segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A arte de dizer ‘não’


Após anos a fio a engolir sapos e a dizer ‘claro, não me importo nada’ quando na verdade me importo - e bastante -, é com grato prazer que informo que se acabou a mama. ‘Não’ tornou-se a minha palavra preferida. Libertei-me. Dei o grito do Ipiranga. Pronto.

ANTES
Amiga/o: queres vir comigo n sei onde, (porque não me dá jeito ir sozinha/o)?
Eu (pensando, damn it, não, não quero, quero acabar o meu livro): euh...claro, vamos.

AGORA
Amigo/a: queres vir comigo n sei onde, (porque não me dá jeito ir sozinha/o)?
Eu: Não, obrigada. Quero mesmo acabar o meu livro.

Ou, a minha situação recorrente preferida:

ANTES
Amiga/o
: estava a pensar ir passar uma semana a tua casa ( mesmo que não estejas lá e que os teus gatos fiquem stressados com a minha presença). Pode ser?
Eu (cortando os pulsos em agonia antecipada): ah, claro. Yuppi, vai ser tão bom.


AGORA
Amiga/o
: estava a pensar ir passar uma semana a tua casa ( mesmo que não estejas lá e que os teus gatos fiquem stressados com a minha presença). Pode ser?
Eu (com incomensurável satisfação): na verdade, não. Prefiro receber quando estou de férias, para ter a certeza de que tudo corre bem e não gosto de stressar os gatos gratuitamente.

Mai nada!

E, embora ainda haja pessoas a quem não basta dizer não uma vez, mas sim duas ou três, para perceberem que não, não estou a gozar, tem sido cada vez mais fácil fazer cada vez mais o que eu realmente quero fazer e menos o que os outros acham que dá jeito que eu faça para lhes facilitar a vida. Pois que não tenho nada contra o facilitar a vida aos outros, desde que a minha não se torne num inferno por causa disso. Cansei-me de ser palerma, peço imensa desculpa.



Agora é só tentar perceber porque é ser honesto causa tanto prurido a tanta gente. Estavam mal habituadinhos, não era? Temos pena.

Banda Sonora: I'm sorry - Brenda Lee

domingo, 20 de setembro de 2009

Update

Já recebemos os resultados da análise dos tumores de Sasha Margarida. Confirma-se o mastocitoma de grau II, embora dentro do grau II seja um dos menos agressivos. Traduzindo por miúdos: não podemos dizer que está curada, mas podemos encarar o futuro com alguma (e digo bem, alguma) tranquilidade.
Se a minha gorda maluca não rebentar mais nenhuma costura entretanto, dentro de uns 15 dias fará um check up completo, para determinar se existe mais algum foco de preocupação e ver o seu estado de saúde geral, e investigar de onde vem a maldita tosse.
O tratamento dependerá do que os testes encontrarem. Existe a hipótese da quimioterapia mas os seus benefícios no tratamento deste tipo de cancro são reduzidos, sendo a radioterapia o mais eficaz. Claro que, vivendo neste país miserável e sem cultura pelo direito dos animais, não há oferta de radioterapia animal em Portugal.
Mas por ora, na opinião da vet, correu tudo bem, as margens de tecido estavam limpas num dos nódulos e com poucas células no outro, pelo que há pouca probabilidade de recidiva. Não vou tentar o destino começando a falar no Grande Galo Universal, e encarar tudo isto da melhor forma possível. Afinal já tive uma rã perneta, três gatos com tinha, um cão cego...o que é um cão oncológico para mim, certo?

Enfim...


Terminando numa nota de absurdo (assim como quem quer deixar de falar de coisas tristes) há gente muito parva neste mundo. Toca-me ontem o telemóvel. Atendo um número que não conheço (porque tenho sempre a esperança que seja alguém a dizer que ganhei qualquer coisa) e sai-me isto.
Eu: estou?
Criatura: queria falar com o 'Jósé'. (está foneticamente escrito: Jósé)
Eu: ah, mas olhe que é engano então...
Criatura: ah... e não é a esposa, não?
Eu:...não, não é a esposa, é mesmo engano seu!
Ora digam-me cá uma coisa: ainda que eu fosse a esposa do imbecil do Jósé, não seria de imaginar que soubesse o nome do meu marido? Especialmente se ele se chamasse JÓsé, com acento no 'o'. Por amor da Santa!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dog day afternoon

Para os fãs de Al Pacino, o título deste post já é sugestivo. 'Dog Day Afternoon', de 1975, mostra-nos o nosso cândido Al Pacino a ser vítima do Grande Galo Universal durante um assalto a um banco. Vejam o filme, que é muito engraçado.


Pois eu, não tendo assaltado nenhum banco (não assaltei ainda, porque com a conta que já levo no veterinário é uma hipótese que considero seriamente), também tive uma manhã absolutamente dantesca por causa de Sasha Margarida.


Esta monga achou que estava farta do dreno e toca de o tirar durante a noite. Toca de ir de escantilhão para o vet. Toca de levar na cabeça porque o dreno saiu. Toca de fazer dois raio X, porque, a somar a tudo o que se está a passar, SM está com uma tosse cavernosa. Toca de vestir vestir um avental de chumbo muito pouco sexy e segurar um cão de 39Kgs durante vinte minutos.

Toca de ouvir a vet dizer que a SM tem os pulmões brancos e que na melhor das hipóteses tem líquido, na pior metásteses. Toca de cerrar os dentes para não desatar a dizer palavrões e amaldiçoar o Altíssimo.

Toca de fazer cara alegre quando a vet nos diz 'ah, mas não vamos entrar em pânico...' Claro que não. Pânico, isso é para os maricas!


Toca de largar mais sessenta euros...

(a preços de hoje, esta odisseia da Sasha já vale uma viagem ao México em regime de TI)


Enfim...


Pego no carro e vou para Lisboa. Não sei se alguém já fez a nacional 378 por volta das onze horas, mas só lá andam velhinhos irritantes que não sabem para que serve um acelerador. Deixam-se ir com o vento...tivesse eu uma xaimite e era um vento que se lhes dava, ai isso era.


Chego à estação e constato que perdi o comboio por minutos. Não estando ninguém na plataforma, entreti-me a dizer os palavrões que mencionei acima. Toca o telefone. Era Mummy.

- (Chuif chuif)...ai, esta malvada....

- ó Mãe, mas o que foi?

- (Chuif chuif) A cadela rebentou os pontos, tá tudo aberto.


CERTO!!!!!


Mais um chorrilho de palavrões depois de desligar.

Toca de me meter outra vez no carro, toca de levar com mais velhinhos movidos a carvão, toca de ir buscar Sasha Margareth, muito orgulhosa do gigantesco buraco que arborava no flanco.

Mais um sermão da vet 'ah e tal, que menina mal comportada' mais um anestésico, mais levantar 39kgs de cão para cima da marquesa e segurá-la enquanto era suturada.


E ainda vou ter de fazer o penso em casa e 'substituir-me' ao dreno o que implica pegar numa seringa com soro fisiológico, enfiá-la no buraco superior onde em tempos havia um dreno e despejar o soro lá para dentro, tendo a bela da compressa a postos no orifício de saída para receber o soro e demais porcarias que vão sair dali. Ou seja, amanhã, alvorada às 5:30 da manhã!


Pergunto: Sou só eu que acho que há uma conspiração kármica para me enlouquecer?


Entretanto, e como daqui a pouco tenho de ir à farmácia comprar o material de enfermagem para amanhã, queria deixar aqui e já o agradecimento a todos quantos me deixaram mensagens simpáticas no post anterior. Embora não o faça agora, irei responder.

Ah, sim, aos anónimos chinocas que já me começam a enervar desejo que se auto-empalem no primeiro poste que encontrarem. Desenho em mandarim disponível por email!


E queria acabar numa nota positiva, porque para tristezas já bastam as desta manhã. Uma pessoa muito querida, fez-me uma surpresa para me animar e enviou-me desta foto por email.



Quando eu for despedida ou atingir a falência técnica - a probabilidade é mais ou menos a mesma neste momento -, a Sasha vai ter que dar o corpinho nas Gôndolas para me sustentar.

Obrigada por este miminho, Sandra :)

domingo, 13 de setembro de 2009

Love is...

...ter pavor de cortes e suturas e ainda assim mudar compressas ensanguentadas à nossa cadela recém operada.


É, no meu último post queixava-me de muita coisa: da falta de tempo, da falta de paciência, dos posts que queria fazer...não me quis queixar da ansiedade de saber o resultado da biópsia da Sasha talvez por pensar que não falando sobre isso tudo correria melhor. Não correu. Os nódulos que lhe encontrei na axila e no flanco revelaram-se malignos e menos de uma semana depois Sasha Margareth estava numa sala de cirurgia para extirpar os 'malvados'.

Correu tudo bem, e ela está óptima. Toma 11 comprimidos por dia, tem um dreno e duas cicatrizes enormes, não pode fazer exercício, e está com um ar muito desgraçado, mas felizmente está bem. Não se queixa a fazer o penso - como não se queixou quando lhe picaram o gânglio linfático a sangue frio - e até dá a pata para a ligadura se poder enrolar melhor. Uma valente, a minha gorda. Mais valente do que eu, que estive (e estou ainda) em suspenso até tudo estar resolvido. Temos ainda de esperar a análise dos tumores para saber o grau de malignidade, e se é necessário fazer mais alguma coisa ou se a cirurgia resolveu o problema. Fingers crossed...

São coisas que acontecem. E nunca é só aos outros...

Ainda assim, passamos momentos divertidos. Como uma das suturas já não precisa de penso e está 'ao ar', a Sasha teria de usar aquele antipático funil, que lhe tolhe os movimentos (e nos retalha as pernas), para evitar lamber a sutura. Em alternativa, a vet teve uma ideia brilhante, que funciona às mil maravilhas, embora resulte neste estranho conceito de moda canina:

As suturas são ambas do lado esquerdo e aquele volume que se adivinha no peito são os 10 metros de ligaduras que a enfaixam para ela manter o dreno no sítio. O resto do volume é a massa adiposa do costume... e eu adoro cada um dos 39.200 gramas de banha da minha Sasha Margarida!

Banda Sonora: She - Charles Aznavour

domingo, 30 de agosto de 2009

Inconstância

Admiro as pessoas que conseguem manter uma disciplina na manutenção do blogue e na assiduidade nas visitas. Eu, claramente, não fui abençoada com esse dom. É certo que estive de férias, mas já regressei e o meu entusiasmo com o teclado continua pelas ruas da amargura. Passam-se dias sem que ligue o pc em casa. Não vale a pena arranjar desculpas, simplesmente não me apetece. Nothing personal, mas tenho pouco tempo. Entre ir ao cinema, surfar na net ou ler mais um capítulo do livro, ver uma série ou simplesmente estar com os gatinhos todos ao colo (o que só acontece se estiver estiraçada no sofá, que chatice!), cheguei a um ponto em que, lamentavelmente, tenho de escolher. Não dá para tudo.


O MEO veio complicar a minha vida substancialmente. Eu assumo que gosto de televisão. ADORO televisão. Adoro as minhas séries, adoro filmes, adoro o canal História e o Nat Geo Wild. Ao domingo à noite, pego no comando e ponho-me a programar todas as gravações da semana. Reparei recentemente que o MEO já começou a apagar programas ainda não vistos, por falta de espaço. Outros, apago eu, porque sei que não vou conseguir ver a tempo, mesmo que me cole ao ecrã até às tantas, o que faria de bom grado se não tivesse esse óbice chamado 'emprego' a consumir-me o espirito (e o tempo, o que é mais grave, a partir das seis e meia da manhã.

Assim, e nos vinte minutos que me restam até ter de ir tratar de outra coisa para fazer render este domingo ao máximo, aproveito para listar algumas das coisas que andam no meu espírito e sobre as quais quero postar proximamente:

- o meu peixe autista

- a união zoofila e um direito de resposta que estou a dever

- 'Animal Hospital' (este dá para vários posts porque falar deste programa implica falar da RSPCA, o que implica falar bem de Inglaterra (e mal de Portugal e outros tantos países em que os direitos dos animais são uma anedota), e ainda do Adam Tjole, que é só o veterinário mais giro do planeta. Meninas, SIC mulher, 19:30 e aproveitem que esta série ainda é com ele.

- a histeria colectiva que anda aí por causa da Stephenie Meyer e dos seus vampiros e afins da saga Luz e Escuridão. Já não posso ouvir as minhas colegas falar do Edward e da Bella, e raios me danem se não começo hoje o 'Crepúsculo' (o primeiro da saga de quatro, cada um a pesar 1kg) para poder perceber este fenómeno e falar dele com conhecimento de causa. Se eu começar a babar e a suspirar por um vampiro vegetariano (!) como elas fazem day in and day out, por favor, dêem-me um tiro!

Starting tomorrow (espero!) vou tentar incluir um saltinho diário à blogosfera para voltar ao ritmo das visitas e das respostas aos comentários, que tenho andado do mais desleixado. É o calor, a malta fica a carburar muito devagarinho...

E só tenho 7 minutos para arranjar uma música...bonito serviço!
Banda Sonora: Bella's Lullaby
(é da Banda Sonora do 'Crepúsculo'. Já fui infectada também...Damn it!!)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O céu, o sol e o mar

Junte bons amigos e uma pitada de cozinha mediterrânea, com muitas saladas e queijo feta. Misture boa disposição e alegria. Termine com um frappé de café bem forte, e remate com um tradicional Ouzo, a famosa aguardente anisada grega. Ou seja mais cretense e atreva-se a provar o Raki, de travo mais áspero.


Salada Mediterrânea (lentilhas, tomate e queijo feta) e polvo em vinho
Tudo isto com o Egeu a perder de vista, num torvelinho de ondas mornas e caprichosas.


Eis uma das receitas para o estado de 'zenitude' absoluto.


Praia do Hotel Ikaros, Mallia




Creta é uma ilha encantadora. Enorme, cheia de contrastes.
Às cidades da costa oeste, que guardam os encantos de outros tempos, como Chania (diz-se Rania) junta-se o reboliço dos novos centros turísticos no centro este, como Malia e Stalida, onde bandos de ingleses tresloucados dão largas aos abusos conhecidos. Evitamo-los sabiamente, bem entendido, nunca indo para o lado esquerdo do hotel após as 22h.
a caminho de Agios Nicolai

Os cretenses são um povo acolhedor, sempre de sorriso nos lábios, sempre prontos para

pescadores em Chania
partilhar um segredo gastronómico, ou a melhor forma de podar uma oliveira. A oferecer fruta no final de uma refeição. No strings attached. Generosidade como há muito não via.

Aproveitei a oportunidade (you only live once) para visitar o arquipélago vulcânico de Santorini, que fica a escassos 110km de Creta.


Por lá vi a mais encantadora cidade de que tenho memória, Oia (pronuncia-se Ia), na ilha de Tera. O místico azul e branco que associamos sempre às ilhas gregas. Confirmo. Azul e branco alvíssimo, como a bandeira. Combina com o mar, o céu e as nuvens.



Só faltou o incontornável por do sol, que já só apanhei no barco de regresso.






Mas não foram só passeios e relaxing pool, embora sinta grandes saudades dessas tardes de dolce far niente e ávidas leituras que incluímos no programa.



Também houve lugar para a cultura com uma visita ao Palácio de Knossos, que se supunha ter contido o labirinto do Minotauro. Big disappointment: nem vi o bicho, nem achei jeito nenhum às ruinas. Pejadas de gente, claro, e tudo muito pequenino para a fama que tem. Normal, se considerarmos que grande parte da reconstrução foi feita com base nas suposições bizarras do estimado arqueólogo Evans. Fajuto, do mais fajuto que pode haver, só mesmo para a foto, e com pouca convicção.

Por isso, fomos direitinhos ao Museu de Arqueologia, em Heraklion, onde aí sim, pudemos ver alguns verdadeiros artefactos e frescos interessantes. Claro que o GGU (Grande Galo Universal) não podia faltar, e só pudemos ver algumas peças porque o museu está em obras.



Foi tal a frustração que acabámos por afogar a mágoa no Cretaquarium, simpática aproximação ao Oceanário de Lisboa, mas ao qual falta muito para lá chegar. A tranquilidade, para começar. Hordas de barbáricos russos e suas audíveis criancinhas, italianos que mesmo a sussurar nos furam os tímpanos. Não admira que alguns peixes desenvolvam esta brotoeja alérgica, ou acabem a flutuar de barriga para cima no tanque...harakiri por desespero, na certa!


Por tudo o que vivi nesta semana, até desculpo a White por atrasar o voo de regresso mais de 4 horas, e nos fazer chegar a Lisboa às três e meia da manhã. E agradeço também ao handling em Lisboa, que conseguiu superar-se: com um único voo a chegar aquela hora, conseguiu fazer-nos esperar quase hora e meia pela bagagem. Ou seja, o costume por terras lusas. Good to be back, portanto...
E já só faltam três dias para ir trabalhar. Why, oh God, why?!!!
Banda Sonora: Le ciel, le soleil et la mer - François Deguelt

domingo, 9 de agosto de 2009

Anúncio

Nota prévia: Eu sabia que isto ia dar barraca...o 'Anúncio' não foi publicado em tempo devido. Estúpido blogger!
Embora fora de tempo, deixo-o aqui na mesma porque me deu um certo trabalho...
E depois volto, com fotos fresquinhas das férias. Agora não posso, que vou para a praia e ainda tenho de decidir que bikini vestir. Há vidas difíceis...
Gostava de vos anunciar em primeiríssima
Instância, que a minha já confirmada (Yes!!!!)

Recente madrinha,
A que escreve aqui umas coisas,
Só volta a partir de 17/08, isto

Se não lhe sair o Euromilhões
Ou o Totoloto entretanto.
Logo que

Possível

A madrinha

Regressa ao
Activo, para contar


As suas impressões sobre a

Dura semana passada num

Oceânico
Paraíso de
Çinco estrelas
Ão largo da costa grega (aceitam-se palpites :))
Over and out, do Girassol, o novo gato do pedaço!




Banda Sonora: My favourite waste of time - Owen Paul


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pré Anúncio

Como sou muito tótó, e estou com o stress pré férias, preparei um post e enganei-me na publicação, pelo que o mesmo saiu antes do tempo e tive de o retirar até à data de publicação. Se o Blogger não der bronca, sairá no domingo...Espero.
Entretanto, a boa notícia é que a UZ me enviou um email e que já sou madrinha oficial do meu gatinho Girassol :)
Happy! Happy!
Pronto, não roubo mais tempo ao patrão...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O regresso do Grande Galo Universal

Há coisa de três semanas fui a um novo dermatologista. O meu anterior -a quem desculpava a ocasional falta de rigor clínico com o palminho de cara que tem-, decidiu mudar-se para a outra ponta da cidade e, let's face it, tenho mais que fazer! Portanto, arranjei outro mesmo ao lado do escritório. Não é tão giro, especialmente porque é mulher e eu não sou uma lésbica retinta, mas é prático.
Fui lá da primeira vez e trouxe uma pomada, um creme para as mãos, uma loção e um hidratante corporal. Tive de correr quatro fármácias para o encontrar, dado que toda a gente me queria vender a versão 'creme gordo' e não 'creme hidratante'. Há qualquer coisa de sinistro no facto de pedirmos o creme x, 'mas não é o gordo, é o hidratante' e nos darem sistematicamente a versão 'gordo'. Concluí, neste périplo, que a maior parte dos farmaceuticos é surda. Os que não são surdos são simplesmente burros.

Anyways...a coisa não melhorou, e na semana seguinte voltei. Bla bla bla, reacção alérgica, bla bla bla, insectos, bla bla bla...Trouxe outra pomada, e mais um creme, e um repelente de insectos. Don't ask, eu disse-lhe que não tinha sido picada. Por esta hora a minha mesa de cabeceira já parecia uma loja de conveniência, mas tudo bem.


Como seria de esperar, no inicio desta semana continuava na mesma, senão pior. Farta que estou de dizer amén aos não-diagnósticos, resolvi investigar na net e qual Gregory House (sem os olhos azuis e sem barba, felizmente) imprimi uma série de fotos e arranjei duas hipóteses muito verosímeis, na minha opinião de leiga. Diga-se que serei leiga, mas sei ler.

Já munida de argumentos, voltei hoje ao consultório.
Fui recebida com um 'Ui, isso não está nada bom' (no shit?!) e assim que tive oportunidade introduzi um tímido e submisso 'Drª, mas tem a certeza que não é tinha? olhe que eu tive lá o problema dos gatos e eles ainda podem ser portadores...'
'ah, sim, pode ser um fungo...' (considerei o 'pode ser' muito estimulante...)
E eu vá de continuar com os diferenciais, com calma, pois sei que os médicos não gostam de chico espertos: 'mas sabe, uma amiga minha disse-me que viu umas lesões iguais a estas numa pessoa que tinha uma coisa com um nome bizarro (fazendo-me de estúpida....) euh...imp...imp...
-'impetigo'
-'pois, isso' (yuppi, vai dar-me o antibiótico e fica tudo ok)
- 'hum, mas não me parece...' -(WHAT???? as bolhas são iguais às da foto na net!!!!!) -, 'devíamos era fazer uma biopsia '-(WHAT THE HELL?)- 'mas não queria deixar-lhe já uma cicatriz'- (pois, a mim também me parece bem não me picar). -'Vamos experimentar uma combinação de terapias'- (Oh Joy!)

Saí de lá sem diagnóstico definitivo, mas com um receituário para cápsulas anti-fúngicas e mais uma pomada antibiótica. A médica disse que era um antibiótico de nova geração, acabadinho de sair. Benzi-me em pensamento, já a imaginar-me a calcorrear as farmácias da zona à procura do remédio novo de que, provavelmente, ainda não teriam ouvido falar. Mas tive sorte, consegui na segunda que visitei. Mais 39€ para a caixa das almas, consulta não incluida. Era a trilogia Millennium do Larsson, mas não vou dizer nada...

Chego a casa e começo a ler as bulas. E adivinhem para que está indicada a pomada antibiótico? Correct! Para as infecções bacterianas, especialmente o ... impetigo.


Portanto, serei eu que sou chata ou deveria ter cobrado a consulta em vez de a pagar?Assim de repente...



PS: dispenso um cabazinho com um sortido de corticóides a preço de custo. E ainda junto a porcaria do creme antiprurido da marca que começa por 'U' e acaba em 'age' e que me seca a pele, mas que deve ser óptimo para polir o carro.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Coisas que me deixam possessa


Fax enviado à União Zoófila em 14 de Julho de 2009


ASSUNTO: Apadrinhamento do Gatinho Girassol (Ref.2267)

Exmos Senhores,

Sigo à distância o vosso trabalho, que muito admiro (nota minha: ok, admito que o site me enganou). Tenho três gatos e um cão, em alegre partilha de um apartamento. São todos muito felizes e quero retribuir a alegria que me dão ajudando um vosso gatinho. Escolho um apadrinhamento por seis meses, pois tenho esperança de que o Girassol seja adoptado entretanto, mas estarei atenta e findo o prazo tenciono renovar o apadrinhamento, ao Girassol ou a outro dos vossos deliciosos gatinhos.
Em anexo junto a ficha e o comprovativo do pagamento dos primeiros seis meses.
Faço votos para que as vossas campanhas encontrem a sensibilização que merecem e vou desde já contribuir para a sua divulgação.

Felicitando-vos novamente pelo vosso trabalho e pelo esforço na dignificação da vida dos nossos amigos animais , com os melhores cumprimentos,


Duas semanas depois, e com dois emails enviados sem resposta, vi-me obrigada a enviar o email abaixo:


Exmos Senhores,
Julgo não ser necessário explicar a pobre impressão que o vosso silêncio me está a causar.
Não lamento de modo nenhum a contribuição enviada, mas interrogo-me de facto se a minha impressão sobre a vossa instituição não estaria sobreavaliada. Receio bem que sim.
Considero inaceitável a total indiferença com que tratam um donativo e espero que o tempo que não é empregue a responder a um email (o que é uma regra básica da cortesia) seja empregue a zelar pelo interesse dos animais. Infelizmente não o creio, pois a vossa inércia em nada ajuda a vontade que outras pessoas como eu possam ter em ajudar a vossa instituição.
Agradeço que me seja dada uma resposta imediata, e que seja actualizado o site onde o gatinho Girassol continua sem madrinha, o que não é verdade desde há duas semanas.


Se há coisa que me aborrece é que não me respondam quando interpelo legitimamente alguém. Só queria mesmo que me confirmassem a recepção e o tempo que demoraria o processo de apadrinhamento. Além do mais, é para mim inadmissível que uma organização que vive de donativos esnobe quem lhe estende a mão. Não pretendo uma estátua, como é óbvio, mas entendo que um 'obrigado' se impunha. Não para me sentir mecenas, mas para sentir que o meu gesto fez alguma diferença. Aparentemente, não.

Mas, como me estou francamente nas tintas para o staff da União Zoófila e a sua má criação, e estou mesmo é preocupada com os animais que lá estão, apresento-vos o Girassol, o meu afilhado, quer a UZ queira, quer não.


O Girassol foi deixado abandonado numa casa (em conjunto com mais 7 gatos)!
É um gatinho que foi muito mal tratado e por isso é muito tímido e medroso...

Na ficha não consta a sua idade, mas está bem de saúde, já esterilizado, e vive na UZ há onze meses.

Seria um tiro no escuro conseguir que alguém se interessasse por este simpático gatinho, assim como pelos inúmeros companheiros que aguardam dono no gatil da UZ, mas eu tenho esperança. Já conto com dois casos de sucesso entre os apelos divulgados aqui, o que é uma taxa de sucesso de 100%. Espero que esta média se mantenha, e que o caso do Girassol acabe como o da minha querida Matilde, que recolhi da rua, e do Faísca, que não sendo meu também encontrou uma dona supimpa através de um post aqui colocado. Por isso, why not?

A minha ideia inicial era desafiar quem pudesse a apadrinhar um bichinho da UZ, num post recheado de romantismo. Perdi a minha inocência, e a UZ perdeu uma boa oportunidade. É o que acontece a quem não tem cházinho.

Mas os gatos e cães que lá moram não têm culpa e continuam a precisar da ajuda de todos. Provavelmente, daqui a seis meses estarei a apadrinhar outro animal. É a intenção que conta. Faço o que posso...agora é entre mim e os animais. A UZ é só um meio de transporte. Um autocarro muito cheio, de janelas fechadas e com um motorista muito mal educado, mas o único que há, por ora, para chegar ao Girassol.

Obrigada a quem puder ajudar.