terça-feira, 10 de julho de 2012

Safira Maria, M.D. ou obrigada, Relvas, por me mostrares a Luz


O meu novo plano para a licenciatura em Medicina Veterinária que sempre quis tirar.

Safira Maria, árdua e honestamente licenciada em gestão por universidade idónea, vem por este meio requerer ao Conselho Pedagógico deste templo do saber que me seja concedida licenciatura em medicina veterinária com base nos predicados e competências abaixo elencados, por si só demonstrativos da enorme experiência e contributo para o bem estar da fauna envolvente, e passíveis de creditação académica para exercício de funções ( ou apenas para afago de ego, vá, que somos todos humanos...)

- Tratar três gatos tinhosos com banhos antifúngicos de dois em dois dias: 70 créditos (20 por cada mais bónus de 10 por um deles ser persa e levar mais três horas a absorver o produto)
Competência: capacidade de resposta em situação de stress
- Auxiliar veterinária a lidar com obstrução intestinal de cão: 30 créditos
Competência: evidente à vontade no lidar com fluídos e dejetos
- Assistir veterinária no raio X a labrador de 40 kgs: 10 créditos
Competência: domínio das tecnologias. Julga-se pertinente um crédito extra pelo domínio da ciência da colocação do avental de chumbo de forma a conseguir ficar, ainda assim, minimamente atraente.
- Acolher e recuperar gato com hipotermia e subnutrição severa: 40 créditos
Competência: capacidade de decisão rápida mas ponderada (Levo o gato? Não levo o gato? Fuck it, levo o gato!)
Assistir na biopsia sem anestesia a labrador de 40 Kgs: 10 créditos
Competência: controlo através da confiança criada com o animal
- Assistir na recuperação de cirurgia de labrador de 40 Kgs com mastocitoma de grau 2, com lavagem de drenos e mudança de pensos: 150 créditos
Competência: dedicação e espírito de missão quando a visão de feridas abertas e sangue nos é contranatura
  - Acolhimento de cachorro fisicamente maltratado e psicologicamente afectado: 100 créditos 
Competência: inteligência emocional perante novas situações, aptidão comunicacional em situações tensas 
- Cuidar de labrador de 40 kgs com leptospirose fulminante, após veterinário habitual ter desistido e arrastá-lo até Lisboa para hemodiálise e operação in extremis: 300 créditos
Competência: proactividade e recusa em desistir
 - Perder o animal e conseguir manter-se funcional porque se vai casar daí a uma semana: 1300 créditos.
Competência: capacidade de aceitação das inevitabilidades da vida e reconhecimento de que se deve lidar com o fracasso da mesma forma com que se lida com o sucesso: reconhecê-lo, mas não deixar que nos cegue e seguir a nossa vida o melhor que podemos.

Outras creditações potenciais:
 - salvamento de caracois, bichos de conta e osgas juvenis


Pede deferimento (rápido que também me queria licenciar em psicologia criminal ainda este ano...),
Safira Maria 

 (Comecei o post a gozar, mas a verdade é que tudo isto mete nojo. O Relvas, quem o ‘avaliou’, quem lhe apara os golpes. A corja toda. Nojo profundo.)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Pequenas ironias do destino

Começo já por dizer que nunca apreciei Saramago. Nem como autor, nem como pessoa. Não me perguntem porquê. Achava-o convencidito e afectado, e isso a mim irrita-me. É de pele, nevermind. É um prurido semelhante ao que sinto quando vejo o Steven Tyler a julgar actuações no American Idol, e a entrar em transe orgástico com toda os concorrentes, porque são todos tão bons e tão celestiais que uma pessoa até se admira de ainda não lhes ter sido erguida uma estátua. É mais ou menos como com o Saramago: há ali manifesto exagero. O tipo não era assim tão bom. Ponto.
Considero portanto um galo do caraças ter tido uma cadeira em que o Memorial do Convento era de leitura obrigatória. Digo 'era' porque, OBVIAMENTE, não o li, que tenho muito mais o que fazer com o meu tempo e a minha sanidade mental já é violentamente posta à prova todos os dias para ainda estar a fazer esta maldade à minha torturada moleirinha. Além disso, já tinha tentado uma vez, e por alguma razão,  que me escapa agora, desisti a meio. Ah, lembrei-me da razão: aquilo é um nojo. Foi por isso. 
O meu grande azar é que o professor é um grande fã de Saramago ou não teria tido a ideia peregrina de fazer um exame de pergunta única sobre...ora vamos lá ver se alguém consegue adivinhar...pois claro! o estúpido Memorial do ConventoEscusado será dizer que uma pessoa não fica bem disposta quando faz um teste em que 100% da sua avaliação vai ser determinada pelas vidinhas tristes do maneta Baltasar e da pseudo-vidente Blimunda, de um rei que faz promessas para que uma rainha (que não se lava e dorme numa cama cheia de percevejos) tenha um  herdeiro e de um padre que quer construir passarolas.  Para quê, ninguém sabe, que os padres não têm tempo para andar por aí a voar. Têm é de rezar pelas almas das pessoas, especialmente das pessoas que perdem dias a estudar oito capítulos de matéria que não sairam no teste...e que pagam propinas para isto! 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pérolas da térnet


Se podia ter sido eu a escrever isto? Lamentavelmente, SIM!, que nem uma formação de jeito tenho em nem sei quantos anos (muitos, muitos anos). Mas isso era se não passasse oito horas diárias num sítio onde o que de  mais intelectualmente estimulante  me acontece é fazer prelações na hora de almoço sobre a melhor forma de abrir uma lata de filetes de cavala em conserva e ajudar uma pobre alma a conseguir almoçar.

Como estou num sítio assim, onde não se passa nada para além de coisas de que não posso falar (mas que me fazem diariamente ter três apoplexias nervosas consecutivas) e onde passo o meu tempos a  fazer coisas que um macaco capuchinho surdo mudo faria de olhos vendados, o facto de ainda conseguir ler e escrever, e não me babar quando falo, já é uma festa. Ser criativa...sim, sim, já fomos, em tempos.

Ah, doce loucura de outrora, para onde fostes tu??? 

(será possível processar uma empresa, ou melhor, certos e determinados "indevidos" que mandam nessa empresa, por perdas efectivas de cognição e de criatividade derivadas de exposição prolongada ao grande vazio intelectual?)



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ato de Contrição

Quero desde já humildemente pedir desculpa à comunidade de Helix aspersa que estou a escassos minutos de ofender. Eu juro que vos salvo sempre que posso, tenho testemunhas que podem confirmar que passei largos minutos de rabo para o ar, sob chuva diluviana, a salvar muitos de vossos incautos familiares de morte certa quando decidiram fazer a peregrinação do parque de estacionamento do Castelo, sujeitos à morte mais escabrosa, esmagados, sem glória, por um qualquer Michelin. Creio por isso que mereço algum respeito e compreensão pelo acto que estou prestes a cometer. Ademais, não tenho culpa se vocês se deixam apanhar e são estúpidos ao ponto de achar que a batatinha grátis que vos dão a comer durante uma semana é só um mimo desinteressado.  Sois fofinhos, mas meio lerdos. E a lerdice paga-se.

Assim...


Very sorry. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mais um ódio de estimação em risco de descambar em violência


Espanta-me - e horroriza-me! - a vitalidade do irritante ‘I wanna marry you’ do igualmente irritante Bruno Mars. Por amor da Santa, isto já é de 2010! Amigo, casa de vez com a gaja (ou com o gajo, que agora já podes em alguns países), e vão fazer meninos ou andar de mão dada ao luar mas, por favor, cala-te!

Amigos profissionais de rádio... WHAT THE HELL???? Parem de passar esta porra.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

O meu plano contra a austeridade

Meet Da Horta:


Seis tomateiros, quatro pimenteiros,sete couves portuguesas, seis alfaces frisadas e um pé de malagueta.
Ervas aromáticas: hortelãs, alecrim, salsa e tomilho (e mangericão, mas está noutro sítio)
Um limoeiro ( que nunca deu limões, mas temos fé que a situação melhore)
E seis pés de physalis (que espero não se armem em limoeiro...)
... e dois pés de melancia, porque achei giro. E uma passiflora, porque me apeteceu!

O caminho de gravilha também é de minha autoria, como facilmente se poderia concluir dada a tortice da coisa, e serve para poder colher os frutos do meu trabalho árduo sem pisar as alfaces. Já a tartaruga é mais um indício caso alguém (não citarei nomes) se toque e me compre a porra da bicha para por no apontamento de água que também ainda não me foi ofertado....
Por fim, a mensagem no muro é mesmo isso que estão a pensar. Que eu não ando aqui a trabalhar de sol a sol para depois virem uns e outros, que já me roubam nos impostos, pôr as patas nos meus verdes!

domingo, 6 de maio de 2012

Um ano de saudade

Querida Sasha,
Passaram 366 dias mas é como se tivesse sido ontem. Quero recordar-te no teu melhor, em plena forma, e junto da água que adoravas. Adoro esta foto tua, este teu ar feliz. Lembro-me do dia em que a tirei, num dos nossos passeios solitários no Meco. Quando as coisas corriam mal, quando a depressão me assolava, pegava em ti e lá íamos nós para a praia. E, por muito triste que estivesse, com a tua generosa doidice conseguias sempre arrancar-me um sorriso. E voltava para casa a sentir-me muito melhor, mesmo com o carro cheio de areia e cheiro a cão molhado. Tenho saudades dos passeios pela praia. Tenho muitas saudades tuas. Tenho muita raiva do que aconteceu. Não merecias vencer um cancro para seres vencida por uma leptospirose. Não merecias um diagnóstico tardio, nem merecias ter lutado tanto em vão. Sabes que tentámos tudo, não sabes, Sasha? Nos últimos dois dias, tentámos tudo o que podia ser tentado. Eu também sei que tentáste e que foste uma valente. Aguentáste as intravenosas de antibiótico, a hemodiálise, o tubo gástrico... Aguentáste isso tudo, e eu acreditei sempre que ias conseguir voltar para casa. E foi um choque tão grande quando te fui visitar, cheia de esperança, e te vi ofegante na marquesa, com os olhinhos fixos, tão desesperada por ar que nem sei se me reconheceste. E quando o médico me mandou sair à pressa, eu soube. Eu soube que daí a nada ele vinha ter comigo e que ouviria as palavras que me disse, nem um minuto depois: "vamos perdê-la, vamos perdê-la...". E perdemos-te. E ainda hoje não percebo como raio isso aconteceu...



terça-feira, 10 de abril de 2012

How bad did you want it?

É a pergunta que se coloca ao SLB, depois do jogo de ontem.

Escusam de vir com as parangonas o Sporting acabou com o sonho do Benfica’(Record) ou Vitória do Sporting é via verde para a festa do dragão’ (A Bola) e demais manchetes parvinhas, que o Sporting tem tanto interesse em que o FCP seja campeão como eu tenho em ter uma unha do pé encravada. Nem venham com as histórias do campeonato da segunda circular. O Sporting quis ganhar. Fez pela vida. Ganhou. End of story. 

Eu cá estou muito satisfeita, mas dispenso ressabiamentos. Se o FCP for campeão, foi. Mas a culpa é de um só. Soletrem comigo: S-L-B

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O.S.G.A (Organização Social de Gestão Animal)


Dou muitas vezes comigo mesma a pensar que sou uma rapariga afortunada. Ok, ok, não estou na lista da Forbes (ainda), o meu cabelo ainda não se refez do desaire de Janeiro (oh grow longer already!!!), e escandalosamente, apesar de ter publicado uma wishlist para o meu aniversário, ninguém me deu o ouriço que pedi. Mantenho a esperança para a tartaruga. Estou quase a celebrar um ano de matrimónio, se alguém quiser pegar na dica...

Anyways, apesar destas pequenas contrariedades e vicissitudes, também sou afortunada por  ser confrontada com situações em que posso mudar, para melhor, a vida da bicheza que se cruza no meu caminho. Excepto melgas e aranhas. Ah, e carraças. Essas têm sempre uma experiência mística antecipada, o que também é positivo para elas: vão para um sítio melhor. O éter. Ou a lareira, se estiver acesa.
Ontem, quando arrumava o terraço após mais uma sessão de sementeira de coisas que vão acabar por morrer à torreira do sol, vi uma teia de aranha. Já de vassoura em punho, e esgar terrífico (morre, cabra, morre), vejo uma coisa a mexer. Pensei que era um gafanhoto. Uma observação mais atenta mostrou-me que o meu gafanhoto era na realidade uma pequena osga, presa pelo rabo. Quando digo pequena, era mesmo pequena. Baby osga, não osga anã. Uma cria, portanto. Porque sou generosa, quis partilhar a descoberta e o respectivo salvamento, que acabou por envolver um duo de beneméritos equipados com luvas, um vaso de plástico e a parte superior de uma cana de pesca. Don’t ask. Mas resultou. A osga foi salva da teia mortal, cuidadosamente limpa de restos de seda com um providencial pauzinho (um resto de coisa morta à torreira do sol), e colocada no canteiro, para retemperar forças. Gira que era a bicha. Esteve ali um bocadito a recompor-se ao sol. Depois, levantou a cabeça, olhou para mim e disse ‘obrigada por me teres salvo’. 
Bom, na realidade, não... mas era uma imagem poética com algum potencial, vá. O que aconteceu foi que ela levantou a cabeça, agitou o rabo e mandou um salto para um vaso adjacente. E foi assim que descobri que as osgas saltam. Faz-me perspectivar de forma diferente o facto de ter Clarisse e Asdrúbal, o casal permanente, e mais Gabriela a filha emancipada que aparece volta e meia para chular os pais,  a morar por cima da porta de entrada. Certo é que entro e saio de casa muito mais depressa agora, não vá alguma delas querer suicidar-se por asfixia e defenestrar-se para o meu cabelo!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Interrogação pungente


Behold a vida difícil que têm estes dois. Gordos e anafados que estão, os trengos. Corre-lhes bem a coisa. Bem se vê que não se levantam às seis da manhã e não passam duas horas em transportes para ir aturar gente doida. Nem se chateiam a planear férias porque toda a gente quer as mesmas semanas. Mais importante, não têm de preencher a estúpida declaração de rendimentos nem têm de pagar impostos! O que me leva à pungente interrogação que suporta o título deste devaneio fora de horas:

Alguém me saberá dar uma razão válida para os meus gatos e cães não serem considerados dependentes do agregado familiar? 
É que eu cá acho que deviam! Senão vejamos:
 - não se sustentam a si próprios
 - comem que nem uns alarves
 - sujam areão que é um disparate
 - no global, custam mais em consultas médicas por ano do que eu
 - só não tenho despesas de educação porque a escolinha para cachorros mal comportados me fica fora de mão. De qualquer forma Nero Augusto é um caso tão perdido, mas tão perdido, que seria desperdício: nem o mocinho do encantador de cães o aturava mais de cinco minutos sem se suicidar. Eu não me suidido porque, lá está, tenho de sustentar esta bicheza toda!

Em suma, gasto rios de dinheiro com as pestes. Todos animais adoptados, note-se, que andavam a cirandar pela rua (os gatos) ou a ocupar lugar numa associação (os cães) e a custar dinheiro à autarquia que a subsidia . Ou seja, ainda estou a fazer serviço público. De borla. Aliás, minto: tive de pagar trinta euros por cada cachorro, uma taxa de adopção qualquer que serve de ajuda para as vacinas que trazem (a Nikki vinha com vacinas dadas há uma semana sim, infelizmente estavam era fora de prazo.Teve de ser tudo repetido  às nossas custas, claro) e à esterilização que também é mandatória. Mandatória, porém pouco eficaz no caso de Nero Augusto, que apesar de teoricamente já não ter tudo aquilo com que nasceu continua com muito interesse no sexo oposto, vá-se lá perceber porquê! Só problemas, só contrariedades...

E o governo não é sensível a isso porquê?