ter com ele e dei-lhe um estalo que ecoou no recreio. Depois os meus amigos separaram-nos e fui elevada ao estatuto de heroína por ter batido no C.. Também vivi em absoluto terror até acabar o ciclo preparatório, mas a Glória não vem sem sacrifício. A não ser no futebol, quando se compram os árbitros. Não que isso aconteça em Portugal... :)
Porque é que ele me bateu? Ah, sim, se calhar convém explicar. Porque não tem sentido de humor e encaixou mal o facto de eu ter escrito uma cover da canção da Suzy Paula, equiparando-o ao camelo Areias, e ter distribuído cópias aos meus coleguinhas para cantarmos no recreio.
Ficou ofendido.



