segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dia D-5

Faltam só cinco dias para acabar o mês de Janeiro. Conto-os com avidez. Janeiro é o meu mês horribilis anual. Se eu pudesse, erradicava-o do calendário. Parece que só recomeço a viver em pleno quando o primeiro dia de fevereiro me vem acordar os sentidos e me leva o torpor da alma. É irracional, não tem fundamento científico, mas é assim. Odeio Janeiro. Cada vez mais.
O meu ódio pelo mês de Janeiro começou em 1982, com a morte do meu pai. Ficou marcado o dia 7, como o fim de uma era feliz para mim e para a minha família. Vinte anos depois, no dia 16, perdi a minha melhor amiga. Por afinidade, em 2009, o dia 4 marca a partida da sogra que não cheguei a conhecer. Este ano, no dia 18, foi o filho desejado e gerado com sacrifícios vários, que perdemos às oito semanas. Não me quero alongar muito. Pensar nisso, tentar encontrar uma razão só me faz mal porque na realidade não há explicação. Acontece. As simple as that. Não é por sermos mais ou menos bonzinhos, mais ou menos correctos na nossa forma de viver, que somos mais ou menos poupados ao sofrimento. Faz parte da vida as coisas não correrem bem. A natureza sabe melhor, bla bla bla, melhor mais cedo do que mais tarde, bla bla bla... verdades lapalissianas, muito acertadas, é certo, mas que nem por isso trazem conforto. Não deixa de ser uma grande merda, seja por que prisma se olhar. Mas aconteceu, não há nada a fazer. Não seria menos doloroso se tivesse acontecido em maio, ou em outubro ou noutro mês qualquer. Nenhuma destas perdas seria menos dolorosa se ocorresse noutro mês qualquer. Obviamente que não. Mas o que deveria ser um mês de recomeços, de renovar de entusiasmo pelo novo ano que se inicia é, ano após ano, um mês de compasso de espera, enquanto não passam os dias em que inevitavelmente nos sentimos tristes. Não se trata de celebrar a morte em vez de celebrar a vida; as memórias dos nossos mortos carregamo-las connosco todos os dias de todos os meses. A diferença está no facto destes dias de janeiro serem o marco a partir do qual deixaram de ser possíveis novas memórias. E isso, para mim, é  - será sempre - incomensuravelmente triste. 
Este foi um post que pretendia catártico. Há que enfrentar os nossos medos e receios, as nossas dores e revoltas. Falar deles, reconhecer a sua existência como parte integrante da nossa passagem na terra, permite-nos avançar. Mesmo que não compreendamos a cem por cento, mesmo que nos sintamos injustiçados. Shit happens. a verdade é mesmo essa. Cabe-nos arregaçar as mangas e seguir em frente. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

A ténue linha que separa a dedicação da imbecilidade

Apresento-vos a Bebel. Bebel é uma encantadora bichon maltês que pertence a uma senhora brasileira (cheia de guito, ao que parece) chamada Luzia Brito. Bebel tem um carrinho de bébé customizado para passear sem se cansar no calçadão. Bebel tem também mais de trinta vestidos e mais de sessenta laços. Bebel casou-se recentemente com um igualmente encantador Bichon Maltês chamado Ruffio Bianco, ou coisa parecida. Como é que eu sei estas coisas todas? Porque vejo o Discovery Channel. E parece que o Discovery anda a fazer documentários em barda sobre gente que não tem os alqueires bem medidos. Ainda mal me refiz do documentário sobre a cadela carioca que tem um guarda roupa melhor do que o meu e eis que agora estão ali entretidíssimos a mostrar pessoas cuja tara é serem queimadas. I kid you not, há pessoas que se enchem de espuma acelerante e deixam que uma maluca careca chamada Saskia as incendeie. Diz que é afrodisíaco. Ok...

Voltando à Bebel. Adoro cães. Toda a gente sabe. Faço o que posso para que os meus tenham uma vida boa e se sintam felizes. Contudo, depois de ver a vida da Bebel acho-me a pior dona do mundo. Os meus cães andam sem roupa!!! COITADINHOS!!! Como é que vou voltar a dormir sabendo ainda não lhes fiz uma página no facebook, como a da Bebel (que tem 2554 amigos. Vide aqui).  POBRES do Nero e da Nikki, que não têm vida social!!! Que dona horrorosa que eu sou, que não dei um colar de pérolas à minha Nikki. Que dona sem escrupúlos que ainda não contratei uma organizadora de casamentos nem uma costureira para fazer um vestido de noiva à medida, com a respectiva teara e véu, nem encomendei sermão a S. Francisco de Assis para a unir para todo o sempre ao eleito do seu coração.

Abracei recentemente uma filosofia que diz que não devo julgar, mas com coisas destas é difícil uma pessoa manter a serenidade e a abertura de espírito. POR AMOR DA SANTA!!!! ALGUÉM ME INTERNE A MULHER! Num país onde a maior parte da população vive com menos de 1€ por dia é preciso ter uma lata do caraças para andar a publicitar mariquices destas. A cadela é gira que se farta (se se gostar do género cão a pilhas) e não tem culpa nenhuma das figuras que a desequilibrada da dona a obriga a fazer. Eu até acredito que a dona goste muito dela e que queira o melhor para o centro do seu universo. Porém, tudo isto é...ridículo. Pronto. Julguei. Esta dona, que chora no casamento de um cão como se do filho se tratasse, é pura e simplesmente ridícula. Amiga, get a life! Mesmo.

Após consulta às regras da minha nova filosogia de vida, parece que nem mesmo os refinados imbecis devo julgar, por isso vou ali fustigar-me com afinco para me redimir. De caminho vou mudar de canal porque agora, no Discovery, estão a mostrar pessoas que gostam de se dependurar de um tecto, suspensas por onde? por enormes ganchos cravados na pele. Muita porradinha é o que falta a esta malta toda. 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Crónicas de uma alma boicotista, mas que ainda assim quer transmitir votos de boas festas

Interrompemos a hibernação deste espaço lúdico para assegurar os estimados leitores de que continuamos vivos, felizmente de boa saúde e, tendo em conta o estado do país e do grande número de imbecis que o povoam, razoavelmente bem dispostos. Só estamos a passar por uma série de perturbações na rotina pessoal e laboral que têm consumido a quase totalidade dos recursos energéticos de que dispomos. Nada de grave, asseguro-vos, não vos apoquenteis. Mas de maneiras que andamos com pouco tempo, pouca paciência e, lamentavelmente, sem grande criatividade. Para verem o bom que isto tem andado: este ano não fiz árvore de Natal. Não tive paciência para desarrumar a trapalhada toda para ter o arraial montado durante três semanas e depois voltar a arrumar tudo outra vez. Este ano fiz greve ao Natal. Não me apeteceu, pronto. E não tem nada a ver com o facto de ainda continuar à espera do meu IPAD... 

De maneiras que foi um Natal diferente. E já passou., graças ao Altíssimo!; já vou poder fazer compras sem ter resmas de imbecis à estalada por causa de meio kg de camarão ou a fazer voos picados para pegar na última couve portuguesa como se de uma mala Gucci se tratasse. Enfim...

Anyways... isto tudo para dizer que como boicotei o Natal também não me vou esforçar muito para forjar uma lista de resoluções de ano novo, embora tenha cá alguns planos para 2014. Festejar a vitória do Sporting no campeonato. Conseguir que Nero Augusto perceba a finalidade do quadrado de gravilha no fundo do quintal. Por o estúpido limoeira dar limões. Ganhar mais do que 18€ a dividir por 12 pessoas no euromilhões. Coisas possiveis, portanto, embora pouco prováveis. De certo -que o futuro a Deus pertence-, apenas a firme intenção de não me chatear muito, relaxar e viver um dia de cada vez com o meu novo mantra:
God, grant me the serenity to accept the things I cannot change,
The courage to change the things I can,
And wisdom to know the difference.

(também não digo que não a uma G3 ou a uma granada de fragmentação. Só num caso de aflição, não vá a serenidade faltar...)

Se já não 'falarmos', desejo a todos votos de um excelente 2014. Be happy!!!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Gérard de Villiers

Teria talvez uns 13 ou 14 anos quando comecei a dedicar-me às prateleiras de livros ditos ‘de adulto’ deixados pelo meu pai. Lidas as colecções d’Os Cinco, d’ Os Sete, das Gémeas no Colégio de Santa Clara, mais uns quantos romances de algibeira com nomes bonitos (Aubépine, La Roche au cerfs, que li não sei quantas vezes), a Enciclopédia Médica do Reader’s Digest (sim, eu lia enciclopédias, e depois?),  A Vida na Terra do Attenborough, e mesmo a Bíblia ilustrada, fiquei, pasme-se, sem nada para ler. No desespero, fui à estante dos livros-que-aparentemente-são-uma-seca-descomunal-sem-qualquer-interesse-para-o-comum-mortal ( por terem capas com um 'certo' aspecto)
e peguei num, mais ou menos ao calhas. Já não posso jurar qual dos títulos me tornou numa Villiers junkie, mas sei que papei todos os que tinha.  E eram muitos, pelo menos todos os publicados até 1980, altura em que regressamos a Portugal e o meu pai deixou de acompanhar a saga do Prince Malko, agente secreto da CIA, de olhos dourados, choruda conta bancária e talentos de sedução que fariam James Bond corar de vergonha. O que tinham de extraordinário os livros de Gérard de Villiers? Para já, histórias de espionagem internacional muito bem urdidas, com aturada pesquisa, contextualização para totós (como eu era na altura, antes de me tornar no ser superior que sou hoje, claro). Depois, factor que desde logo me cativou, o requinte de malvadez com que eram pintadas aqui e ali cenas de assassínio, torturas, etc. Umas das que me marcou foi a candura com que o traficante panamiano convidou a sua vítima o seu compincha dealer para um mergulho numa piscina límpida e cristalina. Impagável o  detalhe com que Villiers nos explica o horror incrédulo do pobre homem quando mergulha e sente os primeiros pedaços de pele e carne a cair... Atão e perquêi??? Perque a piscina límpida e maravilhosa era uma piscina de ácido! Quem é que se lembraria de ter um chefe mafioso com uma piscina de ácido no quintal, senão Gérard de Villiers?
Por tétrico que possa parecer, também havia lugar ao sentimento. Pois que o Princípe Malko Linge também era um homem dado à sensibilidade, pois que também sofria quando, não raras vezes, a mocita com quem mantinha tórridas ligações carnais sucumbia aos ferimentos de uma bala perdida ou era entregue a outro destino igualmente fatídico (fosse ele qual fosse, porque o Príncipe tinha uma namorada fixa, pontas soltas e mocitas assolapadas globo fora é que não, que a bela (sim, para Gérard de Villiers só os maus é que são feios) Alexandra não ia gostar...

Tenho para mim que o Príncipe Malko era um pouco o alterego do seu criador que  ontem nos deixou, aos 83 anos. Li a notícia com a tristeza que marca sempre o desaparecimento de alguém, mas sobretudo com nostalgia. Há anos que não pensava nestes livros que há muito encaixotei na garagem. E não sei se exagero ou não, mas, se na altura me tivessem posto o Harry  Potter à frente, não teria trocado.  Não mesmo...

A lata das pessoas é uma coisa que não tem explicação

Oito e picos da manhã. Perdido o comboio por escassos 35 segundos, e com dez minutos de espera pelo próximo, dirijo-me ao café da estação para aumentar o meu perímetro abdominal com calorias absolutamente escusadas. Noto que se assoma ao meu lado, ao balcão, uma senhora muito agitada, mas não lhe ligo mais do que o necessário, esperando placidamente a minha vez. Que chega, finalmente. Eis que peço ao rapazinho o meu bolinho para levar. Mas antes de conseguir acabar a minha frase, a hiperactiva ao meu lado começa a bater com uma moeda em cima do balcão e vá de dizer (ao empregado, preciso) 'Olhe desculpe, posso só pedir duas bolinhas que senão perco o comboio e só tenho de hora a hora?'.
E que acham que aconteceu? Pois que o empregado vá de largar tudo e ir atender a senhora. Virei-me para lançar o meu olhar de profundo desdém à criatura, assim como quem diz 'és pouco malcriadinha, ó cabra' porque Deus me livre de sequer perder latim com gente deste calibre. Ainda me pediu 'imensa desculpa', o que me fez tanto efeito como um pente a um careca, porque o meu problema já não era com ela, mas sim com o anormal do empregado que, corrijam-me se estiver errada, até podia atender a monga primeiro, mas NUNCA sem pedir-me licença primeiro. Seria pedir muito? Suponho que sim, porque um simples 'obrigada por ter cedido a vez' também foi coisa que não ouvi nem de um nem de outro. Posto isto, estou a fazer uma sondagem: o que deveria ter feito esta vossa dilecta amiga?
a) ter descomposto a apressada hiperactiva e não lhe ter cedido a vez
b) ter descomposto o empregado e ter-lhe dito que não é ele que decide se pode ceder a vez do cliente
c) ter desejado um óptimo dia aos dois e ter ido comprar bolinhos a outro lado.

Era a c), não era? Também acho, mas o raio do bolo estava com tão bom aspecto que calei e amoxei, comprei o estúpido bolo e agora odeio-me profundamente. Para a próxima, bato primeiro e pergunto depois. Just in case. Para não ficar a pensar nisso.  
Mas em calhando ainda vou fazer reclamação no livro, quando for para casa logo à noite. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais valia continuares de baixa de parto e caladita

Passou-se de todo!

Amiga Assunção, 
Eu não lhe digo a si quantos filhos deve ter à custa dos meus impostos, pois não? Então caladinha, que em casa de cada um manda cada qual. Se estiverem bem tratados e se não incomodarem os vizinhos, qual é o problema? Era o que mais me faltava. Esta gente é parva. E fazem o quê aos animais 'em excesso'? Vão para o canil, para a injecção? Ide todos mas é... olhem, é para aí mesmo!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Estou a ficar velha

Tempos houve em que ficaria absolutamente ursa por ver o meu Sporting perder no Dragon por três batatinhas e em que voariam objectos pela sala e os gatos também, se não me fugissem da frente a tempo. E mesmo Sasha Margarida só se safava graças à silhueta anafada, que a raiva dá força, mas não tanta que chegue para 40 kgs de cão. Eram tempos em que as emoções eram vividas em pleno, tempos de que por vezes tenho saudades embora em nada dignificassem o meu porte de senhora. Nunca esquecerei a noite em que Miguel Garcia nos colocou na Final da Taça Uefa, nem o choro compulsivo, partilhado com a minha mana em casa da senhora nossa mãe que nesse dia teve a certeza que nem uma nem outra jogavam com o baralho todo. Coisa mai linda, duas mulheres com idade para ter juizo, de joelhos no chão, agarradas uma à outra a chorar baba e ranho. Cenas tristes, pois com certeza, mas há lá coisa igual à partilha de uma alegria comum?!

Belos tempos esses, em que eu ainda vibrava com a bola. Percebi ontem, com alguma tristeza, que a minha chama sportinguista, outrora comparável a uma chama olímpica, anda agora na vizinhança da chama piloto de esquentador inteligente. Não se apaga, está sempre ali, mas assim a modos que também não se dá quase por ela. Percebi isso ontem enquanto ouvia o relato no telemóvel. O jogo já tinha começado, e já perdíamos por 1-0 e eu estava a tentar ouvir o Professor Martelo ao mesmo tempo e distraí-me por momentos. Voltei a prestar atenção quando ouvi o locutor anunciar  'Golo.........William Carvalho... É Golo...Goolooooooooooooooooo... E fiquei à espera, para ver de quem era. Fazia lá eu ideia de quem era o William Carvalho, valha-me Deus! Ora já isto não pode ser bom. Quando uma pessoa não conhece os seus próprios jogadores, a coisa está muito mal... mas quando por acaso o golo é nosso e a nossa reacção é levantar o braço, dizer 'Golo!' no mesmo tom de voz com que se pede ao marido que passe o jarro da água e continuar a ouvir o Professor como se nada fosse, a coisa morreu mesmo. Nem um salto, nem um festejo, nem um 'Toma lá Helton, vai buscar! embrulha, ó urso' e outros mimos não reprodutíveis aqui. Nada. (Dir-me-ão, também não valia a pena que três minutos depois foi o Patrício que lá foi buscar, mas pronto, for the sake of argument).

Maneiras que estou um bocado triste comigo mesma. Estou a perder qualidades. No sentido de que o meu SCP já não está no meu top ten de prioridades. Assim de repente consigo pensar em duas dúzias de coisas que me importam mais do que a classificação no campeonato. Ah...o inexorável caminhar do tempo. 


Estou ficar velha. À cautela já comprei um sérum...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Das maldades boas que se fazem a mães octogenárias

Atraí a vítima com a promessa de um cházinho tranquilo em minha casa. Coisa corriqueira e que acontece amíude, já que a senhora minha mãe nunca diz que não a uma chávena de Earl Grey. Fui buscá-la de carro, como faria em qualquer outra ocasião. Se D. Micas fosse uma pessoa mais observadora talvez tivesse reparado no nervoso miudinho com que a apressei a entrar no carro, no facto bizarro de estar com o telemóvel ao colo, logo eu que NUNCA atendo chamadas ao volante, ou ainda na minha exasperação quando, já em domínio safiresco, em vez de se dirigir à porta para entrar me ficou pelo caminho a admirar a pseudohorta do quintal, com as couves espigadas e o limoeiro que nunca deu limões, e ainda voltou atrás para se já dava para apanhar alguma clementina. Completamente alheia ao facto de que lá dentro, escondidas na sala, 25 pessoas aguardavam a sua entrada para romperem em apoteótica celebração.

Entrámos. Do fundo da sala, do equipamento de Karaoke especialmente trazido para a ocasião, soltam-se as primeiras notas do Parabéns a Você. D. Micas olha em volta, sem querer acreditar. Batem-se palmas, grita-se SURPRESA!!!!!. Uma mole humana empurra-se para abraçar a aniversariante: sobrinhos que vieram de Trás os Montes, outros de Mindelo, família local e amigos. Há muitos sorrisos, mas também vejo olhinhos marejados de lágrimas, por entre as minhas próprias lágrimas. Mas são lágrimas boas. A alegria no rosto da minha mãe é uma coisa que não vou esquecer tão cedo. Nem as suas palavras comovidas quando a multidão em delírio exigiu um discurso. A modéstia impede-me de me alongar, mas as palavras 'filhas maravilhosas' foram mencionadas. E se há pessoa que mereça uma homenagem especial, essa pessoa é mesmo a minha mãe, a quem devo tudo quanto tenho*, e tudo quanto sou. E a quem tenho de agradecer por tudo quanto não sou, ou tento ferozmente não ser, tendo sempre o seu exemplo de rectidão e fortes princípios por baliza. 

Espero que conte muitos mais anos connosco para poder ainda retribuir-lhe muito do muito que nos deu e nos dá, todos os dias. A minha Micas é a MÁIOR!!!!!


*É certo que D. Micas também é responsável por coisas que não tenho, como o piano que lhe quiseram dar quando voltou de Paris e que declinou a pretexto da falta de espaço. Falta de espaço, D. Micas? Who cares! Era um piano!!!! e era DADO!!!! ARGHHHHHHHHH!!! sim, é um trauma de infância que ainda não superei totalmente). E também não vou falar do Castelo (la Gazaille) onde D. Micas não quis aceitar um emprego de governanta, negando-me o meu direito natural a crescer num palácio nobre. Nem vou comentar. Trinta e cinco anos depois ainda me dói fundo, na ialma... um castelo. Eu podia ter crescido num castelo. Ó infortúnio cruel, ó profunda ironia...Logo eu, que ainda acalento esperança de encontrar vestígios de sangue napoleónico algures nos meus tetravós paternos, tão perto estive da Glória Suprema...True Story.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Dia Mundial do Animal



Podia dedicar este post aos meus dois cães, dois gatos, duas tartarugas e nove bengalins do japão, mais às osgas e às lesmas que também aparecem lá por casa. Podia agradecer-lhes (e agradeço, mas não é só hoje, lá está!) o brilho extra que dão à minha vida, mesmo que dêem um trabalho monumental e despesa considerável. Era tão mais fácil botar aqui fotos fofinhas, dos meus, ou de outros quaisquer, que pululam a net, bonitinhos e bem tratados. Podia, mas não ponho. Não ponho porque não há nada de fofinho na vida de milhares de animais por esse mundo fora, e hoje a vida não se lhes vai transformar só porque alguém determinou que é dia do animal. Por isso, só para contrariar os optimistas que criam dias para tudo e mais um par de botas, este post vai para destinatários especiais:
Para todos os animais que não têm uma casa e que passarão mais uma noite, igual a todas as outras noites, ao relento, com frio e com fome; 
Para aqueles que aguardam por uma casa, enclausurados em jaulas superlotadas;
Para aqueles que tendo uma casa passam a vida acorrentados, e levam pontapés quando só querem uma festa, comem quando calha e não têm cuidados médicos;
Para os que são largados nas bermas das estradas;
Para os que são atropelados, sejam cães, gatos, raposas, mochos, falcões porque dá muito trabalho ir devagar em zonas de floresta;
Para os que nunca vêem a luz do dia, presos em gaiolas de laboratório;
Para os que são caçados ou atormentados por desporto;
Para os que vêem o seu habitat natural reduzido de dia para dia pela acção do homem;
Enfim, para todos os que hoje não vão ter mimos especiais porque, afinal, este é só mais um estúpido dia na sua vida miserável.

Tenho mau feitio? Pois tenho. Detesto hipocrisias. Tenham lá paciência. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

'Tá explicada a descida da fertilidade do mundo ocidental


E foi este senhor que descobriu a pólvora. Este ser humano, abnegado e iluminado, vem hoje a público ajudar-nos a aumentar os nossos índices de natalidade. Vede aqui.

Meninas! Afastai-vos desse demo que é o automóvel, esse alterador de ovários que vos eleva as ancas e vos empurra a 'pélve' para cima, impedindo-vos subrepticiamente e pela calada de terdes dúzias de meninos. Voltemos todas a andar a pé. Ou de burro. Quiçá às cavalitas deste Sheik, por que não?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quem vê caras não vê corações - ou outro provérbio aplicável a um imóvel lavadinho por fora e uma porcalhota por dentro

Anda aí na berra o novo centro comercial (ha ha ha) de Lisboa, apelidado de Embaixada, que veio ocupar o Palacete Ribeiro da Cunha, ali ao Príncipe Real. Como vizinhos, tivemos direito aqui no office a convite para a inauguração que, consta, foi muito animada com muito pindérico pendurado nas varandas a comer e beber à borla.  Eu não fui, obviamente, que tenho mais o que fazer e não aprecio as aglomerações de tios da linha mortos de fome (ah, não vos disse, pois, as lojinhas são todas muito tias, muito tias, que caturreira.).

Já mentalizada para a potencial pinderiquice, ainda assim não quis deixar de ir ver in loco porque o palacete é lindíssimo e mortinha estava eu por poder entrar lá dentro. Pois que entrei, extasiada, pronta para uma viagem ao passado, mesmo que com um twist de modernidade. Quanto ao passado não fui defraudada. Na verdade, o cotão do século XIX ainda lá está, a fazer companhia à alcatifa puída e remendada. E ao espelho da escadaria da entrada, manchado e partido. E já nem falo dos tectos com a tinta a pelar, ou dos murais em clara necessidade de restauro. Quanto ao twist de modernidade foi mesmo só o cheiro a assados, vindo do café restaurante que uma alma iluminada decidiu colocar no mini claustro interior. Um must. 
Certinho certinho é que até me tirarem os escaparates de mantas do nepal, xanatinhas e malas de lona que custam 148€, ou até restaurarem o palacete por dentro como deve ser, não volto a por lá os pés.


Muito boa ideia, sim senhora. Aprecio bastante a nobreza falida que não tem dinheiro para restaurar o património que herda e o vende ao desbarato a "imobiliárias" que depois andam aí a fazer “bonitos” destes, disfarçados de requalificações. Respeito pelo edifício e ambiente do bairro  my ass! Tende vergonha, mas é. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

o filho pródigo que escusa de voltar

Leio aqui que o jovem Bruma terá dito, referindo-se ao meu Sporting: “Vou ter muitas saudades, pois sempre foi esta a minha casa. O que tenho a dizer aos adeptos e sócios é que isto é apenas uma passagem para mim. Voltarei ».

Caro Bruma, como  adepta  - não sócia (deus ma livre, tanto livro que eu compro com o dinheiro das quotas) - se te tivesse ouvido tinha-te dito o seguinte: “epá, ó Bruma, deixa lá ‘tar isso, sim?  Por mim podes ficar nos turcos para toda a vida e mais um dia. Até podes ir depois para o SLB ou para o FCP que é para o lado que eu durmo melhor. Já agora se o fizeres, faz no prazo de cinco anos que é para o Sporting encaixar mais 30 milhões, que até nos dava jeito. Agora voltar para o Sporting? Mas nem que a vaca tussisse lingotes de ouro tu lá voltavas a por os pés se fosse eu a mandar. Nem que isso fizesse o Sporting campeão durante dez anos eu te lá queria. Há valores mais altos, meu caro amigo. Um dia vais perceber...”
Era isto que eu lhe dizia. Mas isto sou eu que sou má. Se eu não fosse má, fazia como no    benfas, que admite que um gajo falte ao respeito ao treinador e o mantém a jogar. Se fosse comigo, bom ou não, o Cardozo também já estava na rua. Sou má, lá está. É uma falha de caracter grave que me impede logo à partida de ser dirigente seja do que for. É que também tenho esta dificuldade em baixar as calcinhas e dobrar-me pela cintura e deixar que...enfim. Tenho a coluna pouco flexível. Também pode ser da espondilose, que isto dos 40 é uma coisa terrível. Mas sempre direitinha. Não há agachamentos comigo. Lamentamos profunda e sentidamente.

Posto isto, Bruma, tem uma boa vida, sim? Longe.
Agradecida.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Os cromos que faltavam


Preciosa
Falópio
E aqui estão eles, os mais recentes habitantes do zoo da Safira. Preciosa - que espero seja uma fêmea, embora não possa jurar - viveu no escritório até ao passado mês de Agosto. Comprei-a no regresso de um teste de História da Arte Portuguesa que não me tinha corrido grande coisa. Como aqui na zona as boutiques que existem ou são de griffe ou só têm coisas pindéricas (vai dar quase ao mesmo, mas não digam a ninguém que eu ousei criticar os estilistas nacionais) entrei na primeira porta onde percebi que podia gastar dinheiro (que é como quem diz afogar as mágoas. Há quem vá para as drogas ou o álcool, eu é mais bichos, pronto). E assim trouxe a Preciosa, mais a sua ilha com  palmeira, a quem botei orgulhosamente em cima da minha secretária aqui no escritório. Se dúvidas restavam quanto à minha (in)sanidade mental depressa se dissiparam quando um dos administradores (felizmente nenhum dos meus) me encontrou a caminho da casa de banho, para tratar da higiene pessoal de Preciosa. "ah, leva aí um peixinho!!" (é isso, é uma espécie nova, muito rara, tem 4 patas e estica o pescoço...DAHHHH!!! mas pronto, temos de ser delicados, afinal os estúpidos são pessoas como as outras; embora tenham deficit de inteligência também têm sentimentos e temos de ser cristãos) "não, não, é uma tartaruga". " "Ahhh, que giro.  E tem nome?" "Tem tem, é a Preciosa!". A cara do homem foi impagável. Eu sei que a minha credibilidade acabou nesse momento. E eu raladinha com isso.

Preciosa (que come como uma bestinha) foi crescendo, crescendo, até que me começou a ficar entalada entre a palmeira e a parede do aquário. Percebi que tinha de comprar uma casa maior, o que resultou na aquisição por arrasto do pequeno Falópio. Estava em promoção: Compre a tartarugueira e leve a tartaruga. E como resistir a uma coisinha tão fofa? E pronto. Lá andam os dois alegremente na casinha nova, ela cinco vezes maior do que ele (também não sei se é macho, note-se), e ele aproveitando-se desse facto para lhe subir para a carapaça e cravar umas boleias. É mesmo giro, o pequenito Falópio. E porquê Falópio? Porque teve de ser, prometi que deixava escolher o nome, para mal dos meus pecados. Também eu interroguei delicadamente o padrinho quando me deu conta da sua escolha: "Falópio????? what the hell?!!". Obtive isto como resposta: "assim podes sempre dizer "ó Falópio, o que te aconteceu? Estás cá com umas trombas!"

E é isto a minha vida...

PS: o padrinho também sabe que são trompas e não trombas, mas diz que é for the sake of argument. tá bem, pronto...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O ciclo da vida

Há dias relatei a minha satisfação por ter tentado salvar uma osguita estropiada. O verbo é bem empregue. Tentei, mas não logrei alcançar o objectivo e, é pois, com pesar que informo que encontrei há pouco os seus restos mortais, ali perto do canteiro onde a depositei na esperança que o sossego a deixasse recuperar. Não sei isto é um presságio de desgraça aqui no escritório, é verdade que duas garantias bancárias bateram na trave e que anda tudo um bocado mal disposto, mas creio que devo contrariar o mau karma com uma história de sucesso.

Há uns tempos postei aqui que os meus mandarins tinham dado cabo das crias todas. Fiquei bastante chocada na altura, por isso, quando os bengalins do japão começaram nova postura nem quis saber. Deixei-os estar, na esperança de que aquilo não desse em nada. Só para me contrariar, no dia em que fui de férias, espreitei o ninho e lá estava uma bolita com pernas a mexer no meio das cascas. Certa de que o bicharoco ia acabar como os outros, nem me entusiasmei. Deixei tudo entregue à minha irmã e fui-me embora. Os relatos diários iam dando conta dos progressos da criatura e dos dois irmãos nascidos entretanto. Quando voltei já tinham penas e poucos dias depois já olhavam com dois olhões muito desproporcionados (são feios que se fartam os pássaros recém nascidos). Comecei a gostar dos bichos e a passar mais tempo do que devia em contemplação da rotina familiar. Os bengalins do japão, contrariamente aos dois mandarins idiotas que lá tenho, são pais extremosos e cientes das rotinas. Um alimenta, o outro ingere os excrementos para manter o ninho sempre limpo. Sim, é nojento, mas é assim, que vi eu com estes dois olhinhos.
E aqui fica o resultado desta empreitada numa foto de família tirada às sete da manhã quando ainda estão todos ensardinhados no ninho. 
Os bébés, já quase autónomos agora, são os dois completamente brancos, que penso serem albinos e talvez ainda possam render umas coroas porque não vejo com frequência nesta raça, e o mais pequenito( em baixo à direita) malhado.
Como não podia deixar de ser, esta malta tem  (quase) toda nome: o pai Anis, único macho (de peito branco); Canela (uma das mães possíveis, a mais escura à esquerda); Cacau (a outra mãe possível, escura em baixo); Mel, a tia solteirona e chata, armada em vamp na foto, ao centro. Os pequenitos: Jorge Jesus (um dos albinos, assim baptizado por causa da farta cabeleira branca na altura); Afonso Henriques, o outro albino, porque o apanhei a bicar a mãe, ingrata criatura; e, por fim, o sem nome, malhadinho porque ainda não se destacou. 

Amanhã mostro as minhas tartarugas. E logo a seguir, a Arca que vou ter de construir... 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Pecadilhos ocasionais




Receita para destressar quando o dia está mesmo a correr muito mal:

 - engolir a marmita o mais rápido possível para fugir ao turno das pavoas da copa
 - ir num pulinho até à Rua Nova da Piedade, nº 68
 - pedir um copo médio com sabores de pistáchio, avelã e oreo
 - sentar num banquinho no jardim da Assembleia da República e lambuzar os beiços enquanto se corta na casaca das pavoas com as nossas colegas cool.
 - a opção lambuzar os beiços no banco de jardim enquanto se lê o último do Zafón é outra opção interessante, mas precisava de mais mãos...

Mighty fine, é o que vos digo! Experimentem, são mesmo bons!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Este blogue ainda mexe qualquer coisinha

...pelo menos mais do que a pobre osga que acabei de transportar na pá do lixo da dona Alice, e que deixei no canteiro das hortensias na esperança que recupere do encontro imediato que deve ter tido com um cilindro compressor, a avaliar pela extensão das lesões. Vive, mas não está em grande forma. Espero que se safe.

E pronto, este foi o ponto alto do meu dia aqui no escritório. Continua tudo na mesma, portanto...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

E depois sou eu que tenho mau feitio...

Sou frequentemente acusada de ser uma pessoa um nadica embirrante e com algum mau feitio. É uma crítica que aceito com alguma facilidade; se a minha própria mãe o diz é porque deve ser verdade. Nada como uma pessoa insuspeita para nos dar um banho de humildade de vez em quando e D. Micas é mestre no cházinho quando é preciso. Em minha defesa, porém, considero que há uma linha muito fina entre o embirrar  e o ser minimamente exigente. Às vezes embirro, é verdade, e embirro só porque sim, porque sou humana e imperfeita. So shoot me. Outras vezes, como esta manhã, não há tanto uma embirração como uma incredulidade completa perante a  incompetência das novas gerações e a fraca qualidade do serviço que as lojas oferecem agora.

Entrei numa perfumaria à procura de uma fragrância para o senhor meu sogro, que celebra três quartos de século amanhã. Embora tenha as minhas preferências pessoais em termos de perfumes masculinos, confesso-me mais parcial a aromas menos clássicos, mais frescos, e que, creio, não se adequariam. Expressei estas dificuldades à simpática moça (assim que ela largou o livro que estava a ler quando entrei, o que, não sendo profissional, não é tão mau quanto estar a ler a Caras ou a Hola. Embora eu até goste da Hola, que as pindéricas espanholas conseguem ter muito mais classe do que as nossas, e até se vêem uns vestidos que não lembram os cortinados da avó mal engomados de que as tias de Cascais tanto gostam), na esperança (estúpida, claro) de que ela poderia ser de alguma utilidade. Perante o ar completamente perdido da funcionária, avancei o clássico Farenheit na esperança de conseguir sair da loja antes da hora de almoço. Apologeticamente, diz-me: “é que eu sinceramente perfumes de homem não percebo muito”. Calha sempre bem, numa perfumaria... mas pronto, achei divertida a sinceridade e pensei cá para comigo, coitada da moça, há coisas piores, afinal temos um primeiro ministro que também não percebe grande coisa do métier e o “chefe” dele também não se rala nada com isso. Pelo menos a moça foi sincera. E como disse, muito simpática. Por isso lhe desculpei ainda a manifesta falta de jeito que a levou a dizer-me que não tinha um spray para cabelo que eu tinha acabado de ver na montra. E quando lhe disse “mas olhe que está na montra” ainda teimou: “tem a certeza????”, “tenho sim senhora. O rótulo está em inglês, tá a ver, mas diz aqui “hair spray”... “ah...tem razão!”. E acrescenta, pesarosa, “sabe, é que estou aqui há muito pouco tempo...”.  Pois, a malta percebeu. Mas é sexta feira, estou a uma semana das férias, a perfumaria não é minha e a vida é globalmente bela. Saí com os meus produtos e com um sorriso no rosto. Acho que D. Micas ficaria orgulhosa da sua filhota mal humorada.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Como disse?

A música da cena em que o "Psyco" Anthony Perkins esfaqueia a pobre moça no duche ecoa subitamente no open space. Ah! uma chamada de trabalho. Atraverso lentamente os escassos metros que separam a máquina do café da minha secretária, onde o meu telemóvel se agita impaciente. 253 qualquer coisa. Um número que não reconheço, lá das bandas de Guimarães ou coisa que o valha. Deve ser outro engenheiro com um problema existencial com que me chagar os miolos. 
Atendo, com um simpático (e obviamente fingido) tom de solicitude profissional:
Eu: Estou, sim?...
Alguém: Bom dia!
Eu: Bom dia...
Alguém: Estou a falar com o Bruno? 

...claro que sim, se o Bruno for castrati ou viciado em hélio... 

Ainda assim, abafo o sarcasmo e respondo:...bem, não, não está a falar com o Bruno...
Alguém: Ah, deve ser engano (deve ser??? Hello!!! Ainda está indeciso?). Desculpe. Bom dia.

Ao simpático senhor que acha que eu sou um homem deixo um artefacto extraordinário que decerto o ajudará até que se encontre uma cura para a estupidez.

Cotonete: à venda num supermercado perto de si.

domingo, 21 de julho de 2013

Impeachment já!

Devia haver uma lei que impedisse amebas gágás de ditar os destinos de um país. Quando uma criatura que destruiu o sector agrário e a indústria pesqueira deste país, que se encanta com sorrisos de vacas, que se queixa da sua parca reforma, que mal lhe dá para os gastos, coitado do homem, mas que gasta 160 mil euros numa viagem a um ilhéu a que nunca ligou pevide antes enquanto o circo está a pegar fogo em Portugal, perdão, no continente (mimo a gaffe, já agora, que tão bonita foi) me tem a distinta lata de dizer que manter em funções os imbecis presunçosos que estão a dar cabo do pouco que ainda temos é a melhor solução que ele consegue encontrar, então das duas uma: ou a arterosclerose atacou em força, ou a criatura é manifestamente incompetente. Quiçá ambas. Devia por isso fazer a única coisa que me parece lógica: ir para casa coser meias e brincar às casinhas com a Maria em vez de com os portugueses. Ela tem obrigação de dar o rabinho quando ele quiser. Nós não.

 É isto que me ocorre quando penso na ameba e nos seus acólitos. 

 Cry - Godley and Creme

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O que eu gostava de ser uma pessoa moderna e adepta das tecnologias

Poderia assim aproveitar as 550 mil funcionalidades do super telemóvel xpto que herdei recentemente e que me tem enchido os dias de um saudável nervoso miudinho e crescente alergia. Não vou nomear a marca porque a samsung  empresa sul coreana que fabrica o galaxy mini modelo que tem nome de cena do espaço não me paga para fazer publicidade, especialmente da negativa. Também é verdade que o defeito pode ser meu mas acredito mais que o gingarelho tem vida própria e entra em modo "vou-te lixar a vida" porque planeia secretamente apossar-se da minha personalidade para comandar o mundo. É a minha convicção e não abdico dela, tal como não abdico da convicção de que sou descendente de Napoleão. Mas isso é outra história de que me lembrei porque li há pouco que o bébé da anoréticazinha Middleton será primo em 23º grau da filha da Beyoncé (isto se nascer ainda neste século, que a coisa parece que está para durar) que é uma notícia que nos enche de incomensurável alegria, claro, porque estamos todos muito preocupados com isso. Pois eu preocupo-me mais com o facto de ter um telefone que se desliga sozinho ou que decide que não lhe apetece receber chamadas assim de repente, ai que chatice! agora ter de tocar quando pode estar sossegado na sua bolsa a coçar a micose.  Pois é isso que o gingarelho do demo faz: greve indescriminada. Herdei o telefone do Carvalho da Silva e ninguém me disse. Acho mal. Tenho muitas saudades do meu velho Nokia que mesmo após oito anos de fiel serviço, noite e dia ligado, continua com a bateria de origem que ainda aguenta uma semana inteira. É certo que não posso tirar fotos, nem enviar emails, nem fazer aquelas coisas que a malta da tecnologia faz, o postar no instagram e no feicibu (tanto para dizer sobre a minha falta de paciência para o feicibu e tão pouco tempo...), nem ver o tempo, nem saber as farmácias de serviço, nem os restaurantes da área, nem tem GPS, nem mede a velocidade a que vai o carro ou o comboio. É de facto muito limitado quando comparado com o tal da samsung empresa sul coreana. Porém...Faz chamadas. Recebe chamadas. Consigo acertar nas teclas à primeira, mesmo com unhas grandes. Não se desliga só porque sim. Não hiberna. Não bloqueia. Não tem uma autonomia de merda. Funciona, portanto. Não sei, se calhar sou eu que estou a ficar velha do restelo...mas antes isto que anjinho, como este gato.
               (psst, gatinho...não é que não te liguem: é que tens um samsung e ele finge que está vivo, mas está mais morto que um coelho esfolado há três meses. Faz assim: Liga o modo de voo. Desliga o modo de voo.  Conta até dez. MAGIA!!!! Olha pra ele a receber as notificações das 300 chamadas que nunca tocaram! AWESOME!!!!! )

(já sei que alguém vai ler este post e chamar-me cabra ingrata só para não me dar razão... )