terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Reclamação

Tenho a dizer que o National Geographic Wild é um canal deveras deprimente. Só passam reportagens sobre gente mutilada por crocodilos, cobras, tubarões e caravelas portuguesas. Tenho estado a acompanhar a emissão e até agora conto dois pernetas, um sem braço, e um cheio de cicatrizes, embora com os membros todos. Fora os que morreram, claro. Tétrico, no mínimo. Já sabemos que há bicheza antipática, da qual devemos fugir a grande velocidade, mas os detalhes não são mesmo necessários, pois não? Ou então, quem sabe, talvez pudessem intercalar os programas da bicheza antipática com uma noite de bébés animais fofinhos, não? Onde não haja dor extrema, sangue e perda de membros a cada plano.
Tipo emissões sobre as crias dos maravilhosos Leopardo das Neves...Hum, seria possível ver beleza em estado puro, em vez de desgraçados desmembrados?
Agradecida!


Raios, não me importava de ter um gato destes...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Balanço/Great Expectations/Desafio - é um post gigantesco, não leiam! ;)

Comentava ontem com um amigo que não tenho escrito nada muito sério nos últimos tempos. O sítio onde estávamos não era propício a grandes reflexões transcendentais. Bom, na verdade, mal conseguíamos ouvir-nos a pensar com . O certo é que fiquei a pensar na questão. É verdade que a profundidade dos meus posts tem deixado a desejar. Se me perguntaram, por mim acho óptimo, porque este não é, de todo, o meu lugar de realização pessoal, nem tão pouco o meu diário. E, convenhamos, há coisas que não se colocam na blogosfera para qualquer pessoa ver. É evidente que faço uma filtragem do que aqui escrevo. Seria louca em não o fazer. Carrego na tecle 'delete' muitas vezes. Entendo que este é um espaço onde partilho o que me apetece partilhar, quando me apetece partilhar, e tenho muito cuidado com o que digo. Há uma responsabilidade inerente em escrever quando somos lidos. Aquilo que dizemos tem de ser contextualizado, pesado. Eu tento ter esse cuidado, para não chocar quem me lê. Sei que há coisas que posso dizer que poderão tocar num nervo sensível de pessoas que me lêem e, sempre que possível, evito. Esta é a única censura que me imponho. Tentar não ferir susceptibilidades. E tentar não dar azo a equívocos e interpretações erradas. Também não gosto de 'mandar recados'. Tenho o meu blogue sem regras de postagem, nem obrigações. Não quero sentir-me obrigada a tomar posições sobre actualidades, comentar costumes. Não ando nos campeonatos de posts ou comentários. Gosto de os ter, obviamente. Muito. Gosto muito de vos ler também. Mas quero fazer deste espaço um espaço positivo. Não me quero queixar de que a vida é injusta, que sou uma desgraçadinha, que a relva do vizinho é mais verde que a minha. Não é. Quer dizer, pode ser, mas não quero saber disso para nada. Constato, absorvo e evoluo. Com o que tenho. Com o que é meu: convicções, princípios, sensibilidade. Usados com moderação, acredito que me hão-de guiar à erva verde e tenra de um prado na primavera. Não preciso, por isso, de cobiçar a erva do vizinho, embora não vá tão longe quanto a dizer que não a admiro. E posso até pensar, 'caroço, não me importava de ter um prado assim'. Mas recuso-me a ficar deprimida porque o meu solo é menos rico. Há adubos. O humor é um deles. Por isso o espírito 'palhaço' estará inevitavelmente presente em mim. Não concebo uma vida sem humor. Não raras vezes, estou mais para dar um tiro na cabeça (por favor, é metafórico, que detesto armas de fogo) que outra coisa, mas um disparate qualquer, mesmo se dito com ar lúgubre e macambúzio, faz milagres. Recomendo o humor e sobretudo o rir-se de si, a todos, em 2009.
O meu balanço de 2008 vai ser curto. Não foi um ano mau. Fiz muitas coisas, conheci muitas pessoas, óptimas pessoas, pessoas que me vão acompanhar para o resto da vida, se depender de mim. (Nem todas são homens, o que reduz drasticamente as minhas hipóteses de concubinagem, mas pronto, não se pode ter tudo). Redescobri-me e aprendi a gostar mais de mim. Ainda tenho um longo caminho a percorrer na estrada da assertividade e da coragem para correr riscos, mas ainda assim entendo que estou na metade positiva da coisa. E, o que é muito bom, estou muito mais tonificada do que estava o ano passado. Isto, meus senhores, é muito importante! E não me apetece alongar mais nos balanços, porque a parte do passivo também teria de ser considerada e essa é menos divertida. Em conclusão, e perdoarão a deformação profissional, mas a minha situação líquida, ainda assim, foi positiva este ano. Mas não vou pagar imposto, porque tenho crédito de anos anteriores. Muitos créditos... Caro Homem Lá de Cima, podemos fazer encontro de contas quando quiseres, sim? Muito grata.
E, last but not least, em jeito de resoluções/desejos, e para responder aos desafios da Zabour, da Parisiense, do Fausto e da Aralis (perdoem-me se deixei alguém de fora), oito sonhos a concretizar:
  1. Cantar 'Santa Fe' com o Jon Bon Jovi (ou cantar outra coisa com outra pessoa qualquer, mas emocionar um público. Ter montanhas de palmas. Gente a descabelar-se por mim. Lágrimas... Rosas atiradas aos meus pés. Essas coisas...)
  2. Encontrar o caminho para conseguir saltar da cama com entusiasmo ao pensar que vou trabalhar. Realizar-me profissionalmente, e não ter o sentimento de absoluto desperdício que me tem acompanhado
  3. Educar uma criança. Let's face it: o mundo aguenta perfeitamente duas como eu! ;)
  4. Ser melhor pessoa
  5. Ter um carro que não me tenha fanicos quando há nevoeiro, para não ter de voltar a ir de autocarro para Lisboa.
  6. Viajar, viajar, viajar. Este é um sonho permanente, há tanto país para calcorrear
  7. Ter uma vivenda (isolada! Não quero ver os vizinhos em tronco nú a fazer sardinhadas. Credo!) para os meus bichanos provarem o sabor da liberdade, e para eu fazer dela o meu castelinho e ter um JARDIM a sério.
  8. Casar e ter dependentes cujas despesas possam ser deduzidos em sede de IRS. Estou muito farta de ser penalizada nas deduções. Além de que tenho de levar o carro à revisão e quero que seja o último ano em que sou eu a tratar dessa porcaria!
  9. Que o Sporting seja campeão ou pelo menos fique sempre à frente do Benfica! ;)
  10. Que consiga arranjar uns sonhos melhorzinhos para a próxima!

O sonho comanda a vida, não é? Hum...acho que já estou a perceber porque é que avanço a passo de caracol. hahahahaahhahahahahaaahha. Não importa, a tartaruga ganhou à lebre...Persistência, meus caros, persistência. E entusiasmo. Estes é que são desejos de jeito.

São estes os meus para 2009. Muito entusiasmo. Para todos!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Happy New Year



Happy new year

Happy new year

May we all have a vision now and then

Of a world

where every neighbour is a friend

Happy new year

Happy new year

May we all have our hopes, our will to try

If we don't
we might as well lay down and die

You and I...
Não que eu espere que alguém veja isto a tempo, à hora indecente a que estou a postar os meus votos, mas pronto, a culpa foi dos saldos... e de ter andado à procura da estúpida roupinha interior azul. Espero que azul petróleo e preto também sirva, porque não havia mais nada! E não, não vou mostrar!
Anyways...
Deixemos os balanços, os kgs a mais e a lista de resoluções para outra altura, que é hora de alegria! Peguem nas passas e ergam a flute bem alto, e brindemos ao novo ano.
Um 2009 cheio de coisas boas é o que desejo a todos!
( a todos, vocês! As pessoas de quem não gosto assim muito, muito, ou as que são umas autênticas bestas, podem ter um ano miserável, que não fico especialmente chateada... não fica bem dizer? Temos pena! )

domingo, 28 de dezembro de 2008

Espírito de um Natal passado...

À semelhança do que aconteceu no ano passado, a Gata Verde teve uma ideia muito gira para um post e fez-me andar a remexer nos baús para achar uma foto de Natal da nossa infância. Já lha enviei, mas entretanto não resisto a colocá-la aqui também, como símbolo de Natais passados e muito diferentes.

Aqui estou eu no meu primeiro natal, com nove mesitos e já a querer armar-me em esperta e andar, enquanto o meu primo B., com oito meses, continua placidamente sentado. (O meu primo B. pertence ao lado louro e de olhos azuis da família, que como rapariga sortuda que sou, nao herdei, claro está. Eu sou do lado do cabelo preto e olhos castanhos, mesmo. Ca nervos!!!!)

A foto é na minha casa em Paris, naturalmente.

E é inevitável relembrar os meus natais brancos em França. Com um sorriso nostálgico penso na inocência com que preparava o café que ia deixar para o Pai Natal se aquecer. Tínhamos uma casa engraçada, em Paris, com uma escada em caracol que ligava a cozinha à sala, a chamada 'loge', onde eram tratados os assuntos do prédio com os moradores (os meus pais eram concièrge, e os nossos aposentos eram contíguos a uma 'recepção', digamos assim). De maneira que, passava o serão do dia 24 a subir a escada para ver se o café ainda lá estava, sinal de que o pai Natal teria ou não passado. Ia deitar-me nesta excitação, e acordava na manhã seguinte com uma excitação ainda maior. Subia a escada a correr, em pijama e descalça (vício que ainda hoje me acompanha) e abria a chaminé. E ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Uma chaminé cheia de presentes!!!! E lembro-me de estar sentada no chão, a olhar embevecida para os livros (o meu presente favorito), e a minha mãe a rir-se no cimo da escada, e a ralhar moderadamente por eu me ter escapulido da cama tão cedo e andar sem chinelos. A minha mãe ainda hoje me chateia a cabeça se me apanha descalça em casa. Aliás, só para não a ouvir, assim que a campainha toca, lá vou eu calçar-me à pressa. Estou aqui sentada no pc e, guess what? tenho os dedinhos ao leú. Estão gelados, mas estão livres!

E pronto, um ar dos nossos natais em França...agora que passou mais um por cá. Se um dia tiver filhos hei-de dar-lhes natais como os que eu tinha. E ai de quem me diga às crianças que o Pai Natal não existe!!!!

E hei-de ensinar-lhes esta canção, também!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

We wish you a Merry Christmas






Isto este ano está lindo, está!....









Esta fez greve!







Este só fala inglês...












Temos aqui um armado em vedeta...













E a outra que pensa que manda, a tal da Maria Safira, a das ideias tristes, diz que não consegue escrever porque tem os dedos estraçalhados depois da sessão fotográfica. Não sei porquê, só lhe dei uma patadinha ao de leve...


Por isso, sobro eu...prrrr....prrrr....prrrr....



Estou aqui cheia de espírito natalício, como se pode ver pela graça da minha pose, e não estou nada a fazer um frete monumental, é só impressão...

Hein? O quê? (a outra está ali a espernear qualquer coisa que eu tenho de dizer...) Ah, é p'ra desejar Boas Festas?

Deves pensar que não tenho mais que fazer...prrr prrr

Hein? Vais tosquiar-me com a tesoura de podar a roseira???Euhhhh...é um bom argumento! Ora vamos lá:


O Gatil da Safira deseja a todos os seus visitantes umas Festas Felizes!


...Bom Natal!...

...muitos presentinhos...

...paz e amor...

...azevias e filhós com moderação...

...mais o 'Música no Coração'...


(e, por favor, não vejam o Pirata das Caraíbas III, que aquilo pode causar danos cerebrais permanentes!!!)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Só para que conste...

Não morri!
Mas ando um bocado atarefada...mas ainda posto os meus votos este ano! Espero.
Era só isto, que o patrãozinho deve estar a voltar do almoço de 3 horas. Não que eu repare nestas coisas...

Olhem, aproveito e mudo a música!
Mas não há foto, que não tenho tempo...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Estou chocada!

Andava à procura do 'Please come home for Christmas' interpretado pelo pedaço de mau caminho Jon Bon Jovi e dou com isto

Ando eu a pedir o homem na chaminé e ele anda-me enrolado com a palerma da Cindy Crawford num vídeo para uma música de Natal? Não acho isto nada normal. Onde é que está o respeito? Hum??? Nos melos, ela com a barriga à mostra e mais não sei quê, e ele a oscular-lhe o queixinho e a cantar uma canção de Natal?
Não acho bem, pronto. Ainda para mais com aquela perua. Como se ela fosse mais gira do que eu, parva da mulher!
Raios partam os homens e as super modelos!
Bah!
Venha o blusão da Mango, Pai Natal! Obrigados.




domingo, 14 de dezembro de 2008

Quem não tem cão, caça com gato...literalmente!

Porque sou contra o conformismo, e porque não me apetece gastar dinheiro a comprar figurinhas, este ano é mesmo assim:


Grande plano (sem metade de 'José', que não coube)




'Maria' e 'José' usam manto drapeado do 'Gato Preto' e laços de sisal.

'Jesus' encontra-se dentro de cesto da roupa forrado com pano vindo de Moçambique (dá jeito ser amiga dos Comandantes), cujo padrão não se enquadra exactamente no espírito da coisa, mas que fica bem com a árvore de Natal. Repousa não sobre palhinhas, mas sobre ráfia reciclada da embalagem da última vez em que me ofereceram flores. Quase não se nota o bolor...
Chamo a atenção para a chegada antecipada de 'Gaspar', 'Baltazar' e 'Belchior'(sem uma orelha graças ao Boris), que estão já a adorar o 'menino' porque os gatos andam muito depressa. E não têm incenso, nem ouro, nem mirra, porque os trocaram por Sheba no caminho.
Pronto, já estou a ouvir as sirenes...vêm aí os senhores de bata branca...
See you!!!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Carta ao Pai Natal


Querido Pai Natal

Eu sei que no post anterior disse que não estava nada com espírito natalício, mas entretanto reconsiderei, e decidi comunicar-to directamente. Espero que saibas usar a internet, Pai Natal
Não te assustes, que escrevo estas singelas linhas sem espírito pedinchão, embora não cuspa na sopa se quiseres largar-me o Jon Bon Jovi chaminé abaixo. Nesse caso, peço-te que me avises, para eu colocar umas almofadas, porque odiaria que o homem me partisse o cóccix.

Espero que não andes muito estafado, Pai Natal. Sabes porquê? Porque queria pedir o teu conselho avisado para tentar decidir se gosto mais do blusão de cabedal castanho da Mango (tamanho M, que a ginástica alargou-me os ombros) ou se devia considerar deixar a ostentação de parte e investir na minha educação, o que conseguiria com a série de 4 DVDS sobre os Impérios de Napoleão, que vi ontem no Corte Inglês. Estava muito perto da zona das séries televisivas e confesso que também não dizia que não à terceira série do ‘Boston Legal’.
Ah, Pai Natal, deve ser uma altura má para ti, eu sei, e felizmente que tens os duendezinhos todos a ajudar, razão pela qual não me custa estar a massacrar-te com esta troca de opiniões inocente. Mas custa-me tanto passar pelo Cantinho do Pintor e ver aquelas maletas Van Gogh, recheadas de material (os óleos, Pai Natal, os óleos), ali abandonadas...ah, poderia fazer coisas tão bonitas se tivesse uma maleta dessas, Pai Natal. Já viste os sorrisos que poderia pintar nas telas e nas caras de quem as recebesse? Que bom é dar e receber, não é Pai Natal?
Sabes que faço um bolo de especiarias extremamente bom, Pai Natal? E que tenho um Cognac maravilhoso (cuja proveniência não posso aqui divulgar, e não insistam porque não posso dizer que foi o chefe que me deu)? Já viste Pai Natal, se por acaso passasses lá em casa com alguma destas sugestões, assim coisas que ninguém quisesse e a que não soubesses o que fazer, podias aligeirar o teu saco, descansar e retemperar forças antes de seguires a voar nos céus, no teu trenó não poluente. Eu também sou muito amiga do ambiente, Pai Natal, e este ano reciclei tudinho, como uma linda menina.

Pronto, como vês, escrevi desinteressadamente, só mesmo para dizer olá, e perguntar pelo Rodolfo. Espero que lhe tenha passado a alergia no nariz...

Grande beijo, Pai Natal
Safira

PS: Também não ficaria aborrecida se enviasses uma embalagem de Mucosolvan ao meu vizinho de baixo, que o pobre não consegue dormir com a tosse cavernosa. Eu sei disso, porque também não durmo, mas não estou nada chateada porque é uma época de alegria e temos de amar os nossos irmãos todos. Mesmo que eles cheirem a peixe e tabaco...
Há pessoas que não têm o hábito de usar perfume, não é? Oh, que coincidência! agora que falo nisso, gostei imenso do novo ‘Euphoria’ do Calvin Klein. Já cheiraste, Pai Natal?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

X-mas Spirit em baixa, mas a malta está a tentar

É provável que este ano não faça árvore de Natal.

Com o Boris na idade do armário,





passaria provavelmente metade da vida a apanhar bolas, grinaldas e quiçá a própria árvore do meio do chão e, convenhamos, tenho mais que fazer!

Também não vou por as velinhas de pai Natal, e o centro de pot pourri cheio de pinhas e pauzinhos de canela, mais ou menos pelas mesmas razões. Nem a meia na chaminé, mas porque não tenho onde a prender, a não ser que alguém me faça o obséquio de dizer como se espeta um pionese numa pedra de mármore (nota mental: antes de gastar dinheiro, ver se a porcaria que se comprou pode ser usada...).

Em suma, e a não ser que algo mude drasticamente (i.e, que o Boris deixe de saltar por todo o lado, ou que inventem arvóres e decoraçãos em cimento armado) Santa Claus vai ficar desapontado com a recepção que lhe vou fazer. Mas até temos pena. Temos pena porque até fomos boazinhas este ano, e o nosso sapatinho devia ficar cheio a abarrotar. Aliás, fomos tão boazinhas que estávamos a pensar por umas galochas em vez de um sapato.

Mas até mesmo as galochas seriam insuficientes para o meu primeiro presente de Natal, oferecido pela minha prima que veio de Paris passar estes dois últimos dias chuvosos comigo, e que personifica como um presente* deve ser. A saber:

- Ser oferecido com gosto, pressupondo que se perdeu tempo a pensar na pessoa

- Ser adequado: ter a ver com a pessoa, ou com o momento que a pessoa atravessa

(panos de cozinha, bibelots parvos, tolhas de banho e electrodomésticos de cozinha, não são um bom presente para mim. Por favor, abstenham-se! Mana, se leres isto, passa palavra, por favor)

O presente da Élia ( que me trouxe mais milhentas coisas, entre elas uns DVDS preciosos de comédia francesa), tem tudo isto. Já explico o que é. Deixem-me só dizer que cometi uma incorrecção ao dizer que foi o meu primeiro presente. Na verdade, foi o último. O que ela me deu no limite do acesso para a porta de embarque, já nas cenas habituais de despedida, para grande divertimento de outros passageiros que devem ter achado estranho duas mulheres já crescidas na choraminguice (sou muito má em despedidas, mas ainda me ri porque o jovem segurança lhe perguntou se estava tudo bem ao ver o seu ar desgraçado. Eu, como nao tinha bilhete, bem podia morrer ali que o tipo não se ralava nada). Com a recomendação de só o abrir em casa, meti-o na mala, para abrir mais tarde. E saiu-me isto:





E isto o que é? Pois que é uma caixinha de 'Daily's Fortune',. Assim tipo um bolinho da sorte chinês, mas sem o bolinho. E para que serve? Para enfoque. Para não se perder a perspectiva. Supostamente, terei de tirar todos os dias um envelopezinho, abri-lo e ler a minha frase de enfoque para o dia. Isto valerá o que vale, mas se formos a ver pela amostra, a coisa não é descabida de sentido. A minha frase de enfoque de hoje, já traduzida da língua de Astérix é a seguinte:


Seja fiel na amizade.


A vida passa, mas os melhores amigos permanecem para sempre.


É um facto. E, como com todos os factos, assimilamo-lo e guardamo-lo num recanto qualquer do cérebro, regra geral só voltando a pensar nele se confrontados. Isto será então um 'daily reminder' para ser positiva e ver a vida como um copo meio cheio e apreciá-la menos como um facto e mais como uma energia.

Assim sendo, Santa Claus, gosto muito de ti, mas acho que já não precisas preocupar-te muito com o meu sapatinho. Apesar de granducho, acaba por já ter pouco espaço para coisas que não tenha e de que precise muito muito muito para viver. As pessoas que me rodeiam encarregam-se de mo ir enchendo de coisas essenciais volta e meia, mesmo que eu nem sempre consiga ver isso da melhor forma e precise de abrir envelopinhos todos os dias para pensar nisso. Tenho 500 dias para encasquetar a filosofia, Estou confiante que deve chegar!

Mas, como não ranhosona, vou imbuir aqui o tasco de espírito natalício e escolher umas músicas de Natal até que a quadra passe. E se alguém quiser cantar Christmas Carrolls à minha porta, como fez o mocito do 'Love actually', na minha cena romântica de eleição, pois que estejam à vontadinha. Especialmente se tiverem a cara que ele tem! ;)

* o autor pressupõe a diferença intrínseca entre 'presente' e 'mimo'. Dar um presente é um acto íntimo. Um mimo é uma atenção, que requer um estudo menos elaborado, embora seja conveniente conhecer minimamente os gostos da pessoa que se quer presentear. Incluo nos mimos, os chocolates, os sabonetes, os gadjets, etc. São presentinhos só para dizer 'pensei em ti'. Um presente diz muito, muito mais. Mas gosto dos dois, sim? Estejam à vontade!