segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pega Rabuda

Nao vá o incauto leitor pensar que eu estou a falar desta fulana...





...e apesar de também ter encontrado a 'minha' pega à beira da estrada...
... informo que o post é sobre a ave.
Esta ave.




O propósito do post é mesmo registar este momento solene em que, pela primeira vez em 32 anos, avisto esta ave na margem sul do tejo. Bom, também nunca a avistei noutra margem de outro qualquer rio em Portugal. Na verdade, nunca cá tinha visto nenhuma. Sei que as há, e que pessoas mais dotadas do que eu até as conseguem fotografar e tudo, mas para mim foi uma primeira vez. Ruidosa e entusiasticamente celebrada, para susto do meu pobre sogro (que felizmente não sofre de patologia cardíaca) e confirmação inequívoca da  forte suspeita de que a nora não joga com o baralho todo. 
Mas, ainda que a minha sanidade mental tenha ficado irremediavelmente maculada, o avistamento já ninguém mo tira. E como a malta do forúm de aves que frequento passa a vida na rua à cata de pássaros e observa 130 espécies por dia e seguramente até vê aves enquanto dorme, e teria uma reacção do género 'ah, sim, uma pega rabuda...e atão? eu cá vi três dódós na semana passada', prefiro um público mais fácil e confio nos poucos resilientes que ainda me vão lendo para rejubilar comigo. Vamos lá, todos a uma só voz: Viva a pega rabuda da Safira! 

(Salvo seja. Embora de carnes também não me possa rir muito da outra monga da primeira foto. Ai de mim, que nem a elíptica me vale (é certo que ajudava se eu fizesse mais de dez minutos por mês, mas isso agora são permenores...)).






sexta-feira, 12 de outubro de 2012

E quando eu julgava que já nada me poderia chocar

Lisboa, oito e meia da manhã. Leio o meu Metro enquanto aguardo o autocarro da Vimeca com o ar conformado de quem não nasceu efectivamente rico e tem de trabalhar a 50km de casa para ganhar a vida senão depois o governo não tem a quem roubar cobrar. Sou perturbada na minha leitura por três miúdas que se cumprimentam ruidosamente. Mau! Tento em vão concentrar-me mas é impossível não ouvir as três púberes gralhas. Tento continuar a leitura com banda sonora até que se me acaba o jornal. Autocarro, nem vê-lo. Resigno-me e começo a prestar mais atenção à conversa das criaturas. Até porque nem eu nem as trinta pessoas mais próximas temos qualquer alternativa, que as criaturas estão a falar como se estivessem sozinhas no mundo. Tudo é dito  clara e audivelmente, de onde eu estou até ao fim da fila. Mal seguro o queixo quando me começa a chegar aos ouvidos o relato da desastrosa performance de um mocinho, namorado de uma das cromas, que sofreu um episódio de disfunção erectil   resolvido, a duras penas, com muitos 'beijinhos' (não me perguntem onde). Pensava eu que o horror teria acabado por aí; enganei.me. O pobre moço teve mesmo uma noite azarada: parece que, quando finalmente conseguiu começar o acto, acabou depressa demais. O que não pareceu incomodar muito a rapariga que, aparentemente, tem muito apetite e queria era 'despachar a coisa para ir jantar'. O que veio a acontecer, ainda com o rapaz (que, by the way, jurou que 'aquilo nunca lhe tinha acontecido'), e culminou na oficialização do namoro. Sim, porque antes (da badalhoquice) ainda não eram um 'couple, couple'. Agora parece que já são. Olha que bom, ficámos, eu e os outros trinta ouvintes involuntários, tremendamente comovidos! Estivemos para dar vivas, e fazer uma mini onda, sei lá, mas entretanto chegou o 7 e o momento perdeu-se. Mas tive pena, palavra que tive, que a abnegação da rapariga, incansável nos detalhes e generosa na partilha, merecia o nosso apreço.

Ah, já me ia embora sem congratular a mãe da criatura: parabéns, cara senhora,  fez um excelente trabalho nos últimos 22 anos; tem aí uma menina que é um mimo de princípios e discreção! E, já agora, um pequeno conselho: Rapaz da alegada disfunção eréctil e ejaculação precoce, se me estás a ler: não te preocupes, que isso acontece a qualquer um, e até se trata e tudo. Mas tu acorda, puto. Queres mesmo estar com uma maluca aluada que te vilipendia numa paragem de autocarro e informa  o mundo dos teus momentos menos felizes e dos teus momentos de alegria precoce, sem pudor nem sensibilidade por ti, que até diz que és namorado dela? Faz-te mas é à vida, que arranjas facilmente mais gira (muito, muito mais gira), menos rodada  e menos língua de trapos. E com amigas menos parvitas, também. Pira-te, pira-te, enquanto podes!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nobel da Literatura

Como não conheço o senhor chinês que ganhou este ano, tentei informar-me sobre a sua obra. Aparentemente escreveu um livro com o sugestivo título 'Peito Grande, Ancas Largas'. À primeira vista, tanto poderia ser um tratado sobre a mulher oriental em tudo o que ela não é como uma biografia não autorizada da Nigella Lawson. Preparava-me portanto para começar a falar do que não sei e começar a mandar vir com os critérios para atribuição destas coisas do nobél e tal, mas antes de dizer asneira fui ler a sinopse do livro. Pois que afinal é uma história mais ou menos séria de sobrevivência e até me despertou algum interesse, apesar de ter ali um ou outro detalhe bizarro; parece que o filho da heroína era viciado no leite da sua mãe. O que estaria bem, se fosse um gorducho bébé. Fiquei com a ideia de que não seria, e que seria um marmanjo já com idade para ter juízo. Complexo de édipo ou autor tarado? Who the hell knows, mas em suma, WEIRD!!!!. 
O certo é que me lixou o post. Agora tenho de passar para o Plano B e dizer mal do Saramago, que, como toda a gente sabe é o pior autor português logo a seguir ao José Rodrigues dos Santos (que já vai no deécimo livro, sabe-se lá por que razão). E, agora que ninguém nos ouve, especialmente o meu Prof. de Teoria e Metologia Literária, o Memorial do Convento é INTRAGÁVEL! 

Mas, e para não dizerem que nunca se aprende nada aqui (o que é um facto já estabelecido, mas mintam-me que eu não me importo), aqui fica a lista dos últimos 15 laureados.  Dos 15 só conheço o Llosa e o traidor de Lanzarote. Não sei se me deva sentir mesmo burra ou se isto me passa se me filiar no PC...(agora fui má, mas pronto. China e Saramago...assim de repente foi o que me ocorreu...)

2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru-Espanha)
2009: Herta Müller (Alemanha)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clezio (França)
2007: Doris Lessing (Grã-Bretanha)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Grã-Bretanha)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: J.M. Coetzee (África do Sul)
2002: Imre Kertesz (Hungria)
2001: V.S. Naipaul (Grã-Bretanha)
2000: Gao Xingjian (França-de origem chinesa)
1999: Gunter Grass (Alemanha)
1998: José Saramago (Portugal)
tirado daqui







segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Desnorte

Godinho Lopes é para o Sporting o que o Governo é para o país: um desastre. Um e outro não sabem, literalmente, o que andam a fazer. Num e noutro caso, a impotência que sinto é quase dolorosa. O meu único consolo é que pelo menos o Sporting não me vai descaradamente ao bolso.

Temo que a saída para estes dois dramas nacionais seja a mesma: um pelotão de fuzilamento. Lamentavelmente,  não tenho formação em armas de fogo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Já avisei lá em casa que, a partir de hoje, não se fazem horas extra nem se faz por merecer prémios de produtividade. Eu não tenho esse problema, que prémios aqui, desde que mudou o patrão, também é coisa que não se tem visto, o que compreendo perfeitamente, que os barcos e os carros não se sustentam sozinhos, mas a cara metade ainda trabalha num sítio onde isso faz sentido para a motivação das tropas. Eu gostava de perguntar ao amigo PPC e ao séquito de abutres que traz com ele, se o melhor que conseguiram para aumentar a produtividade e a excelência laboral  é dizer às pessoas que metade do que elas receberem a mais, via empenho e sacrifício de tempo livre, vai direitinho para as garras deles. Vocês, não sei, mas eu cá não tenho contrato assinado com o PSD. Temos uma peninha do catano! 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Já não sei o que fazer com este governo

Fico feliz pelos funcionários públicos e pensionistas que recuperam um dos subsídios retirados este ano, palavra que fico. Mas preferia que isso acontecesse sem me virem roubar a mim, muito obrigadinha. Sinto-me assim a Madre Teresa da Ibéria Sul à força. 





terça-feira, 18 de setembro de 2012

Place du Trocadéro


Quando vi o desafio proposto pelo Carlos Barbosa de Oliveira no crónicas on the rocks, esta foi a praça em que imediatamente pensei. As razões já foram avançadas no post do Carlos, mas recordo-as e aproveito para preencher os espaços deixados em branco para não 'dar o ouro ao bandido':  "A razão pela qual este lugar me diz tanto é simples: era por aí que passavam  os passeios de fim de semana com o meu pai, desde que me lembro. Saíamos de casa, passávamos por baixo da Tour Eiffel, atravessávamos o Sena e subíamos o Trocadéro. Ocasionalmente, tinha direito a uma viagem no carrocel que se vê à esquerda ou a um gelado de uma das barraquinhas que havia por ali. Bons tempos. Boas memórias". 


A prova, em imagem: a mais pura felicidade, nesta foto tirada pelo meu pai, no Trocadéro, numa manhã de domingo da primavera de 78 ou 79. Que saudades tenho! Do meu Pai. De Paris. Dos passeios com o meu Pai, em Paris. Deste pequeno périplo frequente Champs de Mars-Tour Eiffel-Trocadéro

Tal como disse, bons tempos. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

E já que falo em sonhos maus...

Ó Sá Pinto, atão pá????!! Que é esta merda??? Também andam a dormir, é?

Mau demais para ser verdade


Acho que tive um sonho mau durante as férias. Lá por terras vizinhas, sonhei que o nosso (des)governo tinha inventado mais uma medida de austeridade capaz de resolver os males do mundo e arredores. No meu sonho, o Coelho pretendia que tirar mais 7% aos trabalhadores por conta de outrem e entregar 5,75% disso ao patronato era a panaceia para os males de uma Segurança Social corroída pelos vícios da solidariedade para com quem não trabalha por opção (as ciganadas e afins) e para com quem já não trabalha mas vai dando uns pareceres e acumula reformas milionárias, sempre à custa dos mesmos. Dizia quem sabe, lá em S. Bento, que esta medida também é a solução para o aumento do emprego: está visto que com a redução da TSU as empresas vão a correr meter mais pessoal, mesmo que dele não precisem, especialmente as que já não têm trabalho para os que já lá têm.  Com os 1.75% que sobram, e que devem reverter para o estado de alguma forma que eu, anónima obtusa, não consigo descortinar, suponho que também se tente reduzir o défice, embora não tenha percebido muito bem como. Se já acordada nem sempre compreendo o raciocínio do nosso Primeiro, num sonho de contornos nebulosos o problema agudiza-se consideravelmente. Será seguramente defeito meu; está visto que sou estúpida porque levei cinco a formar-me e há quem no governo consiga isso em escassos meses, por isso é natural que não alcance o brilhantismo desta medida. Tenho uma vaga ideia de, no meu sonho, ter pensado ‘olha que pena eu ser tão estúpida, senão até podia sugerir ao nosso Primeiro que fosse por aí ao calhas, e batesse à porta de qualquer empresa e pedisse os documentos da contabilidade e começasse a fazer contas ao dinheiro que entraria direitinho para os cofres do estado se os carros de função fossem taxados em sede de IRS, como o complemento salarial que são, e se as facturas de restaurantes fossem taxadas em sede de IRS, como rendimentos não declarados que são. E se os ROCs (Revisores Oficiais de Contas) não fossem todos uns fantochitos comandados pelas empresas auditadas, que por mera casualidade até são quem lhes paga a avença (ah pois!) e se o Estado fiscalizasse como deve ser, se calhar, mas só se calhar, o nosso Primeiro percebia onde lhe pára o dinheiro que lhe falta...' Tenho para mim que se quisesse muito, se os tivesse no sítio e se não tivesse medo de ofender os amiguinhos nababes, começava por aí em vez de perseguir quem trabalha a sério. Digo eu. Mas eu sou estúpida, por isso não façam grande caso, que eles é que percebem disto à brava! E afinal, isto foi só um sonho mau que eu tive. Daqui a pouco acordo e estou num país normal, livre destes bandos de alienados mentecaptos. Certo?


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dolce far niente

É só para dizer que após duas semanas de férias interrompidas por dois diazitos de intervalo no escritório,  assim só para não parecer muito mal, vou de férias outra vez. Três semanas e meia no total. Um record pessoal. Don't hate me, tá? 

A menina habituava-se tão depressa a esta vidinha....