Dei comigo ontem a festejar um golo do benfica com alguma euforia (levantei
os bracinhos antes de, horrorizada, dar conta do que estava a fazer), coisa que
já não fazia desde umas competições europeias nos idos de 87, se não me falha a
memória, em que estava em Paris, hospedada em casa dos meus primos e subjugada pelo
charme imberbe de um amigo deles, que (para minha grande tristeza) era do Benfica. Ora, quando em Roma, sê romano;
não ia torcer pelos outros (que nem sei já quem eram) quando o objecto cobiçado
estava ali todo entusiasmado a vibrar pelos homenzinhos de vermelho. Às vezes
os fins justificam os meios, e naquela situação foi o que aconteceu, apesar de no
final, tanto para mim como para o Benfas, a coisa não ter corrido bem :).
Are you talking to me? 'Cause if you are, I really couldn't care less...
quarta-feira, 21 de março de 2012
Porque no te callas tu también?
terça-feira, 20 de março de 2012
Da pedantice de vão de escada
Durante a hora de almoço, sobre vinho verde:
Miss Know it All: Ah, e tal, depois da faculdade uma pessoa refina o gosto.
Interlocutor: Não é tanto o refinar o gosto, é também começar a trabalhar e ter mais dinheiro na carteira para aceder a outras coisas...
Miss Know it All (meio tom acima, já num nível pré esganiçado): Ah, desculpa lá, isso não tem nada a ver! Eu nunca gostei de Casal Garcia, que toda a gente bebia nos jantares de faculdade. E não me vais querer comparar o Casal Garcia com um Vilarinho, pois não??!!!
O interlocutor não sei, querida. Já eu lhe diria, de caras, que nem pensar! Mas se me disser se quero comparar com um Alvarinho, aí já podemos debater.
Dir-me-ão que o lapsus linguae se tolera pela coincidência de certo dirigente desportivo homónimo (o do benfas, claro) também ser dado à pinga e ficar tudo em família. Mas uma Miss Know it All não pode cometer erros de palmatória destes quando é pseudoaspirante ao jetset oito. Especialmente quando 'Mrs. Bitch' (eu, na circunstância) está por perto, a assistir de cátedra, e está 'in the mood'. Oh Yeah!
Não temei, foi corrigida com muito tacto e diplomacia. Até deixei passar a primeira vez, mas à segunda tive de ajudar a rapariga. Está na minha natureza...
Interlocutor: Não é tanto o refinar o gosto, é também começar a trabalhar e ter mais dinheiro na carteira para aceder a outras coisas...
Miss Know it All (meio tom acima, já num nível pré esganiçado): Ah, desculpa lá, isso não tem nada a ver! Eu nunca gostei de Casal Garcia, que toda a gente bebia nos jantares de faculdade. E não me vais querer comparar o Casal Garcia com um Vilarinho, pois não??!!!
O interlocutor não sei, querida. Já eu lhe diria, de caras, que nem pensar! Mas se me disser se quero comparar com um Alvarinho, aí já podemos debater.
Dir-me-ão que o lapsus linguae se tolera pela coincidência de certo dirigente desportivo homónimo (o do benfas, claro) também ser dado à pinga e ficar tudo em família. Mas uma Miss Know it All não pode cometer erros de palmatória destes quando é pseudoaspirante ao jet
Não temei, foi corrigida com muito tacto e diplomacia. Até deixei passar a primeira vez, mas à segunda tive de ajudar a rapariga. Está na minha natureza...
segunda-feira, 19 de março de 2012
Lembro-me vagamente de, há 31 anos atrás, ter um presente para o meu pai. A memória falha-me quanto à sua natureza, já não me recordo. Provavelmente, um lenço, ou umas meias. Ou uma esferográfica bonita. Naquele tempo, em que tudo muito mais simples, até uma pedra encontrada na rua podia ser um presente bonito, especialmente para uma miúda de 9 anos. Devo ter garatujado um postal com uma mensagem ternurenta e caligrafia aplicada, e provavelmente um desenho a acompanhar, e ofereci o todo com a felicidade ingénua das crianças que acreditam que a vida é imutável. Não é. Aprendi isso da pior forma, e logo no ano seguinte. Recordo-me do embaraço da minha professora, quando pediu aos colegas uma composição sobre o dia do pai. Eu pude escolher o tema. Já não me lembro sobre o que escrevi, mas a descriminação, por bem intencionada que tenha sido, deixou-me marcas. De alguma forma, foi o reforço da minha 'diferença'. Optei por bloquear a perda. Pura e simplesmente, não falava do meu pai. Nunca. Já aqui dei conta disso.
Nunca mais pude desejar um feliz dia do pai. Não é fácil, ainda hoje, quantificar a enormidade da perda. Mais do que o pai, foi o amigo, o professor, 'aquele que sabia tudo e respondia às perguntas todas', o refúgio quando tinha medo. Quem me ensinou a andar de bicicleta e me obrigou a subir outra vez para cima do cavalo, depois de uma queda feia. Aquele que era tão doido por animais que teve camaleões, uma tartaruga fíníssima, que até ia passear aos domingos ao Champ de Mars. Que me apanhou uma rã, que viveu dois dias na banheira lá de casa. Que me deu um patinho, quando morávamos num apartamento! A minha loucura da bicheza não vem da minha mãe, no sir!
Não tenho o meu pai presente, mas não deixo passar a data em branco. É um ritual lá em casa. Neste dia, celebramos a memória. O 'presente' reverte para a minha mãe. Afinal, ela foi mãe e pai. Não dizemos nada. Ainda dói a todos, trinta anos depois. Por isso logo vou lá dar-lhe um beijinho e levar uma flor, ou uma planta. Algo vivo e simples, como são as coisas bonitas e importantes da vida.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Isto não é o FCP, sr. Mancini
Tenho tanta pena...
SPORTING SPORTING SPORTING
REMEMBER MY NAME
(pronto, passei-me, o que querem...)
quarta-feira, 14 de março de 2012
De como a inocência ignorante é uma benção insuspeita
terça-feira, 6 de março de 2012
"Um dia...
...parto a cara a alguém. Hoje é o dia!"
Sorte. Muita sorte. Foi o que teve o simpático cavalheiro que esta manhã nos fez
uma tangente com a sua estúpida carrinha Mercedes e que depois foi o resto do
caminho armado em palhacinho até parar numa rotunda desimpedida e ainda ficar a
gesticular por ter levado uma apitadela no rabo para se despachar a tirar a
lata da frente, que há neste mundo quem trabalhe. Teve muita sorte pelo facto do cinto ter atrasado a minha saída
intempestiva do carro, mas também revelou alguma inteligência porque percebeu ao que ia o
meu metro e sessenta e pouco a sair disparado do carro direita ao dele; não lhe
ia perguntar as horas de certeza absoluta. Foi esperto o suficiente para se por
a milhas. Mas lixas-te, grande anormal, que te vejo todos os dias mais à tua
lata feia como a noite dos trovões e fica descansado: se não foi hoje que te parti a tromba,
ocasiões não faltarão. We shall meet again e não te vai correr bem a vida, nem que eu fique toda negra também. Ordinário.
Perdoarão a linguagem um pouco trolha, mas há gente que me tira do sério. Pormenor de qualidade: nem sequer era eu que ia a conduzir. Perdi toda a pouca credibilidade que tinha de pessoa calma e equilibrada, mas o marido divertiu-se. Não se perdeu tudo.
Fiquei frustrada, contudo. Tanto nervo desperdiçado, uma explosão de energia assassina tão bonita...para o hiperespaço. Mas ainda tenho hora e meia antes de sair, acalento a secreta esperança de partir a boca a uma colega minha, assim ela continue a mandar emails parvinhos a tentar acusar pessoas que não se podem defender e brilhar por comparação. Cabra.
Hoje é o dia. Hoje é o dia. Hoje é o dia.
Até os nózinhos dos dedos me tremem...
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Ainda há criatividade neste país cinzento
Mais alguém acha esta manchete absolutamente genial ou sou só eu com um ataque de lagartice extrema? :)
Goste-se ou não daquela pimbalheira do Michel Tótó (a gerência deste espaço pseudo-intelectual obviamente não subscreve a pimbalheira mas está atenta ao fenómeno) o certo é que quem se saiu com esta teve sentido de oportunidade.
Também é verdade que já ontem tinha ouvido uma versão muito parecida por causa do desaire do FCP, mas agora tenho matéria de facto para colocar aqui.
Agora é esperar para ver quantos vamos nós 'encaixar' mas não me estragueis a doce ilusão por enquanto.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
The Book Thief
É sabido por quem me conhece bem que, sob este ar esfíngico (não sou eu quem me autointitulo, note-se bem), bate o coração mole de uma verdadeira madalena choricas. Também já devo ter confessado por aqui que choro por tudo e por nada, e em todo o lado, com mais ou menos embaraço, porque tenho um saco lacrimal com vontade própria que há muito já desisti de tentar controlar. Adoptei antes uma abordagem pragmática que é a de tentar ter sempre lenços de papel na mala e ser o mais discreta possível quando a vaga de choraminguice se declara, e estou por isso muito reconciliada com o facto de choramingar por tudo e por nada. Visto que nada há a fazer, já nem ligo. Nem eu, nem ninguém, embora o meu cunhado ainda se divirta a surpreender-me no acto: 'já estás a chorar?' 'eu?! (fungo indignado, e lágrima a correr) claro que não!'. E risada logo a seguir.
Tudo isto para dizer que tenho uma sensibilidade exacerbada (aka mariquice do caraças) e que é fácil pôr-me a chorar. Fácil, porém, não gratuito. Se quiser consigo - mas não vejo grande interesse agora que sei que a minha carreira de actriz já me passou ao lado - chorar on request. Lembro-me que a minha irmã, em miúda, gostava de ver o brilho dos meus olhos quando se assomava aquela primeira lágrima, e me pedia muitas vezes 'mana, chora lá um bocadinho para eu ver os teus olhos a brilhar', e eu vá de pensar no Bambi para lhe fazer a vontade. Mas não façais confusão, lágrimas de crocodilo não fazem de todo o meu género e não as vereis cair do meu rosto. Tenho horror ao bicho e a tudo o que se lhe conota. Tal como tenho horror a imaginar-me na Alemanha da década de 40, seja de que lado da barricada. Não sei o que seria pior: se ter um ridículo homenzinho de bigode a ditar os meus passos e pensamentos, e a vergar a minha essência mais profunda, e a tornar-me um monstro como ele, se estar do lado dos perseguidos judeus e sofrer as ignomínias que lhes foram impostas em nome de nem se sabe muito bem o quê. Não é um período histórico que eu conheça a fundo, não por falta de interesse, mas por falta de coragem para aceitar a hipótese de que o que aconteceu ao povo alemão poderia acontecer a qualquer um de nós: tenho a firme convicção de que todos temos o nosso ponto de resistência e que, em circunstâncias particulares, seríamos todos capazes de perder o discernimento e ir na carneirada monstruosa, se isso significasse proteger os nossos. É muito bonito fantasiar o nosso próprio pedestal e dizer 'eu nunca faria o que o gajo alemão fez, nunca faria tanto mal a outro ser humano', mas a verdade é que não sei se consigo acreditar nisso. Simplesmente não sei.
Um livro triste, mas ternurento, que adorei ler e que vai direitinho para o meu Special book place.
(nota: não se deixem enganar pelas sinopses à pressão que por aí andam, passam completamente ao lado da sensibilidade do autor e da profundidade da sua história. Aliás, só um génio conseguiria resumir este livro em meia dúzia de linhas. Para vosso azar, eu é que estou sem tempo agora... :))
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Da eficácia que ricocheteia...
Correndo o risco de me repetir na temática, mas aqui vai na mesma.
Tenho para mim que ter dois dedos de testa nos meandros do tecido
empresarial deste país é uma coisa perniciosa. E digo isto porque acabo de
experimentar (yet again) a sensação de
frustração que devem sentir aqueles que, sendo seres pensantes com alguma visão
objectiva e coluna vertebral, tentam demonstrar por a + b que uma situação carece
de outra abordagem e acabam com o menino nas mãos, como sói dizer-se.
É uma dupla frustração, na verdade: não só fico com o menino nas mãos, o
que é frustrante porque eu nem sequer tenho nada a ver com o menino, como quase
me arrependo por ter tido um lampejo de visão básica e ter alertado para uma
coisa que pelo menos duas linhas hierárquicas acima de mim deviam ter visto. A
sensação com que fico deixa um amargo de boca: ou me torno um autómato idiota que
funciona na base do ‘mandaram fazer, eu faço, mesmo vendo que vai dar porcaria,
mas quero lá saber’ ou continuo a fazer como tenho feito até aqui, mantendo-me
atenta e minimamente interessada, e o que tenho garantido é fazer o trabalho de
sapa que ninguém quer fazer. O meu grande problema é ter um problema ainda
maior com autoridade incompetente e não conseguir pactuar com estupidez
gritante. Às vezes chateia-me não ser uma completa imbecil. Não me chateava nem metade do que me chateio e, com sorte, ainda podia levar uma coisa destas para casa, que tão bem me ficaria em cima da lareira...
ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Da eficácia Parte II
Enquanto os meus colegas se descabelavam em silêncio porque não iam ter tolerância de ponto (depois da nota interna da Administração a cumprir as indicações do Grupo), aqui a menina, depois de saber (através de colegas leais) que a sua empresa era a única do Grupo que ia trabalhar, fez uma coisa absolutamente extraordinária: perguntou ao chefe o 'porquê' da dualidade de critérios. Meia hora depois saiu nova nota interna a revogar a primeira e a dizer a toda a gente que podiam ficar em casa.
Ora bem. Tenho alguma considerações sobre isto, especialmente depois de uma colega me ter explodido em loas histéricas de agradecimento, com direito a beijo e tudo (que não consegui evitar de todo, por estar encurralada no meu posto de trabalho) :
a) Deus nosso Senhor deu uma boquinha a cada um de nós, ou estarei enganada? Eu só decidi usá-la, adequadamente, de forma simples e polida. Isso não faz de mim candidata a prémio Nobel da Física, ou faz?
b) Contestar uma decisão superior não é sinal de mau feitio, mania de contrariar, ou acérrimo sindicalismo (obrigada, colega, adorei o epíteto, mas declino-o, respeitosamente): é, simplesmente, usar de bom senso e tentar perceber as razões subjacentes a uma decisão que não entendemos. Vai-se a ver a razão subjacente era o Grupo se ter 'esquecido' de informar a nossa Administração que afinal haveria tolerância de ponto. Vai-se a ver, se eu não tivesse perguntado, ninguém ficava a saber disto, e vinham todos trabalhar como tótós, enquanto o resto da malta gozava o sol do entrudo.
c) à colega que disse que 'se eu fosse à frente para a guerra, ela ia atrás de porta estandarte'. Muito sensibilizada com a sua coragem e disponibilidade. E fico muito emocionada por me querer erguer uma estátua, querida colega, mas é escusado. Não foi com certeza por sua causa que abri a boca, até porque a menina ia de férias de qualquer forma e, verdade seja dita, há colegas que eu aprecio bastante mais. Tal como era escusado ter-me chamado 'a nossa sindicalista' no meio do corredor. E também não lhe tinha ficado mal pensar duas vezes antes de se oferecer para me trazer uma chouriça lá da terra, como se lhe tivesse feito algum favor pessoal. Como não me chamo Godinho, nem sou sucateira, não percebi de todo. Digo-lhe mais, estou de dieta a queijo e enchidos, que tenho o 'castrol' ligeiramente acima dos valores de referência, por isso guarde lá a chouriça para quem se impressione com bajulice. Olhe que perde o seu tempo, por aqui.
d) Finalmente, aos colegas que ficaram aborrecidos porque 'eu podia ter dito qualquer coisa mais cedo que assim tiravam a segunda feira também' humildemente lhes peço desculpas por transtornar os seus planos desta forma tão vil, relembrando contudo que os planos não eram meus...E já que aqui estou, aproveito para lhes desejar também uma feliz estada no reino do carneirismo conformado.
Não há pachorra para isto, em boa verdade vos digo.
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