quinta-feira, 31 de julho de 2008

De rouxinol a passaroco do inferno

‘O Rouxinol e a Rosa’, de Oscar Wilde, é um conto delicioso. Lembro-me de o ter lido pela primeira vez sentada no parapeito da janela da casa onde a minha mãe e os meus tios nasceram, no coração da Serra da Estrela, com as pernas a balouçar no vazio e a serra verdejante em redor. Lembro-me de ler as últimas linhas com as lágrimas já a correr, pois se hoje sou muito maricas, na altura, ainda cheia dos romantismos e ilusões dos verdes anos, era dez vezes pior. Refinei-me. A minha sensibilidade agora é diferente. Tive a prova disso há pouco...
Apeteceu-me – misteriosos são os desígnios da falta de pachorra para análises de tesouraria– reler o conto. Fui à net...

É certo que o ambiente de leitura foi outro, que a concentração foi diferente, e que a tradução que encontrei não é das melhores e não tem nada a ver com a pungência do original em inglês, mas, seja como for, não chorei. Fiquei contemplativa, mas não chorei. Nem uma lagriminha se assomou aos meus massacrados olhinhos castanhos. E no entanto, o crescendo dramático, não se alterou. A triste ironia do final também não. Pensei...pensei...pensei....o que mudou?

Mudou a minha simpatia pelo Rouxinol. Ora vejam:

"Se queres uma rosa vermelha", disse a Roseira, "tens de criá-la com tua música ao luar, e tingi-Ia com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim apertando o peito contra um espinho. A noite inteira tens de cantar para mim, até que o espinho perfure teu coração e teu sangue penetre em minhas veias, e se torne meu.""A Morte é um preço alto a pagar por uma rosa vermelha", exclamou o Rouxinol, "e todos dão muito valor à Vida. É agradável, no bosque verdejante, ver o Sol em sua carruagem de ouro, e a Lua em sua carruagem de madrepérola. Doce é o perfume do pilriteiro, e as belas são as campânulas que se escondem no vale, e as urzes que florescem no morro. Porém o Amor é melhor que a Vida, e o que é o coração de um pássaro comparado com o coração de um homem?"

Quando li pela primeira vez, achei o sacrifício do Rouxinol o sublime acto de abnegação. Não se podia ser melhor do que isto. Morrer para conseguir obter uma rosa vermelha para o rapaz levar a sua prometida ao baile. O Rouxinol era um valente, que se sacrificou por um objectivo maior, que nem sequer era seu. ‘Meu Deus!’, pensei, - ‘como o Rouxinol é maravilhoso. Quando for grande quero ser nobre como este Rouxinol’. Isto num exagero lírico da adolescência, como é evidente. Mas também num triste prognóstico de dias menos bons que se avizinhariam. Dias em que já não pensava há muito. Flashbacks descompassados, que nos tomam de assalto o espírito num despropositado imprevisto.

Hoje reli o conto e achei o Rouxinol... um atrasado mental. Na verdade, apeteceu-me espancá-lo. Como se atreveu a considerar-se menos importante do que um estúpido rapaz que acabou por deitar fora a rosa de sangue, sem um pensamento para o pássaro sem vida a seus pés? Como se atreveu a privar a floresta do seu canto e alegria por tão miserável paga? Porque foste tão parvo, pobre infeliz?!

Isto deixou-me, primeiro, triste. O desperdício complica-me com os nervos. Depois, fiquei zangada, pois realizei que ainda existem demasiados rouxinóis neste mundo, a deixarem o seu trinado morrer, por um punhado de migalhas ou menos. E isso, enfureceu-me!

Rouxinol, no more! Sacrificaria o suave trinado pelo grito rouco da hárpia, e o delicado esvoaçar por um par de asas potentes com que espanejaria com fúria todas criaturas oportunistas deste mundo. Usaria as minhas garras afiadas para lhes deixar o peito indelevelmente marcado, em sinal de respeito pelos espinhos cravados no coração de todos os rouxinóis do mundo!

Oportunistas, egoistas, parasitas e demais corja mundana, passai ao largo!... E se ouvirdes um espanejar repentino, abrigai-vos. Que o passaroco do inferno (já) não faz prisioneiros!

(perdoem o desabafo, ando um bocado agastada por estes dias...)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Irmandade da 'Sonsice'...



'Ainda bem que chegaste, dona! Estavamos sossegaditos e, de repente, o caixote ganhou vida e o lixo espalhou-se na tua cozinha...a sério, foi horrível! Não sabemos de todo o que aconteceu...'

Ainda bem que eu disse que eles se andavam a portar bem...reparem no ar crápula de Sasha Margarida, a fingir que esteve sempre debaixo da mesa. E no ar de reprovação de Gato Gil, a observar a cena do alto do fogão 'epá, estes gajos são sempre a mesma coisa'.

E na tampa do filtro da máquina de lavar, que fizeram o favor de voltar a arrancar. Muito bom...


Mas que grande cabra eu devo ter sido na minha vida anterior!...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Estava tão bem aqui...

Voltei do almoço no japonês com uma moleza indescritível. Nem as toneladas de wasabi que distraídamente dissolvi no molho de soja me despertaram do torpor mental em que me encontro há uns dias. Contas feitas, por alto, há prá uns 2.190, tantos quantos os de trabalho efectivo aqui.
...E estou frustradíssima: nenhuma das minhas ‘anoréticas’ amigas quis sobremesa...Ficou-me o brownie com gelado de gengibre atravessado.
Resisti (à força, ok...) ao pecado mortal da gula, o que significa que posso indulgentemente dedicar-me ao pecado mortal da preguiça. Ao da luxúria, acreditem, é fácil resistir por estas bandas!

E, declaradamente, não me apetece fazer nenhum...
Uma rede macia (nada daqueles hammacks horríveis que nos deixam o rabo aos losangos), uma sombra, um livro e uma brisa suave. Eis a minha definição de paraíso, neste preciso momento. Bom, um escravo para me trazer um batido de manga também não calhava mal...E uma banhoca num mar turquesa...com peixinhos coloridos a mordiscarem-me os pés...e depois, assistir ao por do sol a beberricar um ‘Kir Royal’, com um nocturno de Chopin em fundo...

Mas também ficava contente se fosse só para casa.
Em suma: TIREM-ME DAQUI!!!!!!

Foto sacada daqui

segunda-feira, 28 de julho de 2008

E o primeiro já cá canta!!!


Dado que a minha bicheza se anda a portar extremamente bem, e não me tem dado material para post, vejo-me obrigada a falar de futebol.

Eu não queria, até porque tenho recebido várias ameaças à minha integridade física, mas tenho de deixar aqui a referência a mais um estrondoso triunfo do Sporting no Torneio do Guadiana.


Sei que não vou chatear os amigos benfiquistas até porque, provavelmente, o Luís Filipe Vieira também não queria mesmo este troféu... ;)

domingo, 27 de julho de 2008

Momento...


Ela desceu as escadas que ligam o El Corte Inglês ao Metro. Caminhando apressada, do alto do seu sapato fuschia, só deu pela presença dele quando o homem se pôs a seu lado.
- 'Posso fazer-lhe uma pergunta?' - disse, com voz suave.
Ela, acreditando que ele quereria um esclarecimento, parou em expectativa, estabelecendo contacto visual pela primeira vez. Não lhe desagradou. Impecavelmente vestido, de fato escuro, cabelo castanho claro, onde se adivinhavam ondas revoltas no corte não muito curto, e olhos claros.
- 'Pode...'
- 'Seria muita ousadia convidá-la para jantar comigo esta noite?'
O choque...
A incredulidade...'what the hell is this?'
A prudência...essa cabra!
- 'Seria de facto ousadia...agradeço, mas não vai ser possível'
Sorri, abanando a cabeça, e passa a cancela.
Do outro lado, o homem não desarma.
- 'Fique com o meu número de telefone, pelo menos...'
Ela volta-se, mas recusa...
- 'Fica para a próxima', diz desajeitadamente.
Vê-o afastar-se, pelo canto do olho.
Desce as escadas que conduzem até à plataforma vazia. Uma composição acabara de passar. Senta-se, resignada. Ouve passos apressados que se aproximam, mas não liga. Toda a gente caminha depressa no metro. Olha para a linha, ainda incrédula pela cena vivida. 'Isto só comigo!', pensa divertida.
Os passos estacam à sua frente. Quando dá por isso, o desconhecido está sentado a seu lado. Ela fica mais nervosa.
- 'Você é muito bonita', diz ele
- 'Obrigada', diz ela, visivelmente pouco à vontade, e absolutamente convicta de estar numa cena para apanhados, ou no meio de uma aposta de machos.
- 'Vi-a passar no ECI e tive de segui-la...'
- 'hum, hum...pois claro', balbucia, sem graça nenhuma
- 'Fique com o meu número...', insiste o homem
Ela finge irritar-se, desconfortável com os olhos verde água pousados nos seus.
- 'Costuma abordar muitas pessoas desta maneira?', lança ela, em deslavado contra-ataque.
- 'Não. É a primeira vez. Mas não podia deixar passar a oportunidade. ´Tive medo de não a voltar a ver...'
- 'Ora, esta cidade é ridiculamente pequena...', lança desdenhosa, num crescendo de confiança.
- 'Porque é que não fica com o meu número? Só lhe peço isso...'
- 'Obrigada, mas não', diz ela, teimosa
Os olhos verdes contraem-se.
- 'É comprometida?'
- 'Sou.', mente ela, com todos os dentes
- 'Ah...há muito tempo? é sério?'
Ela olha-o, com uma indignação que não sente.
-'Sim'.
-'Não há qualquer hipótese de ficar com o meu número?'
-'Não.'
A palavra de não retorno. Mas já a proferiu. O metro aproxima-se. Ela levanta-se.
Ele imita-a. Ficam de novo frente a frente.
Aqueles olhos verdes...
- 'Lamento tê-la incomodado.', diz ele
- 'Não me incomodou', diz ela, menos segura de si, quase apologética.
Caminha, sem vontade, para a carruagem de boca escancarada que aguarda os passageiros. Entra. Não se volta. Mantém os olhos fixos no chão sujo, pejado de papéis e jornais já lidos.Treme, e não sabe porquê. Quase deixa passar a estação...
Sai. Caminha devagar, a convencer-se de que o misterioso desconhecido subiu numa carruagem e a seguiu. 'Desta vez, aceito o número', pensa ela.
Sobe para a rua. Uma brisa de Maio fustiga-lhe o rosto. Aconchega o fato verde garrafa. Aperta a mala fuschia, onde acaba de guardar o passe. Aproveita para fazer uma pausa na marcha. Vira-se, certa de encontrar os olhos verdes. Mas do desconhecido, nem sinal. Ele não a seguiu...
Anos depois, ela recorda-se de tudo. Da roupa que tinha, dos brincos e do fio, do anel, do perfume que pusera nessa manhã. Recorda-se da cor do tubo de óleo que comprara no Corte Inglês. Recorda a voz. E os olhos verdes. Sorri, sempre que passa a cancela no metro do Corte Inglês. E quase ouve a pergunta que ninguém lhe fará dessa vez.
Conformou-se, mas não esquece.
Mas prefere pensar que era um doidinho, ou um infeliz apostado em conseguir mais um troféu de caça. Prefere imaginar que era um louco assassino, e que aceitar o número a teria levado a uma espiral de torturas inomináveis em que o futuro mais risonho seria acabar esquartejada, como comida para os nojentos peixes que pululam nas saídas de esgotos do Tejo.
Prefere tecer mil cenários absurdos e macabros.
A ideia de ter dado um pontapé no destino ser-lhe-ia insuportável.
Nota do autor: Esta é uma história real. Terão decerto reconhecido a incrivelmente imbecil protagonista...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sê-lo ou parecê-lo?

Foto
Dias antes de partir para a Tunísia, uma das minhas colegas da pintura - senhora bem posta e de consideráveis recursos - recomendou-me que fosse ao Souk 'deitar o olho' às imitações de carteiras de griffe, porque conseguiria arranjar uma Louis Vuitton por 50€. Sorri, agradeci, e esqueci!
Já na Tunísia, e estranhando com certeza a minha serena contemplação de turistas histéricas a arengar com os nativos para obter tão cobiçado artigo, um outro colega viajante questionou-me: 'então, não levas uma malinha?' 'Não'. 'Não????'. 'Não'. Tive de explicar-lhe porquê para ele tirar aquele ar de espanto do semblante asenino. Disse-lhe mais ou menos isto:
a) não preciso
b) sou contra as contrafacções
c) não gosto de parecer o que não sou e fazer figuras tristes com malinha Louis Vuitton e 'xanatas' da Seaside.
Isto arrumou o assunto na altura. Mas agora que uma conversa de almoço me fez pensar nisto, apetece-me acrescentar mais qualquer coisa.
Que fique bem claro que não tenho nada contra quem compra griffe fora do circuito normal. São opções e não pretendo fazer julgamentos de valor. Aliás, em tempos (muito) idos, eu também comprei alguns relógios Cartier e Hermès a preço de amigo e mais pela originalidade dos modelos, do que propriamente pelo logotipo apenso nos mesmos. Mas hoje em dia, evito. Não é por nada, só que não tem a ver comigo. E acho que não faz sentido uma pessoa ostentar um artigo que é, manifestamente, de luxo, quando não se tem sustentação para tal. Ou se tem argumentos (também designado por valente guito) para ostentar artigos de luxo, ou não faz sentido. Numa vida absolutamente banal e, fisicamente exigente, nem desculpa tenho para a ostentação . Vejo-me mal, por exemplo, num vestido DKNY branco, ensanduichada no metro. Ou a passear Sasha Margarida do alto de uns Manolo Blahnik. Ou encorajar os gatinhos a virem receber-me com turrinhas de encontro às calças do meu tailleur Prada. Não mixa, lá está.
Portanto, não gasto (montanhas de) dinheiro em marcas. Nem em contrafacções, senão a hipocrisia seria imensa. Não é que não goste de andar arranjada, ou que não seja vaidosa, mas sempre acreditei que não é a roupa que se tem, mas sim como se veste a roupa que se tem que determina a elegância. Anda por aí muita 'peruada' Chanel que não chega aos calcanhares de uma comum mortal da Zara. É uma questão de atitude também, mas sobretudo uma questão de prioridades. Há quem tenha crescido no meio do luxo e das marcas e ache normal dar 3.000€ por uma mala. Nada a opor, é a realidade dessas pessoas. Respeito e não invejo; ainda bem que o podem fazer. Há quem tenha uma sede de protagonismo, geralmente aliada a parcos recursos intelectuais, e invista na ostentação para conseguir uns jantares à borla e uns amigos coloridos com cartões de crédito dourados. É lá com elas. Há quem genuinamente goste de moda e retire real prazer de um closet cheio de roupa design . Essas aplaudo, porque pretendem agradar apenas a si mesmas, e assumem-no. E, ainda que esta sua prioridade para mim não faça grande sentido - porque tenho outras, e não porque seja a dona da verdade - respeito-a. Mas a mim, pessoalmente, um closet de griffe não me diz absolutamente nada. Não ligo nenhuma. Tenho uns padrões mínimos de qualidade, mas tirando isso, não sofro de 'etiquetofobia'. Se eu poderia comprar uma malinha Louis Vuitton ali em frente na Fashion Clinic? Claro que sim. Mas prefiro ir ao Perú para o ano...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Interlúdio para evolução cultural

Já domino a parte de receber os comentários dos postes da malta no email. Mas ouvi dizer que há forma de saber quando os meus 'habituais' têm poste novo (por favor, poupem-me os previsíveis comentários que a minha infeliz escolha de palavras poderia propiciar. Sim, Rafeiro, é contigo mesmo... ;)). Alguém me poderia fazer o obséquio de explicar como? É que me poupava o percorrer da lista...
Eu sei que deve ser extraordinariamente fácil mas, como é do conhecimento geral, o meu QI está a reduzir-se a olhos vistos por exposição permanente a níveis de imbecilidade elevada. Já me tinha acontecido quando namorei com um dos débeis mentais mas, e como esse durou só cinco meses, o estrago foi pequeno. Isto no trabalho já se arrasta há anos...temo o pior!
Qualquer dia passo de 'génio' a apenas 'acima da média'. Safa, que a decadência é uma coisa muito triste....

Interlúdio estéril

Estou aborrecida como um coelho morto há três meses...

Somebody shoot me, please!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Prazer culpado...


Boris, exploring...

A Ka desafiou-me a indicar dez coisas que faço com grande prazer mas que me deixam com um sentimento de culpa... Era mais simples se fossem coisas que me dariam extremo prazer e que me sinto culpada por não fazer, mas andaria tudo à volta de espancar pessoas cuja existência me irrita pelo que seria um pouco repetitivo. Assim sendo, deixo-vos com os meus pecadinhos inocentes...o 'dark side' fica para outro dia, sim?

1) Bloggar, enviar emails, fazer desenhos ou estar no mundo da lua durante o expediente. Não trago o ponto de cruz porque dava mais nas vistas...Sinto-me muito culpada, mas é um balão de oxigénio ao qual tenho de recorrer diariamente. Senão não se aguenta... é que aqui não se passa nada. Eu gosto de trabalhar quando vejo um propósito na coisa...tem sido difícil motivar-me por estes dias. Devia ter ido para veterinária, é o que é!


2) Viajar e deixar os bébés gordos em casa. Mata-me. Mas não posso viajar com três gatos e dois cães...e está fora de questão deixar de viajar...mas dou-lhes muitos beijinhos quando volto!

3) Comer bolachas de chocolate como se não houvesse amanhã. Sinto-me mal pelas minhas coxas e rabo...mas como eles não falam...azar! Ka, hesitei entre as bolachas e a cerveja, mas é verdade que como mais bolachas do que bebo cerveja. Ainda bem, quando não era lindo, era! Mas às vezes marcham as duas ao mesmo tempo ;)

4) Não fazer absolutamente nada. A espaços, sabe muito bem. Mas depois é uma chatice passar três máquinas de roupa em vez de só uma!

5) Assistir a uma vitória do Sporting sobre o Benfica e depois passar em frente ao café com a minha camisola verde e branca e o meu cachecol maravilhoso e saudar os benfiquistas que por ali estão com um ‘boa noite’ e um sorriso muito inocente. Não se faz...mas que me dá um gozo brutal, lá isso...

6) Escrever. Dêem-me uma caneta (permanente, ou pelo menos de ponta de feltro, que os bolígrafos irritam-me) ou um teclado e fico feliz. Mas sinto-me culpada porque escrevo demais e os inocentes que lêem um recado meu levam com três kgs de informação inútil antes de perceberem a finalidade da coisa.


7) Gozar com a minha irmã, relembrando episódios infelizes da sua infância, como quando o papagaio lhe bicou a cabeça, ou quando foi atacada por um bando de gansos em fúria. Ela e a passarada não mixam... Ela afina, e eu mato-me a rir. Mas, de facto, não se faz. É feio gozar com as pessoas... então e como é que era a canção do ‘Gato Gil’, irmãzinha? Ha ha aahah ah ha aha a

8) Isolar-me no meu cantinho e não convidar ninguém a juntar-se a mim. Não sei se me devo sentir culpada, porque é uma necessidade vital, mas acabo sempre por sentir que se calhar aquela pessoa que queria ir beber café precisava de mim ou que a chamada que não atendi era de alguém que precisava desabafar ao telefone. Epá, mas há dias em que não consigo chegar para tudo... e se eu vou abaixo, depois não posso confortar ninguém. Às vezes temos de saber dizer 'não' e ser egoistas. Custa, mas a longo prazo é melhor para todos.



9) Ouvir música alto e cantar mais alto ainda. Sinto-me culpada porque o Boris não gosta de barulho e passa-se com a gritaria do ‘Perdere L’amore’ da Lara Fabian. Deveria sentir-me culpada por poder incomodar os vizinhos, mas na verdade...não. Que caiam mortos no chão, a ver se eu me ralo. Sim, sim, gosto muito deles.



10) Responder a desafios. Acho um piadão, mas tenho tanta pena de quem tem de levar com as minhas respostas em dias de grotesco nível de debilidade mental, como têm sido os últimos... ;)

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Tenho vários hoje:
1) É dia de São Atrasado Mental ao volante. Com a minha sorte, os santinhos estavam todos na minha paróquia esta manhã! Que nervos!!!! Epá, amigo motard com a loura pendurada, as motas ou ultrapassam ou vão para a direita. Não estão ali de passeio no meio da estrada a obrigar-me a travar a cada 10 m. Estúpido do caraças!
2) Estou com a monumental rabuja (não, a sério?!). O ponto alto da minha manhã foi tentar marcar uma consulta médica que apanhasse o meu horário laboral. Consegui, mas só amanhã e só para o fim da tarde. E só vou sair hora e vinte mais cedo. Estúpido médico! Estou a ver outras especialidades que tenham consultas por volta das 15h, para ver se vou almoçar e não volto. Cheguei à conclusão que não suporto oito horas disto...Não dá... Enchi, pronto!
3) Este é mais sério: a minha irmã tem 2 bilhetes para vender para o Festival do Sudoeste porque afinal n pode ir. Custaram €75, para os 4 dias, mas ela faz um desconto e vende por €60. Os interessados podem chegar-se à frente, estou oficialmente nomeada dealer da coisa. Isto porque, enquanto eu estou aqui fechada, a reduzir dramaticamente o QI com a exposição constante à imbecilidade, a monstra está na praia e põe-me a trabalhar para ela.
Pronto, não tenho mais anúncios por ora...Voltarei à linha se decidir implodir o escritório. ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH