Lembro-me de ser miúda e adorar o dia do meu aniversário. A antecipação começava um mês antes. No dia 9 de fevereiro lá começava eu a matraquear: 'sabes uma coisa? daqui a um mês é o meu aniversário. Já tens prenda para mim?'. A resposta, invariavelmente negativa, não me desmotivava minimamente. Continuava alegremente a massacrar tudo e todos à minha volta. Ainda o faço, mas já só pelo prazer de chagar a cabeça à humanidade. Os resultados são nulos, visto que continuo a aguardar o meu ipad, mas isso agora não interessa nada.
Passei um aniversário feliz (mesmo sem Ipad...), junto dos meus, mas sem grandes euforias. Começa a preocupar-me o tic tac inexorável do relógio e os malditos cientistas sem descobrirem o antioxidante que nos garanta a imortalidade de que preciso para ler os meus livros todos. Acho mal. E como acho mal, não vejo grandes razões para celebrar. De birra, não fiz nem comprei bolo. Cheguei ao escritório na segunda feira e tentei passar entre os pingos da chuva. Debalde (adoro esta expressão). À hora de almoço, comecei a estranhar o sururu à volta do frigorífico e o vai vem de pessoas que já tinham almoçado e que estavam a voltar. Desconfiei que havia marosca mas só no último minuto. E, de repente, surge-me este bolo (com as respectivas velas, que obviamente omiti da foto já que ninguém tem nada de saber que fiz quarenta há um ano atrás!), carinhosamente feito pela MJ, e transportado a duras penas num autocarro da Carris apinhado, num dia de chuva.
Há coisas que nos emocionam. Este bolo emocionou-me. Ter os colegas todos a complotar nas minhas costas para me surpreenderem e me cantarem os parabéns, emocionou-me. Não chorei, que isso não é nada fashion, mas tocou-me bastante. São estas coisas que nos fazem sentir especiais. Alguma coisa de bom devo ter feito para ter amigos que me mimam assim. E isso é mesmo muito bom.
Ah, o bolo...uma maravilha! Querem uma fatiazinha? Ainda há, mas não por muito tempo...
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