Que Portugal é um país gerido por gente bizarra, já todos nós sabemos. Quem não sabe anda desatento. Ou isso ou vive de rendimentos sociais ou de grandes fortunas e está-se um bocado nas tintas para o que vai acontecendo com quem efectivamente trabalha e contribui para o bolo. Ainda assim, continuamos com pretensões de modernidade e de adesão aos esquemas muito louváveis de outras cidades europeias e agora deu-nos para a preocupação da Mobilidade. Mas Lisboa, à semelhança do nosso novo governo, gosta de inventar: será com certeza a única cidade europeia em que a semana da mobilidade causa entropia a quem já não circula de carro. Lisboa há-de ser a única cidade europeia em que a porra da mobilidade implica a mudança das paragens dos autocarros e uma caminhada extra até meio da António Augusto Aguiar, por sinal uma rua simpática de subir!
Os velhinhos que são passageiros frequentes do autocarro número 7 da Vimeca que, incidently (gosto muito desta palavra), tem como destino um Hospital (!) hão-de achar muita piada a mais cinco minutos a pé e a subir.
Pessoalmente, como tenho uns quilinhos a abater, estou-me um bocado nas tintas, apesar de gostar pouco que me imponham coisas sem me explicarem porquê. O que já não acho tão bem é a Mobilidade ser desculpa para a Câmara arranjar mais uns patrocínios das cervejeiras que montaram uns insufláveis no Parque Eduardo VII e cortaram o trânsito ali, vá-se lá saber porquê. O que é ainda mais irónico é cortar-se o trânsito da rua de onde só saem autocarros, e o utente, se quiser apanhar o autocarro que já lhe custou a vinheta mensal, ter de subir uma rua a respirar o escape dos carros que, justamente, deveriam ser o alvo a abater nesta semana da Mobilidade. Sou só eu ou está tudo doido neste país?
PS: e já mencionei o facto desta nova paragem improvisada ficar mesmo em frente do parque de estacionamento do Ritz, e termos de nos afastar na fila para deixar entrar e sair os carros? Não tinha mencionado, pois não? Pois, mas é o que temos.