domingo, 1 de fevereiro de 2009

Argh...(à falta de título mais inspirado)

Hoje vou ser telegráfica. Tenho o bacalhau com natas de mummy - versão não bimbi- à minha espera, e Sasha Margareth aflita para ir à rua.


E vou aproveitar a trégua de S. Pedro para tentar chegar a casa de mummy sem parecer um pinto ensopado, o que anda a acontecer recorrentemente e, com toda a franqueza, já enjoa!


Não tenho tempo para mais do que um desejo de bom domingo e um aperçu da minha fabulosa manhã de domingo :



  1. Retoques na tosquia da Nádia: 45 minutos

  2. Fazer a cama de lavado, com os lençois super esticados, à prova de reparo de mummy e pulverização com essência de 'erva após a chuva', que faz parte de um excelente coffret de cheiros da natureza que me ofereceram, e me pareceu adequado depois da estúpida tempestade de ontem: 15 minutos

  3. Tomar banhinho e ficar vestida e cheirosa: 20 minutos (não inclui a aplicação da parafernália de cremes porque, honestamente, não há pachorra)

  4. Verificação dos estragos causados pela fúria do vento de ontem à noite: 5 minutos (inclui 1 minuto para constatação que todas as plantas estão maltratadas, e os restantes 4 de vernáculo que não posso reproduzir aqui, contra o facto dos meus amores perfeitos terem sido pulverizados. São Pedro, estou um bocado lixada contigo, a sério!)

  5. Degustação do meu chá com bolachinhas de chocolate (sim, eu sei que estou de dieta, mas era isso ou um pacote de batatas fritas!): 10 minutos

  6. Leitura das minhas 4 Rotas & Destinos em atraso: hora e meia. Não inclui o resto do tempo de intenso praguejar contra esta ideia infeliz, que me deprimiu horrivelmente. Havia uma razão para eu não ler as estúpidas revistas: não ficar deprimida à conta das coisas todas que provavelmente nunca irei fazer na vida, nomeadamente ir aqui:

'Aqui ' sendo Bora Bora... um dos muitos destinos estupidamente caros e que fazem parte dos estúpidos pacotinhos de S. Valentim que, sinceramente, não se aturam!! Quem é que vai festejar o Sao Valentim a Bora Bora???? Cristo, há gente que não tem mesmo o que fazer, raios os partam!

(isto não sou eu a ser invejosa, de todo!!!!)


Ainda bem que mummy fez bacalhau com natas. Isto agora só vai lá com toneladas de calorias :(


Nota: S. Pedro, estás a ouvir a Geri Halliwell? Se tens mesmo de fazer chover, não sei, fica a sugestão...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Imbecilidade estática

A imbecilidade é, para alguns, um estado de espírito, uma característica intrínseca. Um inequívoco e indelével traço de personalidade. Para outros, a imbecilidade é como apanhar um vírus por contágio, quando estamos demasiado expostos a imbecis permanentes sem tomar medicação preventiva, ou como uma bactéria oportunista, que se nos imiscua no sistema quando andamos mais stressados, com as defesas mais em baixo e, consequentemente, mais propensos a intoxicação.
Acontece aos melhores. Aconteceu-me a mim, ontem...

Pois que ando a fazer colecção da terceira série de livros a 1€ da revista ‘Sábado’. Como habitualmente, dirigi-me ao quiosque da estação de comboios, e pedi à senhora a ‘Sábado’ e o livro. Isto porque ela tem sempre os livros refundidos algures dentro do balcão. Mas ontem não. Ontem olhou para mim bovinamente e disse-me para tirar do escaparate. E eu tirei. Sou bem mandada. O livrinho, e a revista que estava ao lado.

Pousei no balcão, ainda ajudei a fazer a dificil conta de 2,85€ + 1€=3,85€, ajudei-a a fazer-me o troco, recebendo, após sugestão, os 5 cêntimos que me eram devidos (outra operação de álgebra muito complicada) e fui à minha vida. Sentei-me no meu lugar de eleição no meu comboiozinho suburbano, saquei dos óculos, alheei-me do insuportável ‘huntz huntz’ que saía dos phones da jovem criatura ao meu lado, e peguei na minha ‘Sábado’. Examinei a capa, com muita atenção pois trazia um retrato/desenho do Sócrates, com pormenores muito interessantes de claro/escuro, que é uma das coisas que tenho de dominar nas aulinhas das belas artes e na qual, by the way, sou uma lástima. Depois, olhei para o índice, folheei uma ou duas folhas, e comecei a ler um artigo sobre um CD com covers dos Abba que a 'Visão' estava a oferecer aos leitores. Pensei ‘ A Sábado está a falar da 'Visão'? Que tontos, agora andam a fazer anúncios às prendas da concorrência? Bem, o CD deve ser muito mau, deixa cá ver que mais dizem. Hum... sai no próximo número...bizarro, n tou a perceber’. Confesso que aí comecei a sentir que estava qualquer coisa errada, mas ainda insisti em avançar mais na leitura da ‘Sábado’. E foi só quando vi um texto sublinhado a amarelo que, num súbito rasgo de compreeensão e em pânico, virei novamente a capa da revista para mim. Em letras garrafais, GARRAFAIS MESMO, estava escrito o quê? Vá em coro, todos comigo! VISÃO. V-I-S-Ã-O. VISÃO. Não era a 'Sábado', não, não...Trouxe a revista errada!!!

Quão imbecil pode ser uma pessoa que quer uma revista e compra outra, e só dá por isso mais de 10 minutos depois de a ter na mão? Eu digo-vos: é muito imbecil!

O meu único consolo é que a senhora do quiosque também não prima pela inteligência e deve ter chegado ao fim do dia com alguém muito zangado que tinha revista mas livro népia... Mas, não me sinto muito melhor por isso, até porque não suporto a 'Visão'! Acho até inaceitável que saia no mesmo dia que a 'Sábado' e dê azo a confusões destas.
Portanto, e no fundo, a culpa da minha imbecilidade de ontem foi deles, certo? Claro que sim.

E o dia de ontem foi ainda marcado pela última aula de gym com a professora que me encontrou um alterego na Amy Whinehouse. Vai-se embora :( Não mais serei recebida em apoteose, não mais serei a estrela da sala, com direito a tratamento VIP, ainda que por vezes VIP demais... A partir de terça feira voltarei a ser só mais um um rabo anónimo na luta contra os efeitos da gravidade. Efémera fama...BAH!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O hábito não faz (sempre) o monge

Vinha cheia de força para uma reflexão profunda, mas acho que só vou escrever o post para ter desculpa para por esta música do Caetano. Ando com ela na cabeça há uns dias, quase tantos quantos os que sinto a insidiosa -e sobejamente conhecida-mudança de humor (AKA valente neura) a colar-se-me à pele. Já não a via há uns tempos, e não tinha saudades nenhumas.


Mas aproveito que aqui estou ( e já que não estou a cumprir o plano de estudo do livro de História da Arte e suas 800 páginas, que ofereci a mim mesma pelo Natal) para tecer algumas considerações metafísicas. Curioso como por vezes basta uma pequena conversa inocente para nos por a questionar tanta coisa. Quem somos, afinal? Ou melhor, quem parecemos ser? Que imagem de nós damos ao mundo, para o mundo se permitir tirar esta ou aquela conclusão e nos rotular a seu belo prazer? E que estúpida faculdade tem o mundo de concluir coisas parvas e ainda assim nos afectar? Irrita-me que se assumam coisas só porque se pensa vê-las. Irrita-me que uma diferença de opiniões embata no muro da teimosia e que o que é válido para A tenha de ser igualmente válido para B. Irrita-me que me ponham a pensar nestas coisas quando tenho tanto mais que fazer. Irrita-me, especialmente, a mim que sempre odiei matemática pela sua falta de nuances e consequente profunda e aberrante falta de interesse, que me reduzam a um mínimo denominador comum, só porque a maior parte do Universo se rege por ele. Epá, pronto, irrita-me! O perigo de alguém nos conhecer bem?... é saber onde está a brecha da irritação na armadura. E espetar a farpa mesmo aí. Vou ali num instante colar uma fissurita e volto quando estiver estanque, que a minha vida não é andar a chatear-me com dores alheias disfarçadas de doutrina insofismável. Santa paciência!

BEWARE GENERALIZADORES!!!!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

The nightmare...

Achei que levaria menos tempo a contar a semana das tropelias da bicheza num piqueno filme. Enganei-me redondamente, que ando nisto há imenso tempo e já me estou a irritar com a' linha de tempo'. Deve dar um trabalhão editar um filme a sério, é só o que eu tenho a dizer!

Mas como já está feito, mesmo... Aqui fica, em estreia absoluta: A semana da bicheza, em versão de imprensa, com banda sonora não original a condizer:

Em minha defesa: não é que eu goste de tosquiar a gata com a tesoura das unhas, mas a alternativa é ir ao vet, levar um sermão porque tinha de a pentear todos os dias (claramente não conhecem a Nádia e a sua falta de tolerância ao pente), assinar um termo de responsabilidade para ela ser anestesiada e arriscar-me a ficar sem gatinha (com dez anos já não se brinca ao morre e ressuscita) e ainda pagar 50€! Ora assim, é menos traumático para ela, que até colabora mais ou menos, e muito menos traumatico para a minha carteira!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pensamento do dia



Se uma anónima empregada de mesa casou com o Nicholas Cage;

Se a Leona Lewis andou a servir pizzas antes de ser descoberta e se tornar cantora famosa;



Então, é evidente que eu também devia ter apostado no sector da restauração!!!


(desabafo na sequência de um telefonema de uma cliente ofendida que me descompôs e me desligou o telefone na cara (e atenção que foi ela que ligou) por eu ter tido a ousadia, digo bem, a ousadia, de lhe pedir que pague o que deve! Eu realmente não nasci de todo para isto. E ainda por cima, enganou-se no meu nome, a grande cabra! )

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Lençol, almofada e ele...


Eu já estava instalada quando ele entrou. Um pouco nervosa, confesso. Já nos tínhamos visto antes, mas num contexto mais formal. Sabia que o iria tornar a ver. Só não esperava que as coisas se precipitassem assim. Tentei disfarçar o meu desconforto, mordiscando furiosamente a minha trident de peppermint. Ele olhou de soslaio, e sorriu. Depois avançou, e parou à minha frente, lânguido, o corpo desnudo. Avançou com a confiança de quem sabe ao que vem. Eu olhava, fascinada, os seus movimentos felinos, os músculos discretos sob a pele morena. O cabelo, negro e farto, caia-lhe teimosamente sobre a cara. Com um gesto elegante, puxou-o para trás. Avaliei-o lentamente, enquanto ele ajeitava as almofadas e se instalava sobre o lençol branco, as pernas insolentemente cruzadas. A tensão sentia-se no ar. Olhei-o fixamente, despudoradamente, acariciando o seu corpo firme com o olhar, fixando cada detalhe da sua constituição de Adónis.

Depois, saquei do lápis e comecei a desenhar...

Got you! Pensaram que era pornochachada, certo?
Nope! Sorry... Primeira aula de desenho com modelo nú.
Revelou-se-me um novo sentido para a expressão 'tirar medidas'...
NOTA IMPORTANTE 1 (após ver os primeiros comentários e antes de ser acusada de publicidade enganosa): Onde se lê 'Adónis' deve ler-se: 'homem normal, até a atirar para o baixinho, com pilosidade considerável e dicção bizarra'.
NOTA IMPORTANTE 2: Na sequencia da NOTA IMPORTANTE 1, informo as leitoras que a criatura verdadeiramente portentosa da foto não é, nem de perto nem de longe (nem de muito, muito longe), o 'meu' modelo, pelo que, se estais em busca de deleite para os olhos, será judicioso procurarem noutro sítio.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O exemplo dos mais novos

Já aqui disse que o Boris anda na idade do armário. E por cima dos ditos. Com os resultados previsíveis abaixo:

O meu lindo vitral despencou ruidosamente do armário há uma semana, e jaz agora no chão do estúdio onde vou tentar, pela segunda vez, colar os despojos. sob o olhar atento da peste felina, que não resistiu a meter-se na foto.


Isto já chegava para me chatear, mas eis que descubro mais um talento de Boris, o Terror Malhado: conspiração e influência. Agora anda-me a meter ideias de juventude parvas na cabeça do meu - até hoje - bem comportado Gato Gil.



Hoje dei com este nestes propósitos de insubordinação...







Gostava de continuar o post mas tenho de ir arrumar a minha colecção de Cds Clássicos que aqui o Gato Aranha fez questão de fazer tombar.



Juro que os rifo a todos , um dia destes!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Cliente que se queixa nunca tem razão


Andei a arrumar os monos de 2008 e dei com as duas únicas cartas de reclamação que já fiz até hoje, farta que estou de comer e calar. Chego à conclusão que o serviço a cliente é uma farsa. O serviço a cliente é, na verdade, o serviço de encapotamento da anormalidade do funcionamento da empresa no seu grau mais apurado. Ora nos beijam quando estamos a comprar o produtinho e a pagar o dito, ora nos apedrejam quando ousamos dizer que o produto, afinal, podia ser melhor.

As respostas às minhas cartas de reclamação -que entendo terem sido correctas e claras, descrevendo os factos e sugerindo o comportamento que me parecia passível de ter sido tomado - são de chorar a rir. Fiz, duas, como disse. Uma aos CTT, por me terem perdido uma encomenda há uns dois meses. Frisei na carta que o pacote tinha sido mal acondicionado na estação porque teimaram em colocá-lo num envelope demasiado pequeno por falta de stock de um maior, e que não tinha ido registado porque se destinava aos arredores de Coimbra e não propriamente a um país do terceiro mundo. Suspeito que não tenham gostado desta boca, porque me responderam que apesar de terem muita pena não podiam fazer grande coisa, e que os CTT disponibilizavam todos os serviços adequados a garantir a entrega dos objectos postais. Mentira, não entregaram esta, e eram igualmente responsáveis por ela. É isso que parecem ter esquecido, descartando-se da responsabilidade em três tempos. Acabei por seu eu ‘julgada’ porque devia ter registado a encomenda. Porquê? Só funcionam bem quando lhes pagam mais? Ou deveria ter sorrido muito à senhora da estação para ela fazer o trabalho dela como deve ser? Não sei...

A segunda foi feita à Fertagus, num dia em que caiu uma catenária não sei onde e a circulação esteve caótica. Muito bem, mas a culpa de caírem as catenárias não foi deles, dirão vocês. E muito bem. Não foi. Mas eu também não me queixei disso. Eu queixei-me da falta de pessoal deles na plataforma, para impedir que as centenas de pessoas que lá estavam se empurrassem como selvagens e entrassem em cenas de pugilato como aquela a que eu assisti. Claramente, sou doida porque o senhor da Fertagus que respondeu à minha cartinha diz-me textualmente que ‘ a segurança dos passageiros nunca esteve em questão’. Pois, o senhor que levou o murro nas costas deve ter outra opinião. É certo que foi merecido, e não fosse eu estar absolutamente prensada e impedida de mexer outra coisa que não o nariz e os olhinhos, ter-lhe-ia também arremessado a minha malinha da marmita, mas o que é certo é que não são condições para albergar passageiros que pagam horrores por mês para andarem no comboiozinho da ponte.

Mas enfim, o certo é que, nesta coisa das reclamações, como aliás em quase tudo na vida, quem recebe uma queixa raramente compreende o que ela envolve, carrega no print da carta tipo e lá vai disto. Ou pior, acusa-nos de estar a inventar e vira as coisas de tal forma que quase temos de pedir desculpa por termos sido lesados. Não vejo outro intuito que não o de desencorajar a malta a continuar a reclamar. Pois comigo, lixam-se! E não se lixam com F grande porque sou uma senhora. Como tal, leio as cartas tipo com as desculpas parvas e as bajulações habituais, arquivo-as no arquivo morto e não se fala mais nisso.

Deixarei, por ver os meus factos estropiados, distorcidos, reajustados a favor do prevaricador, de me queixar sempre que entender? Certamente que não.
Deixarei por isso de dizer a verdade a quem a merece ouvir? Certamente que não.

Sentir-me-ei, por isso, tentada a comer e calar da próxima vez que algo não me agradar?
Era o que mais faltava!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Verdes anos, colecções bizarras

Estava agora mesmo a trocar uns cromos com um amigo meu, e acabámos a falar de coleccionismo juvenil. Eu pecadora me confesso, e deixo aqui as minhas 'vergonhas':

Até aos 12:
  1. Pratas de bombons e bolachas, cuidadosamente alisadas e arquivadas em caixinhasBorrachas, de todas as cores e feitios
  2. Folhas de blocos ilustrados
  3. Aquelas miniaturas apara lápis, em metal, lembram-se? Havia pianos, carros, comboios. Ainda as tenho algures na garagem. Acho.
  4. Cromos do Papuça e Dentuça e do Reino Animal
Na idade da parvoeira total, mais ou menos até aos 17
  1. Desenhos de motas do meu amigo Rui
  2. Posters e recortes do Sylvester Stallone (não quero comentários, que ainda os tenho todos. Não estão é colados na parede)
  3. Posters e recortes da Brooke Shields (porque queria ser como ela, quando ainda achava que o meu cabelo podia ser controlado e que ia passar do metro e sessenta e três)

  4. Posters dos Duran Duran

5. Posters e recortes dos Bon Jovi. Claro, né?

6. Postais de gatos



7. Calendários, especialmente da bola


8. Cromos da bola ( grande orgulho no meu 'Itália 90' dos meus Ferri e Giannini...coisas mas lindas!!!)



Na faculdade:
  1. umas 10 negas a estatística até fazer a estúpida cadeira...



Mais 'adultas' e mais recentes:
  1. Revistas com posters do Viggo Mortensen ( e tenho este poster do 'Regresso do Rei' colado no armário do atelier. E então, há azar?)

2. selos (conta como colecção ter quinhentos mil por classificar, certo?)

3. 'galos'

4. animais abandonados...

5. cromos, sem ser da bola. Tenho para a troca, se alguém quiser.

Your turn!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Os animais são nossos amigos...a menos que pesem 38 Kgs!

Como não sou grande artista de banda desenhada, se calhar não era pior contar a história...

Há pessoas estúpidas, que já nasceram assim e morrerão assim. Há outras pessoas que, não sendo estúpidas a tempo inteiro, vão treinando o seu quociente de anormalidade, para não correrem o risco de se tornarem seres perfeitos e serem assim ostracizados pelos menos maravilhosos. Enquadro-me, naturalmente, na segunda categoria!
Eis o porquê de ter achado uma boa ideia - e um bom treino para aumentar o meu quociente de estupidez - estar meia hora ajoelhada no chão de mosaico, em frente ao pc. Como sabem, não tem estado propriamente calor. Consequentemente, passados 10 minutos, já não havia muita circulação sanguínea que passasse do joelhito para baixo, e pensei que me ia correr mal a vida. Mas insisti (compreendem, o quociente...). Passados mais 10, comecei a tentar levantar-me, muito devagarinho, qual octogenário artrítico. Não resultou. Não me conseguia mexer. Firme e hirta por causa do frio, e a ranger os dentes de dor, vi que só podia fazer o que faço no ski quando não consigo parar: mandar-me para o chão. Foi o que fiz, aos ais, e literalmente a morrer de dores. Mas, meus amigos, doia-me a sério. Gemendo como uma condenada, tentei arrastar-me pelo chão, sempre aos 'ais', o que, provou ser uma atitude tremendamente estúpida, dado que Sasha MArgareth, que ressonava nos seus aposentos, ouviu e assomou-se à porta da sala, onde eu jazia em posição fetal, agarrada aos joelhos, e a achar que deve haver formas menos dolorosas de aumentar o quociente de estupidez, e tomando notas mentais para a próxima vez, caso sobrevivesse ao congelamento dos membros inferiores.
Ora a minha vida já estava suficientemente complicada sem um labrador de 38Kgs a correr para mim. Sasha Margareth tem uma noção bizarra de primeiros socorros...não lhe devem ter explicado que esmagar a vítima não contribui para a sua recuperação, e então sentou-se em cima de mim. Certamente na tentativa de me impedir de cair num coma sem volta, tentou manter-me alerta, colocando-me a sua patorra na cabeça. E, vendo que eu não conseguia dizer mais do que 'ai, sai, sai, sai, ai' tentou ajudar as minhas cordas vocais, lambendo-me o pescoço, a cabeça e a cara, e babando tudo num raio de três metros.
Quando consegui desprender os braços, esmagados sob a massa adiposa da minha formosa menina, agarrei-lhe a cabeçorra e tentei empurrá-la, mas ela deve ter achado que era o estertor da morte que me animava, e então, deitou-se em cima de mim.
Desisti e fiquei a ver os gatinhos a passarem por nós em inquiridora careta, cheirando o meu cabelo (que devia cheirar bem depois das lambidelas do monstro amarelo) e gozando com a situação. Sei que no seu íntimo felino estavam perdidos de riso, os trastes!
As tiras insipientes que logrei desenhar num momento de inspiração duvidosa não mostram o desfecho da minha desventura. Não me orgulho de dizer que estive uns cinco minutos com Sasha Margarida em cima, até sentir o purpúreo elixir da vida (vulgo sangue ) a voltar a circular no meu mortificado corpo. Só então consegui arrastar-me pelo chão, sempre com os joelhos dobrados, claro, até ao meu aquecedor de halogéneo, onde me colei, com a temperatura no máximo, sempre com Sasha Margareth com a cabeçorra no meu ombro, e vinte minutos depois consegui descongelar os joelhos. Depois, olhei para Sasha Margareth, abracei-lhe a cabeçorra e dei-lhe um beijo no meio dos olhos. É que ela é o máximo, mesmo! Estou até a considerar comprar um daqueles barris dos São Bernardo, enchê-lo de Jameson e atar-lhe ao pescoço. Assim, para a próxima vez que eu treinar para aumentar o meu quociente de estupidez e ela me vier salvar, sempre bebo um copo enquanto espero que ela saia de cima de mim!