Mostrar mensagens com a etiqueta preciso de uma capinha para livros que não me apanham com isto na mão nos transportes. Há limites para as figuras que fazemos pelos amigos.... Mostrar todas as mensagens
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quando morrer vou direitinha para o céu


Fazemos pelos nossos muitas coisas que não faríamos por terceiros, ainda que se pusessem de joelhos e nos prometessem o nosso peso em frascos de Nutella. Não têm conta as coisas que se fazem contra vontade, só por amor a outrém. No topo da lista, e muito justificadamente, vêm as nossas mães. Assim de repente, a coisa mais aberrante que fiz por D. Micas foi gramar com um concerto do Júlio Iglesias porque tive a brilhante ideia de lhe oferecer dois bilhetes. Noblesse oblige, lá fui eu, agradecendo aos santinhos o facto de D. Micas não padecer de pimbalheirite aguda que poderia resultar, um dia, em ter de a levar ao Atlântico ver o Tony Carreira ou coisa pior. 

Pelos irmãos também fazemos muitas coisas surreais como voluntariarmo-nos para esperar por eles quando estão no turno da noite e não têm transporte para casa. Durante vários meses, saía de casa às 7h e voltava para casa já depois da meia noite. 
Pelos maridos também fazemos vários sacrifícios como engomar camisas (sim, somos forretas e não acreditamos no cinq-a-sec e afins) e abstermo-nos de dizer mal do Benfica, e só Deus é que sabe o que me custa não vilipendiar esse e outros clubes por quem nutro especial antipatia.
Faço muitas coisas bizarras porque gosto das pessoas e quero que sejam felizes. Para não magoar um amigo, fanático pelos Genesis, ouvi-lhes a discografia completa, desde o início dos tempos, aqueles tempos em que uma música durava um lado todo do LP (sim sim, o saudoso Supper’s Ready,  Deus o guarde no baú e que eu nunca mais o veja à frente). E eu nem sequer apreciava os Genesis. Agora, claro, não os suporto. Por outra amiga, mas por motivos menos nobres – o já não poder ouvi-la - li a quadrilogia dos vampiros da Stephenie Meyr, que, como seria de esperar, detestei. A  amiga, até hoje, não me perdoou. Diz que sou demasiado racional na análise da coisa. Que é uma história de amor, bla bla bla. Hum Hum. São vampiros e são lobisomens. Nenhum existe. I rest my case. Mas não a consigo convencer. Pior, ela fez de missão de vida o ter de ajudar-me a redimir-me de outra enorme pecha na minha cultura literária. E por isso, porque é uma querida, e porque sem ela não consigo encontrar o caminho da luz, tem lá isto para me trazer amanhã:
Sim. Os três. Yuppi...
Sei que muitos dos leitores que ainda me vão visitando já se estão a benzer, em choque absoluto. A esses leitores quero dizer o seguinte: eu já não posso ouvir aquela alma, de manhã à noite, a falar-me no Christian Grey e na tontinha Anastacia. Eu já odeio os personagens e ainda nem li os estúpidos livros. Mas tenho um grande problema: gosto mesmo muito desta alma doida que me atormenta o espírito com as historietas de americanas frustradas que se vestem de cabedal (errata: parece que não mete cabedal, afinal) e andam por aí a pedir para serem chicoteadas. E como gosto muito desta alminha, e ainda mais da minha paz de espírito, vou (tentar) ler esta treta de uma vez para ver se volto a ter sossego na minha vida. 
Quem disse que os espíritos fortes não se vencem pelo cansaço não conhece a MJ!