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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A lata destes gajos não cessa de me espantar


Partilho aqui um email fofucho que recebi hoje dos meninos do Gaspar. Diz que querem que se peça sempre factura, que senão não se consegue controlar nada, e que é uma maçada para eles, porque depois têm de conseguir receita aumentando os nossos impostos, que é uma coisa que lhes custa imenso, tadinhos, que são tão nossos amigos e só querem o nosso bem. Se não acreditam  vejam o que eles dizem:

"Se todos exigirmos fatura em todas as aquisições que efetuamos conseguiremos:

• Aumentar a riqueza conhecida que Portugal produz (PIB);
• Aumentar as receitas fiscais, sem pagarmos mais impostos;
• Aumentar a equidade e justiça entre todos os contribuintes portugueses;
 Diminuir o défice orçamental e criar condições para uma redução futura da carga fiscal;"


Por outro lado, 

"Quando não exigimos fatura contribuímos para:

 Aumentar a evasão fiscal e enriquecer ilicitamente aqueles que não pagam impostos;
• Diminuir a receita fiscal, que é uma riqueza de todos os portugueses;
 • Prejudicar com mais impostos os contribuintes cumpridores.

Quando é emitida fatura, a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) garante o controlo e a cobrança do IVA correspondente. Se a fatura não for emitida esse controlo é impossível."


Pese embora fique extremamente grata por ter estas verdades de Lapalisse na minha caixa postal (ó meu Deus, que seria de mim sem tão iluminado contributo da AT?), tenho umas considerações a tecer. Umas coisas que o amigo Gaspar ainda não percebeu:

a) Eu não sou funcionária do Estado. Não tenho de lhes fiscalizar a economia. Não tenho de me encher de papéis inúteis e ser insultada por pedir factura por uma bica, só porque o Estado é inepto. Peguem nas perninhas e fiscalizem, amigos. Fiscalizem. Mexam-se. Ah, e já agora, taxem as lojas dos chineses e hipers. Portugal também agradecia!

b) Graças a Deus também não sou uma cabra invejosa. Por isso, a do 'estar a beneficiar quem não paga', também não cola. Quero lá saber da vida dos outros. Eu pago o mesmo, peça factura ou não.  Se alguém se safa, olha, tanto melhor! Se me dissessem 'se pedir sempre factura, no fim do ano tem um rappel de 10% convertível em bolas de berlim' ou qualquer coisa do género, a malta ainda considerava. Agora trabalhar à borla? Para o Coelho e para o Gaspar? PQP, pardon my french. 

c) Como eu, muitas pessoas verão nesta assumpção de incompetência uma oportunidade dourada para fazer negócio. Se eu encontrar quem me faça um desconto amigo na peixaria se eu não pedir factura, o que é que acham que eu vou fazer? Hum?...Ah pois...temos peninha, pois temos, somos contra, por princípio, ah pois somos, mas também estamos cansados de ser os honestos parvinhos. Até porque o peixe anda pela hora da morte!

Ah, mas bom, estou a ser injusta...afinal há uma cenoura de que o Coelho e Cia abdicam:

'Em breve receberá mais informação acerca dos benefícios fiscais (até 250 euros) que serão proporcionados a quem exige fatura'

UAU. Amigos, pegai nos 250€, fazei um rolinho e escondei-o onde o sol não brilha, sim?
Daqui não levam nada.
Obrigada.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Da náusea


É pena que eu não possa escrever tudo o que me apetece aqui porque assim de repente fico a saber de coisas, que não posso contar aqui, e que ficam só tacitamente implícitas para quem quiser fazer elucubrações das mais escabrosas - porém não inverosímeis - e para quem eventualmente souber do que estou a falar (ao bom estilo do ‘eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei’).
É com pesar que constato que a pulhice começa a ser moeda corrente e o parasitismo um modo de vida. Vejo coisas - as tais que não posso contar - e penso, invariavelmente, e numa base diária, que, de facto, teria sido melhor enveredar por uma promissora carreira na pesca: vómito por vómito, no mar sempre há desculpa! Eu, ai de mim, sou obrigada a engolir a bílis negra, que a não posso expelir sem correr o risco de levantar suspeitas com inusitadas corridas à casa de banho, assumindo que a indignação do mais fundo das entranhas aguentava a viagem até lá. Invejo as grávidas: sempre têm a desculpa do enjoo matinal; eu, não me incluindo no estado de graça, não tenho, embora padeça do mal. A nuance é que o meu enjoo matinal se perpetua tarde afora. Uma náusea permanente, portanto. E não há nausefe que me valha, não há bolachinha de água e sal, ou outra mezinha popular, que me alivie.

Conforto-me apenas, no meu imaginário, nesse que seria o meu remake do grande filme de Brian de Palma, Os Intocáveis. Vejo-me muito bem em Elliota Nessia de saltos e farta cabeleira, de AK47 em punho a disparar contra a corja toda. Limpava-lhes o sebo a todos, aos Al Capones deste lindo país à beira mar plantado e aos amigos todos à beira mar plantados, mas mais a sul.