sexta-feira, 18 de julho de 2008

'comé que é?'

Então o Luís Filipe Vieira agora vem dizer que afinal não queria ir à Champions, ainda que o FC Porto tivesse sido castigado? Diz ele que o Benfica não quer ganhar fora do campo...
Right...a gente acredita.
Aliás, qualquer pessoa que tenha assistido ao acérrimo apresentar de requerimentos à UEFA e debate presencial dos mesmos, percebeu logo que não havia qualquer intenção de 'lucro'. Claro que não. Agora só falta o Guimarães vir dizer o mesmo para o circo ficar completo.
Esta malta não tem noção...
Amigos benfiquistas, o meu abraço solidário, que com uma Direcção destas a vossa dor deve ser imensa. Força, pá!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O luar na moleirinha nunca deu grande resultado...


Fiquei a pensar numa conversa que tive hoje, e num post que li. Os dois juntos tiveram o pernicioso efeito de me por a pensar nas coisas do coração. Dá sempre mau resultado, e o facto de ter trazido o PC para a varanda, e estar a escrever enquanto a lua banha o mar de prata, e uma suave brisa me refresca, não vai ajudar...


Já aqui falei algumas vezes da paixão como elemento vital ao funcionamento em pleno do ser humano. Uma criatura que viva sem paixão é, manifestamente, uma pessoa menos feliz do que poderia ser. Parece-me lógico e indiscutível. Na altura não falava apenas da paixão amorosa, lasciva, insidiosa, que nos absorve todos os sentidos e nos leva a um estado próximo do Nirvana (dizem, não sei nada dessas coisas ;)), em que o mundo à volta não interessa nada, e probleminhas do quotidiano, que habitualmente nos levariam aos arames e nos fariam arrancar os cabelos em furiosos puxões, nos parecem coisas de somenos importância. (Por isso, amigo R, para responder à tua pergunta retórica: sim, deixar bater o coração ajuda ( e muito ) a tornar mais fáceis as coisas do dia a dia. Inspira-nos, ficamos mais criativos, mais cheios de 'ganas de viver'. Por isso, se o sentes bater, homem, deixa-o ir. É o meu conselho avisado). Nessa altura falava de outras paixões mais terrenas como o trabalho (quando se tem a sorte de fazer o que verdadeiramente se ama), um hobby, uma causa...porque são paixões mais fáceis de descrever, mais fáceis de assumir e muito mais fáceis de encontrar. A sua reciprocidade é dispensável, porquanto não lhes exigimos demonstrações. Geralmente não mudam com o vento, sem dizer água vai, e tendem a acompanhar-nos para a vida. São paixões mais práticas porque nos alimentamos delas sozinhos. Os alvos da nossa paixão não têm forçosamente de corresponder. Basta existirem para nos dar prazer. Os animais, os livros, a música, os selos, whatever!... Mas hoje, é mesmo da outra Paixão de que me apetece falar. Da que envolve reciprocidade. Ou do Amor, termo que prefiro, por ser menos louco e mais sereno e de alguma forma mais imutável e autêntico. E muito pouca gente fala disso, talvez por ter medo de tocar na 'grande ferida'. Eu, que sou emocionalmente masoquista, não tenho. Estou-me nas tintas para a ferida. Hoje, estou-me nas tintas. As feridas não desaparecem por não se tocar nelas, certo? Até podem fazer menos comichão, mas é só passar de raspão e sem querer tocar na crosta, que logo uma pontinha de sangue reaparece. Certo? Certo. Pelo menos comigo. Assumo, com naturalidade. Mas tenho vários amores. Um deles está ao meu colo, os outros deitados a meus pés, as tintas e os pinceis no estúdio, os livros na estante, a natureza à minha volta, a música está na cabeça, que a esta hora já não dá para ouvir...and so on and so on. Tudo isto me ajuda a viver o dia a dia - e bem, pois estou alegre e feliz a maior parte do tempo - enquanto espero por algo verdadeiramente extraordinário. Extraordinário à minha escala, entenda-se. Nada de fantasiosos príncipes a cavalo num puro sangue árabe, nem de Brad Pitts, lindos de morrer. Não cuspiria na sopa, entenda-se! mas o verdadeiramente extraordinário é, apenas e só, o extraordinariamente simples. A básica, descomplicada, não interrogativa e extremamente sincera simplicidade. Alcançar isso, e não termos de questionar motivações, ou se somos suficientemente giras, ou suficientemente espertas ou suficientemente whatever it takes e se quem está do outro lado é suficientemente honesto ou não. Isso seria o verdadeiramente extraordinário. Mas, e isto é para ti, A., se não existir o verdadeiramente extraordinário também está tudo bem. Se nunca vier... epá, temos pena, pois temos ( e muita) mas estamos cá a sorrir na mesma. Por mais injusto que achemos o facto da nossa relva não ser tão verde quanto poderia ou deveria ser, não vale a pena deixarmo-nos secar por dentro. Porque, afinal, nós também somos extraordinários. Mesmo a solo. Ok? Para provar isso mesmo, quando acabar de escrever estas coisitas, vou recostar-me na cadeira e gozar o momento. Porque é para isso que cá estamos. Independentemente de quem nos possa acompanhar num banho de estrelas, ou que deite duas ou três lágrimazitas connosco a ver um filme lamechento. Carpe Diem, moça. Que o dia é nosso, em primeiro lugar!

Beijos para todos quantos esperam algo de extraordinário. E, para quem já o alcançou, beijos a dobrar, por nos inspirarem para continuar a sorrir enquanto esperamos por dias melhores.

Mais um desafio...

A Carracinha propôs-me este...

1) Preferes manhã, tarde ou noite?
O crepúsculo de verão, quando regresso a casa a conduzir com os vidros abertos e a música em decibeis proibitivos...ou quando estou de férias. O fim da tarde é sempre o período de acalmia e relaxamento...
2) Uma pessoa do mundo dos famosos que gostes?
Há muitas que admiro. Para gostar só conhecendo a fundo. Admiro imenso o Al Pacino, que é um senhor actor. O Viggo Mortensen, que é um artista completo e também pinta, canta, e escreve poesia (e é lindo de morrer, claro). O Michel Platini, que idolatrava em miúda em França e que partilha da minha opinião de que o FCP devia ser castigado e não participar na Champions este ano. Amigos portistas, digo isto com todo o respeito. Não quero chatear ninguém...
Bom, e muitos outros que agora não me ocorrem...
Desenvolvi recentemente um carinho grande pelo Seal, desde que ele chorou na Oprah. Gajo que chore ao pé de mim dá-me a volta num instantinho...
3) Da tua roupa toda, qual a peça preferida?
Um vestido de verão branco, sem costas, que já está a dever anos à reforma mas que não consigo deixar de vestir...enquanto couber lá dentro, claro. Não posso é trazer para o trabalho que a população masculina não aguentava o choque.
4) Do ano 2008 qual foi a prenda que mais gostaste de receber?
Até agora a prenda que dei a mim mesma: a minha viagem à Tunísia. A outra deixo ao critério do simpático(a) leitor(a) que ma quiser oferecer. Ainda têm seis meses... e tenho uma lista, se quiserem... ;)
5) Se tiveres um filho qual é o nome que lhe vais dar?
Bom...respondamos no campo absolutamente teórico, que pelo andar da carruagem é melhor não suster a respiração. Dependeria também do acordo do pai (era simpático, certo?) mas Miguel se fosse um rapaz. Acho que é o único nome de que gosto mesmo para menino. Eventualmente David, mas ia chamá-lo à inglesa 'Deivid'. E gosto de John. Não João, John, mesmo. E Luka. Esquece lá isso em Portugal!
Para as meninas, também me limita um bocado o arcaico sistema de registo dos serviços de identificação, porquanto eu gostava de ter uma menina de cabelo preto e olho azul (preciosismo), chamada Anaïs, e obviamente que isso cá derivaria para Ana Luisa ou Ana Cristina ou outra adaptação parva qualquer (acredita, que eu e a minha irmã sofremos isso na pele até hoje). Senão, na eventualidade de procriar, e por terras lusas, gosto de Catarina e Beatriz. Mas são nomes muito normais. Gosto mais de nomes mais exóticos, mais rebuscados... geralmente, estrangeiros. E gosto da liberdade que existe nos Estados Unidos e Reino Unido e França, etc etc, de darmos o nome que entendermos, seja ele estrangeirismo ou não, e não termos de nos cingir a uma estúpida lista de nomes formalmente aceites pelos serviços centrais. ARGH! E se eu quisesse chamar Sunday Rose à minha filha, como fez a Nicole Kidman? Em que é que isso é pior do que Albina da Purificação, por exemplo?
Não se percebem certas coisas...
6) Que vestes neste momento?
(esta pergunta é um bocado estranha, não? Quem inventou o desafio teve de acabar à pressa, foi? chiça...;)) à data da resposta do desafio, ou seja, há mais ou menos uma semana, farpela de trabalho...um casual mais elaborado. Corsário de linho e blusinha pipi com acessórios discretos e os meus saltos de 10 cm. Hoje acordei rebelde e vim trabalhar de vestido, para grande contentamento de alguns. Estou de verde tília, com riscas castanhas e beiges. Ou o vestido é beige e tem riscas castanhas e verde tília. Bom, é por aí. Sapato de cunha verde seco com mala da mesma cor. Brincos verde lima e anel verde seco. Unhas pintadas de uma cor infeliz (nota mental: não beber antes de pintar as unhas). Detalhes sobre a lingerie...só sob consulta. Chega?
Pronto...prova superada! ;)

terça-feira, 15 de julho de 2008

O quinto elemento...

Não, não, não é a Mila Jojovich e a sua boquinha melosa que aí vem...

É mesmo o Yurie Manuel, o cão do Inferno que me acompanha há 14 anos (9 deles à distância, com a Graça do Senhor. Mãezinha querida, desculpa...).

A Carracinha estava particularmente curiosa por conhecê-lo e aqui está, numa pose altamente inspiradora, devidamente adereçado, no tempo em que ainda conseguíamos brincar com ele sem ficar com três dedos furados. Esses tempos acabaram, e Yurie Manuel tornou-se num cão patológico. A patologia dele é essencialmente a nível cerebral e não apresenta sinais de melhoras. O cão é louco. Não sei como melhor explicar a questão. Por outras palavras, passa-se. Quando isso acontece, inevitavelmente uma de nós vai buscar o estojo de primeiros socorros. Em situações mais graves, uma de nós conduz a outra ao hospital. Já me aconteceu a mim, à minha mãe e a mana tem-se safado porque não se mete com ele quando o caldo entorna. Rapariga esperta.
Este cão já nos manteve reféns na cozinha, por exemplo. Foi há anos... ficámos 'presas' entre ele o seu saco de compras, e não havia maneira de o acalmar. A solução, e isto é real, foi criar uma manobra de diversão: a minha irmã teve de sair do banho para fingir que estava a tocar à campainha e assim o fazer virar só o tempo de se pegar no maldito saco. Só que não resultou. E a mana, como na altura era jóve e não pensava, saiu mesmo, e fechou a porta. Ficou presa no patamar, em toalha de banho, e nós continuávamos na cozinha. Para além do chinfrim do cão a rosnar como um condenado, tinha a mana a tocar desenfreadamente à campainha com medo que alguém a apanhasse na escada naqueles preparos. Este circo durou uns 20 minutos, até que eu, a parva de serviço permanente, tive de tomar uma atitude. Peguei numa toalha de mesa, que coloquei entre mim e ele (uma protecção e peras!) e fui passando devagarinho, devagarinho, contornando o saco de compras...estava quase a conseguir, até que ele percebeu e me ferrou o pé. 11 Kgs de fúria cega a morder-me o pé repetidamente. Mas pronto, pelo menos assim a minha mãe conseguiu sacar o saco na confusão, e a coisa resolveu-se. Fui abrir a porta à mana ao pé coxinho, ainda tive de ouvir porque tinha demorado muito tempo (!), puseram-me betadine e um penso, coxeei durante uma semana, e nunca mais pousei um saco de compras perto do Yurie.
Agora está velho e ceguinho, coitado. E deve ter mais não sei quantas doenças, mas já não o posso levar ao veterinário porque se passa assim que cheira o hall do consultório. E desata a morder tudo á volta. Da última vez que lá fui, por causa da sua oclusão intestinal (provavelmente o pior serão da minha vida, tirando alguns que passei com algum dos meus 'ex's débeis mentais), estivemos quatro envolvidos no processo de lhe colocar um açaime. Não foi bonito. A vet diz que não vale a pena expo-lo aquele stress, e agora consulta-o à distância quando é preciso. Ainda assim, não conseguimos tomar uma atitude definitiva. É daquele 'amor' bizarro, que não se explica. O cão é uma praga, mas a gente gosta dele na mesma... Até se tornar demasiado penoso para ele, nós aguentamos. They call it love...

domingo, 13 de julho de 2008

Porque não te mudas para Lisboa?...

É a pergunta que me faz toda a gente com quem comento o meu périplo diário de 40km para chegar ao emprego e toda a logística subjacente.
Como já faço o trajecto desde os tempos de faculdade, ou seja, há 18 anos ( caramba, até engoli em seco...) já me parece absolutamente banal. Cansativo, mas banal. Nada de especial. E, apesar de ser obviamente mais prático morar em Lisboa, também é muito mais caro. Ainda fui ver uns apartamentos, mas fiquei traumatizada com o que me descreveram como sendo um duplex na Avenida da Igreja e que não era mais do que T1 horroroso, escuro como breu, velho, feio, com umas escadas para uma casa de banho de azulejos indescritíveis, e que nem banheira tinha. E por aquela coisa pediram-me na altura 15 mil contos. 15 mil contos por um pardeeiro, só porque ficava na Av. da Igreja. Só para informação adicional, não ficava. Era perto, mas não era lá! Uns brincalhões os senhores da imobiliária.
Além disso eu sou mocinha que precisa de espaço. E, como não era rica na altura (e continuo a não ser, lamento desapontar todos os interessados no meu hipotético dote), era (e continua a ser) manifestamente impossível comprar um mínimo de 100m2 em Lisboa. Esqueçam, não se consegue, e nem vale a pena pensar nisso! E além disso, e o que é ainda mais importante: não gosto de Lisboa. Não é que ache feia, mas não tenho afinidade nenhuma com o raio da cidade. É muita gente, muito carro, muito barulho...epá, não tenho paciência. Não gosto, pronto. Seria capaz de lá viver, mas teria de ter o meu refúgio de fim de semana no campo. Ou dava em doida. Portanto, para viver em Lisboa, teria de ter duas casas. Right...

Assim, preferi investir onde o mar encontra a serra, e os passarinhos cantam pela manhã. E, por muito pouco mais do que que me pediram pelo pardeeiro em Lisboa, tenho um T3 solarengo, com uma varanda a ceú aberto, onde acabei de inaugurar a época balnear (sim, sim, estou atrasada mas tenho pouco tempo livre e não dá para tudo), com a implantação do meu tapete de relva artificial e chapéu de sol (é favor não gozar com o meu chapéu de sol que tem a respeitável idade de 28 anos!) (sim, está a cair de podre, mas serve o propósito basilar que é fornecer sombra. Como tal, gosto muito de o ter por cá!).
E, pergunto eu, porque diabo mudaria eu para Lisboa se tenho uma varanda assim, para tomar o meu chá de jasmim ao domingo de manhã, antes de jardinar...



...onde posso estar estiraçada a contemplar isto durante o dia...


...e tomar banhos de luar e de estrelas pela noite fora?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Uma questão de ponto de vista…

Deparei-me esta manhã com uma crónica intitulada ‘feminismo’ do respeitado psiquiatra e professor universitário, Dr. J.L.Pio Abreu, que escreve para o jornal Destak.



Diz ele: «confesso que gosto de mulheres, especialmente das que gostam dos homens. Muitas outras estão ressentidas com os homens, e com essas tenho frequentes mal entendidos. Um deles tem a ver com a defesa do feminismo contraposto ao machismo» e segue numa defesa da inutilidade das comparações entre homens e mulheres, até porque, segundo o próprio « as mulheres são biologicamente mais resistentes, mais independentes e duram mais que os homens. Se tiverem o mesmo acesso à cultura (hoje são mesmo mais cultas) facilmente os dominarão» (nota pessoal: mas isso é novidade?).

E continua: « a guerra dos sexos parece-me ridícula. Machos e fêmeas não têm de competir porque são diferentes. Ou antes, são complementares: cada sexo completa-se com o outro e precisa dele...». «Acontece porém que anda muito ressentimento à solta, e isso nada ajuda».

Ora muito bem. Nada a opor sobre a inutilidade da guerra dos sexos. Nada a opor sobre a complementaridade dos sexos e as suas diferenças, ainda que as ‘diferenças’ das mulheres ainda sejam consideradas ‘defeito’ e as dos homens ‘feitio’. E não me venham com histórias, que isto é mesmo assim. Que se defenda que o ‘ressentimento’ é mais do sector feminino, ainda passa, que eu acho, mesmo contra mim falando, que as mulheres levam as coisas mais a peito (também acho que ainda bem, mas não quero ir por aí). Agora que se parta do princípio que o ressentimento não devia existir...Porque é que uma mulher não pode ter um ressentimento contra um determinado homem, se este atentou contra a sua integridade (física, emocional, whatever)? Porque é que, tendo sofrido por causa de determinado homem, não pode, manifestar o seu desencanto, ou expressar a sua opinião sem automaticamente ser considerada uma histérica ou desequilibrada emocional a vitimizar-se?. Chateiam-me estes rótulos e estas ‘culpas’ que se põe sobre as pessoas, e parece que é sempre mais fácil colá-las sobre as mulheres. Não sei exactamente a que ‘ressentimento’ se refere o autor, mas quero acreditar que, se tem força suficiente para se fazer notar, não é gratuito. E, se se justificam os actos de um serial killer - porque, compreendam, os pais lhe batiam, coitado, ou passava muito tempo sozinho, e não se pode por isso imputar o indivíduo e os seus desequilíbrios causados pela inaptação às leis sociais – não percebo porque é que se fica chocado quando uma mulher diz que um homem é um pulha. Se calhar é mesmo. Já alguém, isentamente, pensou nisso? Também vale para mulheres. Eu também digo muitas vezes que fulana de tal é uma cabra. Porque é. Porque me fez desfeita e porque, declaradamente, é uma pessoa que eu considero ‘nociva’. Estou ressentida com ela? Não necessariamente. Mas continuo a achá-la uma cabra e pronto. E afasto-me, como o diabo da cruz, de cabras semelhantes. Sou ressabiada? Não. Se calhar sou esperta. E se calhar é isso que não dá jeito ao senhor Doutor enquanto digníssimo representante do sexo masculino. Porque se calhar dá mais jeito que se continue a achar que as ‘desfeitas’ não são defeito, são feitio, e se encolha os ombros em gracioso conformismo, sorrindo, como uma linda menina, e desculpando tudo uma e outra vez. Comigo, não! Temos pena.

E, para os leitores masculinos que possam pensar que fui vítima de hediondos crimes de honra, dos quais nunca recuperarei, e que me possam porventura achar uma histérica ressabiada a defender o género, fiquem-se com a noção de que estão redondamente enganados. Gosto imenso dos homens. Tenho grandes amigos homens, divirto-me imenso com eles, e muitas vezes de uma forma que não se consegue com as amigas (não, não tem nada a ver com isso!!!). É com os amigos homens que falo sobre a bola, é com os amigos homens que tenho conversas transcendentais sobre a mente dos homens, é com os amigos homens que mais deixo transparecer a minha muy bem camuflada fragilidade e é com os amigos homens (ou pelo menos com um, em particular( grande beijo, Zé)) que bebo dois dedos de Jameson a olhar para as estrelas e a quem solicito um abraço apertado quando as coisas estão menos bem. Portanto, que não se confundam as coisas. Gosto muito dos homens e da sua companhia. Passaria muito pior sem eles, de certeza absoluta. E como eu, a larga maioria das mulheres. Ninguém está ressentido contra os Homens, em geral. Só contra os pulhas. Que os há entre vós, meus amigos. E grandes!...

É tão simples quanto isto, senhor Professor...guarde lá as etiquetas do feminismo, se faz favor. Tem nada a ver...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Dr. Jeckyl and Mrs. Hyde...



Sasha Margarida, no seu melhor. Sim, uma e a mesmíssima cadela, numa foto improvável que ainda hoje estou para saber como consegui apanhar. Estava escondida no baú da vergonha, mas teve de ver a luz do dia. Já irão perceber porquê...
Sasha Margarida:
Tínhamos um acordo de 'cavalheiras' quanto à publicação desta foto... não queria expor-te ao ridículo na blogosfera, mas foste longe demais, Sasha Margareth! Aceito todas as tuas tropelias com paciência, e até acho graça à maior parte das asneiras que (ainda) fazes, ó infernal monstro amarelo. Que roubes a comida dos gatinhos, ainda vá. Que pegues no cachaço do Gato Gil e o andes a esfregar pelo chão, é lá com ele. Que abras o armário e comas o pão todo da D. Micas, bom...azar o dela, que não fechou a porta como devia ser... mas comer as minhas gomas de amoras, traidora?! Achas bem? O pacote todo, e logo quando estava a começar o House!! Achas bem cuspir na sopa da que te carrega com as sacas de 15Kgs de ração light às costas escada acima, para que não te tornes num barril? Ingrata criatura... Agora toma, para que todos vejam que cachorra feia consegues ser. Mázona!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Desafio

A Clitie tinha-me deixado um desafio e só agora reparei. Como o achei engraçado, aqui fica, mas, de acordo com a minha norma internacional dos desafios, não passo a ninguém; mas quem quiser pode aproveitar a boleia e fazer o exercício.

O princípio da coisa é simples: atribuir um adjectivo (defeito ou qualidade) que nos caracterize, usando as iniciais do nome. Eu fiz batota, claro, e estou a usar o pseudónimo. Mas, como só as consoantes é que mudam, acaba por não fugir muito ao original :)
S - Sonhadora. (Ia por sedutora, mas achei melhor não abusar que quem ajoelha depois tem de rezar)
A - Apressada (já fui mais paciente. Agora nem tanto...)
F - Febril (sempre que embarco nos meus delírios)
I - Irritável (ah, pois, lamento, mas tenho pavio curto)
R - Respondona (sempre...)
A - Adorável (às vezes descuido-me e lá calha)

Ocorre-me que se a Grafonola fizer o desafio vai penar com os dois 'o's'. Ó linda, olha que valia a pena! ;)

Falta de chá(rme)

Ouvido hoje no comboio, a três bancos de distância:
Fulana: ah, e tal, porque estranhei não me vir o período. É que já há ano e dois meses. Já viste? é muito tempo. É que eu tenho o implante e acho que é normal. Mas olha, veio ontem.
Outra fulana: mas não te doeu a por o implante?
Fulana (mostrando o braço): não, não, não doeu nada. O aparelho é que me doeu quando mo enfiaram (sic!), isto não, nem se nota nada, estás a ver (mostra o braço reboludo e passa a mão por cima, orgulhosamente)...
Felizmente a minha paragem estava próxima e deixei de ter a poluição sonora no meu campo auditivo.
Há coisas que se calhar não me deviam chocar. Mas chocam-me. Chocam-me estas pessoas que se expressam para uma audiência de largas dezenas de desconhecidos sobre assuntos que só a elas dizem respeito e que, se dois palminhos de testa tivessem, guardariam para uma conversa mais intíma, em local mais apropriado. Uma coisa é ouvir falar mal do colega a ou b, criticar o treinador do benfica, debitar todas as marcas de fraldas de bébés e respectivos preços em cada hipermercado, ou dar detalhes sobre a consistência das fezes da criancinha doente; é um facto universalmente aceite que quando estamos num transporte público, e não temos mp3 (no meu caso porque não consigo não cantar e as pessoas também não têm de levar com a minha cantoria, especialmente se nem sequer me pagam), temos de gramar com as conversas dos outros. Há conversas parvas, mas que até são engraçadas. Muitas vezes dou por mim a ter de puxar o meu livro mais para cima para poder abrir o sorriso sem dar nas vistas. O pior é quando as conversas não são em surdina e são, manifestamente, inconvenientes. Detesto a vulgaridade deste tipo de diálogos. Bem como a vulgaridade de quem diz três palavrões a despropósito em cada frase, alto e bom som. Detesto a vulgaridade. Não sou pudica, mas detesto a vulgaridade. Pronto.
Também detesto as tardes televisivas da RTP1. É uma mudança radical de assunto, mas acaba por ter a ver com a falta de escolha, e o ter de gramar com o que nos dão.
Estava eu placidamente a zappar no sofá da mummy, depois de um sábado e domingo de manhã extenuantes de limpezas profundas e jardinagem , quando me deparo com o directo 'Barrigas de Amor'... A Tânia Ribas conversava com o Francisco Mendes, que explicava que era muito importante para uma mulher que o pai da criança assistisse ao parto. A sério??? Nunca teria imaginado! Percebi depois que havia um meeting de grávidas algures num parque em Oeiras. Vislumbrei depois umas quantas, com as barrigas proeminentes pintalgadas com uns arabescos que não consegui perceber, e ostentando o nome do futuro rebento. Até aí, tudo bem. Cada qual faz o que quer. A mim não me apanhavam numa destas, porque, como disse lá em cima, há coisas que são minhas. Por muito orgulho que tivesse na minha proeminente barriga, suspeito que não a exibiria assim. Suspeito. Acho lindamente que façam estas confraternizações e tudo mais, e até deve ser divertido vermo-nos no meio de tantas outras pessoas que partilham o mesmo anseio, a mesma espera, até deve ser interessante trocar experiências com absolutos estranhos... mas têm de fazer um directo sobre isso ao domingo à tarde? O que é que as gravidezes alheias interessam às pessoas que estão em casa e não estão de esperanças? Ainda é pior do que as quatro horas dedicadas à viagem da selecção. E de uma insensibilidade extrema, atrevo-me a dizer. Há temas que não se deveriam colocar em espectáculo. Há pessoas que desejariam estar no estado de graça dos participantes naquela confraternização e não podem, por diversos motivos. Como fica o humor dessas pessoas, que estão a tentar ter um bébé e não conseguem, com um directo sobre barrigas alheias? é impressão minha, ou agora é o vale tudo, e estamo-nos nas tintas se ferimos susceptibilidades dos contribuintes que até pagam as emissões? Desculpem lá, sou eu que sou chata e exigente, ou andamos a levar com lixo televisivo e inconsciência a mais? De uma estação privada, seria normal. De um canal público é, quanto a mim, inaceitável.
Obviamente, tive a escolha de não continuar a ver e exerci-a com grato prazer. Acabei, por falta de paciência e manifesta dor nos dedos, a ver outro lixo televisivo, na M6. Um casal que ganhou uma viagem no Queen Mary II e nos ia debitando as suas impressões de viagem. Pobres, como o espírito deles. Eles eram do mais boçal que se possa imaginar, completamente deslocados naquele ambiente selecto, perdidos no inglês obrigatório a bordo. Especialmente ela, cuja única ambição era ser fotografada com a sua farda de carteiro em frente ao paquete. Apesar do triste espectáculo a que aquelas pobres almas se prestaram para a M6, que também sabe explorar, e de que maneira, a fragilidade dos participantes nos programas, continuei a ver o programa pelo lado cultural da coisa. Como não tenho os 3600 euros mínimos para embarcar naquele paquete, pelo menos aproveitei para conhecer o barco, as funções dos tripulantes e as diversas actividades que lá existem, dos bailes aos leilões de obras de arte. Parco programa cultural, dirão. Não contesto; ainda assim foi melhor do que ouvir o Emanuel a cantar para uma plateia de grávidas.
(Nota mental: mãe, vou comprar-te um leitor de DVD!)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ainda sobre a Tunísia… ( Que é como quem diz: ‘vamos mesmo levar com a gaja e o seu estúpido deserto até ao final dos tempos’)

Não temam, vou escrever em parágrafos curtos. Vão ser mais ou menos dez, divididos por temas de interesse. Do meu interesse, claro. Já do vosso, não garanto. Temos pena…;) E vai haver fotos. Já estão a babar de anticipação? Suspeito que não, mas não faz mal, que eu agora vou sempre em frente, contra ventos e marés!
Cá vai:

1) O grupo: Éramos 12. Quatro casais, um pai e um filho, e duas mocitas a viajar a solo (eu incluída). Deste universo rifava dois logo à chegada, no aeroporto. Passados dois dias pagava a um berbere para me levar outros dois e atá-los a um cacto no meio do nada. No entretanto amordaçava outra, para ver se a conversa variava dos cozinhados e das 473 formas de cozinhar bacalhau. O resto, tudo bem, incluindo o marido desta última que se portou bem até ao momento em que na despedida, já em Lisboa, não encontrou nada melhor para dizer do que ‘então muito gosto e que Deus lhe dê um princípe encantado que a faça muito feliz’. Gosto sempre que me digam isto. Especialmente quando vem a propósito de…absolutamente nada! Enfim...
E como gente boa atrai gente boa, tive a sorte de ser ‘adoptada’ por um simpático casal de Viana do Castelo, castiços como poucos, e criar uma empatia imediata com a Paulinha, companheira de regateios e gargalhadas. Nunca mais nos largámos. Tivessemos um cão e seríamos os famosos Cinco, sempre juntos! Na verdade, criámos um subgrupo, sempre a fazer pandilha com o guia Amen e o motorista Ali, uns queridos.

2) A comida: Condimentada, claro. Não é para estômagos delicados. Gostei muito da variedade das saladas, alegradas por inesperadas alcaparras, e de um guisado de lentilhas, cujo nome se me varreu. Os doces também são algo inesperados para o nosso paladar habituado a cremes de ovos e merengues. Nada disso: tudo muito sóbrio e mais para o seco, com recheio de tâmaras, ou frutos secos. E uma tarte maravilhosa, com creme pasteleiro com aroma de jasmim. Delicioso! Deixo-vos uma foto do incontornável cuscuz, a que tivemos direito na noite tradicional berbere.



3) A bebida: O álcool é parco e estupidamente caro. Compreende-se, o Corão proibe o seu consumo. Mas, ainda assim, têm produção de cerveja, apesar de só existir uma marca. O vinho que provei também era fraquinho, e os sumos do pequeno almoço…xarope colorido. Blargh! Bom mesmo é o chá de menta. E o chá verde com pinhões? Uma delícia.

4) A língua: o árabe é incompreensível. Safa-nos o facto de ainda estar muito patente a influência francesa (o francês é aliás, a segunda língua oficial e de aprendizagem obrigatória), e de misturarem algumas palavras. Ainda assim aprendi algumas 'arabices', nomeadamente a palavra ‘cinco’ (o fonético é ‘ramsa’), e achei que isto me ia permitir regatear com mais facilidade…eu disse ‘aslam’ (olá) e ‘ramsa?’ para comprar um boné. E o miudo começa-me a falar em árabe. Fiquei a olhar e voltei a dizer, mas com menos convicção, ‘ramsa?’. E o puto toca de continuar…e eu sem perceber nada, claro. Tive de lhe dizer em francês ‘amigo, eu não falo árabe’. E diz-me ele: então porque é que me disseste ‘ramsa?’. Opá, porque só sei dizer isso!! E debitei-lhe a rir a minha pobre lista de palavras em árabe. O puto riu-se à brava da minha figura miserável, e lá me deu o boné pelos ‘ramsa’ dinares. Dá jeito saber aceitar com graciosidade a nossa profunda parvoice e rirmos das nossas figuras tristes.

5) A religião: é levada muito a sério. O Corão manda rezar cinco vezes por dia. Começa-se às 4:30 da manhã. Eu sei porque acordei quase todos os dias com o altifalante da mesquita mais próxima a chamar os fieis para a primeira oração. Tem o seu encanto a litania incompreensivel, quando ainda há estrelas no céu. Não sei porque força movida, o certo é que por duas ou três vezes me levantei e pespeguei à janela só a ouvir. E rezar implica também o ritual da purificação, as chamadas abluções. Perdi a conta à explicação do guia, mas o certo é que há preceito para cada zona do corpo: três vezes os braços, primeiro um e depois o outro (n me recordo da ordem), os pés, as mãos, a cara, os olhos, o cabelo…Se não houver água, pode ser com areia. Ou com pedra, que é areia cristalizada. Têm é de estar ‘puros’ e rezar num lugar limpo. São um bocado castradores estes rituais e chateia-me o facto de não permitirem que não-muçulmanos entrem nas mesquitas. A Igreja Católica nisso é mais generosa: toda a gente pode entrar numa igreja, mesmo os não crentes.

6) O ‘direito de foto’: Queres fotografar a mesquita ou o museu do Bardo? Pagas. Queres fotografar as ruinas de Cartago? Pagas. Queres tirar uma foto a pegar num falcão? Pagas. Um dinar, por tudo e por nada. Chatos, pá! Mas no final, ficamos com recordações assim:
Termas de Antonino Pio - Cartago

7) Os nativos
: mais giros do que eu estava à espera. Mas um bocado melgas. E teimosos. Todos os dias me perguntavam, nas diversas cidades, se eu tinha ascendência marroquina. (Nota mental: Tenho de ter uma conversa com a minha mãe!). Uma vez, se eu era polaca (é que tá-se mesmo a ver pelo meu tom alvissimo, cabelo louro e olhos azuis!!!). Outra vez, onde é que eu tinha tatuado os olhos. «Não tenho os olhos tatuados, amigo». Tens, tens. «Não tenho, não». Hum…tens…«Não, pá, é um lápis, vês. Da Avon, dos baratinhos» Ah…mas tens ascendência marroquina, não tens? ARGH!!!!
E atiradiços! Recebi uma ou duas propostas de casamento, uma oferta de 15 dias no deserto, no dorso de um camelo e a dormir numa tenda, de borla.. (De borla, isto é, sem envolver trocas monetárias, mas achei prudente não avançar mais na conversa. Mas o tipo espera-me em Outubro. Espero que sentado…:), mais um convite do meu cavaleiro berbere, com quem galopei nas dunas, no dorso de um belo alazão, para jantar o cuscuz berbere à luz das estrelas e last but not least, uma sessão de massagens anti stress no spa do acampamento no deserto. Este tive pena - apesar de ele também me perguntar se eu era marroquina, o que convenhamos, me começou a irritar depois das primeiras 20 vezes - que o homem tinha os olhos castanhos mais bonitos que já vi. Deixei a tenda aberta e tudo*, mas o imbecil não apareceu…
(* não consegui atar aquilo do lado de dentro…a malta não está acostumada a acampar… E é preciso um curso para dominar a arte das cordas!…)

8) A bicheza: ‘Espectáculo com escorpiões e cobras’, apregoava o programa. E foi. O verdadeiro espectáculo. Um escorpião em estado comatoso e uma cobrinha de nada. Era isto o 'espectáculo'. Nem tirei foto, de tão miserável display…Ao invés disso, no dia a seguir fui a um oásis e pimba, peguei nesta belezura de lagarto do deserto:
E depois, vi o dono deste falcão e dei-lhe o dinar da praxe para tirar mais esta foto:

E com o meu ‘charme marroquino’ ainda conquistei um jovem nativo que me ajudou a empoleirar-me numa viga do tecto para fotografar este ninho de falcão, e respectivos ovos (ah, pois é!!! A malta não brinca em serviço!)


E depois, claro, os incontornáveis dromedários. Pobres bichos. Tenho pena deles, apesar de ter consciência da minha hipocrisia igual à de todo o turista histérico que os obriga a carregar hordas de pessoas do nascer ao por do sol. E por muito que eu ache que para mim é diferente porque eu ADORO a bicheza, no final no dia, fui apenas e só mais 50kgs e poucos kgs em cima do desgraçado. Apanhei este assim, esgotado e abatido, no fim de um dia de trabalho…

9) A paisagem: Deixo-vos apreciar, sem demais comentários...

Ksar Ghilane - Portas do Sahara

Sidi Bou Said - vista sobre a Baia de Tunis


Parque Arqueológico de Sbeitla - Kessarine


Port El Kantaoui - perto de Sousse

10) As impressões finais: De bom: ficam-me as recordações, os amigos que fiz, a paz e a comunhão com a natureza agreste. De mau, apenas a frustração de não ter visto um escorpião ao vivo e a cores e de a minha foto a cavalo com o berbere ter ficado tremida. Não se pode contar com homens para nada. Digam-me lá qual é a dificuldade de tirar uma foto a um cavalo ainda parado? ARGH!

Ainda assim, balanço positivíssimo. Aconselho vivamente a experiência dos mil cambiantes tunisianos!

'Shokram' (obrigada) a todos os resistentes que leram até ao fim!