
Raios, não me importava de ter um gato destes...
Are you talking to me? 'Cause if you are, I really couldn't care less...

Raios, não me importava de ter um gato destes...
O sonho comanda a vida, não é? Hum...acho que já estou a perceber porque é que avanço a passo de caracol. hahahahaahhahahahahaaahha. Não importa, a tartaruga ganhou à lebre...Persistência, meus caros, persistência. E entusiasmo. Estes é que são desejos de jeito.
São estes os meus para 2009. Muito entusiasmo. Para todos!

Aqui estou eu no meu primeiro natal, com nove mesitos e já a querer armar-me em esperta e andar, enquanto o meu primo B., com oito meses, continua placidamente sentado. (O meu primo B. pertence ao lado louro e de olhos azuis da família, que como rapariga sortuda que sou, nao herdei, claro está. Eu sou do lado do cabelo preto e olhos castanhos, mesmo. Ca nervos!!!!)
A foto é na minha casa em Paris, naturalmente.
E é inevitável relembrar os meus natais brancos em França. Com um sorriso nostálgico penso na inocência com que preparava o café que ia deixar para o Pai Natal se aquecer. Tínhamos uma casa engraçada, em Paris, com uma escada em caracol que ligava a cozinha à sala, a chamada 'loge', onde eram tratados os assuntos do prédio com os moradores (os meus pais eram concièrge, e os nossos aposentos eram contíguos a uma 'recepção', digamos assim). De maneira que, passava o serão do dia 24 a subir a escada para ver se o café ainda lá estava, sinal de que o pai Natal teria ou não passado. Ia deitar-me nesta excitação, e acordava na manhã seguinte com uma excitação ainda maior. Subia a escada a correr, em pijama e descalça (vício que ainda hoje me acompanha) e abria a chaminé. E ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Uma chaminé cheia de presentes!!!! E lembro-me de estar sentada no chão, a olhar embevecida para os livros (o meu presente favorito), e a minha mãe a rir-se no cimo da escada, e a ralhar moderadamente por eu me ter escapulido da cama tão cedo e andar sem chinelos. A minha mãe ainda hoje me chateia a cabeça se me apanha descalça em casa. Aliás, só para não a ouvir, assim que a campainha toca, lá vou eu calçar-me à pressa. Estou aqui sentada no pc e, guess what? tenho os dedinhos ao leú. Estão gelados, mas estão livres!
E pronto, um ar dos nossos natais em França...agora que passou mais um por cá. Se um dia tiver filhos hei-de dar-lhes natais como os que eu tinha. E ai de quem me diga às crianças que o Pai Natal não existe!!!!
E hei-de ensinar-lhes esta canção, também!
'Maria' e 'José' usam manto drapeado do 'Gato Preto' e laços de sisal.

passaria provavelmente metade da vida a apanhar bolas, grinaldas e quiçá a própria árvore do meio do chão e, convenhamos, tenho mais que fazer!
Também não vou por as velinhas de pai Natal, e o centro de pot pourri cheio de pinhas e pauzinhos de canela, mais ou menos pelas mesmas razões. Nem a meia na chaminé, mas porque não tenho onde a prender, a não ser que alguém me faça o obséquio de dizer como se espeta um pionese numa pedra de mármore (nota mental: antes de gastar dinheiro, ver se a porcaria que se comprou pode ser usada...).
Em suma, e a não ser que algo mude drasticamente (i.e, que o Boris deixe de saltar por todo o lado, ou que inventem arvóres e decoraçãos em cimento armado) Santa Claus vai ficar desapontado com a recepção que lhe vou fazer. Mas até temos pena. Temos pena porque até fomos boazinhas este ano, e o nosso sapatinho devia ficar cheio a abarrotar. Aliás, fomos tão boazinhas que estávamos a pensar por umas galochas em vez de um sapato.
Mas até mesmo as galochas seriam insuficientes para o meu primeiro presente de Natal, oferecido pela minha prima que veio de Paris passar estes dois últimos dias chuvosos comigo, e que personifica como um presente* deve ser. A saber:
- Ser oferecido com gosto, pressupondo que se perdeu tempo a pensar na pessoa
- Ser adequado: ter a ver com a pessoa, ou com o momento que a pessoa atravessa
O presente da Élia ( que me trouxe mais milhentas coisas, entre elas uns DVDS preciosos de comédia francesa), tem tudo isto. Já explico o que é. Deixem-me só dizer que cometi uma incorrecção ao dizer que foi o meu primeiro presente. Na verdade, foi o último. O que ela me deu no limite do acesso para a porta de embarque, já nas cenas habituais de despedida, para grande divertimento de outros passageiros que devem ter achado estranho duas mulheres já crescidas na choraminguice (sou muito má em despedidas, mas ainda me ri porque o jovem segurança lhe perguntou se estava tudo bem ao ver o seu ar desgraçado. Eu, como nao tinha bilhete, bem podia morrer ali que o tipo não se ralava nada). Com a recomendação de só o abrir em casa, meti-o na mala, para abrir mais tarde. E saiu-me isto:
E isto o que é? Pois que é uma caixinha de 'Daily's Fortune',. Assim tipo um bolinho da sorte chinês, mas sem o bolinho. E para que serve? Para enfoque. Para não se perder a perspectiva. Supostamente, terei de tirar todos os dias um envelopezinho, abri-lo e ler a minha frase de enfoque para o dia. Isto valerá o que vale, mas se formos a ver pela amostra, a coisa não é descabida de sentido. A minha frase de enfoque de hoje, já traduzida da língua de Astérix é a seguinte:
Seja fiel na amizade.
A vida passa, mas os melhores amigos permanecem para sempre.
É um facto. E, como com todos os factos, assimilamo-lo e guardamo-lo num recanto qualquer do cérebro, regra geral só voltando a pensar nele se confrontados. Isto será então um 'daily reminder' para ser positiva e ver a vida como um copo meio cheio e apreciá-la menos como um facto e mais como uma energia.
Assim sendo, Santa Claus, gosto muito de ti, mas acho que já não precisas preocupar-te muito com o meu sapatinho. Apesar de granducho, acaba por já ter pouco espaço para coisas que não tenha e de que precise muito muito muito para viver. As pessoas que me rodeiam encarregam-se de mo ir enchendo de coisas essenciais volta e meia, mesmo que eu nem sempre consiga ver isso da melhor forma e precise de abrir envelopinhos todos os dias para pensar nisso. Tenho 500 dias para encasquetar a filosofia, Estou confiante que deve chegar!
Mas, como não ranhosona, vou imbuir aqui o tasco de espírito natalício e escolher umas músicas de Natal até que a quadra passe. E se alguém quiser cantar Christmas Carrolls à minha porta, como fez o mocito do 'Love actually', na minha cena romântica de eleição, pois que estejam à vontadinha. Especialmente se tiverem a cara que ele tem! ;)
* o autor pressupõe a diferença intrínseca entre 'presente' e 'mimo'. Dar um presente é um acto íntimo. Um mimo é uma atenção, que requer um estudo menos elaborado, embora seja conveniente conhecer minimamente os gostos da pessoa que se quer presentear. Incluo nos mimos, os chocolates, os sabonetes, os gadjets, etc. São presentinhos só para dizer 'pensei em ti'. Um presente diz muito, muito mais. Mas gosto dos dois, sim? Estejam à vontade!